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Álvaro Leme
É um gesto tão simples que eu duvido que você tenha parado algum dia aí na sua vida pra se perguntar como foi que esse negócio apareceu na rotina das pessoas. Mas é pra isso que eu tô aqui, então hoje a gente vai conversar sobre como surgiu o aperto de mão. Sempre que eu aprendo uma coisa nova, eu fico logo com vontade de contar pra mais gente. Minha família, meus amigos. Era assim desde criancinha e continua até hoje. Por isso eu criei o Aprenda, que é o programa que ensina coisas que você nem sabia que precisava saber. Eu sou o Álvaro Leme e a cada episódio trago informação interessante pra você descobrir e, claro, repassar pros seus amigos. Porque conhecimento bom é o conhecimento que a gente compartilha. E aí, aprendizes, olha eu aqui com mais coisas que vocês nem sabiam que precisavam saber. Esse tema aí de hoje, eu tenho que fazer uma confissão aqui, esse tema aqui de hoje eu achei que não ia render, tá? Eu pensei assim, mas eu vou explicar como surgiu o aperto de mão, gente, não vai ter muita coisa pra contar. Porém, eu tava enganado. Tava bem enganado, como você vai ver daqui a pouquinho. Antes de começar a contar pra vocês a história, a gente vai pro nosso novo quadro, que é o quadro Comentando o Comentário. Funciona assim, ó, eu escolho alguma coisa, ou algumas coisas, que os ouvintes do programa escreveram pra mim nos comentários do Spotify, e eu faço o quê? Isso mesmo, eu comento o comentário. Primeiro comentário é da Mika. A Mika disse assim, Álvaro, você está lindo nessa foto, risos risos, obrigada pelos episódios. Ela estava se referindo à capinha nova dos episódios, da nova temporada. que acabou de estrear. Se você caiu aqui de paraquedas no podcast, agora a gente tá na quinta temporada. Corre aí que tem uns 200 episódios esperando pra você maratonar, ok? Agora, voltando aqui ao elogio da Mika. É claro que eu ia retweetar elogio aqui. Vocês acham que eu tenho gente me chamando de lindo, assim, todo dia, do nada? Então, repito o comentário. Álvaro, você está lindo nessa foto. Muito obrigado, Mika. A minha mãe também achou. Ela também acha sempre. Aí eu tava todo alegre e caí no comentário do Thiago Félix Ferreira, que falou assim, as referências e piadas de tiozão do Álvaro são ótimas, me acabo de rir. Primeiro que eu pensei, é fã ou hater, né? E eu quero dizer o seguinte aqui, Thiago, muito embora eu adore fazer as pessoas rirem, eu não sou tiozão, ok? Tiozão é o senhor ser o tio. Eu tenho apenas 65 anos, pô, isso não é idade de tiozão. Mentira, tá? Eu tenho muito menos idade. Mas deixa aí 65, que é pra vocês se assustarem e falarem assim, meu Deus, você aparenta muito menos idade. Se você que tá ouvindo quer aparecer aqui no quadro comentando o comentário, é super fácil participar. É só você me mandar um delicioso bolo de chocolate com coco. Mentira, né, pô. É só você mandar um comentário interessante, um comentário legalzinho. Mas, ó, é pra falar sobre o programa, não sobre mim, tá? E deixem nome e sobrenome. Não quero, já falei, não vou colocar aqui o comentário da Zdequinha Curiosa. É assim, Dequinha das Dores, dos Anjos, da Silva, Werneck, né? Nome e sobrenome, ok? Mas chega de comentário, aperta a minha mão aqui que eu vou explicar pra vocês como que surgiu, então, esse gesto tão especial. Como muitas outras coisas que envolvem história, costumes, tradições, o aperto de mão tem origens amplamente aceitas, que são repassadas e recontadas. Se você pesquisar em vários sites, você vai encontrar essas respostas aí, que eu também encontrei. E também tem outra origem, inovadora e mais recente, que propõe uma explicação alternativa. Eu acho isso ótimo. E vou contar todas elas pra vocês, certo? A versão mais repetida sobre a origem do aperto de mão diz que esse gesto servia pra que dois estranhos sinalizassem um pro outro que eles não carregavam nenhuma arma e que aí por isso era seguro se aproximar. Pra gente entender isso, vamos precisar destrinchar essa conversa assim aqui um pouco, né? Como é que é isso? Como assim a arma? Primeiro, meus queridos e queridas, o mundo já foi um lugar bem mais selvagem, bem mais perigoso do que é hoje. Então você pensa aí, um homem andando a cavalo numa floresta lá, milhares de anos atrás, tá? tá ele lá indo numa direção e de repente vem na direção contrária um outro sujeito em cima de sua éguinha Pokotó. Pokotó, Pokotó, Pokotó, Pokotó. Tá vindo lá um... Pokotó, Pokotó, Pokotó, Pokotó. Vindo na direção contrária. Eles nunca se viram na vida, não tinha lá o Instagram pra um checador. Se o outro era confiável, se tinha muito seguidor, se não tinha. Então, a pessoa podia simplesmente chegar com uma espada e atacar a pessoa. Pra que, então, nesse contexto aí, serviria o aperto de mão? O que o aperto de mão tem a ver com isso? É porque era um jeito de mostrar que a mão direita estava vazia, ou seja, não tinha nenhuma arma segurando, então, ó, tô de boa, não quero treta. Entendeu? E por que a mão direita? Porque é a mão com que a maioria das pessoas segura as coisas, inclusive armas. Aliás, tem uma outra nuance aqui, que é o fato de apertar a mão e dar uma sacudida leve assim, pra cima e pra baixo. Por que tinha isso? Pra ver se não caía um punhal, uma faca, uma adaga que tivesse escondida na manga da pessoa. Agora, se o sujeito fosse canhoto, complicava, né? Eu, por exemplo, sou canhoto. Como é que ia ser no meu caso? Aliás, eu acho que eu sou ambidestro. Eu uso a mão direita e esquerda para várias coisas. Mas, enfim, já falei demais de mim nesse programa de hoje, tá? Outra explicação muito repetida tem conexões divinas. Vamos deixar claro aqui que ainda não é a explicação inovadora que eu mencionei, ok? Segundo o Marcelo Duarte, do Guia dos Curiosos, que eu admiro muito. Vocês não conhecem o Guia dos Curiosos? Se não conhecem, procurem, é muito legal, tá? Tem vários livros, tem uma série de participações dele na mídia, de presença do Guia dos Curiosos em mídias variadas. Então procurem aí. Segundo o Marcelo Duarte, o aperto de mãos remonta ao antigo Egito. Nessa versão aqui, o aperto de mão era a forma pela qual um Deus dava poder a um dirigente terrestre. Aqui eu quero que vocês prestem atenção especial no verbo dar. Por quê? Porque nos hieróglifos, que era aí uma espécie de escrita egípcia que usava imagens símbolos, era bem diferente do jeito como a gente escreve hoje, nesses hieróglifos o verbo dar era representado pelo desenhozinho de uma das mãos estendida. Uma conexão, uma imagem vale mais que mil palavras. Agora, essas duas versões que eu contei pra vocês, ou seja, a história do aperto de mão pra você mostrar que tá desarmado, essa daí, e o aperto de mão como um laço dos deuses, elas são consideradas coisas que surgiram há mais ou menos uns 3 mil anos, tá? Porém, na visão de uma pesquisadora muito ótima, que eu acabei de descobrir que existe, infelizmente só descobri agora, queria ter descoberto muito antes, segundo essa mulher aí, a coisa é muito mais antiga e nem começa com os seres humanos. Olha só o plot twist, hein?
State Farm Announcer
Este episódio é trazido a você pela State Farm. Ouvir este podcast ao invés do Doomscrolling
Álvaro Leme
é um movimento inteligente.
State Farm Announcer
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Álvaro Leme
Amanhã de manhã está chovendo. Coloque seu frigorífico agora. A pessoa que propôs uma origem diferente pro Aperto de Mão foi a pesquisadora Ella Alshamari. Olha o currículo dela aqui, tá? Ela é paleoantropóloga, bióloga evolutiva, exploradora da National Geographic, e comediante de stand-up. Que currículo perfeito, porque assim, além de ser uma gênia, ainda é engraçada. Melhor pessoa. Eu quero ser ela ao chamar quando eu cresci, tá? Quero ser ela quando eu cresci. Em 2021, nossa amiga Ela lançou um livro chamado The Handshake, A Gripping History. O que a gente pode dizer em português seria, adaptando, algo como o Aperto de Mão, uma história que segura, uma história que prende, uma história que não larga. Ela faz um trocadilho que é meio difícil de traduzir, então vamos deixar assim. Então você já sabe que o livro é sobre o Aperto de Mão. E esse livro, que foi eleito um dos melhores daquele ano por vários especialistas, A autora propõe nele uma explicação, como eu falei, diferente, alternativa, que eu particularmente achei muito mais interessante. As duas explicações que eu dei no começo, elas consideram o aperto de mão uma coisa que surgiu como um sinal cultural. Nossa amiga, ela, propõe, eu já estou amigo, vocês já repararam, ela propõe que esse gesto, na verdade, não seria algo cultural, mas algo biológico. Certo? Em vez de uma tradição aprendida, algo relacionado à nossa espécie, algo já intrínseco à nossa espécie. Procura no dicionário quem quer dizer a palavra intrínseco. Fica essa lição de casa para vocês. A pesquisadora analisa o aperto de mão, portanto, usando o ponto de vista da biologia evolutiva. E aqui, gente, eu quero que vocês aprendam uma coisa mais importante, pra mim é mais fascinante, que eu posso ensinar pra vocês nesse episódio aqui. Uma mesma coisa pode ser analisada com olhares diferentes. Ou seja, se você colocar uma lente diferente na direção de uma mesma coisa, Essa coisa e o modo como você vê essa coisa podem mudar completamente. A explicação do mundo pode ser outra. E isso é muito legal. Se eu pudesse dizer para vocês, levem com vocês, uma coisa que vocês ouviram aqui é isso. Pensem e reflitam sobre isso, tá? Você pode olhar na mesma direção, mas se você muda o tipo de óculos que você está usando, você enxerga coisas diferentes.
Blinds.com Announcer
Ok?
Álvaro Leme
E o que a pesquisadora usou como explicação aqui com esses óculos diferentes? E que óculos diferentes que essa pesquisadora usou, portanto? O da biologia, como eu falei, certo? Ela prestou atenção no fato de que chimpanzés, que bonobos, ou seja, nossos parentes mais próximos do reino animal, também têm algo similar ao aperto de mão. E esses aí, eles não teriam preocupação com deuses, de ver se o outro macaco tá com uma coisa na manga, espadas, inimigos, nada disso, né? Eles não chegavam cavalgando na eguinha pocotó, sacou? O aperto de mão na visão dessa cientista aqui maravilhosa teria relação, então, com um impulso de checar o outro, de conferir o outro por meio da proximidade física. E nessa aproximação, haveria então uma troca de sinais químicos entre os dois animais, por meio do cheiro, por meio do toque. E claro, quando eu tô falando de animais aqui, eu tô incluindo o ser humano, porque nós somos o quê? Animais também. Por causa dessa conexão comportamental biológica, a autora, ela, Ela com dois Ls e não ela com um L só. Ela diz que a gente aperta as mãos uns dos outros há muito mais que 3 mil anos. Para ser mais específico, a cientista diz que o aperto de mãos já está aqui no nosso planeta Terra há pelo menos 7 milhões de anos. Outra coisa bem legal que ela, ao chamar, reconta é que teve vários momentos em que o Aperto de Mão sumiu de cena ao longo da história. Um deles, a gente lembra, quer dizer, a maioria dos ouvintes aí vai se lembrar, porque eu sei que tem gente que ouve o Aprenda que é muito jovem, tá? Mas os mais velhos vão se lembrar que, durante a pandemia, em 2020 até mais ou menos 2022, considerando aí um prazo até a doença começar realmente a sair de cena, nessa época aí, pra diminuir o risco de contaminação, a gente ficou mais distante, parou de encostar na mão das pessoas. É uma época que não é muito gostosa de lembrar, mas a gente dava saudação batendo com os cotovelos. Não sei se vocês lembram. Agora, o aperto de mão também ficou banido em 1919, quando outra pandemia, a da gripe espanhola, assustou as pessoas daquela época do mesmo jeito que a Covid assustou a gente. E teve ainda um surto de cólera. no Azerbaijão, no início do século XIX, e nessa época chegaram a criar uma sociedade anti-aperto de mãos. Eu sei que tem gente que tá vendo aí, que é meio antissocial, que gostaria de recriar essa sociedade, que você prefere dar oi pelo celular, fazer um oi assim com acendo de mão, mas aperta a mão, pô. Legal. Desde a época dos primatas já tinha. Nos dias de hoje, o aperto de mão serve pra uma série de ocasiões sociais, certo? serve para abrir e fechar encontros, ou seja, ele é oi e ele é tchau. Serve para selar acordos, negócios, ele comunica confiança, cordialidade, serve para parabenizar as pessoas. Então, vou deixar aqui para vocês um aperto de mão bem carinhoso, um aperto de mão super especial para todos os aprendizes. Agora é hora da nossa lição de casa, hein? No episódio da semana passada, que era o das abelhas, eu perguntei pra vocês que dia que se comemora o Dia Mundial das Abelhas. Acertou quem escolheu a letra C, 20 de maio. Aliás, teve uma das opções que era 27 de novembro, é o meu aniversário. Se quiser mandar bolo de chocolate com coco, eu aceito, tá? Essa semana a gente só tem duas notas 10, hein? Pra Ana Carol Figueiredo e pro Caio Vinícius Santos, nossos melhores alunos da semana aí. Vou repetir a regra pra quem quer tirar nota 10. Eu sempre menciono aqui as cinco primeiras respostas certas, desde que a pessoa deixe nome e sobrenome, ok? Então se liga se você quiser ser o próximo ou a próxima. Vou dizer a pergunta da semana que vem, que claro que vai ter. O tema da semana que vem é, a gente vai falar sobre os maiores rios do mundo, e claro, dentre outros rios, eu vou mencionar aqui o rio Amazonas. A pergunta que eu tenho pra vocês é a seguinte, hein? Em que país o rio Amazonas nasce? Ele nasce, letra A, na Venezuela, letra B, Peru, letra C, Equador, ou letra D, Colômbia, igual a Shakira? Deixa aí sua resposta nos comentários então, ok? Eu volto a qualquer momento com mais coisas que você nem sabia que precisava saber.
Host: Álvaro Leme
Data: 6 de julho de 2026
Neste episódio de Aprenda, o jornalista e apresentador Álvaro Leme explora a história e as possíveis origens do aperto de mão, esse gesto simples mas carregado de significados sociais. Buscando responder a uma dúvida aparentemente trivial, Álvaro utiliza seu tom descontraído e informativo para apresentar as teorias mais aceitas sobre o surgimento do aperto de mão — da tradição como sinal de paz ao olhar inovador da biologia evolutiva. O episódio traz ainda comentários da audiência e momentos de humor característicos do apresentador.
“Eu não sou tiozão, ok? Tiozão é o senhor ser o tio. Eu tenho apenas 65 anos, pô... Mentira, tá? Eu tenho muito menos idade.”
— Álvaro Leme, 03:00
“Era um jeito de mostrar que a mão direita estava vazia, ou seja, não tinha nenhuma arma segurando, então, ó, tô de boa, não quero treta.”
— Álvaro Leme, 05:55
“Nos hieróglifos... o verbo dar era representado pelo desenhozinho de uma das mãos estendida.”
— Álvaro Leme, 07:33
“O aperto de mão... teria relação, então, com um impulso de checar o outro, de conferir o outro por meio da proximidade física."
— Álvaro Leme, 12:00
“A autora... diz que a gente aperta as mãos uns dos outros há muito mais que 3 mil anos... pelo menos 7 milhões de anos.”
— Álvaro Leme, 12:23
“Uma mesma coisa pode ser analisada com olhares diferentes... Se você muda o tipo de óculos que você está usando, você enxerga coisas diferentes.”
— Álvaro Leme, 11:45
“Eu sei que tem gente que tá ouvindo aí, que é meio antissocial, que gostaria de recriar essa sociedade...”
— Álvaro Leme, 14:12
Sobre perspectivas:
“Você pode olhar na mesma direção, mas se você muda o tipo de óculos que você está usando, você enxerga coisas diferentes.”
— Álvaro Leme, 11:45
Sobre a origem biológica:
“A autora, ela, Ela com dois Ls e não ela com um L só. Ela diz que a gente aperta as mãos uns dos outros há muito mais que 3 mil anos. Para ser mais específico... há pelo menos 7 milhões de anos.”
— Álvaro Leme, 12:23
Neste episódio, Álvaro Leme faz um passeio envolvente pela origem do aperto de mão, transitando entre hipóteses tradicionais e uma explicação inovadora, biológica e provocadora. Destaca a importância de enxergar questões sob diferentes perspectivas e conclui reforçando o valor histórico, cultural e até biológico desse gesto cotidiano. O episódio termina com o tradicional desafio semanal, incentivando a participação dos ouvintes e celebrando o ato de aprender.