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Por acaso alguém já contou pra você como surgiram as fake news? Foi o seguinte, um jornal lá de Nova York um belo dia publicou que um astrônomo famoso tinha usado um telescópio super poderoso e tinha, com isso, conseguido analisar a superfície da lua. Não só ele tinha analisado, como ele tinha achado vida. Pois é, ele tinha achado vida na Lua. Isso aí que você ouviu. Pra gente que vive hoje, no século XXI, isso seria motivo de piada, porque o ser humano já foi até pra Lua, a gente tem artefatos humanos que foram muito mais longe, estão viajando pelo universo a bilhões de quilômetros de distância. Mas naquela época, o pessoal ficou surpreso, chocado, estupefato, não só pelo fato de alguém informar que havia vida na Lua, mas porque a notícia do jornal era espetacular. Ela dizia que o cientista tinha visto que tinha florestas, rios, e olha só, que tinha unicórnios de pelo azul e homens com asas de morcego voando entre os pés. Tinha até uma ilustração disso, se você procurar na internet você até acha. E do mesmo jeito que hoje em dia a gente presta atenção em conteúdo chamativo no Instagram, o pessoal daquela época ficou Curiosíssimo, todo mundo queria saber tudo que era possível sobre os supostos seres da Lua. E aí o que eles fizeram? Correram pra comprar mais jornais, mais jornais, mais jornais, até porque essa mentira não ficou num exemplo atual, foi sendo publicada continuações dela em várias edições pra render mais. Essa história aqui, ela é considerada o marco inicial de um modelo de negócios que até hoje impacta a minha vida, a sua, a da sua família, a de todo mundo. Tô falando da economia da atenção, o tema do nosso episódio de hoje. Sempre que eu aprendo uma coisa nova, eu fico logo com vontade de contar pra mais gente. Minha família, meus amigos. Era assim desde criancinha e continua até hoje. Por isso eu criei o Aprenda, que é o programa que ensina coisas que você nem sabia que precisava saber. Eu sou o Álvaro Leme, e a cada episódio trago informação interessante pra você descobrir e, claro, repassar pros seus amigos. Porque conhecimento bom é o conhecimento que a gente compartilha. E aí, aprendizes, cheguei com umas coisas que vocês nem sabiam que precisavam saber. Aliás, hoje eu cheguei com uma coisa que vocês precisam saber sim, tá? Nesse episódio, a gente tem um parceiro, que é o Gama. Quem aí já conhece, sabe o quanto ele é útil, mas pra quem ainda não conhece, vou contar agora. O GAMMA, escreve assim, G-A-M-M-A, tá? O GAMMA é uma ferramenta de inteligência artificial pra criar slides. Sabe aqueles PPTs de trabalho, toda hora a gente precisa fazer, de repente chove um pedido de PPT na sua cabeça? O GAMMA entra em cena nessas horas aqui, quer dizer, em qualquer momento você precisa fazer slides, mas nessa hora aqui ele chega ainda mais bem-vindo. O GAMMA resolve esse corre aí com muita facilidade. Vocês que me ouvem aqui toda semana, vocês sabem que eu faço muita coisa. Tem dia, tem semana que eu não consigo nem fazer um podcast. Vocês sabem que é uma correria. Minha vida é sempre correria. Eu sou palestrante, doutorando, crio conteúdo no Instagram e também faço uma coluna sobre inteligência artificial, que foi como eu conheci o Gama, porque no meu trabalho eu sempre testo várias ferramentas e, felizmente, descobri essa daqui. O Gama funciona assim, eu subo um texto e ele me ajuda com a criação dos slides. Juro, coisa de minutos. Quando eu vi a primeira vez, fiquei muito surpreso. Então, se você também tem uma vida corrida, não deixa de experimentar. Se você quiser, aliás, testar de graça, dá pra você fazer isso. Como? Com o link que eu tenho pra você. Deixei o link tanto aqui na descrição do episódio, quanto no meu perfil de Instagram, o arroba Álvaro Leme. Você corre lá, entendeu? Pega o link que eu coloquei. Combinado? Eu comecei o episódio contando sobre o episódio conhecido como a famosa Farsa da Lua, que aconteceu em 1835. O cara por trás disso era o dono do jornal, o jornal se chamava The Sun, The New York Sun, tá? O Sol de Nova York. Esse cara aí se chamava Benjamin Day. Engraçado, né? Porque o nome do jornal era Sun, sol, e o sobrenome dele era Day, dia, né? Era o dia e o sol. Enfim, o Benjamin Day, claro, não tava de inocente aqui nesse rolê. Essa história toda aí foi de caso pensada, foi uma mentira intencional, não foi uma mentirinha ingênua. O que ele queria era realmente vender mais jornal. Pra contar pra você a história do Benjamin Day, que tem tudo a ver com a história da economia da tensão, a gente vai fazer uma coisa que vocês sabem que eu amo, viajar no tempo. A gente vai embarcar aqui na nossa nave do tempo, rumo aos anos 1800. Naquela época, jornal não era uma coisa corriqueira, igual hoje. Igual hoje, você vai na banca e compra jornal. Tadinhos, gente, é muito triste pra quem é jornalista, porque o jornal... Eu sou jornalista, tá? Vocês sabem. Você vai na banca, tem mais gente comprando jornal pro cachorro fazer xixi do que jornal pra ler. Tá? É uma depressão isso. Felizmente, as pessoas continuam a ler online, continuam lendo e se informando, isso é muito importante. Mas, ok, voltando aqui pro nosso tempo, 1800. Naquela época, jornal era uma coisa mais pra artigo de luxo, uma coisa pra elite. Estar informado era uma coisa muito mais de gente chique. Olha aí o que vocês estão perdendo. Pra você ter uma ideia, um exemplar de jornal custava seis centavos. Sendo que só a impressão de jornal custava cinco centavos. Quer dizer, era caro até pra mandar pra gráfica, não só pra quem comprava. Por falar em compra, tenho que contar pra vocês que o jeito de vender jornal nem era como que virou comum no século XX. Nessa época aqui, na época do século XX, a gente ia até a banca comprar, e não era pra comprar pro cachorro fazer xixi, era pra ler. Nessa época aqui do Benjamin Day, o pessoal pagava uma assinatura anual, que era bem cara, era 10 dólares, valor que nessa época era muito, muito dinheiro, em comparação com hoje. Hoje 10 dólares não é tanto dinheiro assim, né? Enfim, esse cenário do jornal como um artigo mais chique para poucos começou a mudar em 1833, que foi quando nosso camarada Benjamin Day entrou em cena. Nessa época ele tinha 23 anos, mas já trabalhava no segmento gráfico desde os 14. E aí ele criou um jornal diferente. Por que esse jornal era diferente? Primeiro, porque em vez de assinatura, ele ia tentar vender exemplares, avulsos pra cada pessoa, e enquanto os jornais normais custavam seis centavos, o dele ia custar um centavo. Um centavo só, tá? Sendo que, como eu falei pra vocês, custava cinco centavos pra você mandar imprimir um jornal. Bom, faz a conta aí. Se imprimir um jornal custa cinco centavos e a pessoa vende o jornal por um centavo, cada exemplar é um prejuízo de quatro centavos, certo? Não precisa nem ser de exatas pra fazer essa conta. Acontece que o Benjamin pensou numa outra forma de ganhar dinheiro com jornal. Ele pensou assim, se eu aumentar a quantidade de leitor, Eu não vou ficar dependente da venda. Eu vou poder cobrar mais caro dos anúncios, das pessoas que querem falar com os meus leitores. Isso aqui, de novo, eu falei agora há pouco de coisas que no século XXI parecem uma bobagem, e essa aqui também é uma delas, porque hoje pra gente isso é o básico do básico, né? Mas nessa época aqui foi revolucionário, porque o jornal do Benjamin Day, ele criou um novo modelo de negócios, ou seja, ele criou um jeito de ganhar dinheiro com comunicação que até então as pessoas não praticavam. E nas décadas seguintes, isso foi se consolidando, passou a ser cada vez mais usado pelos veículos de comunicação do mundo inteiro. Que modelo de negócios que era esse, gente? A venda da atenção. E foi assim, da venda da atenção, que nasceu a economia da atenção. É importante deixar claro pra vocês o seguinte, não tinha esse nome ainda, tá? Se a gente, nessa nossa viagem do tempo aqui, tivesse andando lá em Nova York, em 1835, a gente tá andando pela... Park Avenue passa pelo Benjamin Day e fala Good Morning Benjamin, e ele fala Good Morning Álvaro, Good Morning Charlie, enfim. E aí a gente fala assim, ah Benjamin, você que inventou a economia da atenção, ele ia provavelmente olhar pra nossa cara e ia falar assim, que? Quer dizer, na verdade ele ia falar assim, what? Por quê? Porque ele não deu esse nome, tá? Naquela altura, a economia da atenção, ela existia enquanto prática, enquanto ideia, mas ela não existia ainda com esse nome, ela não tinha esse nome, ok? O que surgiu aqui então foi o quê? O modelo de negócio. O que caracteriza esse modelo de negócio? O produto vendido era o leitor, não era o jornal. Essa venda da audiência foi o que virou a prática normal, mais comum no mercado, que até hoje é o que acontece. O que os influenciadores fazem hoje quando eles vendem um post para uma marca? Eles estão vendendo a atenção da audiência deles. Mas vamos dar uma pisadinha no freio aqui, que a gente precisa conversar de uma coisa, tá? Esse mesmo cara que a gente acabou de encontrar aqui na Park Avenue e falou Good morning, Benjamin, parece ser tão camarada. Pô, ele inventou um negócio que é maior mancada, ele inventou fake news, cara. Foi, ele inventou, tá? Porque uma característica da venda da atenção é que ela sempre vai precisar de uma coisa fundamental. Que coisa que vocês acham que é? laranja, petróleo, ou não, atenção. E chamar a atenção das pessoas é muito difícil. Eu sei, porque eu fico toda semana tentando chamar a atenção de vocês, pra clicarem, pra ouvirem podcast, pra comentar. É uma luta. Eu sei que vocês me amam, mas às vezes vocês parecem que não, tá? Hoje em dia é muito mais difícil de chamar atenção, mas naquela época já era também. Então, pra se destacar, pra atrair mais leitores, o que o Benjamin começou a fazer? Começou a pesar a mão, começou a abarrotar as páginas do jornal, não com notícias importantes que as pessoas precisavam saber, mas, não colocava reflexões, debates sobre a sociedade, não, começou a apelar. Eram textos sobre crimes, escândalos, brigas, desgraça, essencialmente, tá? Não é muito diferente de um Cidade Alerta hoje em dia ou de alguns outros programas de televisão, policialescos, né? O objetivo dele naquela época era o quê? Então, chamar atenção, igualzinho fazem hoje em dia muitas pessoas na internet. Só que no caso dele não era nas redes sociais, obviamente. de século XIX, era nas páginas dos jornais. Foi assim então que ele inventou essa mentirada de que na lua tinha gente morando, que tinha gente com asas de morcego, que tinha unicórnio de pelo azul, ou seja, ele abriu um portal aí, que abriu a porteira pela qual até hoje muita gente passa. Algumas semanas depois desse rolê todo, o jornal do Benjamin admitiu. Gente, desculpa, mas é tudo mentira. E sabe qual foi a reação das pessoas? Não foi a reação que você pensou. Quando o Benjamin Day confessou que a história da lua era mentira, o público achou engraçado. Pois é, acho engraçado. Tipo assim, ah, esse Benjamim, passando pano, sabe? Poxa vida, que danadinho. Eles não deram bola, o jornal continuou com as vendas, sempre com textos mais e mais sensacionalistas, e a vida continuou sem prejuízo. Aliás, o Benjamin Day é considerado por muitos autores o inventor dos repórteres. Pois é, tá vendo, gente? Quer dizer, ele fez coisa ruim de inventar notícia, inventar que tinha alguma coisa na lua, mas também contribuiu com coisa boa, porque os repórteres fazem bem pro mundo. Inclusive, se liga no seguinte, as pessoas não são 100% boas e 100% mais, certo? Nós todos temos coisas boas e ruins, tem coisas que a gente acerta, tem coisas que a gente erra. Tem gente que é ruim mesmo, mas também mesmo que é ruim mesmo, não chega a ser o 100% ruim. Ok, vamos voltar aqui. Por que esse homem inventou o repórter? Também por causa da necessidade de manter a atenção das pessoas. Se você tem um jornal que todo dia precisa de novidade, fantástica, diferentona, pra chamar atenção, você tem que ter o que? Gente que vai atrás dessas notícias, certo? Ele precisava de um fluxo de novidades frequente nas páginas do jornal, e aí surgiu, então, essa figura do jornalista que sai pela cidade caçando fatos, ocorrências, histórias surpreendentes. Ele não inventou o jornalismo, tá? O jornalismo já existia. Ele inventou aqui a profissão repórter. Caco Barcelos agradeça A Benjamim dei. Com o tempo, isso foi se tornando uma coisa mais formal, mais bem estruturada, aos poucos foi passando a formação em jornalismo, faculdade, foi se consolidando uma indústria formal da comunicação. E como os Estados Unidos influenciaram muito da comunicação mundial, especialmente aqui no Brasil, grande parte do jeito de fazer jornalismo aqui do país, ainda hoje, segue formatos e modelos criados por lá, para o bem e para o mal. Agora, quando foi que a economia da atenção ganhou esse nome, afinal, quando foi o batismo da economia da atenção? Foi mais de 130 anos depois, a gente saltou lá dos anos 1800 para os anos 1970, ok? A gente chega aqui a 1971 e quem deu esse nome foi um professor universitário norte-americano chamado Herbert Simon. Tem uma frase do Herbert Simon que é para vocês memorizarem que ela é muito boa, olha só. Sabe o que ele diz? Riqueza de informação cria pobreza de atenção. Vou até repetir de tão boa. Riqueza de informação cria pobreza de atenção. Por quê? Porque a nossa atenção é um bem escasso, é um bem ilimitado, e a informação não. A informação tem proliferando, certo? Se tem uma coisa que passou a existir em quantidade cada vez maior, No mundo de hoje em dia, em comparação com o mundo da época do Benjamin Day, foi justamente informação. Cada vez mais tem gente competindo pela nossa atenção. Netflix quer sua atenção. TikTok quer sua atenção. Youtube quer sua atenção. Globo, SBT, Folha, Estadão, Rádio Antena 1, que eu amo. Todos esses aí querem sua atenção. Podcast, aprenda, quer sua atenção também, tá? Mas então, se tiver que dar sua atenção pra alguém, dá pra mim, porque, pô, eu sou muito mais legal do que esses todos aí e, certamente, sou muito mais pobre que todos eles também, ok? E, seguinte, gente, não tem problema você estar inserido nesse contexto da economia da atenção. Não é um crime, tá? É um modelo de negócio que vende, entre aspas, o nosso olhar. Ou seja, o nosso olhar vira o que é comercializado para os anunciantes. E nesses tempos que a gente está vivendo, tem outra coisa nova. A inteligência artificial, que chegou com força total nos últimos tempos, ela tem mudado a economia da atenção também. Hoje em dia tem, inclusive, o que a gente chama de economia da intenção, que é uma espécie de desdobramento da economia da atenção, mas eu não vou explicar ela não, sabe por quê? Porque ela já foi tema de um episódio aqui, você corre lá pra ver daqui a pouco. Foi um episódio chamado Economia da Intenção, em maio de 2025. Procura lá pra você relembrar e aprender um pouco mais. Vamos ver que ouvintes tiraram nota 10 essa semana. Vocês sabem que quase toda semana eu faço uma pergunta pra vocês responderem. Então a gente vai pra nossa lição de casa. No episódio passado eu perguntei qual era o vídeo mais assistido de toda a história do YouTube. Teve gente que votou no Gangnam Style, porém a resposta certa era Baby Shark. Só de mencionar e só de cantar esse pedacinho aqui, nunca mais ela vai sair da minha cabeça. Acho que da sua também não. Então os aprendizes nota 10 dessa semana foram Flávia Martins, Andrei Oliveira Simas e Jimenez Borges. Parabéns pra vocês, continuem assim, o tio Álvaro está orgulhoso de vocês. No episódio de hoje a gente aprendeu como a atenção humana é valorizada e o quanto isso tem a ver com o tempo, que é um recurso escasso. Vou aproveitar então pra reforçar a dica lá do começo do episódio. Você pode poupar horas de trabalho com a ajuda do Gama, ferramenta de IA que ajuda a transformar suas ideias em slides de PPT. Tem gente que às vezes me pergunta, mas a IA faz o trabalho no seu lugar? Você não tem vergonha na cara? E eu sempre respondo que não, não é por aí, não é bem assim. O Gama não faz pra mim, ele faz comigo. Ele funciona como um ótimo parceiro, como um copiloto. As ideias são minhas e eu acompanho o processo todinho. Além disso, no caso do Gama, dá pra editar todos os slides muito facilmente. Quer dizer, ele poupa trabalho e poupa retrabalho. Tá? Vai por mim, vocês sabem que eu não recomendo qualquer coisa, certo? Então pega o link na descrição do episódio ou faz uma visitinha lá no meu Instagram, arroba Álvaro Leme, e pega ele por lá também. Se é o ano que vem, nosso tema vai ser ditados populares brasileiros. Você sabe como surgiu a expressão nem que a vaca tussa? Inclusive eu tenho um spoiler que me chocou, tá? Você sabia que as vacas tossem? Pois é, as vacas tossem, sim, tá? Mas eu só vou contar no próximo episódio. Eu volto a qualquer momento com mais coisas que você nem sabia que precisava saber.
Neste episódio do podcast "Aprenda", o jornalista e professor Álvaro Leme explora o conceito de economia da atenção — como surgiu, o impacto desse modelo de negócios no nosso dia a dia e sua ligação com fenômenos como fake news e o sensacionalismo da mídia. Usando a divertida e curiosa história da “Farsa da Lua”, Álvaro ilustra didaticamente como a atenção humana se tornou o ativo mais disputado do nosso tempo.
Álvaro encerra reforçando que a economia da atenção tornou nosso tempo o recurso mais valioso, e que entender esse modelo ajuda a navegar o mundo hiperconectado de hoje. Mais do que só uma crítica, o episódio é um convite à reflexão: prestar atenção no que merece nossa atenção.
Para sugerir temas ou conferir as dicas do Álvaro, siga @aprendavideocast no Instagram ou envie sua dúvida para contato@alvaroleme.com.br.