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Sete frutas que contêm mais vitamina C que laranjas. Reportagem de Dalia Ventura, da BBC News Mundo, publicada pela BBC News Brasil em 6 de setembro de 2025. Lida por Thomas Papon. Também conhecida como ácido ascórbico, a vitamina C tem muitos benefícios e é indispensável para a saúde. E também colaborou para o desenvolvimento da ciência. Em 1747, ela foi empregada em um dos primeiros testes clínicos controlados da história da medicina. Quem o conduziu foi o médico James Lind, de Edimburgo, na Escócia. Ele havia entrado para a Marinha Real Britânica como assistente do médico principal e observou os efeitos do escorbuto, uma doença que podia ser mais perigosa do que qualquer inimigo durante viagens mais longas de navio. Ele selecionou 12 homens que sofriam de sintomas parecidos e os dividiu em seis duplas para colocar em prova os remédios que eram usados na época, desde sidra e vinagre até água do mar. Em questão de uma semana, os homens que receberam duas laranjas e um limão por dia estavam suficientemente recuperados para poderem cuidar dos demais. Por um motivo, na época ainda desconhecido, os cítricos, sem dúvida, eram a chave para combater aquele flagelo. É claro que a razão era a vitamina C, mas sua descoberta só ocorreu em 1912. Ela foi isolada 16 anos depois e, em 1933, passou a ser a primeira vitamina produzida em laboratório. Com o passar do tempo, o ser humano aprendeu que a vitamina C serve para muito mais do que apenas prevenir e curar o escorbuto. Nosso corpo precisa da substância para cicatrizar feridas, já que ela ajuda a formar tecidos conectivos novos, fortalecendo os órgãos. E também é importante para os ossos, vasos sanguíneos, cartilagens, para a pele e para a absorção do ferro pelo corpo. A vitamina C também fortalece o sistema imunológico, ajuda a combater infecções e suas propriedades antioxidantes contribuem para proteger o corpo contra o câncer e doenças cardiovasculares. Essas e outras virtudes fazem da vitamina C um nutriente essencial. Precisamos garantir sua ingestão, pois, diferentemente da maioria dos animais, os seres humanos não possuem a capacidade de sintetizá-la. e devemos consumi-la diariamente. Por ser hidrossolúvel, o nosso corpo não armazena a vitamina C. Por isso, precisamos obter quantidades adequadas através da alimentação todos os dias. A quantidade recomendada varia, segundo a clínica Mayo. Mas, de forma geral, os especialistas recomendam que as mulheres que não estejam grávidas, nem amamentando, tomem 75mg e os homens 90mg de vitamina C todos os dias. Da mesma forma que precisamos cuidar para consumir quantidade suficiente, também é preciso evitar o excesso. Por isso, se você for adulto, limite a ingestão a não mais do que 2 mil miligramas por dia. Existem diversos vegetais ricos em vitamina C, como brócolis, couve-de-bruxelas e o pimentão, que biologicamente falando é uma fruta. Mas é preciso ter em conta que, por ser solúvel em água e sensível a altas temperaturas, parte da vitamina C é perdida durante o cozimento. Essas verduras podem ser comidas cruas para obter a maior quantidade possível de vitamina. Mas, se for preciso cozinhar, o vapor, aparentemente, é o melhor método para conservar seu valor nutricional. Por outro lado, as frutas são uma grande e deliciosa opção. Você pode ingerir a quantidade mínima diária de vitamina C com apenas 3 quartos de copo de suco de laranja por dia. Mencionamos essa fruta porque, por motivos históricos, as laranjas e os limões são as que costumam vir à mente com mais facilidade como fontes desse nutriente vital. Afinal, 100 gramas de polpa de qualquer uma das duas frutas contém cerca de 53 miligramas de vitamina C, segundo diversas fontes, incluindo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Mas existem pelo menos sete frutas com teor ainda mais alto da substância. E aqui estão elas. Duas frutas disputam o título de maior teor de vitamina C conhecido em qualquer alimento. Uma delas é nativa da Austrália e a outra da Amazônia. A ameixa cacadu, de nome científico Terminalia ferdinandiana, contém teores extraordinários de vitamina C. Seus números variam entre 2.300 e 3.150 miligramas por 100 gramas da polpa, muito acima dos cerca de 53 miligramas da laranja. Os povos aborígenes conhecem há milênios as virtudes dessa pequena fruta de coloração verde-oliva-claro que cresce espontaneamente nos bosques abertos do norte da Austrália. Eles a comiam in natura, usavam para fazer uma bebida refrescante e também para fazer gelatina. A ameixa cacadu era empregada na alimentação, mas também, como outras partes da árvore, tinha usos medicinais para tratar de dores de cabeça, resfriados e gripes, além do seu uso como anticético. Atualmente, a ameixa cacadu é utilizada na elaboração de pós empregados em suplementos, alimentos funcionais, cosméticos e produtos farmacêuticos. Graças a pesquisas da Universidade de Queensland, na Austrália, a fruta também é usada como conservante natural, especialmente eficaz para manter o frescor, a aparência e a durabilidade de mariscos, camarões e crustáceos congelados. Com concentração de vitamina C, que varia normalmente entre 1.600 e 3.000 miligramas por 100 gramas de polpa e que, em exemplares ou tratamentos específicos, pode exceder 4.000 a 5.000 miligramas por 100 gramas de polpa, o camu-camu, de nome científico Mirciaria dubia, rivaliza com a ameixa cacadu. Nativa da Amazônia, A planta cresce em zonas inundadas e ribeirinhas do Brasil, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela. O camu-camu é usado tradicionalmente como remédio até para a malária. Seu fruto é de uma acidez tão intensa que não costuma ser consumido in natura. Seu suco tem um chamativo tom de rosa graças ao pigmento da sua casca. Com ele, são preparados sorvetes, geleias, batidas, coquetéis, iogurtes e pratos como o ceviche de camu-camu peruano. A fruta também é empregada no setor cosmético, na forma de extrato antioxidante em máscaras e tônicos. Quando se trata de vitamina C, outra fruta campeã é a acerola, de nome científico Malfigia glabra ou Malfigia emarginata. Ela contém cerca de 1.700 miligramas da substância por 100 gramas de fruta. Nativa das regiões tropicais do continente americano, especialmente do Caribe, América Central e do Sul, seu sabor é doce, com um toque ácido, muito refrescante, similar a uma cereja azeda. A acerola é consumida in natura em sucos, geleias ou como suplemento em pó. Ela é popular na indústria alimentícia devido ao seu teor nutricional. A fruta é valorizada desde os tempos pré-colombianos devido às suas propriedades medicinais. Seu uso se estendeu aos suplementos vitamínicos em todo o mundo. O fruto da rosa silvestre, também conhecida no Brasil como rosa mosqueta, rosa canina ou rosa brava, é comum na Europa, Ásia e em partes da América do Norte. O fruto é tradicionalmente conhecido por suas propriedades de alívio de resfriados e para melhorar o sistema imunológico. O fruto da planta, de nome científico Rosa canina L, contém de 100 a 1.300 miligramas de vitamina C por 100 gramas de polpa, conforme a espécie, origem, altitude e grau de maturação, segundo diversos estudos. Seu sabor é agridoce, floral e ligeiramente terroso. Ele costuma ser consumido em infusões, chás, geleias, xaropes ou suplementos. O fruto da rosa silvestre tem longa história na medicina popular europeia. Ele foi usado durante a Segunda Guerra Mundial como fonte alternativa de vitamina C, quando as frutas cítricas eram escassas. Ele é popular até hoje na fitoterapia e na alimentação natural. Filanthus emblicaeli, a groselha indiana ou sarandi, é uma árvore sagrada para o hinduísmo, símbolo de longevidade e sabedoria. Sua baga é uma das frutas mais valorizadas na medicina tradicional ayurvédica. Seu sabor é complexo e muito singular, extremamente ácido, ao mesmo tempo azedo e astringente, ligeiramente amargo no início e adocicado no final. Quando ingerida a fresca, produz uma sensação de secura na boca. Curiosamente, depois de mastigá-la e cuspí-la, muitas pessoas relatam que sua saliva fica doce por alguns segundos. Algumas tradições consideram essa experiência higienizadora ou refrescante. Devido à sua intensidade, é costume consumi-la seca, curtida, em pó ou cozida em vez de fresca, especialmente em misturas ayurvédicas ou chutneys, condimentos de origem indiana. A groselha indiana é uma das fontes naturais mais ricas em vitamina C, com concentrações de até 720 miligramas por 100 gramas de fruta. E tem ainda outra vantagem, a substância não se degrada com facilidade durante a secagem ou armazenamento da fruta. A presença de taninos e polifenóis protege a vitamina C contra a oxidação. É um fenômeno incomum em outras frutas. Essa estabilidade permitiu o uso da groselha indiana por séculos em forma seca ou em conserva, sem perder sua eficácia medicinal. O Baobá, Adansonia digitata, é conhecido em muitas culturas africanas como a árvore da vida. Na tradição oral, o baobá é mencionado como uma árvore que sustenta o céu ou que foi plantada de cabeça para baixo. Ele representa a sabedoria ancestral. Seu fruto contém cerca de 494 miligramas para cada 100 gramas de vitamina C na forma de polpa desidratada e foi usada por séculos como fonte de nutrição e medicina natural. Diferentemente da maioria das frutas, ele é seco por dentro e não contém suco. Sua polpa farinhosa se desmancha facilmente, transformando-se em pó. Por isso, ele é ideal para uso em bebidas, molhos ou como suplemento nutricional. Seu sabor é ácido, refrescante e ligeiramente cítrico, frequentemente descrito como uma mistura de toranja, pera e baunilha. Voltemos ao continente americano, agora com a goiaba. Seu aroma transportava o escritor colombiano Gabriel Garcia Marques para sua casa sempre que ele o notava. O fruto da Psydium guajava sempre teve sua fragrância característica, frequentemente doce, mas às vezes deliciosamente azedo. Afinal, existem inúmeras variedades com tamanhos e cores diferentes, branca, rosa, vermelha, amarela. A goiaba contém mais vitamina C do que muitas frutas cítricas. Algumas variedades chegam a ter até cinco vezes mais que a laranja, o que faz com que ela seja um potente antioxidante natural. Um estudo com goiabas frescas no Equador concluiu, por exemplo, que o teor de vitamina C nas frutas chega a cerca de 500mg por 100g de polpa. Dotada de diversas propriedades benéficas para a saúde, a goiaba também é uma fruta climatérica, ou seja, ela continua amadurecendo depois da colheita. Essa característica facilita seu consumo, transporte e exportação. Ainda assim, e apesar da sua popularidade na Ásia e na América Latina, a goiaba continua sendo uma fruta exótica e pouco conhecida em muitas partes do mundo. O mesmo ocorre com muitas das frutas indicadas nesta reportagem. Mas não há problema, pois além dessas sete, existem diversas outras fontes importantes de vitamina C. A groselha preta, ou cassis, com cerca de 181 miligramas por 100 gramas de fruta, muito rica em antioxidantes. O kiwi, cuja variedade mais rica em vitamina C, chamada Sun Gold, contém cerca de 161 miligramas por 100 gramas. O mamão, com cerca de 60 miligramas por 100 gramas de fruta, além de enzimas digestivas. e um morango com cerca de 59 miligramas por 100 gramas de polpa, uma boa fonte de vitamina C, especialmente cru. Até chegarmos à tradicional laranja, que contém um pouquinho mais de vitamina C do que o refrescante e digestivo abacaxi. Você ouviu a reportagem 7 frutas que contém mais vitamina C que laranjas, publicada pela BBC News Brasil em 6 de setembro de 2025.
