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Narradora Mônica Vasconcelos
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Ray Winstone
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Ray Winstone
Olá, sou Ray Winstone. Estou aqui para lhes contar sobre o meu podcast na BBC Rádio 4. Histórias dos heróis mais difíceis. BBC.
Narradora Mônica Vasconcelos
Lê. a herdeira raptada que se aliou a seus sequestradores para lutar por povos oprimidos. Reportagem baseada no programa Archive on 4 da BBC Radio 4, publicada pela BBC News Brasil em 11 de outubro de 2025. Lida por Mônica Vasconcelos. Mãe, pai, estou bem. Estou com alguns arranhões, mas eles lavaram tudo e já estão melhorando. Peguei um resfriado, mas me deram remédio. Não estou passando fome. Não estão batendo em mim, nem me aterrorizando desnecessariamente. Essas foram as palavras de Patricia Hearst, uma herdeira californiana de 19 anos, em uma gravação divulgada por seus sequestradores em 1974. O sequestro iria dominar as manchetes de jornais nos Estados Unidos por dois anos, período durante o qual a imagem da jovem aos olhos do público sofreria transformações profundas. De refém, ela passaria a guerrilheira, assaltante de banco e fugitiva. Para muitos, um caso típico do transtorno psicológico conhecido como Síndrome de Estocolmo, em que vítimas desenvolvem vínculos emocionais com seus sequestradores. Ouça a seguir a incrível história do sequestro que culminou, após muitas reviravoltas, na prisão de Hearst. e que até hoje confunde opiniões. Seria ela culpada ou vítima? Patricia Hearst, que passaria a ser chamada de Patty, foi sequestrada por volta das 21 horas no dia 4 de fevereiro. Ela foi levada por uma mulher e dois homens armados do apartamento onde morava com o noivo, próximo ao campus da Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde ela estudava, e jogada no porta-malas de um carro. Houve um grande sequestro na costa oeste, declarou o apresentador da rede CBS News em cadeia nacional no dia seguinte. Tinha sido de fato um grande sequestro. A vítima era filha do executivo de mídia Randolph Hearst e neta do lendário magnata dos jornais William Randolph Hearst, em cuja figura, famosamente, o filme Cidadão Kane, de Orson Welles, havia sido inspirado. Embora sem coroa, os Hearst eram uma espécie de família real na sociedade americana. Pouco antes do sequestro, aliás, Patty havia recebido o então príncipe Charles na residência da família. Mais tarde, Patricia relataria que, com os olhos vendados, tinha sido jogada dentro de um armário. Ela permaneceria ali durante 57 dias. Do lado de fora, pessoas hostis, armadas, a ameaçavam e xingavam. Em outros momentos, deixavam um rádio ligado tocando música para que ela não ouvisse suas conversas. Como é que uma coisa dessas podia estar acontecendo com essa família? Eles eram parte da história dos Estados Unidos, donos do maior império jornalístico que já existira. O grupo que sequestrou Hearst era autodenominado Symbionese Liberation Army, ou SLA. A palavra simbionis, cunhada pelo grupo, fazia referência ao termo simbiose, usado na biologia para descrever organismos de espécies diferentes que vivem juntos em harmonia. Seus integrantes eram revolucionários de esquerda, inspirados por movimentos radicais da costa oeste dos Estados Unidos e também da América Latina. Depois da exuberância da década de 1960, os anos 1970 nos Estados Unidos foram um período de grande inquietação. Havia escassez de petróleo e os maiores índices de desemprego desde a grande depressão da década de 1930. Manifestações estudantis em protesto contra as guerras no Vietnã e no Camboja tinham sido duramente reprimidas. No início dos anos 1970, um grupo chamado Weather Underground declarou guerra ao Estado americano, colocando bombas em Washington, no Pentágono e no prédio do Departamento de Estado. Os atentados, em protesto contra as guerras no Vietnã, Camboja e Laos, foram planejados para não causar vítimas. Esse é o cenário para o surgimento, em 1973, do SLA. E o sequestro de Hearst não foi o primeiro ato do grupo. Eles estariam por trás, por exemplo, da morte, em novembro de 1973, do superintendente das escolas da cidade de Oakland pela criação de cartões de identificação voluntários. As palavras de Patty Hearst no início dessa reportagem chegaram ao público em uma fita cassete enviada a uma estação de rádio uma semana após o sequestro. Em um outro trecho da gravação, ela diz aos pais que está com um grupo de combate armado com fuzis automáticos. Não seria bom alguém tentar me tirar daqui pela força, disse Patty. Esse pessoal não é apenas um bando de malucos. Eles foram muito honestos comigo, mas estão perfeitamente dispostos a morrer pelo que estão fazendo. Eu quero sair daqui, mas o único jeito é fazermos o que eles querem. A fita cassete continha também uma mensagem do líder do grupo, um prisioneiro negro foragido chamado Donald DeFreeze, que adotara o nome de Sinkyu Mutume. Tzinkyu, em homenagem ao líder de uma revolta de escravos, e M'tume, palavra do idioma suahili que quer dizer profeta. Saudações ao povo e camaradas, irmãos e irmãs, dizia M'tume. O SLA prendeu essa pessoa pelos crimes que seu pai e sua mãe, por suas ações, cometeram contra nós, o povo americano e os povos oprimidos do mundo. Para entendermos essa acusação, temos primeiro que entender quem são os Hearst, a quem servem e a quem representam. Ele prossegue. Randolph, um Hearst, é o presidente corporativo do império de mídia fascista da ultradireita Hearst Corporation, uma das maiores instituições de propaganda da atual ditadura militar do Estado Corporativo Militarmente Armado, sob o qual vivemos hoje nesta nação. o resgate exigido pelo SLA foi extraordinário. O grupo pediu como um gesto de boa vontade um programa de alimentação financiado pela família Hearst para milhões de californianos. Toda pessoa que recebesse algum tipo de ajuda pública, aposentados, veteranos de guerra com deficiências, prisioneiros em liberdade condicional, entre outros, deveria receber 70 dólares em carne, legumes e verduras e laticínios. Os alimentos teriam de ser distribuídos durante mais de quatro semanas. Como alguém pode discordar do desejo de que pessoas famintas recebam comida? Comentaria Patti no ano seguinte, em entrevista nunca divulgada. O valor exigido era impressionante. Chegaria a 400 milhões de dólares. Segundo alguns jornais, o maior resgate da história. A opinião pública estava dividida, comenta em entrevista à BBC o historiador e jornalista Rick Perlstein. Segundo ele, o SLA exigia 70 dólares em alimentos não apenas para qualquer pessoa que já tivesse recebido assistência pública, mas também para qualquer pessoa que tivesse passado pela cadeia ou estivesse em liberdade condicional, como se qualquer pessoa que já tivesse sido presa fosse uma vítima política de uma sociedade fascista. Não acho que as pessoas estavam preparadas para aceitar isso. Por falta de organização, a distribuição dos alimentos foi desastrosa. A primeira tentativa, em Oakland, terminou em baderna, protestos e saqueamentos. Alimentos foram jogados de caminhões em movimento e pessoas foram feridas. Enquanto isso, agentes do FBI procuravam o SLA. Em mais uma gravação divulgada pelo grupo, Patty Hearst alerta a polícia contra qualquer tentativa de resgatá-la pela força. Pai, mãe, estou gravando essa fita para dizer que continuo bem e para explicar algumas coisas. Hearst prossegue dizendo que está viva e que é deprimente ouvir as pessoas falarem dela como se ela estivesse morta. Isso começa a convencer as pessoas de que talvez eu esteja mesmo morta. E quando todo mundo estiver convencido de que eu estou morta, isso dará ao FBI uma desculpa para vir tentar me tirar daqui. E eu não quero morrer desse jeito. Desafiando as autoridades, Sin Kyum Tumi grava a seguinte mensagem. Eu sou aquele negro que te caça agora. Em outro trecho da gravação, Mthu me diz, você conhece todos nós e nós conhecemos você, o opressor, assassino e ladrão. E você caçou, roubou e explorou a todos nós. Agora, nós somos os caçadores que não vão te dar descanso. E não vamos comprometer a liberdade de nossos filhos. Morte ao inseto fascista que ataca a vida das pessoas, conclui Mitumi. A mensagem alarmou o público americano por seu tom agressivo e ameaçador. A essa altura, o público começa a perceber, também na voz de Patty Hearst, uma mudança de tom. O jornalista John Lester, que se tornara uma espécie de porta-voz da família Hearst, comenta a transformação na imagem da refém. No início, ouvíamos a voz dela, oi mãe, oi pai, muito triste, grave, e depois ela foi ficando cada vez mais forte, até denunciar os pais. Lester está se referindo a um dos episódios mais extraordinários do caso Hearst. Dois meses após o seu sequestro, Patty Hearst grava uma mensagem dizendo que havia se aliado ao SLA e agora se chamava Tânia, nome de uma guerrilheira comunista argentina que tinha morrido em combate lutando ao lado de Che Guevara. permitiram que eu escolhesse entre 1. ser libertada em uma área segura ou 2. me aliar ao Symbionese Liberation Army e lutar pela minha liberdade e pela liberdade de todos os povos oprimidos. Com voz firme e assertiva, Patty Hearst prossegue. Escolhi ficar e lutar. Pai, você disse que teme pela minha vida e você disse que também se preocupa com a vida e com os interesses de todas as pessoas oprimidas desse país. Você é um mentiroso e como um membro da classe dominante, eu sei que os seus interesses e os interesses da minha mãe nunca são os interesses do povo. A transformação em Patty Hearst era tão profunda que, para muitos, era como se ela tivesse sido possuída. Uma outra personalidade, Tânia, havia se apoderado do corpo de Patty. A partir desse ponto, ela perde a simpatia do público. Rick Perlstein comenta. Ela disse as coisas mais absurdas. Que seu pai era membro da conspiração para gerar a crise energética. Que ele também a mataria, se necessário. As coisas mais loucas que é possível imaginar. E isso, vindo de uma menina que, poucos meses antes, parecia ser uma jovem americana obediente, de sangue quente e normal. Falando à imprensa, o casal Hearst disse não acreditar que a filha havia se aliado aos sequestradores. Eu, pessoalmente, não acredito nisso, disse Randolph Hearst. Nós a tivemos por 20 anos. Eles estão com ela há 60 dias. Não acredito que ela possa ter mudado suas filosofias tão rapidamente. Catherine Hearst, mãe de Patty, acrescentou, Pouco tempo depois, no dia 15 de abril de 1974, Patty Hearst faz sua primeira aparição como guerrilheira do SLA. duas mulheres brancas, um homem branco e um homem negro, todos armados, roubam um banco em São Francisco, na Califórnia. Eles dizem ser integrantes do SLA e, segundo uma testemunha, uma das mulheres se identifica como Tânia, Tânia Hearst. Imagem de câmeras de segurança mostrando Patty Hearst armada com uma metralhadora circulam pelo mundo. A ex-refém é agora uma fugitiva da polícia e o SLA decide sair de seu esconderijo em São Francisco, uma casa infestada de baratas, e procurar refúgio em Los Angeles. A decisão se revelaria, para o grupo, um erro fatal. Achando que serão bem recebidos, se alojam em um bairro pobre chamado Compton. Dias após a sua chegada, o FBI é informado de que um grupo teria sido visto transportando armamentos pesados no local. No final da tarde de 17 de maio de 1974, a polícia de Los Angeles cerca a casa onde o SLA está escondido. Os policiais ordenam ao grupo que se entregue, mas eles se recusam. Então, os agentes atiram granadas dentro do prédio, que pega fogo. Em meio às chamas, inicia-se um tiroteio, transmitido pela televisão para todo o país, ao vivo. Entre os telespectadores estão Randolph e Katherine Hearst, acompanhados por John Lester. Falando a BBC Radio 4, o jornalista relembra aqueles momentos dramáticos. A principal preocupação era que Patricia estivesse na casa. No final, ficamos sabendo que ela não estava lá. Mas a família assistia a tudo, chocada e horrorizada. Ninguém falava. Depois de uma hora de tiroteio, seis guerrilheiros estão mortos. O casal Hearst conclui que acaba de assistir ao vivo pela TV a morte de sua filha. Após um dia de especulações, eles são informados de que não, Patty Hearst não está entre os mortos. Na verdade, a ex-refém também assistira ao tiroteio, em um quarto de motel perto da Disneylândia. E é nesse quarto de motel, acompanhada por dois outros integrantes do SLA, que ela grava sua última mensagem. Saudações ao povo, aqui é Tânia. Eu quero dizer o que sei sobre os nossos seis camaradas mortos, porque os porcos fascistas da mídia estão criando uma versão distorcida desses lindos irmãos e irmãs. Eu morri naquele incêndio na rua 54, mas das cinzas renasci. Sei o que tenho de fazer. Nossos companheiros não morreram em vão. O porco mente sobre a conveniência de eu me render. Só me tornaram mais determinada. Eu renunciei ao meu privilégio de classe quando o CQ me deu o nome de Tânia. Embora eu não tenha nenhum desejo de morrer, eu não tenho medo da morte. Por essa razão, a teoria da lavagem cerebral do porco Hearst sempre me divertiu. A vida é muito preciosa para mim, mas não tenho ilusões de que ir para a prisão me manterá viva, e eu nunca escolheria viver o resto da minha vida cercada por porcos como os Hearst. Saindo de Los Angeles, Patty e os outros dois integrantes do SLA seguem para o leste, sequestrando e depois libertando duas pessoas ao longo do caminho. Depois do tiroteio em Los Angeles, os guerrilheiros sobreviventes tornam-se fugitivos. Inicia-se o que mais tarde seria chamado o Ano Perdido de Patty Hearst. e ela se afasta da facção principal do grupo. Para o jornalista Rick Perlstein, nessa fase, Hearst cria para si mesma uma identidade independente como uma radical. Ela lê feministas radicais e escritores anticoloniais por conta própria. Talvez ela seja ou talvez não seja membro ativo do SLA, mas ela com certeza está se tornando uma integrante ativa da esquerda radical. Segundo Perlstein, nessa fase Hearst tem total autonomia, está livre para ir embora se quiser. O líder da gangue está morto e você não pode manter o tipo de disciplina que eles tinham em São Francisco, diz Perlstein. O SLA retorna para o norte da Califórnia, onde realiza um assalto a banco que deixa uma mãe de quatro filhos, Myrna Opsahl, morta. Hearst é presa no dia 18 de setembro de 1975. Seu julgamento começa no dia 4 de fevereiro do ano seguinte, exatos dois anos após seu sequestro. Entre os jornalistas que cobrem o evento, chamado na época de o julgamento do século, está Linda Doit. Quando ela finalmente foi capturada, foi em São Francisco, sua cidade natal. Incrível, diz Doit. A essa altura, já se sabia tudo o que se podia saber sobre ela. A opinião pública estava cética, prossegue a jornalista. Achavam que ela era culpada, mas como era rica, iria escapar da prisão. O julgamento se arrasta por vários meses. Entre as pessoas ouvidas estavam vários membros do SLA e muitos especialistas, lembra Doit. Em defesa da acusada, Catherine Hurst argumenta que a filha teria sofrido lavagem cerebral, uma estratégia mal sucedida. Um psiquiatra havia aconselhado que essa seria a melhor linha de defesa, mas por causa das coisas que Patty tinha dito, era difícil de acreditar, opina Deutsch. Segundo a defesa, A transformação na personalidade de Patty Hearst seria consequência de um transtorno psíquico. Disseram que ela tinha sido vítima da Síndrome de Estocolmo, mas isso é muito difícil de provar, diz Doit. Patricia Hearst é condenada a sete anos de prisão por assalto a banco, mas serve apenas dois. A sentença é comutada pelo presidente Jimmy Carter em 1979. Em 2001, em seu último dia na presidência dos Estados Unidos, Bill Clinton concede perdão completo a Hearst. Em 1996, Hearst oferece sua versão sobre o processo psicológico que vivenciou em entrevista ao canal de TV britânico Channel 4. Você se aliou a eles, correto? Pergunta apresentadora. Sim, quando eles disseram, roube um banco ou vamos te matar, eu falei, ok. Responde Hurst rindo com ironia. Parece simples quando você coloca dessa forma, comenta a apresentadora. Sim, foi simples assim, mas vai ficando mais complicado. Porque quanto mais eles trabalham em você, quanto mais eles torturam você, quanto mais você finge que está do lado deles, mais aquilo vai se tornando uma realidade para você. Você não sabe mais o que está fazendo. E chegou a um ponto em que me disseram que não era nem para eu pensar nas pessoas que eu conhecia. e eu tinha tanto medo de pensar nos meus pais, na minha casa, que durante anos eu deixei de lembrar como era o apartamento onde eu morava, em que escola minhas irmãs estudavam, que matérias eu estava fazendo. Eu simplesmente não conseguia lembrar", conta Hurst. — Então você apagou sua vida anterior? — pergunta a apresentadora. — Sim. Isso é tão fácil de acontecer. Você não tem noção de quão frágil você é, responde Hurst. O membro do SLA, Mike Borton, esteve a sós com Patty Hearst durante alguns períodos. Teria Patty Hearst ficado com o SLA por vontade própria? Será que ela de fato acreditava nas coisas que dizia nas gravações? Eu acho que ela achava que acreditava naquilo. Era como aquele zelo dos recém-convertidos. Mas era muito superficial. Eu tinha a impressão de que ela não conseguia ver o mundo todo. Ela tinha uma visão muito estreita do mundo. Um dia, estávamos andando no parque, fazia três ou quatro meses que eu a conhecia. Ela disse, sabe, às vezes tenho vontade de que alguém me sequeste de novo, me leve para Nova York, me tire daqui. Borton diz que decidiu não contar aquilo para os outros integrantes do grupo, mas a partir daquele momento, passou a ver a suposta conversão de Patti ao SLA com ceticismo. Em sua autobiografia, publicada em 1982, Hearst diz, acomodei minhas ideias para que coincidissem com as deles. Para alguns, como o jornalista Benjamin Rum, da BBC Radio 4, apresentador do programa em que se baseia esse artigo, Hearst aprendeu a imitar seus sequestradores para poder sobreviver. Mas adotou aquela personagem com tanta fluência que já não se distinguiam a parte real da parte criação. Você ouviu a reportagem. A herdeira raptada que se aliou a seus sequestradores para lutar por povos oprimidos. Publicada pela BBC News Brasil em 11 de outubro de 2025.
Ray Winstone
Olá, sou Ray Winstone. Estou aqui para lhes contar sobre o meu podcast na BBC Rádio 4, História's Toughest Heroes. Eu tenho histórias sobre os pioneiros, os rebeldes, os outcastes que definem o difícil. E essa foi a primeira vez que alguém correu tão rápido sem pneus. É quase como se seus olhos estivessem saindo da sua cabeça. Difícil o suficiente para você? Se inscreva no History's Toughest Heroes, onde quer que você encontre seu podcast.
Data: 18 de novembro de 2025
Host: BBC Brasil
Narradora: Mônica Vasconcelos
Baseado em reportagem de 11 de outubro de 2025, BBC News Brasil
Duração do conteúdo essencial: [01:08]–[24:43]
Este episódio narra a impressionante história de Patricia Hearst, herdeira de uma das famílias mais poderosas dos Estados Unidos, que, após ser sequestrada pelo grupo revolucionário Symbionese Liberation Army (SLA), surpreendeu o país ao se aliar a seus próprios sequestradores. Entrelaçando os fatos que transformaram a jovem de refém a fugitiva, a reportagem questiona: Patty Hearst foi vítima de lavagem cerebral ou agente consciente de seus atos? O caso, repleto de reviravoltas, revela os dilemas e traumas por trás de uma das sagas mais controversas dos anos 1970.
Memorável:
"Mãe, pai, estou bem... Peguei um resfriado, mas me deram remédio. Não estou passando fome. Não estão batendo em mim, nem me aterrorizando desnecessariamente."
— Patty Hearst, gravação dos sequestradores ([01:22])
"Saudações ao povo e camaradas, irmãos e irmãs..."
— Donald DeFreeze/Sin Kyum Tumi, líder do SLA ([06:03])
"Como alguém pode discordar do desejo de que pessoas famintas recebam comida?"
— Patty Hearst, entrevista de 1975 nunca antes divulgada ([08:46])
"Escolhi ficar e lutar."
— Patty Hearst ("Tânia") ([13:22]) "Você é um mentiroso e como um membro da classe dominante, eu sei que os seus interesses... nunca são os interesses do povo."
Comentário:
"Ela disse as coisas mais absurdas. Que seu pai era membro da conspiração para gerar a crise energética... Para muitos, era como se ela tivesse sido possuída."
— Rick Perlstein, historiador e jornalista ([14:47])
Tensão:
"A principal preocupação era que Patricia estivesse na casa... assistia a tudo, chocada e horrorizada."
— John Lester, porta-voz da família Hearst ([18:35])
"Eu morri naquele incêndio na rua 54, mas das cinzas renasci... Renunciei ao meu privilégio de classe quando o CQ me deu o nome de Tânia."
— Patty Hearst/Tânia ([20:09])
"Talvez ela seja ou não membro ativo do SLA, mas com certeza está se tornando integrante ativa da esquerda radical... nessa fase, Hearst tem total autonomia." ([21:30])
"Disseram que ela tinha sido vítima da Síndrome de Estocolmo, mas isso é muito difícil de provar."
— Linda Doit, jornalista ([22:14])
"Sim, quando eles disseram, roube um banco ou vamos te matar, eu falei, ok."
— Patty Hearst ([23:05])
"Porque quanto mais eles trabalham em você, quanto mais eles torturam você, quanto mais você finge que está do lado deles, mais aquilo vai se tornando uma realidade para você. [...] Eu simplesmente não conseguia lembrar."
— Patty Hearst ([23:29])
"Você não tem noção de quão frágil você é."
— Patty Hearst ([23:58])
"Eu acho que ela achava que acreditava naquilo. Era como aquele zelo dos recém-convertidos. Mas era muito superficial... às vezes tenho vontade de que alguém me sequestre de novo, me tire daqui." ([24:10])
"Hearst aprendeu a imitar seus sequestradores para poder sobreviver. Mas adotou aquela personagem com tanta fluência que já não se distinguiam a parte real da parte criação." ([24:35])
O episódio lança luz sobre os limites da resistência humana, as ambiguidades da identidade sob coação e o contexto turbulento dos Estados Unidos nos anos 1970. O caso Patty Hearst permanece um mistério: vítima ou agente? Entre depoimentos emocionantes e análises históricas, ouvintes são convidados a refletir sobre o poder da mente e o impacto devastador do sequestro e da radicalização.