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BBC Lê. Quantas vezes você demorou para começar uma tarefa pendente ou para finalmente se inscrever naquele curso que você sempre quis fazer? Às vezes, a preguiça, o medo de não fazer tudo com perfeição ou a desmotivação nos afastam de realizar várias atividades. Ou adiamos tanto que acabamos perdendo um tempo precioso que poderíamos estar aproveitando. Há muitos motivos que podem nos levar a isso, mas também existem soluções. Para esses casos, os japoneses têm diversas técnicas que podem nos ajudar a superar a preguiça e encontrar motivação. A seguir, detalhamos algumas delas. Ikigai. Sem tradução direta para o português, esse termo representa a ideia de felicidade de viver. Essencialmente, é a razão pela qual você se levanta todas as manhãs. Ele é frequentemente associado ao chamado diagrama de Venn, com quatro qualidades que se sobrepõem. O que você ama, aquilo em que é bom, o que o mundo precisa e pelo que você pode ser pago. Ken Moji, neurocientista e autor de Awakening e o Ikigai, afirma que o Ikigai é um conceito antigo e familiar para os japoneses, podendo ser traduzido de forma simples como uma razão para se levantar pela manhã ou, mais poeticamente, despertar com alegria. Já a psicóloga japonesa Michiko Kumano descreve o Ikigai como um estado de bem-estar que surge da dedicação às atividades de que se gosta, trazendo também uma sensação de plenitude. Em poucas palavras, encontre algo que o motive diariamente, uma razão para seguir em frente. Pode ser desde um pequeno espaço com plantas, cuidar de um animal de estimação ou aprender algo novo todos os dias. Kaizen. A filosofia Kaizen tem como base realizar pequenas mudanças e melhorias constantes em todas as áreas da vida. Essa abordagem contrasta com a ideia de querer dominar algo desde o primeiro dia, um pensamento que, além de real, gera frustração e pode levar ao abandono das metas que estabelecemos. A aplicação prática dessa filosofia envolve definir pequenas metas diárias e concentrar-se nas pequenas melhorias. O segredo é se comprometer a dar pelo menos um passo que te aproxime do seu objetivo. Esses pequenos passos ajudam a superar a inércia e a criar um impulso constante rumo à produtividade. Além disso, eles permitem identificar gradualmente os pontos que podem ser aprimorados. A técnica remonta ao período do pós-guerra no Japão e, por exemplo, no site da renomada empresa Toyota, esse sistema é reconhecido como um dos princípios básicos do seu modelo de produção. A tradução de Kaizen para o português, de forma geral, é melhoria constante. Kai significa mudança e Zen significa para melhor. Trata-se de uma filosofia que ajuda a garantir máxima qualidade, eliminação de desperdícios e melhorias na eficiência, tanto em equipes quanto em processos de trabalho. Técnica Pomodoro. Quando uma tarefa parece difícil de se realizar, seja por ser cansativa ou por exigir muita concentração, essa técnica pode ser bastante útil. Embora tenha sido criada pelo italiano Francesco Cirillo no final da década de 1980, ela é amplamente utilizada no Japão para aumentar a produtividade e tornar as tarefas diárias mais leves. A técnica é conhecida como pomodoro em referência a cronômetros em forma de tomate usados para marcar o tempo. Matthew Bernacki, professor associado da Faculdade de Educação da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, disse à BBC que essa abordagem é baseada em blocos de tempo e é eficaz para evitar distrações. Por exemplo, ajuste o cronômetro para 25 minutos e, nesse período, dedique-se exclusivamente a estudar um conteúdo ou a realizar uma tarefa, seja ela intelectual ou física. Você deve também se desconectar de todas as distrações. Depois, você tem cinco minutos para recompensar o cérebro com alguma distração, como fazer um lanche ou verificar suas mensagens. Em seguida, retorne para mais um bloco de 25 minutos de estudo ou trabalho. Essa técnica não apenas ajuda a evitar a perda de tempo com distrações, mas também mantém o cérebro motivado com a perspectiva de uma recompensa. Hara Hachibu. Não coloque no estômago, Hara, mais do que 80% do que você gostaria de comer, Hachibu. Essa é basicamente a ideia por trás dessa técnica, que consiste em evitar comer até ficar completamente cheio. E o que isso tem a ver com produtividade e preguiça? Basta pensar em como você se sente após uma refeição exagerada, quando fica completamente satisfeito. Dá vontade de tirar um cochilo, certo? A solução está nessa prática, que tem origem na cidade de Okinawa, onde as pessoas seguem esse conselho como uma forma de controlar seus hábitos alimentares. A psicóloga Susan Albers explica que essa abordagem é útil porque ela ensina a parar de comer quando você se sente apenas satisfeito. Segundo a Cleveland Clinic, referência em saúde nos Estados Unidos, ao olhar para o seu prato, defina qual quantidade o faria se sentir cheio, então, calcule quanto seria 80% dessa porção. Talvez isso corresponda a dois terços da comida no prato. O objetivo é se sentir satisfeito, sem fome, em vez de completamente cheio. Shoshin, esse conceito vem do budismo Zen e significa mente de principiante. A ideia foi apresentada pelo monge Shundryu Suzuki, que escreveu, na mente do principiante há muitas possibilidades, mas na do especialista poucas. Essa técnica consiste em abordar tudo o que fazemos com uma atitude aberta, sem preconceitos ou ideias preconcebidas, independentemente do nível de experiência que já tenhamos do assunto. Exatamente como faria um iniciante. Isso nos permite aceitar que não sabemos tudo. Alguns estudos científicos já demonstraram que essa postura de humildade traz benefícios para quem a adota. E por quê? Porque encarar algo com curiosidade e mente aberta nos incentiva a perseverar, ser inovadores e ter coragem para ousar. Wabi sabe. O termo Wabi Sabi não é apenas intraduzível, como também é considerado indefinível na cultura japonesa. Ele tem origem no taoísmo da dinastia Song na China, que durou de 960 a 1279. O termo foi posteriormente incorporado ao budismo Zen. Inicialmente, o habe-sabe era visto como uma forma de apreciação austera e contida. Hoje, o termo engloba uma aceitação mais serena do que é transitório, natural e melancólico, valorizando o imperfeito e o incompleto em tudo, desde a arquitetura até a cerâmica e os arranjos florais. Enquanto nos esforçamos para criar coisas perfeitas e depois lutamos para preservá-las, negamos seu propósito e perdemos a alegria que vem com a mudança e o crescimento", escreveu Lily Crossley Baxter em um artigo na BBC. Quando pensamos em produtividade, em realizar uma tarefa, ou em nos dedicar a um hobby, o habe-sabe propõe abraçar a imperfeição em vez de nos estressarmos com detalhes. Ou, em outras palavras, o ótimo é inimigo do bom e não devemos insistir em alcançar a perfeição nos fixando em cada pequena minúcia. Você ouviu a reportagem 6 técnicas japonesas que podem te motivar e melhorar a sua produtividade, publicada pela BBC News Brasil em 5 de dezembro de 2024.
