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A
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B
Sério? Em um playground? BBC Lê. Pessoas que param de usar canetas emagrecedoras ganham peso quatro vezes mais rápido do que as que fazem dieta, diz estudo. Reportagem de Michelle Roberts, da BBC, publicada pela BBC News Brasil em 8 de janeiro de 2026. Lida por Silvia Salé. Uma nova pesquisa sugere que pessoas que interrompem o uso de canetas emagrecedoras como o Monjaro ou o Eicov podem recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que aquelas que abandonam dietas convencionais e exercícios físicos. Dados publicados na revista científica britânica British Medical Journal indicam que pessoas com sobrepeso perdem grandes quantidades de peso ao usar as injeções, cerca de um quinto do peso corporal. Mas após a interrupção do tratamento, recuperam em média quase um quilo, 800 gramas por mês. Isso significa que elas retornam ao peso anterior ao tratamento em cerca de um ano e meio. As pessoas que compram esses medicamentos precisam estar cientes do risco de rápida recuperação de peso quando o tratamento termina, alertou a pesquisadora Susan Jebb, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ela ressaltou que os resultados se baseiam em ensaios clínicos e não em situações da vida real, e que mais estudos sobre os efeitos de longo prazo das novas injeções para emagrecimento são necessários. Os pesquisadores analisaram 37 estudos com mais de 9 mil pacientes para comparar as chamadas canetas emagrecedoras para perda de peso com dietas convencionais ou outros medicamentos. Apenas 8 dos 37 estudos avaliaram tratamentos com os novos medicamentos GLP-1 como o EGOV, semaglutida, e Monjaro, tirzepatida. O período máximo de acompanhamento nesses estudos foi de um ano após a interrupção da medicação, de modo que os números são estimativas. Segundo os pesquisadores, quem opta apenas por dieta tende a perder menos peso do que com as injeções. Mas a recuperação posterior ocorre de forma mais lenta, cerca de 100 gramas por mês, embora haja variações. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, o NHS, na sigla em inglês, recomenda essas injeções por meio das canetas para pessoas com excesso de peso associado a riscos de saúde relacionados à obesidade, e não para quem deseja apenas emagrecer um pouco. Os médicos, em geral, prescrevem mudanças de estilo de vida, incluindo alimentação saudável e prática de exercícios físicos para ajudar as pessoas a manter o novo peso. Muitos especialistas afirmam que o tratamento deve ser considerado para toda a vida diante do risco de recaída. No Brasil, quatro doses de monjaro de 2,5 miligramas, a dose mais baixa, estão à venda nas farmácias por cerca de R$ 1.400,00. Ou seja, continuar o tratamento por um longo período não é barato. Então, o que acontece quando você tenta parar? As pessoas que tentaram interromper o uso das injeções relatam a experiência como um interruptor que liga e você fica instantaneamente faminto. Uma mulher disse, foi como se algo se abrisse na minha mente e dissesse, coma tudo, vai em frente, você merece, porque não come nada há muito tempo. Segundo Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey, no Reino Unido, a forma como essas injeções atuam no cérebro e no corpo pode explicar por que a recuperação de peso se intensifica após a interrupção do tratamento. Elas imitam um hormônio natural chamado GLP-1 que regula a fome. Fornecer artificialmente níveis de GLP-1 várias vezes acima do normal por um período prolongado pode fazer com que o organismo produza menos do seu próprio GLP-1 e também se torne menos sensível a seus efeitos. Isso não é um problema enquanto a pessoa está usando os medicamentos, mas assim que esse reforço de GLP-1 é retirado, o apetite deixa de ser controlado e a probabilidade de se comer em excesso aumenta muito. Parar abruptamente, diz Adam Collins, é um grande desafio. Isso se agrava ainda mais quando a pessoa depende exclusivamente do GLP-1 para fazer o trabalho pesado, suprimindo artificialmente o apetite sem estabelecer mudanças alimentares ou comportamentais que ajudem no longo prazo. Segundo as estimativas mais recentes, 1 milhão e 600 mil adultos no Reino Unido usaram essas injeções no último ano, em sua maioria adquiridas por meio de prescrições privadas e não pelo Sistema Público de Saúde, o NHS. Outras 3 milhões e 300 mil pessoas afirmam ter interesse em usar as chamadas injeções para emagrecer nesse ano, o que significa que 1 em cada 10 adultos no país já usou ou gostaria de usar esses medicamentos, segundo a entidade beneficente Cancer Research UK. O uso foi duas vezes mais comum entre mulheres do que entre homens e mais frequente entre pessoas na faixa dos 40 e 50 anos. O professor Navid Sattar, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, afirmou que as injeções podem trazer benefícios adicionais à saúde por promoverem rápida redução de peso. É plausível que ficar mais magro por dois ou três anos, mesmo com o uso de curto prazo das injeções, ajude a retardar danos às articulações ao coração e aos rins. Pesquisas maiores e de mais longa duração serão necessárias para responder a essa questão, disse o especialista. E acrescentou, mais importante, o uso contínuo desses medicamentos por três a quatro anos permite que as pessoas mantenham um peso significativamente mais baixo do que manteriam de outra forma. Um benefício que geralmente não se observa com a perda de peso obtida apenas por mudanças de estilo de vida, em que muitos recuperam o peso ao longo do tempo. No Reino Unido, clínicos gerais e especialistas em manejo do peso do sistema público de saúde não estão autorizados a prescrever automaticamente monjaro ou egove, ainda que o paciente já tenha recebido esses medicamentos por meio de uma receita médica particular. Os medicamentos podem ser oferecidos a pessoas com maior necessidade clínica que atendam a critérios específicos, como a presença de problemas de saúde relacionados ao peso. Atualmente, não há limite de tempo definido para receitas médicas de monjaro no NHS, enquanto o Egove só pode ser prescrito por um período máximo de dois anos. No Brasil, o EGOV e o Monjaro são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, e podem ser prescritos por médicos no tratamento da obesidade. Em dezembro de 2025, a Anvisa ampliou a indicação do EGOV à base de semaglutida 2,4 miligramas para incluir também o tratamento de gordura no fígado associada à inflamação. A tirzepatida, Monjaro, passou a ser comercializada nas farmácias brasileiras no início de maio de 2025, embora sua liberação pela Anvisa tenha ocorrido ainda em outubro de 2023. Por enquanto, esses medicamentos não estão disponíveis na rede pública. Há discussões preliminares sobre uma eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde, o SUS, mas até lá o tratamento exige desembolso próprio com custo mensal superior a R$ 1.200. Um porta-voz da farmacêutica L. Lilly, fabricante do Monjaro, disse que o uso de medicamentos para perda de peso precisa ser acompanhado de alimentação saudável, atividade física e orientação médica. Quando o tratamento é interrompido, o peso pode retornar, o que reflete a biologia da condição e não a falta de esforço, disse o porta-voz. A farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Wegov, afirmou que essas descobertas destacam a natureza crônica da obesidade e sugerem que o tratamento contínuo seja necessário para manter as melhorias de peso e de saúde geral dos pacientes de forma semelhante ao manejo de outras condições crônicas, como diabetes ou hipertensão. Você ouviu a reportagem, pessoas que param de usar canetas emagrecedoras ganham peso quatro vezes mais rápido do que as que fazem dieta, diz estudo. Publicada pela BBC News Brasil em 8 de janeiro de 2026.
Título: Pessoas que param de usar canetas emagrecedoras ganham peso quatro vezes mais rápido do que as que fazem dieta, diz estudo
Podcast: BBC Lê (BBC Brasil)
Data: 15 de janeiro de 2026
Reportagem de: Michelle Roberts
Narração: Silvia Salé
Este episódio apresenta uma leitura de reportagem sobre os impactos da interrupção das chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos injetáveis como Monjaro (tirzepatida) e Wegovy (semaglutida) — em comparação com dietas convencionais para perda de peso. O foco é um estudo publicado no British Medical Journal analisando o risco de rápido reganho de peso após o fim do uso dos medicamentos e suas implicações para tratamentos da obesidade.
Citação Notável:
"As pessoas que compram esses medicamentos precisam estar cientes do risco de rápida recuperação de peso quando o tratamento termina."
— Susan Jebb, Universidade de Oxford (02:01)
Citação Notável:
"Foi como se algo se abrisse na minha mente e dissesse: coma tudo, vai em frente, você merece, porque não come nada há muito tempo."
— Relato de paciente (05:55)
Comentário de especialista:
"Parar abruptamente é um grande desafio, especialmente quando a pessoa depende apenas do GLP-1 e não estabelece mudanças alimentares ou comportamentais."
— Adam Collins, Universidade de Surrey (06:15)
Citação Notável:
"No Reino Unido, clínicos gerais e especialistas [...] não estão autorizados a prescrever automaticamente Monjaro ou Wegovy."
— BBC News Brasil (09:40)
Citação Notável:
"O uso contínuo desses medicamentos por três a quatro anos permite que as pessoas mantenham um peso significativamente mais baixo do que manteriam de outra forma."
— Prof. Navid Sattar, Universidade de Glasgow (10:40)
Citação Notável:
"Essas descobertas destacam a natureza crônica da obesidade e sugerem que o tratamento contínuo é necessário."
— Novo Nordisk (13:40)
| Tema / Insight | Timestamp | |--------------------------------------|--------------| | Estudo: ritmo de reganho com canetas x dietas | 01:30 – 02:10 | | Limitações dos estudos | 02:40 | | Mecanismo de ação das canetas (GLP-1) | 05:10 | | Relato sobre retorno do apetite | 05:55 | | Dificuldade de parar uso e riscos | 06:15 | | Perspectivas sobre uso contínuo | 07:00 – 07:55 | | Uso e custos no Brasil | 08:20 | | Benefícios potenciais e limites clínicos | 10:10 – 10:45 | | Regulamentação no Brasil (Anvisa & SUS) | 11:45 – 12:30 | | Posicionamentos das farmacêuticas | 13:05 – 13:40 |
“As pessoas que compram esses medicamentos precisam estar cientes do risco de rápida recuperação de peso quando o tratamento termina.”
— Susan Jebb, Universidade de Oxford (02:01)
"Foi como se algo se abrisse na minha mente e dissesse: coma tudo, vai em frente, você merece, porque não come nada há muito tempo."
— Relato de paciente (05:55)
"Parar abruptamente é um grande desafio, especialmente quando a pessoa depende apenas do GLP-1..."
— Adam Collins, Universidade de Surrey (06:15)
"O uso contínuo desses medicamentos [...] permite manter peso significativamente mais baixo do que manteriam de outra forma."
— Navid Sattar, Universidade de Glasgow (10:40)
"Essas descobertas destacam a natureza crônica da obesidade..."
— Novo Nordisk (13:40)
O episódio destaca que as “canetas emagrecedoras” são altamente eficazes na perda de peso, mas que a interrupção do tratamento pode levar a um rápido reganho — muito mais acentuado do que o observado após dietas convencionais. Especialistas ressaltam que, para muitos pacientes, o uso contínuo pode ser necessário, equiparando o tratamento da obesidade à abordagem de doenças crônicas. O reganho não é sinal de fracasso pessoal, mas sim resultado biológico do mecanismo dessas drogas. O acesso, custos, critérios de prescrição e benefícios de longo prazo ainda estão sob discussão tanto no Reino Unido quanto no Brasil.