Podcast Summary: BBC Lê
Episode: "Quando fiz 10 anos de casada, falei para meu marido: o que você acha da gente abrir o nosso casamento?"
Date: December 20, 2025
Host: BBC Brasil
Reportage by: Marina Rossi
Read by: Julia Brown (Text) & Camilla Veras Mota (Interviewee responses)
Interviewee: Ilana Eleá, escritora, doutora em educação, sexóloga
Episode Overview
This episode features a detailed reading of a BBC News Brasil interview and reportage with Ilana Eleá, a Brazilian sexologist based in Sweden, discussing her personal and professional journey from monogamy to a consensual non-monogamous relationship. It explores the motivations, challenges, myths, social reactions, and stages couples often experience when considering or practicing open relationships or polyamory, especially from a feminist and educational lens.
Key Discussion Points & Insights
1. O Início da Conversa: A Proposta de Abrir o Casamento
- Ao completar 10 anos de casamento, Ilana propõe ao marido abrir a relação, inspirada por suas pesquisas acadêmicas e pelo processo de escrita de livros sobre sexualidade e poliamor.
- O marido aceita a proposta, e eles celebram com champanhe, começando uma nova fase no relacionamento.
“Quando fiz 10 anos de casada, falei para o meu marido: o que você acha da gente abrir o nosso casamento?” – Ilana Eleá [01:40]
2. Entendendo as “Não Monogamias Consensuais” ([03:45])
- “Não monogamias consensuais” abrange todas as práticas em que há consentimento mútuo e flexibilização da exclusividade (afetiva, sexual, romântica).
- Não existe hierarquia moral dentro desses arranjos; psicologia e sexologia reconhecem a diversidade.
3. Práticas Incluídas nas Não Monogamias ([04:34])
- Incluem swing, troca de casais, relacionamento aberto, poliamor, anarquia relacional.
- O principal é o consentimento de todos os envolvidos, sem julgamento de valor.
4. Primeiros Passos para Abrir um Relacionamento ([05:10])
- Inventário emocional: reflexão individual honesta sobre desejos, curiosidades, limites e razões pessoais.
- Diálogo: comunicação aberta sobre expectativas, desejos e limites antes de qualquer ação.
- Rede de apoio: buscar leituras, podcasts, grupos e terapeutas que entendam sobre o tema.
“Antes de abrir qualquer relação para qualquer formato, tem que abrir o diálogo. [...] esse ritmo psíquico de cada um na relação tem que ser entendido.” – Ilana Eleá [05:15]
5. Erros Comuns e Perigosos ([08:59])
- Abrir a relação para consertar um problema pré-existente tende ao fracasso.
- O ideal é partir de um relacionamento estável.
“Abrir para consertar algo que não está bom? Esquece. Vai dar ruim, como se diz. Não vai dar certo. Não é terapia. Não é a última carta do baralho.” – Ilana Eleá [08:59]
6. Poliamor (Com e Sem Hierarquia), Relacionamento Aberto, Anarquia Relacional ([09:46] – [12:10])
- Poliamor hierárquico: existe uma relação principal, outras são secundárias.
- Poliamor não hierárquico: liberdade para priorizar vínculos diversos, sem hierarquia central.
- Relacionamento aberto: busca-se liberdade sexual sem envolvimento romântico.
- Anarquia relacional: rejeita rótulos, hierarquias e distinções entre amizade, romance e sexo.
7. Formatos Mistos e Acordos Personalizados ([13:25])
- Casais podem ter interesses diferentes (um mais aberto ao sexo casual, outro ao envolvimento afetivo).
- A comunicação e o respeito mútuo propiciam acordos flexíveis e únicos.
“É um acordo maravilhoso. É o acordo que eu vivo, que eu chamo de acordo misto, sensual, amoroso, empático.” – Ilana Eleá [13:25]
8. Dinâmica Entre Paixão e Segurança ([14:21])
- Paixão e amor de longo prazo ativam áreas cerebrais distintas e podem coexistir.
- Cuidados pós-encontro (“after care”), como conchinha ou ler poesias juntos, ajudam a manter a intimidade e a segurança do casal diante de novas experiências.
9. Monogamia Compulsória: Crítica ao Sistema ([15:47])
- A sociedade pressupõe a monogamia como padrão invariável, sem questionamentos.
- A expectativa é construída socialmente, especialmente opressora sobre as mulheres.
“Ninguém nasce monogâmico. E ninguém te pergunta, você tem interesse em ser monogâmico?” – Ilana Eleá [15:47]
10. Reações, Críticas e Odio Social ([17:57])
- Ilana relata receber tanto hate quanto apoio após entrevistas públicas sobre não-monogamia.
- Muitas críticas femininas têm raízes em feridas históricas, desigualdade de gênero e questões religiosas, políticas ou estruturais.
- Mulheres e pessoas queer são a frente das pesquisas, discussões e vivências de não-monogamias.
11. Medos Comuns e Estigmas ([21:14])
- O medo da traição é ressignificado: “nas não monogamias consensuais é como se jogassem uma luz dentro” e os casais precisam falar sobre seus medos.
- Medos de cada gênero: para homens, medo de comparação; para mulheres, medo do abandono e julgamento social.
12. Importância Radical da Comunicação ([22:55])
- Comunicação contínua é imprescindível e mais radical em relações não monogâmicas.
- A negociação não cessa após a abertura do relacionamento; é algo que precisa ser revisitado sempre.
“500 mil por cento mais. É dito que a comunicação é um ponto radical.” – Ilana Eleá [22:55]
13. Transição Pessoal de Ilana ([24:55])
- Trajetória de Ilana envolve experiências de ciúmes e insegurança, mas também crescimento e autoconhecimento.
- O desejo de honestidade e conexão profunda foi o motor da mudança.
“Eu tinha ciúme no meu relacionamento anterior, inclusive de fantasia. Então eu saí fragilizada [...] A exclusividade me deixou segura. Esse amor me resplandeceu.” – Ilana Eleá [24:55]
14. Como e Por Que Propor a Abertura ([27:35])
- A decisão de abrir veio após anos de reflexão individual, diálogo, pesquisa e amadurecimento mútuo.
- Ilana rejeita a noção de que se precisa terminar relacionamentos por não caber todos os desejos num único formato.
“Eu tenho um presente pra gente, que é uma proposta: O que você acha da gente abrir o nosso casamento?” – Ilana Eleá [27:35]
Notable Quotes & Memorable Moments
- “Abrir para consertar algo que não está bom? Esquece. Vai dar ruim, como se diz. Não vai dar certo. Não é terapia. Não é a última carta do baralho.” [08:59]
- “Monogamia compulsória tem muito a ver com o seguinte: ninguém nasce monogâmico. E ninguém te pergunta, você tem interesse em ser monogâmico?” [15:47]
- “500 mil por cento mais. É dito que a comunicação é um ponto radical.” [22:55]
- “Eu tinha ciúme no meu relacionamento anterior, inclusive de fantasia.” [24:55]
- “Eu tenho um presente pra gente, que é uma proposta: O que você acha da gente abrir o nosso casamento?” [27:35]
Timestamps for Important Segments
- [01:40] – Proposta de abertura do casamento e contexto pessoal
- [03:45] – Definição de não monogamias consensuais
- [05:10] – Primeiros passos para abrir uma relação
- [08:59] – Motivações incorretas para abrir a relação
- [09:46] – Poliamor e suas variantes
- [11:09] – Anarquia relacional
- [13:25] – Acordo misto e negociações únicas
- [15:47] – Monogamia compulsória
- [17:57] – Reações sociais ao debate
- [21:19] – Medos comuns de quem considera não monogamia
- [22:55] – Comunicação radical nas não monogamias
- [24:55] – Experiência pessoal e crescimento individual
- [27:35] – Como Ilana propôs abrir o casamento
Final Notes
Ilana Eleá, com experiência profissional e pessoal, propõe um olhar plural, sem julgamento moral, sobre as formas de amar. O episódio serve tanto como introdução conceitual quanto relato íntimo sobre abrir um relacionamento, ressaltando a importância do diálogo, autoconhecimento e respeito mútuo – não apenas nos arranjos não monogâmicos, mas em qualquer formato de relação afetiva.
