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Essa história da DM9 é pitoresca. É uma pena que foram brasileiros que fizeram isso, né? Só vai colaborar para aquela nossa ideia do... O mundo tem, né? Que o brasileiro como esculhambador morda a república. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Então, mais um cafezinho. Começa com o texto que eu vou publicar nas redes sociais. E depois é comentado. E o comentário é patrocínio de quem? iGreen, dá uma olhada. Você escolhe banco, plano de saúde, internet, mas nunca escolheu de onde vem a energia que usa todo dia, não é? A conta chega, a gente paga, sem saber de onde vem a energia, sem entender a tarifa. Mas com o mercado livre de energia, você pode escolher de quem comprar, negociar preço, optar por fontes 100% renováveis e economizar até 15%, 30% se você for uma empresa, sem trocar nada em casa e sem investir um centavo. Sabe como? Com a iGreen Energy, que pega você pela mão e cuida de tudo. Parte técnica, burocracia, integração. Aqui em São Paulo é no mínimo 10% de economia garantido em contrato. Simples, digital, econômico e sustentável. E ainda dá acesso a um clube de descontos em mais de 60 mil lojas no Brasil. Acesse Conexão Green. iGreen, a energia que faz sentido. Eu não sei se você prestou atenção, cara, mas a iGreen tá propondo um rompimento no que é tradicional, cara. Você paga a conta de luz, sei lá pra quem, pra Enel, e nunca se preocupou de procurar se você poderia escolher de quem comprar a sua energia elétrica e com isso ter o desconto. A iGreen já te disse como é que faz isso. Fica lá. Muito bem, vamos ao comentário aqui. Se você estiver no YouTube, cara, já aproveita, já faz os 4C, já comenta, dá o ok, dá o joinha, ajuda a gente a fazer o canal crescer, né? Vamos lá? Imagine a Senna, uma das maiores agências de publicidade do Brasil, a gloriosa DM9, sobe ao palco do Cannes Lions, o Oscar da propaganda mundial. Sorrisos, aplausos, o grande Prix na mão, um leão dourado para celebrar a criatividade brasileira no mundo. Tudo lindo. Mas, como naqueles filmes em que o herói descobre que o tesouro é falso, o brilho do leão logo se revelou de lata. O que era para ser o ápice do orgulho virou vergonha internacional. O motivo? O videocase premiado, aquele filminho que as agências fazem para mostrar ao júri como a campanha foi genial, mostrava consumidores interagindo com o produto e dando depoimentos positivos. Mas parte dessas interações e testemunhos foi criada ou editada digitalmente. Nunca aconteceu no mundo real. Além disso, os resultados da campanha exibidos no case, como impacto no comportamento dos consumidores e dados de eficiência da campanha, eram projeções e simulações e não dados auditados. O problema não foi o uso da I.A., da Inteligência Artificial em si, mas o fato de a agência ter apresentado essas informações como verdadeiras sem declarar o uso da tecnologia, o que levou o Kani a desclassificar o trabalho por falta de transparência e quebra de ética. Você entendeu? O que era para ser um relato fiel dos resultados da campanha virou um teatro montado, com o I.A. criando provas de feitos que nunca existiram. Quando o Cane Lion descobriu a marmelada, não teve jeito. Caçaram o Grand Prix e os outros prêmios da agência e, de quebra, o chefe criativo da DM9 entregou o cargo. O festival correu para criar novas regras, códigos de conduta e prometeu vigiar de lupa cada case daqui pra frente. A DM9, por sua vez, anunciou um comitê de ética para não deixar a história se repetir. Um festival de pedidos de desculpas e juras de boas intenções. Essa história nos conta de verdade. Conta que a gente tá brincando com fogo. Em tempos de inteligência artificial, a linha entre o que é real e o que é criado nunca foi tão fina. E o que era para ser um recurso para nos ajudar a pensar, a criar, virou um atalho para enganar, para inflar o ego e para faturar prêmios. A propaganda sempre dançou na beira do exagero. Faz parte do show, cara. Mas existe uma diferença brutal entre exagerar e mentir. Entre criar uma boa história e falsificar a realidade. Isso é moral, cara. Isso é ética. E quando o mundo todo está de olho, quando a IAA nos dá o poder de criar qualquer imagem, qualquer dado, qualquer história, o que nos segura na estrada certa é justamente aquilo que não se programa, o nosso caráter. O leão de lata da DM9 virou um símbolo de um futuro que já está por aí. O futuro onde o problema não será o que a IA pode fazer. O problema será o que nós decidimos fazer com ela. E no final, cara, não é sobre tecnologia, não. É sobre quem nós somos quando ninguém tá olhando. Sobre o preço que pagamos quando o mundo todo descobre. Beleza não, né, cara? Tá no YouTube, é? Aproveita aí, entra aqui embaixo. Vamos continuar a discussão. Mas dá uma paradinha aí. Dá o like, dá o comentário, compartilha. Olha lá, olha lá. A plaquinha de papel tá lá, precisa crescer, tá crescendo devagarinho, né? Viu que tem um habitante novo aqui? Aqui com Eisenberger, Eisenberger, né? Não sei o nome dele. Ovo presente aqui no nosso grupinho. Muito bem! Cara, que vergonha essa história da DM9, não dá nem pra alegar que foi sem querer, foi... Como é que é uma encrenca desse tamanho, cara? Uma esculhambação desse tamanho não é algo que você faz. Ah, eu não sabia. Isso é tipo um dane-se, sabe? Manda lá e dane-se, inventa moda aí. Ganhou o prêmio e depois tem que desfazer e desdizer tudo, né? E o que foi levantado aqui... É o que eu acho que vai acontecer no futuro. A inteligência artificial chegou para dar um daqueles desvios na história da humanidade. A humanidade vem vindo numa direção, de repente acontece um fato novo e ela muda. Pode ser uma invenção de um produto que muda nossa história. Por exemplo, surgiu o smartphone. Ele mudou o caminho da humanidade. Acontece um evento, caem as sorris gêmeas, muda o caminho da humanidade. A IA surge, se implementa e muda o caminho da humanidade. Porque ela está mudando tudo, mudando o jeito da gente trabalhar. A nossa capacidade de acreditar nas notícias está exigindo da gente um tipo de inteligência. E a gente não se preocupava muito com ela não, cara. Antigamente apareceu uma mentira, é difícil. Você tem uma imagem do cara falando, é claro que é ele. Era até aceito como prova, agora não mais. Agora, qualquer pessoa pode aparecer falando ou agindo de qualquer forma e você não vai saber se aquilo é verdade ou é mentira. Num cenário como esse, eu falei no texto aqui, não é a tecnologia que tem que ser discutida. Trabalhar pra segurar essa tecnologia, pra botar limites nela, vai ser muito complicado. De novo a gente vai bater numa questão moral e ética. Eu tava escrevendo esse texto aqui, imaginando, cara, eu preciso botar Aristóteles nesse texto. Platão! Eu tenho que botar Platão nesse texto aqui, porque esses caras estavam discutindo lá, dois mil anos atrás, o tema de fundo do texto de hoje, que não é sobre I.A. É sobre moral e ética. Sobre a capacidade que nós vamos ter de aplicar nossos valores morais, a honestidade, numa ferramenta maravilhosa que está chegando para virar a história da humanidade de ponta cabeça. E, de novo, nós vamos trombar com algo que é constante na história da humanidade. Um grande conflito, um grande problema, uma grande pandemia, uma grande encrenca, traz uma rapidez de evolução tecnológica que a mente humana não alcança. A tecnologia evolui em uma velocidade muito mais rápida do que a nossa capacidade de processar mentalmente o que está acontecendo e de repente eu descubro que O meu comportamento não pode ser o mesmo que era anteriormente, porque agora eu estou lidando com uma tecnologia que eu não posso usar impunemente como eu usava qualquer tecnologia lá atrás. De repente eu descubro que eu, com meu celular na mão, a capacidade de ter um aplicativo, onde eu posso manipular uma foto, eu posso me colocar em qualquer lugar do mundo, eu posso apagar alguém, eu posso apagar um deles, eu posso trocar uma pessoa, eu posso mudar a entonação, eu posso fazer uma voz que engane todo mundo. Cara, isso é uma arma. Que nas mãos de quem não tem moral e não tem ética, vira um problema muito sério para a sociedade. E eu acho que é aí que vai pegar a encrenca da IA. Eu não estou preocupado não com a Skynet, com o Exterminador do Futuro. Isso não me preocupa não. Não estou preocupado com uma tecnologia que vai roubar o trabalho de muita gente. É claro que vai. A história da humanidade sempre foi assim. Chega uma tecnologia, ela destrói um monte de coisa e constrói um monte de coisa. Eu estou preocupado é com a incapacidade que o ser humano tem de lidar de forma ética e moral com essa ferramenta maravilhosa que vem aí. Então, vamos propor uma discussão nesse tema aí? A gente não conseguiu discutir até hoje, ou definir até hoje, a ética da internet? Não conseguimos discutir mais, ainda é uma puta de uma zona, é uma bagunça. O cara entra lá e trata as pessoas como se ele tivesse o dono do mundo. Ele não trata as pessoas da forma como ele trata na vida real, no dia a dia, olho no olho. Na internet todo mundo é fodão, todo mundo é campeão, todo mundo é o bom, todo mundo dá porrada, né? Na vida real não é assim. Portanto, a ética da vida real não foi trazida pra internet. Bota isso em mundos de inteligência artificial. Se a gente não trouxer para nós o velho, aquele bom e velho, não faça com os outros, aquele que você não quer que faça com você, vamos ter um problema muito sério. De novo, não é o problema da tecnologia que está chegando aí. O problema são as pessoas que vão usar essa tecnologia para dar um balão nos outros, para enganar, para fazer golpe, cada vez mais difícil de ser encontrado. Essa história da TM9 é pitoresca. É uma pena que foram brasileiros que fizeram isso, né? Só vai colaborar para aquela nossa ideia do mundo tem, né? Que o brasileiro como esculhambador morre da república, né? Nós esculhambamos lá o prêmio, cara. Isso pegou muito mal. Mas eu quero propor pra você essa discussão, cara. Qual é a ética, qual é a moral do uso da inteligência artificial? Louco, né? Se quiser discutir isso aí, vem pra cá. Mundocafébrasil.com. Mundocafébrasil.com. Aqui dentro estão rolando mil discussões. Acabo de fazer um outro MLA, uma outra reunião do MLA, e as discussões sobre Iá estão fantásticas. Fizemos um debate ali com o Arthur Igreja, que foi uma coisa sensacional. Pra onde tá indo, cara? O que vai acontecer com ela? Como é que a Iá chega pra nos provocar, tirar a gente da mesmice e, ao mesmo tempo, botar a gente numa situação de perigo. Eu acho que só não houve essa discussão de moral e ética lá, mas ali a gente viu maravilhado para onde ela está indo, o que está sendo construído. É um desenho de um mundo, eu não sei como vai ser daqui a cinco anos, eu consigo enxergar um mundo maravilhoso, mas com o perigo de ser um mundo pavoroso que a gente não conseguir estabelecer o uso com moral e com ética dessa tecnologia que vem aí. Não quero leão de lata não, cara. Queria o leão de ouro. Vem comigo. mundocafébrasil.com.
Podcast: Cafezinho
Host: Luciano Pires (Café Brasil Editorial Ltda)
Episode: Cafezinho 683 – Leão de Lata – A ética no uso da IA
Date: July 4, 2025
Duration: ~2.5 minutes
This episode delves into a recent ethical controversy in the advertising industry involving the renowned Brazilian agency DM9 and its use of artificial intelligence (AI) to fabricate elements of a campaign case, leading to the revocation of its award at the Cannes Lions festival. Luciano Pires uses this event as a springboard to discuss broader implications about ethics, morality, and the responsible use of AI in society.
On the division between exaggeration and deceit in advertising:
“Existe uma diferença brutal entre exagerar e mentir. Entre criar uma boa história e falsificar a realidade.”
— Luciano Pires [02:55]
On the real dilemma of AI:
“O futuro onde o problema não será o que a IA pode fazer. O problema será o que nós decidimos fazer com ela. E no final, cara, não é sobre tecnologia, não. É sobre quem nós somos quando ninguém tá olhando.”
— Luciano Pires [03:25]
On the necessity for timeless ethical values:
“Eu tava escrevendo esse texto aqui, imaginando, cara, eu preciso botar Aristóteles nesse texto. Platão! ... porque esses caras estavam discutindo lá, dois mil anos atrás, o tema de fundo do texto de hoje, que não é sobre I.A. É sobre moral e ética.”
— Luciano Pires [06:40]
On the rapid evolution of technology vs. human adaptation:
“A tecnologia evolui em uma velocidade muito mais rápida do que a nossa capacidade de processar mentalmente o que está acontecendo...”
— Luciano Pires [07:05]
On ethical responsibility:
“Se a gente não trouxer para nós ... o velho, aquele bom e velho, não faça com os outros, aquele que você não quer que faça com você, vamos ter um problema muito sério.”
— Luciano Pires [09:05]
This episode uses a current scandal in Brazilian advertising as a springboard for an urgent reflection on the ethical use of artificial intelligence. Luciano Pires maintains a candid, conversational tone, challenging listeners to recognize that, in the end, technology is a mirror for human character. The real test is not what artificial intelligence can do, but how we choose to wield it—especially when no one is watching.
Listeners are encouraged to join the debate and consider how society can establish meaningful ethical frameworks before AI’s potential for both creativity and deception further outpaces our collective capacity for discernment and integrity.