Cafezinho 692 — Loucos no poder não são acidente
Podcast: Cafezinho
Host: Luciano Pires
Data: 5 de setembro de 2025
Duração: ~2 minutos e meio
Visão Geral do Episódio
Neste episódio, Luciano Pires faz um chamado urgente à reflexão coletiva sobre a complacência social diante da ascensão de indivíduos desequilibrados e antiéticos ao poder. Usando como ponto de partida uma publicação autoral e referências ao dramaturgo Bertolt Brecht, Luciano questiona a passividade do público, destaca o papel da omissão na perpetuação do caos político e social, e convoca o "homem comum" a exercer seu senso crítico.
Principais Pontos de Discussão e Insights
1. Indignação diante dos abusos de poder
- Luciano expressa profundo incômodo com a maneira como as leis, o jornalismo e o debate público vêm sendo desrespeitados. Ele critica a postura dos jornalistas e autoridades, questionando a honestidade e as intenções de quem ocupa cargos de influência.
[00:05] “Eu não aceito que as leis do meu país sejam tratadas dessa forma. Eu não aceito que um jornalista venha na minha cara apontar o dedo pra mim e dizer que eu sou um idiota [...]. Ele tá achando ou ele tem certeza absoluta que eu sou um idiota.”
2. A farsa escancarada e a plateia cúmplice
- Luciano lê e comenta um texto de sua autoria sobre o espetáculo grotesco da política atual, onde canalhas atuam abertamente e o público permanece imóvel e em silêncio, tornando-se cúmplice por omissão.
[00:46] “Os canalhas dançam no palco. Eles não se escondem. Não precisam, cara. Luzes, câmeras, discursos. A farsa é escancarada. E nós, hein? Plateia, cativa, imóvel, cúmplice. Cada gesto deles é um tapa na nossa cara. Cada silêncio nosso é um aplauso envergonhado.”
[01:30] “O truque não continua porque é genial. Continua por covardia. Não é o mágico que sustenta o feitiço. É o público que aceita ser enganado.”
3. Referência a Bertolt Brecht e à história política
- Pires resgata a peça “A Resistível Ascensão de Arturo Ui” para demonstrar como os tiranos são frutos de contextos de apatia, covardia e silêncio coletivo.
[01:48] “O alerta de Brecht no encerramento da peça ecoa até hoje. O ventre ainda é fértil de onde saiu a besta. Loucos do poder não são acidentes, elas são consequências. Eles florescem onde o medo domina, onde a omissão reina, onde a covardia se veste de prudência e por isso promovem o medo.”
4. O papel do “homem comum”
- O apresentador faz um contraponto entre viver no automático e participar ativamente do destino do país. Ele ressalta que são poucos os que se levantam, mas que o apoio, em diversas formas, é fundamental.
[02:31] “Não quero morrer como um homem comum. Quem é esse homem comum, cara? São os milhões e milhões de brasileiros preocupados em tocar sua vidinha, cuidar da família, pagar suas contas, sobreviver nesse país maluco [...]. Muitos vão passar a vida sem causar qualquer impacto além da família. Mas alguns vão provocar mudanças [...].”
- Defende que mesmo quem não vai à linha de frente pode apoiar os que têm coragem de enfrentar o sistema.
[06:47] “Eu não tenho coragem, eu não tenho condições, eu não tenho tempo. Eu não tenho nem intenção de ir pra linha de frente, mas já que eu não posso ir, eu vou ajudar quem vai [...]. Pode vir com like, pode vir com compartilhamento, pode vir assinando [...].”
5. O estado degradado das instituições e a vergonha
- Lamenta a perda do respeito social a profissionais como juízes, jornalistas e advogados — figuras antes respeitadas e hoje desgastadas pelo cenário de crise moral e ética.
[04:54] “O jornalista, o advogado, figuras imponentes que tinham respeito na sociedade. Acabou, cara. Acabou, bicho. Acabou. Foi tudo jogado pra uma vala comum.”
6. O espetáculo das câmeras e a atuação dos políticos
- Relata depoimento de um convidado especial ilustrando como, quando as câmeras ligam, políticos mudam seu comportamento e passam a performar, desconectando-se da realidade e da honestidade.
[05:45] “[...] até o momento em que as luzes se acenderam e as câmeras foram ligadas. Quando a câmera é ligada, cara, o cara gentil, O cavalheiro que tava conversando comigo vira um ogro. [...] Ele tá fazendo uma performance porque as câmeras estão transmitindo.”
7. O poder do senso crítico
- Luciano recomenda a leitura do livro “Senso Crítico”, de David Carr, destacando que essa capacidade é essencial para resistir à manipulação e denunciar abusos.
[07:25] “Esse livrinho aqui é precioso. Senso crítico é o nome dele, David Carr [...]. O homem comum precisa exercer seu senso crítico, olhar pra o que tá acontecendo e dizer, cara, eu não aceito.”
8. Convocação para a ação e responsabilidade coletiva
- Finaliza com um chamado coletivo à ação direta e ao engajamento, seja nas ruas, nos debates ou na pressão pública — pois apenas assim será possível restabelecer o respeito e a responsabilidade dos poderosos.
[09:22] “Esses que estão brigando não podem ficar sozinhos. Se ficarem sozinhos, é isso que vocês estão vendo aí, cara. O ventre é fértil. Ele vai gerar a besta uma atrás da outra. Se ninguém fizer nada, está dominado. Aliás, já está dominado.”
[10:13] “A principal é voltar ao que era lá atrás, quando esses caras tinham medo da opinião pública, tinham medo do que o público podia dizer, tinham medo de perder voto, tinham medo de perder audiência, tinham medo de perder o respeito. Isso precisa voltar. E a única forma disso voltar é a gente se manifestar.”
Momentos Memoráveis
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Luciano indignado com a passividade geral:
“Cada vez que a gente espera que alguém faça alguma coisa, o tirano ganha fôlego. Tiranos não nascem grandes. Eles se alimentam do nosso silêncio.” ([02:18])
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Citação motivacional:
“Deus ajuda sim, mas nós temos que dar uma mãozinha pra ele, cara, e dar uma mãozinha pra ele significa passar pela vida muito mais do que sendo só um homem comum.” ([03:40])
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Sobre as consequências da omissão:
“O futuro vai cobrar caro cada minuto em que a gente troca ação por silêncio.” ([01:37])
Timestamps dos Segmentos Importantes
- 00:00 — Introdução e declaração de indignação
- 00:46 — Leitura do texto autoral sobre a plateia cúmplice
- 01:48 — Referência à peça de Brecht
- 02:18 — O poder alimenta-se do silêncio
- 02:31 — Quem é o homem comum e o papel do indivíduo
- 04:54 — Perda de respeito às instituições
- 05:45 — O papel das câmeras na performance política
- 07:25 — Recomendação do livro “Senso Crítico”
- 09:22 — Chamada à ação e apoio coletivo
- 10:13 — Importância da pressão da opinião pública
Conclusão
Com narrativa incisiva e direta, Luciano Pires faz do episódio um apelo à consciência cívica, concluindo que só o engajamento e o senso crítico impedirão o crescimento de “loucos no poder” — estes não são acidentes, mas consequências do medo, da omissão e da passividade coletiva. Ele convida o público a romper o silêncio, apoiar quem enfrenta o sistema e recuperar o respeito perdido pelas instituições, tornando-se protagonistas do próprio futuro.
