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E me parece que o que a gente fez nos últimos 10 ou 15 anos foi ampliar a paciência com a ineficiência. Sempre tem uma vitimazinha, uma culpa do outro, a culpa de outra coisa. Foi mal. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Muito bem, mais um cafezinho. Eu vou começar com o texto que eu vou publicar nas redes sociais. seguido de um comentário. E o texto de hoje é assim, olha. Você provavelmente já viu a notícia de que o Itaú, o maior banco privado do Brasil, demitiu cerca de 2 mil funcionários. Justificativa foi falta de produtividade e problemas de aderência cultural. O comunicado oficial dizia em tom bem frio que a decisão foi criteriosa, considerando diversos aspectos do trabalho e a aderência às necessidades atuais do banco. Traduzindo, tinha gente ligando o computador em home office, mas não trabalhando. Enquanto isso, a Unilever, dona de marcas como Dove e Hellman's, anunciou que vai substituir 25% de seus 200 principais executivos. O CEO, Fernando Fernandes, falou em bolsões de mediocridade, organização inchada e cultura de desempenho inconsistente. Já cortou 18% dos cargos administrativos e promete mais até 2026. São duas histórias diferentes, dois continentes, mas é o mesmo fio condutor. A intolerância com a mediocridade. Parece até manual de boas práticas, mas significa o óbvio. Gente está sendo dispensada porque não entrega. Peter Drucker já dizia que o que pode ser medido pode ser melhorado. No home office brasileiro, cara, muitas vezes nem se mede, nem se melhora. Finge-se. No Itaú, a maioria estava em casa, sem chefe por perto, simulava atividade. E como produtividade não é hora na frente da tela, mas a entrega, o banco usou a foice. Na Unilever, o problema parece que foi outro. Executivos que confundiram cargo com vitalício. E alguém pode perguntar, mas vem cá cara, será que não é inteligência artificial cortando gente, hein? A hipótese é boa, mas não serve aqui não, viu? A IA pode reescrever relatórios, mas o problema é mais antigo que o Excel, é disciplina. No Itaú, foi a ilusão de que home office é terra sem lei. Na Unilever, foi a acomodação. A tal mediocridade incomoda porque é real. Toda grande empresa tem cantos onde o trabalho se arrasta. O sempre foi assim protege a inércia. A burocracia garante empregos inúteis. Eu já tratei disso em Brasileiros Pocotó e no Nós que Invertemos as Coisas. A mediocrização é sorrateira. Primeiro um entrega menos, depois outro, logo a excelência vira exceção. No fim, Itaú e Unilever expõem o mesmo dilema. Como manter alta performance sem transformar gente em engrenagem descartável, cara? É fácil criticar as corporações. O difícil é admitir que essa lógica atravessa a nossa vida pessoal. A mediocridade não nasceu no Itaú nem na Unilever. Ela aparece em qualquer rotina onde a disciplina cede espaço para a inércia. Os cortes são brutais, mas trazem um lembrete. A complacência cobra um preço. No mundo corporativo, custa empregos. Na vida pessoal, custa relevância, respeito e, em última instância, liberdade. O Machado de Assis dizia assim, ó. A ocasião faz o furto e o furto faz o ladrão. No trabalho, a ocasião faz a mediocridade e a mediocridade destrói carreiras. Itaú e Unilever fizeram o que organismos vivos fazem para sobreviver. Amputaram um membro necrosado. Parece cruel, né? Talvez, cara, mas o recado é muito claro. A paciência com a ineficiência acabou. E agora, se você tá no YouTube, entra aqui embaixo, é hora de dar um ok, de dar um não gostei, de interagir com o post, botar um comentário legal, ajudar a gente a fazer a plaquinha lá do 52 mil subir para 100 mil. Vamos em frente? Então, cara, foi uma surpresa, né? De repente eu tenho informações muito quentes e que não foram mil que foram mandados embora, não. Foram dois mil e a maioria absoluta, se não todos, eram home office, né? E a gente já sabia que em algum momento esse tipo de... Eu costumo chamar de freio de arranjo. Você dá uma brecada, as coisas se arranjam. Teria que acontecer. Porque, cara, o home office tá baseado, primeiro de tudo, em disciplina. Você tem que ter uma disciplina pra poder conformar a tua rotina caseira na tua rotina do trabalho. E é dificílimo, é muito complicado. Tem funções onde isso dá mais certo, é mais possível fazer. Tem outras que é muito complicado, especialmente se a tua casa não entrou no teu jogo, se tá tudo misturado ali, virou uma bagunça e é muito difícil você manter uma constância, uma rotina ali. Claro, exceções. só comprovam regras. Existem lugares que está funcionando muito bem, eu já vi depoimentos de empresas dizendo o seguinte, cara, a melhor coisa que eu fiz foi botar meu pessoal em home office, porque o que é que eu fiz? Eu contratei gente de fora de São Paulo que mora numa cidade pequena e ganha salário de paulista, tem liberdade para trabalhar e vai se entregar de corpo e alma para não perder essa boquinha, né? Porque quem tem uma condição como essa, de ter liberdade de fazer o seu próprio horário, de trabalhar fora de um grande centro, com um custo muito menor do que o grande centro, ganhando o salário do grande centro, cara, esse cara vai dar a alma dele. E é verdade, eu acho que isso pode até acontecer, mas tem outros casos onde não funciona, especialmente numa corporação gigantesca como o Itaú da Vida, né? E no caso da Unilever, é interessante essa constatação né que de repente você tem bolsões de mediocridade que é que não tem cara quem nunca viu isso cara é claro que tem toda empresa tem e é natural as coisas acabam se acomodando e as empresas quando são grandes demais o sistema interno ele ganha vida própria ele se ele se protege ele cria áreas em que tem certos escudos ali que não permitem que as coisas mudem ele acaba Perpetuando velhos processos, protegendo cargos, protegendo atitudes. Porque vira cultura da empresa. Especialmente quando ela é muito grande. Pra você chacoalhar isso, você tem que mudar a cultura da empresa. E pra mudar a cultura da empresa, cara, você tem que fazer um trauma. Tem que ter um trauma. E o que o Itaú fez agora é um trauma. O que a Unilever acaba de anunciar é outro trauma. Tá acontecendo em volta de mim aqui, os caras tão perdendo emprego, é uma loucura o que tá acontecendo aqui. Isso é traumático. E o trauma serve pra você provocar mudanças culturais. Eu não vejo problema nenhum. O que eu tô vendo que os caras tão fazendo é aplicar o que a gente fazia normalmente nos anos 80. Eu fui formado em liderança nos anos 80 e 90. e lá era muito comum, cara, não performou ou tá fora e não tem conversa, não tem papo, cara, não tem melindre, não tem ti-ti-ti como é hoje em dia, né? Hoje em dia qualquer coisinha, uma atitude tomada com um pouco mais de força é tratada como, ah, é um horror, cara, eu vi agora a declaração do sindicato, né? O banco ganha demais, não pode mandar as pessoas embora, como se houvesse uma obrigação ali que não fosse um contrato, sabe, de compra de Força de trabalho. E cara, tá feito contrato. Era assim nos anos 90, era assim nos anos 80. Por que mudou agora? O que tá diferente agora? Mudou a tecnologia, é claro. Ainda bem que mudou, facilitou a forma da gente trabalhar. Sim, mas ao mesmo tempo que isso aconteceu, misturou completamente o meu trabalho no dia a dia com o meu trabalho em casa. Eu tenho um celular na minha mão, ele toca a qualquer hora, eu tenho que responder a qualquer hora, eu não tenho mais das 8 às 18, todo dia. Então, cara, lidar com isso é muito complicado. Mas as ações que aconteceram agora pra mim estão muito claras, e por isso que eu botei essa camiseta aqui da N-REND. Você pode negar a realidade, mas não pode negar as consequências de negar a realidade. É o que nós estamos vendo agora. Há uma demanda muito alta por mais produtividade, há uma demanda muito alta por responsabilidade, por entrega, por accountability de uma geração que não está acostumada com isso. que tá acostumada a não prestar muita conta não. Tô generalizando? Talvez eu esteja, mas onde eu olho eu vejo esse problema. Então ele deve ser geral. O que fica como uma lição aí é aquilo que eu coloquei no final aqui do artigo. A paciência com a ineficiência Não é que acabou. Ela tem que acabar. Ela não poderia existir nunca. E me parece que o que a gente fez nos últimos 10 ou 15 anos foi ampliar a paciência com a ineficiência. Sempre tem uma vitimazinha, uma culpa do outro, a culpa de outra coisa. Foi mal, não deu. Tem sempre uma desculpa maluca pra encobrir um resultado deficiente, uma falta de resultado. Isso não pode permanecer, isso não pode continuar, cara. Isso serve para uma grande empresa e serve para você como indivíduo, você como pessoa, como indivíduo único. A tua produtividade, como é que ela anda? Você é condescendente com a ineficiência? Quando você negocia é com você mesmo. Você cobra o quê? Você cobra a eficiência ou quando pinta a ineficiência está tudo certo, deixa passar? Cara, isso é cultura. E nós estamos passando por uma mudança cultural brutal. E vão ter que acontecer coisas que doem, como aconteceu agora com Itaú e vai acontecer com Unilever. Mediocridade, cara. Cuidado com ela. Eu, há 30 anos, bato nessa tecla. Entra aqui, ó, Mundo Café Brasil. Tá aqui desde o Brasileiro Pocotó, lá em 2003. Eu tenho batido nessa tecla fortemente sobre combater a mediocridade que assola o Brasil, né? Transformar isso aqui, ó, cérebros em cérebros. Tá aqui, ó, mundocafébrasil.com. Entra aqui, vamos discutir o nível de paciência que a gente tem que ter com a mediocridade e com a ineficiência. Eu não tenho mais, cara. Você tem? 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