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Começo com a que eu digo logo na abertura. Eu falo, cara, você pra ouvir tem que deixar o cérebro na geladeira. O Café Brasil 1000 é pra ser ouvido com o coração. Coração. Se você botar o cérebro, a ideologia vai entrar, cara. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Muito bem, mais um cafezinho. Esse aqui é mais do que especial. Começa com o texto que eu publico nas redes sociais, seguido de um comentário. Vamos lá? Acabo de publicar o episódio 1.000 do podcast Café Brasil. Que marca. Depois de 19 anos, 500 horas de conversa com o Brasil, chegou a hora de uma pausa. Mas não é pra olhar pra trás, mas pra dentro. O episódio 1.000 é uma travessia pela alma brasileira. Uma viagem musical, literária e emocional que percorre a nossa história, a nossa arte e, principalmente, a nossa identidade. A proposta não é negar as dores, não. Não é pintar o país de verde e amarelo só por conveniência. Não. A gente quer lembrar que o orgulho não é ufanismo. O orgulho é consciência. É reconhecer os defeitos, todos os problemas que existem, sem esquecer o que ainda temos de belo, de criativo e profundamente humano. E tem, viu? Nesse episódio, o trem do Brasil parte da Cidade de Deus, passa pela Aquarela do Brasil, visita Ney, Milton, Roberto, Gonzagão, Elis, Gil, Ari, Cartola, Suassuna, Drummond, Clarice, cara, e mais um mundo de gente, né? Cada parada revela um pedaço do que a gente foi. E do que ainda podemos ser, cara? Um sonho da utopia, né? Um país que transforma a dor em samba, miséria em poesia e crise em criação. É nóis, cara. Olha, a viagem é simbólica, propõe que a gente saia das trincheiras ideológicas e volte a olhar uns nos olhos dos outros, cara. Que a gente troque o ódio pelo pertencimento. que redescubra o Brasil real, aquele que tá nas feiras, tá nas rodas de samba, ainda tá assim, tá nas mãos calejadas e nas vozes, que não se calam. Olha, não foi fácil preparar esse episódio, não, cara. Deu um trabalhão. Foram semanas e semanas trabalhando, refazendo, burilando o texto, escolhendo cerca de 70 canções que estão no programa, oito horas de gravação e edição e uma imensa pulga atrás da orelha, cara. Eu me senti na obrigação de fazer uma declaração logo no começo do episódio. Uma tentativa, né, que, cara, que no fundo eu acho que é infrutífera de superar as barreiras ideológicas dos ouvintes. No fim, a gente acabou criando um convite à reconciliação e uma lembrança de que o orgulho de ser brasileiro não se grita, se pratica. No trabalho honesto, na sociedade, na solidariedade, na cultura que resiste. Venha, cara. Vem, vem, vem junto. Embarque nesse trem aí, ó. O Café Brasil 1000 não é só um episódio comemorativo de um dos mais tradicionais podcasts brasileiros. Começou lá em 2006, cara. É uma baita oportunidade de lembrar que, acredite, cara, o Brasil não é um problema a resolver. É uma herança a ser cuidada. É um lembrete de que o Brasil ainda pulsa, cara. E que o maquinista, no fundo, somos nós. Muito bem, se tiver no YouTube, é hora de entrar aí embaixo, deixar um ok, diz que não gostei, diz que odeia, até não interessa. Desde que você interaja com o post, tá tudo valendo, né? Porque ajuda a gente a fazer aquela plaquinha de papel subir, crescer um pouquinho, né? Conteúdos como o que eu faço aqui que deviam estar explodindo pelo país afora, acho que ia ajudar muita gente, né? Mas você sabe como é que é, né? É conteúdo que presta, não tem muita audiência não. Olha, eu tô com essa camiseta aqui porque eu cito no meio do programa ela, né? A abelha fazendo mel, vale o tempo que não vou. Isso aqui é uma frase de Fernando Brant, que tá na canção Amor de Índio, que está no programa, né? Eu comento que isso aqui é uma síntese do que pode ser o Brasil que a gente sonha, né? E cara, e não foi fácil, foi muito difícil montar o programa. No meio do caminho eu tive umas rateadas, porque de repente eu comecei a trombar com... caras essenciais da música popular brasileira, mas que não mereceriam estar nesse programa comemorativo aqui, porque se transformaram em canalhas gigantescos, né? E eu fiquei naquela dureza, né? Tiro no tiro, tiro no tiro, aí pintou uma frase que acho que pra mim resume tudo, né? Eu não vou abrir mão da beleza por conta da feiura de quem a fez, né? E eu entendi, botei quase todo mundo pra dentro de volta e montei um programa que tem duas horas e quarenta e três minutos de suco de Brasil, Você tem que ouvir. Tem que ouvir. E em vários momentos, eu faço uma série de provocações que são muito legais. Eu começo com a que eu digo logo na abertura, eu falo, cara, você pra ouvir tem que deixar o cérebro na geladeira. O Café Brasil 1000 é pra ser ouvido com o coração. Coração. Se você botar o cérebro, a ideologia vai entrar, cara. Tem que ser coração. Eu vou dizendo lá no meio assim, ó. Quando alguém diz que sente vergonha de ser brasileiro, eu não discuto mais, cara. Eu escuto. Porque essa vergonha não vem à toa, ela nasce de um desencanto, que é justificável, da repetição da sensação de impotência diante de um país que insiste e girar em falso, cara. Aqui parece que nada melhora, nada se sustenta, nada se corrige. Essa é a sensação. Mas eu costumo fazer uma pergunta, quando eu ouço assim, ah, não tenho vergonha do Brasil. Vergonha do que exatamente, hein? Do que? É da política? É da economia? Acho que é dos escândalos, da corrupção, do noticiário. Olha, cara, isso aí não é o Brasil inteiro não. Não é, cara. O Brasil é muito mais que isso. Isso aí tá na superfície. É ruído. É espuma. É desilusão. Desilusão. Se o Brasil tá machucado, sabe o que a gente faz? A gente trata. Se o Brasil tá injusto, a gente luta. Se o Brasil tá preso, a gente solta. Se o Brasil tá esquecido, a gente lembra, cara. O Brasil somos nós. Nós que escrevemos a próxima página, nós que cantamos o amor, a dor, a comida, o riso, a fé, cara, a fé. Essa é a mensagem que eu deixo no Café Brasil 1000. Eu tentei fazer um episódio positivo no momento em que fica cada vez mais difícil, você entra nas redes sociais, é ódio pra todo lado, é tragédia, o mundo já acabou, tá tudo ruim. E eu tentei fazer um episódio positivo. Já comecei a receber uma série de feedbacks dando conta que a gente acertou a mão. Convido você a ouvir, então. Café Brasil 1000. Orgulho de ser brasileiro. Vem pro trem, cara. Vem com a gente lá. Onde é que tá? Tá aqui, ó. Mundocafébrasil.com. Entra aqui. De onde veio o Café Brasil 1000? Tem mais 999 pra você curtir lá, né? E vem, cara. Você vai falar, puta, mas eu vou gastar duas horas e quarenta e três do meu tempo pra ouvir um podcast? É, cara. Tá aqui, ó. Você vai estar fazendo um mel. Ah, não vai dar tempo de voar? Faz um mel, cara. Bota na cabeça aí. Vem. Café Brasil 1000. Obrigado a você que acompanha a gente. A gente só chegou no 1000 porque tem um público que demanda, que escuta e que está nos ajudando a fazer o melhor podcast do Brasil. Este cafezinho chega a você com o apoio do CaféBrasilPremium.com.br. Conteúdo extra forte para seu crescimento profissional.
