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É absolutamente sintético. Presta atenção, cara. Quando tiverem te convidando aí pra agitar, pra fazer barulho, veja de onde vem esse pedido. Veja se ele é natural ou se ele é sintético, cara. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Muito bem, mais um cafezinho. Começo lendo o texto que eu vou colocar nas redes sociais, seguido de um comentário. Se a gente for falar em AstroTurfing, preste atenção nesse termo. AstroTurfing. Ele vem da marca de grama sintética AstroTurf, que significa a arte de fabricar movimentos populares que nunca existiram, cara. É o oposto de grassroots, os movimentos que são genuinos e que vêm de base. Na política, comunicação, no ativismo, O AstroTurfing acontece quando um grupo de estrategistas, marqueteiros ou ideólogos decidem criar a aparência de uma onda espontânea. Na prática, é uma coreografia cuidadosamente ensaiada. São discursos prontos, hashtags coordenadas, perfis automatizados e uma estética que parece orgânica. É perfeita, mas é feita em laboratório. É o povo falando, mas o texto foi escrito por alguém, cara. Alguém que tá lá nos bastidores, escondidinho. O AstroTurf é perigoso porque ele engana. Ele transforma meia dúzia de pessoas coordenadas numa multidão de milhares de vozes indignadas. Simula diversidade onde só tem cópia e cola. E disfarça a manipulação como se fosse engajamento. Olha, no Brasil Esse fenômeno ganhou muita força com as redes sociais, acho que no mundo todo, né? Mas especialmente a partir de 2013, quando as manifestações de rua mostraram o poder da mobilização digital. Desde então, diferentes grupos políticos e ideológicos aprenderam a operar essa máquina. De todas as cores, é uma máquina de persuasão. De um lado e de outro, a lógica é a mesmíssima. fabricar a aparência de legitimidade popular para reforçar narrativas e disputar corações e mentes. Simples assim. Movimentos genuínos, por outro lado, tem um cheiro de mistura. São pessoas com origens diferentes, opiniões que se chocam, divergências que fazem a gente pensar. O AstroTurf não. Ele é monocromático. Ele uniformiza a fala, ele abafa discordâncias, ele transforma nuances em pecado. Fala de boca cheia em nome da diversidade, mas não pratica, cara. A base, que deveria ser viva e muito complexa, vira uma câmara de eco. E quem ousar questionar é acusado de traição. Olha, um movimento que precisa fingir que é unanimidade já começou morto, cara. Começou morrendo, né? A pluralidade é o sangue da democracia. Por trás do colorido dos cartazes e dos slogans, sabe o que tem? Tem uma estrutura opaca. Às vezes, quase sempre financiada, sempre dirigida. É o tal do movimento espontâneo, com verba, com coordenador e com planilha. O resultado, bicho, é previsível. A base perde a autenticidade, o debate morre e a confiança pública simplesmente desaparece. Movimentos verdadeiros são imperfeitos, barulhentos, cheios de conflito. Justamente por isso eles são reais. A vida é assim. É bonito de ver, mas não cria raízes. É a grama sintética da militância. É lisinha, plana, sem cheiro, sem alma. O AstroTurfing está em todos os espectros políticos. Tá na direita, tá na esquerda. Ele se manifesta de várias formas. Nas correntes de WhatsApp que parecem surgir de repente do nada, né? Cheias de vídeos, memes, mensagens que soam como se fosse um desabafo popular. mas que são parte de campanhas, cara, muito bem sincronizadas. Eles aparecem também nas manifestações espontâneas, que acontecem simultaneamente em dezenas de cidades. Você olha aquilo tudo ao mesmo tempo, cara, com cartazes idênticos e palavras de ordem que são copiadas. E raramente são tão espontâneas assim. Olha, aparece quando partidos, coletivos, sindicatos apresentam uma mobilização como assim, ela é horizontal e popular, mas o discurso já vem decidido por uma comissão, por comissões ou por lideranças centrais. Aparece quando petições, fóruns, protestos se anunciam como a voz das bases, mas repetem a mesma narrativa de um núcleo dirigente. Você entendeu como é que é? No centro, no centro. Quando você está no centrão, o jogo é mais sutil. São institutos, consultorias, movimentos cíficos que se dizem apartidários, mas todos têm agendas, têm financiadores e têm objetivos muito bem definidos. Eles lançam campanhas com linguagem de cidadão comum. Somos todos a favor da boa política. Mas o discurso, cara, ele é moldado por planilhas, ele não é pela praça. O discurso muda, o figurino muda, mas o mecanismo é o mesmo. É uma coreografia da unanimidade. E é aí que mora o perigo, cara. Por quê? Porque a palavra diversidade acabou virando mágica. Todo mundo usa, pouca gente pratica. É muito fácil você começar a pregar diversidade quando todo mundo pensa igual. O AstroTurf transforma essa termodiversidade em maquiagem. Cria uma aparência de inclusão, mas o comando é vertical. É doutrinário, impaciente, com qualquer voz dissonante. O cartaz é colorido, cara, mas o pensamento é sempre cinza. Da próxima vez que vocês se atirarem em alguma mobilização aí pra salvar o Brasil, sabe, e salvar o planeta, você tem que reparar muito bem em que tipo de grama que você tá pisando. É grama natural ou é sintética, hein? Bom, se você estiver no YouTube, agora é hora de você deixar aqui embaixo o gostei, não gostei, né? interaja com o nosso conteúdo aqui para ver se o youtube distribui para mais gente né é a tal da plaquinha de papel lá vira uma placa de verdade tá demorando vai longe mas um dia uma hora a gente acaba chegando lá né então tinha ouvido falar já nesse termo aí astroturf cara eu acho que não né é uma novidade que surgiu lá fora e a gente começou a importar para cá cheio de gente fingindo que tá atuando de forma espontânea, quando na verdade você olha para aquilo e fala, cara, é tudo manipulado, não tem um texto, não tem uma palavra, não tem uma postura, não tem um modismo, não tem uma hashtag que surja, você fala, cara, isso é oriundo do seio do povo, isso veio de forma espontânea. Não, cara, tem um bando de gente em volta que ao longo dos últimos anos, nas últimas décadas, digamos assim, se especializou em manipular a opinião pública, em transformar tudo aquilo que você acha que antigamente era natural, e você vai com toda a gana pra cima, em algo sintético. Algo que é bonito de ver de longe, é bonito de você... É bom até de tocar, né? É bom, mas, cara, na hora de você usar, experimentar, não tem raiz, bicho. Não tem alma, não tem... Não tem gosto. É absolutamente sintético. Presta atenção, cara. Quando tiverem te convidando aí pra agitar, pra fazer barulho, veja de onde vem esse pedido. Veja se ele é natural ou se ele é sintético, cara. Tá cheio de gente louquinha pra te manipular. Por isso que eu botei essa camiseta aqui hoje, ó. Barão de Itararé, ó. O tambor faz barulho, mas é vazio por dentro. Quando você começar a ouvir muito barulho, muita gritaria, dá uma olhada. Vê se tem essência, cara. vê se tem um propósito ali vê se tem alguma alguma consciência vê se tem algum caminho claro a ser seguido ou é só gente fazendo barulho pra transformar você num peão, cara. Não quer ficar um peão? Vem pra cá, ó. Mundocafébrasil.com. Mundocafébrasil.com. É aqui que a gente tá publicando textos. Surgiu texto como esse aqui, do AstroTurf. É lá dentro. E aqui a gente tá propondo discutir muito bem quem é que tá com as teclas na mão, quem é que tá com as cordinhas na mão. Quem é que tá manipulando e fazendo a gente aqui de trouxa, né? Você acha que tá lutando por algo que é real, quando, na verdade, tá servindo ao propósito de alguém. Entra aqui, ó, mundocafeabrasil.com, vem junto. Vamos escapar dessa grama sintética sem gosto. Este cafezinho chega a você com o apoio do cafeabrasilpremium.com.br. Conteúdo extra forte para seu crescimento profissional.
