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É, cara, talvez seja a hora de dar um mergulho muito profundo aí e começar a olhar em volta e parar de botar o dedo na molecada pra dizer que são preguiçosos. Não, cara. Eles simplesmente estão achando que não vale a pena. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Meu amigo Wilson me levou a uma concessionária da Caoa, lá em Porto Alegre. para me apresentar o Tiggo. Ele falava que é uma SUV que, de acordo com ele, tem um excelente custo-benefício. A gente entrou na concessionária, fomos andando entre os vários automóveis expostos e não apareceu ninguém para atender a gente. Dava para ver, estava cheio de vendedores sentados nas mesas, não veio ninguém acompanhar a gente. A gente só conseguiu algum fragmento de informação quando a gente se dirigiu até um desses vendedores e começamos a fazer perguntas diretas. Olha, parece que ninguém estava a fim de vender. Começa mais um cafezinho com o patrocínio da Terra. Se você é produtor rural, pense comigo. Negócio que não mede, não controla e não compara não é negócio, é tentativa. A Terra Desenvolvimento Agropecuário entra justamente aí, ajudando você a transformar a fazenda num sistema gerenciado. Com um diagnóstico de desempenho, controles claros e planejamento estratégico, você passa a saber onde está ganhando, onde está perdendo e o que precisa ser ajustado para aumentar a margem. O benefício é simples. Decisões melhores, menos risco, mais previsibilidade e mais lucro ao longo do tempo. Terra Desenvolvimento Agropecuário. Gestão profissional para quem trata a fazenda como empresa. Acesse terradesenvolvimento.com.br. Olha, essa minha experiência na concessionária, ela se repete por todo lado. Tem um comentário outro dia no LinkedIn, apontou um tema interessante chamado Quiet Kitting, de existência quieta, silenciosa, né? Que virou um rótulo muito conveniente, cara. repetida por consultores, por analistas, por pensadores do mercado, ela tenta enquadrar um fenômeno que já atravessa toda a indústria, todo o comércio, todo o setor de serviços. É uma espécie de apatia, uma apatia silenciosa que está se espalhando pelas organizações. Talvez a gente só esteja olhando pro efeito, não pra causa. Chamar de quiet-kitting ou qualquer outro rótulo sugere quase que uma desistência moral. Uma falta de ambição ou então falta de compromisso me deixa louco. Mas é muito confortável pensar assim, botar um rótulo. Coloca a responsabilidade no indivíduo. E o problema é que os sinais são muito amplos para serem explicados por uma súbita crise de caráter que a coletiva não é não, cara. Olha, me parece que o que está acontecendo é muito mais profundo. Tem uma sensação meio difusa de que o esforço já não garante uma recompensa proporcional. Sabe aquela antiga equação do trabalhar mais para conquistar mais? Bom, ela perdeu completamente. a previsibilidade. Nós temos aí profissionais altamente qualificados trabalhando no limite, cara. Eles cumprem metas que são cada dia mais agressivas e ainda assim estão vendo a estabilidade diminuir, poder de compra encolhendo, perspectivas de longo prazo que se tornam muito incertas, cara. E aí é batata. Quando a promessa deixa de parecer possível, atingível, o entusiasmo naturalmente vai se retrair, cara. Isso não é por causa de preguiça, pode ser por causa de cálculo. Se a recompensa no final não justifica o desgaste, a resposta mais racional é reduzir o investimento emocional. O sujeito cumpre o contrato formal. Mas o contrato psicológico se dissolve. A pessoa continua ali, presente, mas ela tira todo o excesso de energia que ela antes oferecia gratuitamente, voluntariamente. Não tem uma ruptura aberta. Não tem um conflito explícito. Só tem um recuo silencioso. Quiet Kitchen. É sintomático que esse movimento aconteça ao mesmo tempo em diversos setores e diversos países. É indústria, é comércio, serviços, todo mundo fala a mesma coisa. A queda na proatividade, menos iniciativa espontânea, menos disposição para dar aquele passo a mais para ir além. E quando um fenômeno é universal desse jeito, ou transversal, talvez ele não seja um desfio comportamental isolado. Talvez seja um reflexo de um cansaço coletivo. E você, cara? Você já anotou o Quiet Kit, hein? Olha, essa é a hora de entrar aqui. Agora, se tiver no YouTube, bota lá o seu like. Para com o cansaço. Larga esse teu Quiet Kit aí, que mexe essa bunda gorda, cara. Entra aí embaixo, bota o teu comentário. Participa, clica, manda pra alguém, agita aí. Engaja com o post pra essa droga desse YouTube. pensar que a gente tem alguma importância e mandar para mais gente, né? Bom, camiseta de hoje, é claro, né? Eu reclamo, mas eu resolvo. Isso aqui é muito da minha geração, né, cara? Não tá legal, tô de saco cheio e tudo, mas daqui que eu resolvo. E parece que isso aqui tá desaparecendo, né? Eu reclamo, eu não resolvo. Cara, se você for olhar de onde vem isso aí, não tem como a gente não olhar a evolução do trabalho, a evolução humana nos últimos anos, e a gente vai passar necessariamente por gerações. Eu não quero ficar numa discussão de gerações, eu quero uma discussão de como é que evoluiu essa relação nossa com o trabalho. A gente viveu anos aí de uma intensificação muito insana, cara. As metas ficaram cada vez mais altas, as margens estão mais apertadas, Tem uma baita pressão por performance o dia inteiro, cara. Fazer mais com menos, lembra? Disponibilidade 20 horas por dia, cara. Bom, você junta isso, crise econômica uma atrás da outra, instabilidade política, jurídica, mudanças tecnológicas enlouquecedoras, cada vez mais aceleradas. Uma pandemia no meio do caminho que redefiniu prioridades pessoais, cara. Nesse contexto, o trabalho deixou de ser automaticamente o centro identitário que a gente tem. A vida passou a exigir outras formas de equilíbrio. Talvez esse quiet-kitting Não tem a ver com desistência do trabalho, não. É uma tentativa de redefinir os limites. É uma forma de dizer que o comprometimento não pode ser um sintoma de auto-esgotamento permanente o tempo todo. Estou sempre cansado, cara. Para as empresas, tem um erro estratégico aí, que é o de tratar esse fenômeno apenas como se fosse um problema de falta de engajamento. Olha, não dá pra resolver isso com slogans motivacionais ou com a expressão por cada vez mais. Se tem uma percepção crescente de que o esforço não compensa, a resposta não pode ser exigir mais esforço. Tem de ser reconstruir confiança, previsibilidade e sentido. A gente devia estar preocupado. Não é por que as pessoas estão fazendo apenas o mínimo. A preocupação tinha que ser por que tantas pessoas passaram a acreditar que fazer o máximo já não vale a pena. Talvez esse quiet-kitting não seja a causa da crise de produtividade. O problema pode estar mais embaixo. Talvez seja só um termômetro de uma sociedade que começa a questionar o preço que ela está pagando para continuar produzindo. E se você ignorar o termômetro, a febre não desaparece. É cara, talvez seja a hora de dar um mergulho muito profundo e começar a olhar em volta e parar de botar o dedo na molecada pra dizer que são preguiçosos. Não cara, eles simplesmente estão achando que não vale a pena. E eu não sei você, cara, eu tô assim, nunca trabalhei tanto na minha vida, o dia inteiro termina o dia, tá tudo por fazer, a velocidade tá imensa, e o resultado final já não justifica, cara. Que puta entrega, cara. Se eu fizesse essa entrega que eu faço hoje, nos anos 90, eu teria um resultado muito legal no fim do mês. Hoje não tem mais. Vem a mídia, você liga a mídia, vem aquele bando de salafrário, de canalha, ganhando dinheiro por todo lado, sem fazer o mínimo de força, cara. Só agitando, só fazendo ali a sacanagem deles. Cara, por que eu vou me matar desse jeito? Quiet Kitchen. Pensa nisso, cara. Tô discutindo muito esse assunto aqui, ó. MundoCaféBrasil.com. Entra aqui. Vem dar uma olhada aqui no trabalho que nós estamos fazendo aqui de discussão, de reuniões, de juntar pessoas que querem pensar a respeito e querem ir além, sabe, do trabalho automático. Quer viver a vida do jeito que a vida tem que ser. MundoCaféBrasil.com. Vem! Esse cafezinho chega a você com apoio de Terra Desenvolvimento Agropecuário. Gestão profissional para quem trata a fazenda como empresa.
Host: Luciano Pires
Date: 27 de fevereiro de 2026
Neste episódio do Cafezinho, Luciano Pires reflete sobre o fenômeno chamado "quiet quitting" — traduzido aqui como "desistência silenciosa" — que tem se alastrado por diferentes setores profissionais. A partir de uma experiência pessoal numa concessionária e observações sobre comportamento no ambiente de trabalho, Luciano propõe uma análise sobre as verdadeiras causas e consequências deste movimento de retração, indo além das explicações superficiais que culpam principalmente os mais jovens de falta de vontade ou ambição. O episódio é um convite à compreensão profunda das mudanças nas relações de trabalho e no engajamento profissional.
Luciano Pires mantém um tom reflexivo, direto e crítico, utilizando exemplos do cotidiano, linguagem acessível e toques de humor e ironia. O episódio busca estimular a escuta ativa, a autoreflexão e um convite para uma análise menos superficial sobre os fenômenos contemporâneos do trabalho.
Para Luciano, o momento pede um olhar profundo, uma revisão urgente das lógicas de compensação e do próprio papel do trabalho na vida individual e coletiva. E ainda, um chamado à ação: analisar, comentar, ir além do automático – como ele sugere aos ouvintes ao final do episódio: “Vem dar uma olhada aqui no trabalho que nós estamos fazendo aqui de discussão, de reuniões, de juntar pessoas que querem pensar a respeito e querem ir além, sabe, do trabalho automático. Quer viver a vida do jeito que a vida tem que ser.”
Para reflexões mais aprofundadas, visite MundoCaféBrasil.com.