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O político mostra aquilo que entregou, mas ninguém recebe uma notificação sobre o que custou, o que desapareceu para financiar aquela entrega. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Quando uma política pública é anunciada, o que as pessoas farão com a regra depois que aprenderem a usá-la é um mistério. O governo pensa no comportamento que ele quer produzir. A população vai por outro caminho, ela trata de descobrir o comportamento que aquela regra passou a premiar. Olha, às vezes essas duas coisas coincidem, mas às vezes nasce um baita desastre. Tem uma história deliciosa que conta que durante o domínio britânico, lá na Índia, A cidade de Delhi estava enfrentando um baita problema com cobras venenosas. Muita cobra na cidade. Então as autoridades, as inglesas, encontraram uma solução que aparentemente era impecável. Eles decidiram pagar por cada cobra morta que fosse entregue ao governo. E o raciocínio era simples. Se matar a cobra desse dinheiro, muito mais gente iria caçar as cobras e a cidade ia ficar livre e mais segura. Os números melhoraram sensivelmente. Dia após dia, mais e mais cobras mortas apareciam nos postos de coleta e o pessoal ganhava sua graninha. Mas cara, se tanta cobra estava sendo eliminada todo dia, por que a quantidade de cobra não parava de crescer? Foi nesse intervalo entre a planilha e a rua que a política revelou a sua verdadeira natureza. Aquele plano não só fracassou, como tornou o problema ainda maior. Tem um economista alemão, Horst Siebert, que chamou esse mecanismo de efeito cobra. Ele aparece quando uma medida que foi criada para combater um determinado comportamento, ela acaba tornando esse mesmo comportamento muito mais vantajoso. Você já viu isso aí? oferece uma recompensa pensando que, naquelas intenções iniciais, as pessoas respondem então ao incentivo real. Aquilo que passou a valer a pena fazer, que nem sempre é o que a autoridade pensou. E talvez por isso, tantas políticas pareçam funcionar de perto e fracassem redondamente quando são vistas de longe, por inteiro. A gente conta atendimentos e não conta as pessoas que deixaram de precisar do atendimento. A gente celebra o aumento de beneficiários e não pergunta se aumentou também a autonomia dos que foram beneficiados. A gente premia uma escola pela aprovação dos alunos e algum tempo depois aprovar aluno é que se torna a coisa mais importante até do que ensinar o aluno. Pensa nisso aí. Enquanto isso, cara, esse vídeo chega até você com o patrocínio da Terra Desenvolvimento Agropecuário. Se você é produtor rural, pense comigo. Negócio que não mede, não controla e não compara não é negócio, é tentativa. A Terra Desenvolvimento Agropecuário entra justamente aí, ajudando você a transformar a fazenda num sistema gerenciável. 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O governo produz a pobreza que ele diz que combate. Talvez não seja porque essas pessoas não consigam fazer uma ligação. Elas não conseguem ligar o benefício que chega até elas, que tem um remetente, com os custos daquele benefício, que não aparece em lugar nenhum. O custo não tem dono. O depósito aparece no aplicativo. Ganhei o benefício, estou vendo ele aqui. Agora, aquele emprego que deixou de ser criado não aparece. A obra inaugurada tem uma placa. O investimento que foi perdido não aparece em lugar nenhum. O político Ele mostra aquilo que entregou, mas ninguém recebe uma notificação sobre o que custou, o que desapareceu para financiar aquela entrega. É aí que a história das cobras vai encontrar Frédéric Bastiat, o francês, um economista que ensinou a gente a desconfiar daquilo que se vê e prestar atenção naquilo que não se vê. No Café Brasil dessa semana, eu conto como terminou o plano britânico, mostro onde o efeito cobra se esconde nas decisões públicas e encaro uma pergunta que é muito desconfortável. Como alguém pode se apresentar como solução quando são seus incentivos que ajudam a a produzir o problema que ela promete combater. Já viu isso em algum lugar? Preste atenção, cara. Você tem que ouvir o episódio completo. Tá aí no Spotify, todos os agregadores. Depois dele, algumas planilhas aí talvez nunca mais pareçam tão inocentes, né? Esse é o convite pra semana, cara. Preste atenção naquilo que não dá pra ver e não só naquilo que se vê. Olha, a camiseta que eu botei aqui hoje tem a ver com Eu gosto demais disso aqui, enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto. Isso aqui é o Belchior propondo ação efetiva, propondo que enquanto a gente tiver alguma liberdade, a gente não pare de colocar posição, não pare de se marcar, não pare de provocar alguma consequência no mundo, sabe? Se tiver espaço, vamos continuar. Por isso que é tão difícil a gente enxergar as armadilhas que estão embutidas, sabe? Daquelas coisas que parecem que... Todo mundo cheio de amor pra dar, mas por trás tem uma armadilha. Bom, eu falo disso de montão aqui, ó. Mundocafebrasil.com. Mundocafebrasil.com. Entra aqui. Esse é um ecossistema. Aqui dentro tem... Você pode assinar pra receber podcasts, vídeos, palestras, participar de eventos, ebooks, sumários de livros. Tem um milhão de coisas aqui dentro que tem como intenção única abrir os olhos da gente. A gente enxergar as armadilhas, a gente parar de ser refém de gente que quer que a gente tome as decisões que não são as melhores pra nós, são as melhores pra eles. Presta atenção naquilo que não se vê. Vem! MundoCaféBrasil.com Esse cafezinho chega a você com o apoio de Terra Desenvolvimento Agropecuário. Gestão profissional para quem trata a fazenda como empresa.
Host: Luciano Pires
Podcast: Cafezinho
Date: August 8, 2026
In this short but thought-provoking episode, Luciano Pires explores the concept of "o que não se vê" (what is unseen) in the context of public policies, societal incentives, and human behavior. Using the classic “cobra effect” story and referencing economist Frédéric Bastiat, Luciano encourages listeners to look beyond the obvious, highlighting the unintended consequences that often arise from well-intentioned measures.
Political Communication:
Disconnect Between Policy Intentions and Real-World Effects:
The Delhi Cobra Story:
Definition from Economics:
The Pitfall of Metrics:
Examples from Public Services:
Invisible Trade-Offs:
Frédéric Bastiat’s Lesson:
The Dilemma of Incentives:
Turning Metrics into False Progress:
Invitation for Reflection:
Belchior Quoted for Agency and Action:
Luciano maintains a conversational, reflective tone, mixing anecdotes, economic concepts, and music lyrics to provoke deeper thinking about the complex unintended consequences of public policy and everyday decisions. He ends with a call to open one’s eyes—not just to what is seen, but especially to what remains hidden behind the surface.
“Presta atenção naquilo que não se vê. Vem!” (Luciano, 06:10)
The episode is a succinct yet impactful reminder to question straightforward narratives, seek out hidden trade-offs, and recognize the deeper complexities behind social and political measures.