Transcript
Ana Tuzaner (0:02)
Era pouco antes das quatro horas da tarde do dia 8 de novembro de 2024, quando um avião, vindo de Maceió, pousou no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos. A bordo, um empresário jurado de morte, Antônio Vinícius Gritsbach. Acompanhado da namorada e de dois de seus seguranças particulares, ele saiu pelo portão do Terminal 2 e caminhou alguns metros. Mas ao pisar na segunda calçada da área de desembarque, foi fuzilado.
Mônica Mariotti (0:32)
As câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens encapuzados descem do carro armados de fuzil e fazem dezenas de disparos contra um homem que tenta pular a mureta, mas não consegue escapar. Os assassinos voltam para o carro e fogem. O veículo foi encontrado perto do aeroporto. Dentro havia munição de fuzil e um colete à prova de balas. Os disparos foram feitos a poucos metros do portão do terminal de desembarque. Dois homens e uma mulher que estavam aqui ficaram feridos. pessoas estavam no aeroporto presenciaram o caos e o medo na hora do atentado.
Ana Tuzaner (1:07)
Além dele, um motorista de aplicativo foi atingido pelos disparos e morreu. Grits Bah era corretor de imóveis e enriqueceu rapidamente lavando dinheiro para o tráfico. operador financeiro da facção, ele conhecia as entranhas do PCC. Era suspeito de assassinar dois membros da facção e, em 2023, fechou um acordo de delação premiada.
Mônica Mariotti (1:34)
Entregou ao Ministério Público nomes de bandidos do PCC e de policiais corruptos, segundo ele. Um dia antes da viagem para Alagoas, Vinícius prestou depoimento à Corregedoria da Polícia. Diz que policiais civis teriam roubado da casa dele uma bolsa com 20 mil reais em dinheiro vivo, uma espingarda e sete relógios de luxo, que somados valem mais de 700 mil reais. O empresário também acusou policiais de extorsão. Eles teriam exigido 40 milhões de reais para não prendê-lo.
Ana Tuzaner (2:04)
O envolvimento de agentes públicos com o caso não para por aí. Quinze policiais militares da Ativa faziam a segurança particular de Gritsbach. E quem executou o assassinato foram PMs a mando de criminosos.
Mônica Mariotti (2:18)
As investigações concluíram que o tenente Fernando Genauro dirigiu o carro que levou os atiradores até o aeroporto e que Vinícius Gritsbach foi executado por dois policiais militares, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Juan Silva Rodrigues. Os policiais já estão presos.
Ana Tuzaner (2:37)
Ao longo dos últimos 12 meses, as investigações sobre a morte de Griezmann avançaram em diferentes frentes. E escancararam esquemas sofisticados, da corrupção de policiais à lavagem de dinheiro usando fintechs e construtoras. Uma execução cinematográfica à luz do dia que revelou a engrenagem da expansão nacional e transnacional da maior facção criminosa do Brasil. Da redação do Dia 1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é... O caso Gritsbah. Um ano da morte que abriu uma caixa de Pandora. Minha convidada é Isabela Leite, repórter da Globo News. Sexta-feira, 7 de novembro. Isa, um ano da morte do Gritsba, quem era ele? Explica pra gente.
