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Thomas Traumann
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Natuza Nery
A mesa diretora da Câmara caçou Alexandre.
Reporter/Journalist
Ramagem e Eduardo Bolsonaro.
Political Analyst
Um relator dos dois casos na mesa, Carlos Veras, deputado do PT, e ele votou pela caçação de ambos. Depois disso, o voto foi aberto no sistema para os integrantes. da mesa e que contou foram os votos dos sete integrantes e houve maioria dos quatro votos ali pela cassação tanto de Eduardo Bolsonaro quanto de Alexandre Ramagem. Contra Eduardo Bolsonaro pesou o acúmulo de faltas. A Câmara registrou 78 sessões ao longo deste ano. Segundo os registros, ele faltou a 63. A Constituição proíbe parlamentares de faltar a mais de um terço das sessões deliberativas do ano. O caso de Alexandre Ramagem foi diferente. Em setembro, a primeira turma do STF determinou a cassação do mandato ao condenar o então deputado a 16 anos de prisão pela trama golpista. Ramagem também está nos Estados Unidos e é considerado foragido.
Natuza Nery
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é a cassação de Eduardo Bolsonaro e do deputado foragido. Minha conversa é com Thomas Traumann, comentarista da Globo News. Sexta-feira, 19 de dezembro. Meu amigo Thomas Traumann, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem perderam seus mandatos na Câmara dos Deputados. Os dois fazem parte, ou faziam, agora a gente já pode falar no passado da bancada bolsonarista, um deles o filho 03 de Jair Bolsonaro, o outro um delegado de Polícia Federal, um diretor-geral da ABIN na gestão de Bolsonaro. Só que eles foram caçados por motivos diferentes. Enquanto o Alexandre Ramagem foi caçado por ter sido condenado pela trama golpista, Eduardo Bolsonaro foi caçado por faltas. O que isso diz sobre o caso deles e sobre a Câmara dos Deputados?
Political Commentator
A Câmara dos Deputados cometeu um erro brutal duas semanas atrás, quando colocou para votação a questão da cassação da deputada presa e condenada, Carla Zambelli, presidente da Câmara, imaginava que seria uma votação praticamente burocrática, até porque a Carla Zambelli não é uma pessoa popular dentro do Congresso. E o fato é que o Congresso decidiu que não caçá-la e criou uma circunstância tão absurda e uma coisa tão ruim para a Câmara, que a Carla Zambelli se tornou a pessoa mais razoável do que todos os seus colegas deputados e renunciou ao cargo. Isso certamente se aconteceria de novo se colocasse pra votação a cassação do deputado Ramagem, que é muito mais bem articulado dentro do congresso do que a Zambelli, e pelo primeiro exemplo que a gente teve, possivelmente conseguiria também se safar, criando mais um problema com o Supremo.
Political Insider
O roteiro planejado por Hugo Mota no caso de Carla Zambelli não deu certo, porque o plenário não caçou o mandato de Carla Zambelli. Com isso, houve uma pressão, vários líderes partidários aconselharam Hugo Mota a não fazer o mesmo com Alexandre Ramagem, porque o destino seria o mesmo, muito provavelmente. Portanto, Hugo Mota. depois do que aconteceu com o Carlos Zambelli, foi muito aconselhado a fazer exatamente isso que ele está fazendo e que, lembrando, era determinação do Supremo Tribunal Federal. O Supremo entende que como a prisão, a pena, é uma condenação por prisão a um período maior do que o restante do mandato, essa perda de mandato tem que ser feita de forma automática e imediata pela mesa diretora. Foi isso agora que aconteceu.
Political Commentator
Eu acho que o fato do presidente Hugo Mota ter decidido isso de uma forma burocrática, dentro da burocracia da mesa, é uma forma, é a melhor forma, porque afinal de contas estamos falando aqui de uma decisão do Supremo Tribunal Federal em última instância, e segundo, ela evita aí um confronto. Em relação ao Eduardo, de novo, é também transformar isso numa questão burocrática, algo que a Câmara não queria enfrentar, que é o fato que agora ex-deputado, se auto-exilou nos Estados Unidos no começo do ano para fazer uma campanha contra o país, uma campanha de chantagem em relação ao Supremo Tribunal Federal, em relação aos ministros, em relação ao próprio Ogumota, que ele ameaçou, tanto o presidente Ogumota como o presidente Davi Okolomi do Senado, de sanções caso eles não colocassem para votar a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro disse que os presidentes da Câmara, Hugo Mota e do Senado, Davi Alcolumbre, podem também ser alvos de sanções do governo dos Estados Unidos se não colocarem na pauta de votações das casas os projetos da anistia e também o impeachment, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes do STF. da Câmara e do Senado.
Thomas Traumann
É uma clara chantagem, é uma clara ameaça.
Political Commentator
Então, eu acho que ela conta um pouco, ela é um epílogo de uma história muito ruim de como a Câmara não consegue enfrentar de frente o fato que alguns deputados merecem, sim, perder seus mandatos por crimes que cometeram, ou que cometeram talvez em seguida.
Natuza Nery
Não, e as suas próprias ações, porque é bom lembrar, Eduardo Bolsonaro foi extremamente bem sucedido na sua articulação contra o Brasil, extremamente, causando prejuízo para setores inteiros.
Political Commentator
Porque ainda hoje, você, ainda assim, quer dizer, embora as sanções tenham sido reduzidas, ainda tem setores que estão sofrendo com as suas ações. Ainda você tem a Embraer com problemas gravíssimos em relação a como vão ser as suas exportações, mesmo com uma redução no índice da sação. A Embraer, por exemplo, é uma empresa que hoje está pouco competitiva em relação às suas concorrentes principais. Mesmo a carne brasileira, que também reduziu, ela está em situação menos competitiva, vamos dizer assim, com relação à Argentina. Então, ainda hoje, a situação do Brasil está muito melhor do que ela estava. em junho, no auge das ações de Eduardo Bolsonaro, mas ainda assim elas não estão prefeitas, ou seja, continua dando prejuízo às pessoas, continuam perdendo dinheiro, pessoas no Brasil estão perdendo dinheiro, estão perdendo empregos, não estão lucrando o quanto poderiam pela ação específica de Eduardo Bolsonaro.
Natuza Nery
Pois é, e ele conseguiu também, foi bem sucedido na sanção contra Alexandre de Moraes via lei Magnitsky. Essa sanção já foi levantada, ela não existe mais, o governo Trump suspendeu a sanção, mas esses brasileiros que perderam o emprego ou que correm risco de perdê-lo porque uma empresa ou um setor não se recuperou como você relatou, Continuam vítimas do processo de Eduardo Bolsonaro sem que a Câmara dos Deputados fizesse nada a respeito, né?
Political Commentator
Isso é a questão, quer dizer, a gente tá numa situação que a Câmara é tão corporativa, ela tá tão protegendo os seus, mesmo um caso tão absurdo quanto esse do Eduardo Bolsonaro, a Câmara prefere não colocar pra votação. Qual é a questão? Por que o Motta não colocou o caso do Eduardo Bolsonaro pra votação e caçou, e daí, nesse caso, além da perda de mandato, o Eduardo perderia os direitos políticos por oito anos? Porque eles sabem que se ele colocasse pra votação, puramente ele ia passar. Porque os deputados são mais corporativos que cobram outras coisas.
Political Analyst
Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos em fevereiro. De março a julho, ele estava de licença do cargo, sem que as faltas fossem contabilizadas. Ainda tentou exercer um mandato à distância. Chegou a pedir ao presidente da Câmara, Hugo Mota, do Republicanos, para que pudesse exercer a função de maneira remota. não conseguiu e passou a ser considerado ausente.
Political Insider
Segundo a Constituição, perde o mandato parlamentar aquele deputado ou senador que falta a um terço das sessões legislativas. E até agora a gente tem 120 sessões. Então, Eduardo Bolsonaro já faltou a metade. Então, ele tem mais do que faltas suficientes para perder o seu mandato por faltas.
Political Analyst
Como a cassação foi por faltas, Eduardo Bolsonaro não perde os direitos políticos.
Political Commentator
No crecheio dos ovos, eles se protegem. E isso é só mais uma demonstração de como os políticos brasileiros estão numa realidade completamente alternativa em relação à realidade da maioria dos brasileiros.
Natuza Nery
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Thomas. Bom, sem mandato e sem foro privilegiado, como é que fica a situação de Eduardo Bolsonaro? A jurídica, claro.
Political Commentator
O Eduardo Bolsonaro, ele já foi iniciado nesse processo de coação ao Supremo. Esse é o processo que, enfim, supõe-se que ele vai a julgamento em algum momento de março ou abril do ano que vem. As provas são um pouco evidentes, ele mesmo deu todas as provas em suas várias lives, em suas várias postagens, enfim, se orgulhando do que estava fazendo. Então, eu acho que é fácil de prever que haverá uma condenação.
Political Analyst
Ele é réu por tentar coagir autoridades americanas na tentativa de evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Political Commentator
Eu acho que a questão de qual vai ser a punição a ele, eu acho que muito vai ter a ver com duas coisas. A primeira, lógico, é a relação do governo Trump, assim, com o quão ele consegue se manter nos Estados Unidos, mesmo tendo a punição. Que também eu acho que é a hipótese, o caso do Hamari, que é com o quanto que o Trump estaria disposto a fazer uma extradição, eu acho possivelmente improvável. Mas eu acho que, principalmente, Natuza, tem a ver com a eleição de 26. A aposta, obviamente, desses dois é permanecer fora do Brasil o maior tempo possível para, na hipótese de uma vitória de Flávio e Bolsonaro, apresentar o Brasil, obter um perdão, algum tipo de perdão, e conseguir voltar e viver normalmente.
Natuza Nery
Agora e politicamente, o que resta pra ele? Porque como ele mantém os direitos políticos, ele não foi cassado pelo plenário, sim por uma decisão da mesa, ele pode, em tese, se candidatar. Mas a tendência é que ele seja condenado nesse processo no Supremo Tribunal Federal por coação à justiça. Então, mesmo que ele não perca os direitos políticos agora, segundo todas as vozes de Brasília, isso também parece com os dias contados.
Political Commentator
Sim, me parece que é uma questão assim, mesmo assim, juridicamente eu não sei se ele conseguiria registrar, se ser registrado dentro da chapa do Partido Liberal é fora do Brasil, acho um pouco, acho improvável que isso pudesse acontecer, mesmo que ele fizesse a campanha fora. Mas eu acho que, assim, também está dado, e eu concordo plenamente com você, que até o registro de candidaturas, que é o momento ali de comecinho de agosto, esse processo já está, já vai estar publicado e, portanto, ele já vai ter uma condenação que vai impedir de ser candidato nas eleições do ano que vem.
Natuza Nery
A gente sabe se ele saiu do Brasil com passaporte diplomático porque o Alexandre Ramagem saiu, né? Ele saiu, ele fugiu com o passaporte diplomático. Então, ele sai via Roraima. vai pra Guiana, de lá ele consegue chegar nos Estados Unidos. O que acontece nesse caso, no caso de Eduardo Bolsonaro? Agora, sem o mandato, ele continua tendo o direito a ter passaporte diplomático?
Political Commentator
Quando ele saiu, ele tinha todos os direitos políticos dele garantidos. Provavelmente, ele saiu com tantos outros passaportes. O passaporte normal, que todos nós temos, azulzinho, e o diplomático, que é o passaporte vermelho, que, enfim, é muito mais fácil em relação à vista. Se ele fica nos Estados Unidos, se ele hoje tá ficando no Texas, eu acho que nada realmente acontece com ele, entendeu? Ele continua lá até o período que ele puder ficar lá. A questão da política imigratória do Trump, como nós sabemos, às vezes ela não atinge aliados políticos.
Natuza Nery
Exato, mas o Trump não é eterno, né?
Political Commentator
O Trump não é eterno, o Trump não é eterno, mas eu acho que toda aposta na Tudor, e eu acho que o bolsonarismo está apostando nisso tudo que tem, é na hipótese de um Bolsonaro ser eleito em 2026, quer dizer, ou seja, eles estão colocando todas as suas fichas nessa hipótese, E aí nesse caso, quer dizer, você tem um perdão geral, perdão para o Jair, perdão para o Eduardo, perdão para todos os condenados do 8 de janeiro, enfim, aí tem uma amnistia geral e restrita para todo mundo que participou, ativa ou inativa, ou só sugeriu, ou só simpatizou com a hipótese do golpe de Estado. Então, eu acho que essas fichas deles estão todas colocadas no campo de uma vitória eleitoral em 26.
Natuza Nery
Logo, a disputa de 2026, a gente pode interpretá-la como algo existencial pra família, né?
Political Commentator
Existencial, e eu acho que isso explica um pouco o fato do Flávio ter sido lançado. Vamos lembrar, Natuza, que, assim, dos três, o que realmente tinha, assim, sinceramente, uma ambição presidencial era do Aron. Quem cobriu, você cobriu. muito bem o governo Bolsonaro, o Eduardo era o que, enfim, que tentava fazer as transicórdia internacionais, tentava se colocar como uma figura representante dessa nova direita radical populista internacional, etc. Nem o Carlos, nem o Flávio tentavam se colocar. Eram familiares, etc., mas não era nessa hipótese. Eduardo, não. Eduardo já se impunha como essa figura, vamos dizer, com mais ambições. Tanto que o próprio Eduardo se auto-lançou quando ele estava lá fora, achando que ele podia ser escolhido candidato.
Thomas Traumann
Eu acho que existe uma fatia da sociedade brasileira que quer o retorno do Bolsonaro, eu acho que há um espaço, há robustez numa candidatura com o sobrenome Bolsonaro, eu acho que estou no meu terceiro mandato, eu acho que sou uma pessoa que é conhecida da sociedade, coloco sempre as minhas opiniões à disposição do escrutínio público, e eu acredito que nós estamos num momento em que eu estou maduro o suficiente. A única coisa que me fará não sair candidato é a candidatura do presidente Jair Bolsonaro.
Political Commentator
Então, eu acho que assim, no fundo, o lançamento da candidatura do Flávio tem a ver muito com o fato da família Bolsonaro não querer perder de forma alguma a liderança da oposição, mesmo que vá para uma derrota.
Natuza Nery
E eles não costumam acreditar muito em outras pessoas fora do núcleo familiar, né?
Political Commentator
Eles não costumam acreditar muito e não confiar, e eu acho que tem uma outra coisa que, enfim, dois líderes do Central com quem eu conversei nessa semana, eles me diziam, falaram, olha, Pato, mesmo se a gente quisesse colocar os nossos argumentos pra que Bolsonaro não indicasse um dos filhos como candidato, nós não temos, porque o acesso ao, né, como o ex-presidente tá preso na subvenção da Polícia Federal em Brasília, ele só, ele hoje basicamente só recebe advogados e familiares, em ponto, né. Então, nenhum, nenhum, nenhum dirigente partidário, nenhum deputado, nenhum senador teve acesso ao ex-presidente até pra tentar, vamos dizer, argumentar alguma coisa, né. Então, No fundo, eles estão todos presos nessa versão que o Flávio Bolsonaro leva da realidade entre o que está acontecendo aqui fora e o que o Jair Bolsonaro entende melhor para a família e para o seu grupo político.
Natuza Nery
Sobre o outro ex-deputado federal Alexandre Ramagem, a gente já disse que ele fugiu, fugiu usando passaporte diplomático, que ele foi o chefe da Abin, foi condenado a 16 anos de prisão, portanto uma situação jurídica já definida. O que dá para dizer sobre Alexandre Ramagem?
Political Commentator
O Ramagem tem uma relação com a família Bolsonaro muito importante, porque ele é, e a gente recorda bem durante o governo Bolsonaro, o quanto o Bolsonaro reclamava da Polícia Federal.
Thomas Traumann
Já tentei trocar a gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, principalmente, e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar foder minha família toda, de sacanagem, o amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na porta da linha que perfeita essa estrutura nossa. Vai trocar! Se não poder trocar, troca o chefe dele, pode trocar o chefe dele, troca o ministro! E ponto final, não estamos aqui pra brincadeira!
Political Commentator
Ele reclamava que ele não tinha acesso a informações, a isso e aquilo. Aliás, especificamente em inquéritos que envolviam Flávio Bolsonaro. A gente vai falar muito disso durante 2026, sobre os inquéritos que envolviam o Flávio Bolsonaro. E que o Ramagem era o personagem, o delegado da Polícia Federal que, na Abin, ajudou a ter informações sobre como que esse processo estava sendo investigado. Então, a relação do Ramagem é intrínseca. com a família Bolsonaro. Ele foi escolhido candidato a prefeito do Rio de Janeiro pela família Bolsonaro. Ele é um Bolsonaro, ele é um agregado da família. E por isso eu acho que, ao contrário da Zandelli, ele tem uma articulação muito maior, tanto dentro do Partido Liberal, como dentro do Congresso, como alguém que fala, assim, não é adago da família, mas fala pela família, quer dizer, ou seja, ele é raiz. E eu acho que isso explica também o fato dele ter sido condenado por uma pena tão alta, porque ele era exatamente, na ABIN, ele utilizou os instrumentos da Agência Brasileira de Inteligência a favor dos interesses do ex-presidente Bolsonaro de tentar, de não aceitar o resultado eleitoral. Então ele era parte do núcleo golpista, né? Isso é muito evidente nas provas, são muito pesadas em relação a ele.
Reporter/Journalist
Com relação aos gastos somados entre esses três deputados, que então fugiram do Brasil, deixaram de exercer suas funções e tiveram essas determinações impostas por meio do Supremo Tribunal Federal. Por exemplo, no caso de ramagem, a gente tem ali a verba de gabinete mais a cota parlamentar, somando um valor de 153 mil reais, 985,03 reais. No caso de Carla Zambelli, em outubro A verba de gabinete que ela recebeu foi de R$ 132.886,58. Então, a gente tem ali um valor equivalente a 12 funcionários ativos. No caso de Eduardo Bolsonaro, em outubro, a verba de gabinete dele foi de mais de R$ 132 mil, tendo 9 funcionários ativos. E esses custos totais chegam ali a R$ 419.270.
Natuza Nery
Thomas, para terminar, como é que as redes sociais reagiram à perda de mandato do Eduardo Bolsonaro?
Political Commentator
É uma semana que, para as redes sociais de esquerda, é uma semana de enorme derrota em função da aprovação dessa anistia envergonhada, chamada de dosimetria, mas que é uma anistia, no fundo, anistia envergonhada, para todos os que foram condenados pelo 8 de janeiro.
Thomas Traumann
E o Senado aprovou o projeto de lei da dosimetria, que agora segue para análise do presidente Lula. Hoje o presidente disse que vai vetar o texto. A proposta reduz as penas dos condenados por atos golpistas, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Political Commentator
Então, eu acho que é um pouco de um ânimo que a esquerda teve esse certo... uma certa felicidade, e dentro das redes bolsonaristas, ela simplesmente confirma o que eles sempre acreditaram, que existe uma perseguição ao Bolsonaro e a todos os seus agregados. E eu acho que muda um pouco, Natuza, eu acho que a grande novidade aí é que essa decisão foi tomada pelo Gomota sem um prévio acordo ou sempre uma prévia combinação com o PL.
Political Insider
A gente teve já a manifestação do líder do PL aqui na Câmara dos Deputados, o deputado Sóstrenes Cavalcanti. Ele publicou em uma rede social que recebeu a ligação do presidente da Câmara, o Gomota, às 4h40 da tarde, comunicando, portanto, essa decisão da mesa diretora. E Sóstrenes Cavalcanti se manifestou dizendo que trata-se de uma decisão grave, que lamentamos profundamente.
Political Commentator
Hugo Mota, que estava, na semana passada, apanhando da esquerda, essa semana está apanhando da direita. Ele vai ter um período sem apanhar de ninguém durante janeiro, mas em fevereiro ele volta a apanhar dos dois lados. Tenho certeza absoluta sobre isso. Mas eu acho que muda um pouco só a situação do Hugo Mota. Acho que ele fica mais fragilizado com o PL, que, enfim, ainda hoje é o maior partido dentro da Câmara.
Natuza Nery
Thomas Trauma, muito obrigada por topar conversar com a gente assim no calor dos acontecimentos. Um beijo para você.
Political Commentator
Um beijo para você, querida.
Natuza Nery
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou Natuzanera e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Host: Natuza Nery (G1)
Guest: Thomas Traumann (comentarista GloboNews) + outros jornalistas/analistas
Date: December 19, 2025
This episode delves into the recent cassation (removal from office) of two prominent deputies: Eduardo Bolsonaro (son of ex-president Jair Bolsonaro) and Alexandre Ramagem (former PF delegate and ABIN director), both linked to the Bolsonarista movement. Natuza Nery explores the different circumstances leading to their losses of mandate and examines the ramifications for Brazilian politics, the Bolsonaro family strategy, and the congressional handling of accountability. The discussion also touches on the broader context, including political calculations, reactions from different sectors, and what lies ahead for the affected individuals.
[00:11–01:28]
“Contra Eduardo Bolsonaro pesou o acúmulo de faltas... A Constituição proíbe parlamentares de faltar a mais de um terço das sessões.” – Reporter [00:17]
[02:33–04:22]
[04:22–06:23]
“É uma clara chantagem, é uma clara ameaça.” – Thomas Traumann [05:58]
[06:23–08:13]
“Mesmo um caso tão absurdo quanto esse do Eduardo Bolsonaro, a Câmara prefere não colocar pra votação.” – Political Commentator [08:13]
[08:55–12:28]
“As provas são um pouco evidentes, ele mesmo deu todas as provas em suas várias lives.” – Political Commentator [10:21]
[13:10–14:11]
“Toda aposta do bolsonarismo está... na hipótese de um Bolsonaro ser eleito em 2026... aí tem uma amnistia geral.” – Political Commentator [14:11]
[15:00–18:09]
“Logo, a disputa de 2026... algo existencial pra família, né?” – Natuza Nery [15:00]
“Eles não costumam acreditar muito e não confiar [em pessoas fora do núcleo familiar].” – Political Commentator [17:02]
[18:09–20:45]
[20:45–21:39]
“Esses custos totais chegam ali a R$ 419.270.” – Reporter [21:39]
[21:39–23:41]
“Hugo Mota, que estava, na semana passada, apanhando da esquerda, essa semana está apanhando da direita.” – Political Commentator [23:12]
Thomas Traumann, on Eduardo’s lobbying:
“É uma clara chantagem, é uma clara ameaça.” [05:58]
Natuza on existential stakes:
“Logo, a disputa de 2026, a gente pode interpretá-la como algo existencial pra família, né?” [15:00]
Traumann on Bolsonarista calculus:
“...toda aposta do bolsonarismo está... na hipótese de um Bolsonaro ser eleito em 2026... aí tem uma amnistia geral.” [14:11]
Reporter, on the cost to the public:
“Esses custos totais chegam ali a R$ 419.270.” [21:39]
Political Commentator, on chamber corporatism:
“No crecheio dos ovos, eles se protegem. E isso é só mais uma demonstração de como os políticos brasileiros estão numa realidade completamente alternativa em relação à realidade da maioria dos brasileiros.” [09:45]
This episode provides a comprehensive yet accessible breakdown of the cassations of Eduardo Bolsonaro and Alexandre Ramagem, situating these events in the context of congressional maneuvering, judicial actions, Bolsonarista strategy, and upcoming electoral stakes. The discussion balances political analysis, procedural detail, and broader societal implications—making it essential listening and now, an essential summary for those following Brazilian politics.