O Assunto – A ligação entre Lula e Trump
Data: 7 de outubro de 2025
Host: Vitor Boiadjan (G1)
Participantes e entrevistados: Ricardo Abreu (repórter da TV Globo em Brasília), Leonardo Trevisan (doutor em Ciência Política e professor de Relações Internacionais da ESPM), Luiz Inácio Lula da Silva (presidente do Brasil, trechos de fala), Nath Uzaneri, outros convidados e fontes.
Visão Geral do Episódio
O episódio explora em profundidade o impacto, os bastidores e as perspectivas da inédita ligação telefônica de 30 minutos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump – ambos presidentes de seus países, em um momento de tensão e expectativa nas relações diplomáticas, comerciais e políticas entre Brasil e Estados Unidos. O programa detalha como o contato amistoso abre portas para negociações futuras, discute o novo canal direto entre os líderes, bastidores diplomáticos, reflexões sobre tarifas, sanções políticas e a relevância geopolítica do Brasil para os EUA.
Principais Pontos da Conversa
1. A Ligação: Clima, Conteúdo e Impactos Imediatos
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Ligação inesperada concretizada após 12 dias do anúncio de Lula na ONU
- Clima amistoso, com ambos relembrando o “entrosamento” pessoal.
- Lula e Trump brincam sobre idade ("sinto-me como um jovem de 40 anos", diz Trump).
- Trump posta nas redes sociais elogiando Lula e prometendo futuras reuniões focadas na economia e comércio.
- “Gostei da ligação, nossos países se darão muito bem juntos.” – Donald Trump (Truth Social, ~[00:52]).
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Ênfase em temas econômicos
- Lula pede retirada da sobretaxa de 40% aos produtos brasileiros e sanções contra autoridades do Brasil, como ministros do STF.
- Trump prefere não abordar temas polêmicos (Bolsonaro e Judiciário brasileiro esquecidos na conversa).
- Canal direto de diálogo estabelecido (“Agora, se Trump quiser, pode pegar o telefone e ligar diretamente pra Lula, e vice-versa.” – Ricardo Abreu, [13:36]).
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Declarações de otimismo
- “Nós estamos muito otimistas que vamos avançar para o ganha-ganha, o win-win, nessa relação com investimentos recíprocos e equacionamento na questão tarifária.“ – Ricardo Abreu, [01:56]
- Lula destaca o caráter cordial e surpreendente da conversa.
- “É surpreendente a forma cordial com que a conversa aconteceu.” – Lula, [02:52]
2. Bastidores da Diplomacia
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Preparação cuidadosa e “construção tijolo a tijolo”
- A diplomacia brasileira investiu para evitar constrangimentos (como os ocorridos com líderes ucraniano e sul-africano), apostando num encontro em duas etapas: telefone e reunião presencial.
- Itamaraty e Palácio do Planalto celebram o sucesso diplomático: “Esse foi um termo que ouvi de diferentes fontes... uma grande evolução.” – Ricardo Abreu, [12:17]
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Canais desbloqueados e fim da intermediação
- Contato direto entre presidentes elimina a necessidade de intermediários (agora, celulares trocados).
- “Qualquer coisa liga para mim.” – resumo diplomático de Nath Uzaneri, [13:16]
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Marco Rubio designado por Trump para negociar tarifas
- Apesar do perfil ideológico, aposta-se que Rubio “obedece ao Salão Oval” e pode adotar uma postura mais pragmática diante da aproximação.
3. Perspectivas para um Encontro Presencial
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Cenários analisados:
- Cúpula da ASEAN, na Malásia, no fim de outubro;
- COP, em Belém (Brasil), em novembro;
- Lula pode ir a Washington.
- O cenário mais provável: ASEAN, com ambos previstos para participar, facilitando um encontro à margem da cúpula ([11:10]).
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Trump não se compromete
- “Eu iria em algum momento [ao Brasil]. Ele, Lula, virá aqui. Nós conversamos sobre isso.” – Trump, [10:54]
4. Análise Profunda com Leonardo Trevisan
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Mudança duradoura na diplomacia:
- A diplomacia brasileira tratou o processo com “profundo profissionalismo”, negociando com discrição e envolvendo os setores empresariais e militares dos dois países ([17:27]).
- Setor privado como força de pressão: Empresários de ambos os lados pressionam para acordos que favoreçam empregos e inflação, citando agilidade e influência de entidades como a União de bares e restaurantes americanos, e a importância da J&F para os EUA ([19:39]-[24:48]).
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Efeitos do tarifácio:
- O impacto negativo do tarifaço foi menor que o esperado para o Brasil, graças à diversificação de mercados.
- “Não adiantou muito a pressão americana. Outros apareceram para comprar, e não foi só China...” – Leonardo Trevisan, [22:34]
- “O café não podia ficar muito caro. Essa ideia abriu um caminho...” – [19:39]
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Lobby político e econômico brasileiro nos EUA
- A J&F realizou doações significativas para a posse de Trump. No Brasil, a empresa emprega 180 mil; nos EUA, 75 mil pessoas ([24:18]).
5. Dilemas Políticos e Geopolíticos
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Sanções contra o STF e ausência de Bolsonaro no diálogo
- Lula pediu suspensão das sanções contra ministros do Supremo, mas o tema Bolsonaro ficou de fora de pauta.
- “Eu achei importante porque não era pra discutir mesmo, acho que foi um equívoco de alguém que orientou o presidente Trump.” – Lula, [30:18]
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Espaço para novas isenções e negociações
- Possível ampliação da lista de produtos isentos (de 46% para potencialmente mais).
- “Antes do encontro presidencial, teremos outras notícias (de avanços técnicos). Não acredito que tudo será isento... Mas outros produtos podemos abrir.” – Leonardo Trevisan, [30:35]
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Marco Rubio e pragmatismo
- “Marco Rubio é ideologizado, sim, mas ele obedece o Salão Oval; não tenho dúvida disso.” – Leonardo Trevisan, [33:13]
Memórias e Frases-Chave (com Timestamps)
- “Aquilo que parecia impossível, deixou de ser impossível e aconteceu.” – Lula, [00:02]
- “Gostei da ligação, nossos países se darão muito bem juntos.” – Trump, [00:52]
- “A partir de amanhã vai começar a ter conversa, eles vão ter uma reunião nos Estados Unidos para começar a discutir o Brasil.” – Lula, [02:20]
- “O que é mais importante, sabe o que aconteceu? ...ele me deu o telefone pessoal dele. Eu dei o meu pra ele, pra que a gente não precisa de intermediário...” – Lula, [14:43]
- “Estávamos abrindo novos caminhos de comércio porque outros fregueses estavam ocupando o lugar que era dos Estados Unidos.” – Trevisan, [21:07]
- “O telefone pessoal trocado entre Lula e Trump simboliza a confiança e o canal direto, sem interferências.” – Ricardo Abreu, [13:36]
- “Qualquer coisa, liga para mim.” – síntese do cumprimento final entre os líderes, [13:16]
Tabela de Timestamps de Segmentos Importantes
| Timestamp | Conteúdo | |-----------|--------------------------------------| | 00:02 | Fala inicial de Lula sobre o improvável | | 00:52 | Trump posta nas redes sobre ligação | | 01:56 | Ricardo Abreu: “Estamos muito otimistas” | | 02:20 | Lula: relato amigável da conversa | | 03:46 | Detalhes dos bastidores, inclusive piadas sobre idade | | 06:23 | Pedido de Lula para retirada de sobretaxa e sanções | | 09:11 | Discussão dos possíveis próximos encontros | | 13:16 | Troca de telefones - fim da intermediação | | 14:43 | Lula narra troca direta de contatos pessoais | | 17:27 | Trevisan: mudança no profissionalismo da diplomacia | | 19:39 | Setor privado como agente-chave na negociação | | 22:34 | Análise econômica do impacto do tarifácio | | 24:18 | Destaca J&F como grande empregador nos EUA | | 30:35 | Trevisan prevê avanços antes de reunião presencial | | 33:13 | Trevisan: Marco Rubio, pragmatismo e hierarquia política |
Tom e Conclusão
O episódio se destaca pelo tom pragmático, otimista e analítico, alternando entre bastidores diplomáticos e análises de cenário futuro, sempre ressaltando o esforço brasileiro em manter o foco econômico e evitar disputas ideológicas. Ficou claro o ineditismo e a relevância do canal direto aberto entre Lula e Trump – algo tratado como vitória diplomática, ainda que cautelosa, e como oportunidade para redefinir um relacionamento bilateral fundamental nos próximos meses.
Destaque Final
“Eu pedi ao presidente Trump para por seu coração para o Brasil, gente, é pro seu coração. Não coloque ninguém com preconceito para conversar com o Brasil. (...) É um jogo de ganha-ganha, não é um jogo de perde-perde.”
— Luiz Inácio Lula da Silva, [02:20]
Ideal para quem quer entender as engrenagens da diplomacia, comércio e política internacional entre Brasil e EUA, e a influência de personalidades, interesses privados e bastidores para além dos headlines.
