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Diogo Marques
Eu acordei desesperado, porque eu acordei, abri o olho e estava enxergando nada, tudo preto e uma dor de cabeça muito forte.
Ana Tuzaneri
Essa é a voz de Diogo Marques, um estudante de 23 anos de São Paulo. Diogo tinha se encontrado para beber com o amigo Rafael dos Anjos, de 27 anos, e outras três amigas.
Diogo Marques
A gente comprou as bebidas numa adega lá perto de casa, na minha casa e na casa do Rafael.
Ana Tuzaneri
Rafael acordou passando muito mal e mandou um áudio para uma colega.
Carlos Henrique Dias
Só queria ficar deitado, mano. Mas, tipo, tá tudo rodando. Parece que eu tô com a pressão baixa, sei lá.
Ana Tuzaneri
Pouco depois, ele foi internado em estado grave em um hospital de Osasco, onde está em coma desde 1º de setembro. Quem conta é Helena, mãe dele.
Helena (mãe do Rafael)
Foi removido a toxicidade do sangue, porém os danos já tinham afetado a visão. O cérebro, pelos exames, não tem fluxo sanguíneo. Ele está respirando pelo ventilador. Segundo a medicina, é irreversível.
Ana Tuzaneri
A causa da intoxicação do Diogo e do Rafael foi o metanol, um tipo de álcool simples, incolor e inflamável. O metanol é muito usado na indústria química para fazer solventes e outros produtos. Ilegalmente, serve para batizar combustíveis.
Especialista em toxicologia
O metanol é uma substância com cheiro forte, mas que em pequenas doses pode passar desapercebida. Ele é altamente tóxico em qualquer quantidade. Quando o metanol entra na circulação sanguínea, o primeiro órgão afetado é o fígado. O metanol é então metabolizado e se transforma em outras substâncias tóxicas que atingem a medula e o cérebro. É por isso que a pessoa sente dor, fica confusa, pode ter convulsões e entrar em coma. O sangue fica ácido. O nervo óptico também pode sofrer lesões, deixando a visão turva ou causando cegueira.
Ana Tuzaneri
Radarane Domingos, designer de interiores de 43 anos, é uma das prováveis vítimas de bebida contaminada. Passou mal depois de uma comemoração no dia 19 de setembro na região da Avenida Paulista, em São Paulo.
Radarane Domingos
Eu fui num bar comemorar o aniversário de uma amiga. Era um bar em uma região nobre, não era nenhum boteco de esquina. Eu bebi três caipirinhas de frutas vermelhas com maracujá e vodka. Gosto nenhum diferente. E ainda assim, o que me impressiona é que, teoricamente, uma caipirinha é uma dose de vodka, mas fruta, açúcar, gelo. E ela causou um estrago. Bem grande. Eu não estou enxergando nada.
Ana Tuzaneri
No atestado de óbito do advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, uma causa inesperada. Intoxicação por metanol. A irmã dele, Fernanda, disse que a família está destroçada e procura entender o que de fato aconteceu. Fernanda diz que Marcelo comprou uma garrafa de vodka numa adega na Zona Sul de São Paulo.
Helena (mãe do Rafael)
Logo cedo, no sábado, ele acordou e ele estava sem uma visão. Ele só estava vendo um clarão. Ele foi levado para o hospital com a esposa e a minha mãe. E só que o quadro foi se agravando gradativamente quando eu cheguei por volta das duas horas da tarde. Que aí ele já tinha um diagnóstico aí de que era intoxicação. Ele já estava desorientado e a gente não teve como perguntar nada pra ele. A gente não teve como saber do que tinha acontecido. Perder uma pessoa assim de uma hora pra outra é muito mais absurdo do que É muito surreal, é muito surreal. É a palavra que eu consigo usar no momento. E a gente perdeu uma pessoa inexplicável.
Ana Tuzaneri
Desde meados de agosto, casos como os de Diogo, Rafael, Radarane e Marcelo não param de crescer. A Secretaria de Saúde de São Paulo diz que há mais de 20 investigações só no estado e confirmou cinco mortes. Números muito acima do que o país costuma registrar. Em média, são cerca de 20 casos por ano.
Representante da Secretaria de Saúde
Por causa da gravidade dos casos, a Secretaria de Saúde de São Paulo emitiu um alerta para todos os hospitais e clínicas do estado, reforçando os sinais de intoxicação por metanol e a conduta clínica que deve ser adotada. O comunicado destaca sintomas como sonolência, tontura, dor abdominal, náuseas, vômito, confusão mental, taquicardia e visão turva.
Ana Tuzaneri
A Polícia Civil de São Paulo investiga redes de adulteração de bebidas alcoólicas. Um crime que atinge uma proporção assustadora em todo o comércio.
Representante da Secretaria de Saúde
Segundo a Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo, 36%. Ou seja, mais de um terço de toda bebida alcoólica vendida no Brasil é forjada, contrabandeada ou adulterada. Uma em cada cinco garrafas de vódica vendida no país é falsificada. O diretor executivo da Federação afirma que falta um trabalho coordenado de inteligência para chegar aos verdadeiros responsáveis.
Ana Tuzaneri
E a Polícia Federal entrou no caso porque suspeita de que o esquema ocorre em mais de um estado. Quem explicou foi o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
No momento as ocorrências estão concentradas no estado de São Paulo, mas tudo indica que há uma distribuição para além do estado de São Paulo e, portanto, sendo uma ocorrência que transcende limites de um estado, isso atrai a competência da Polícia Federal.
Ana Tuzaneri
Da redação do G1, eu sou Ana Tuzaneri e o assunto hoje é a onda de intoxicações por metanol. Eu converso com Carlos Henrique Dias, produtor da TV Globo em São Paulo. Quarta-feira, 1º de outubro. Carlos, quero te pedir para explicar para a gente como é que você começou a investigar isso e o que te chamou a atenção desde logo.
Carlos Henrique Dias
Na última segunda-feira, no dia 22, na verdade, eu acordei com uma mensagem de uma fonte, um médico muito preocupado, que ele atendeu um paciente, recebeu de outros colegas que estavam recebendo alguns casos de pacientes com sintomas de e contaminação por metanol e isso chamou a atenção dele porque eles fizeram como se fosse uma corrente de informação e começou a falar gente eu tô com um caso aqui, o outro também tô com um caso, olha vamos se ligar Porque o primeiro atendimento é o mais importante, né? É o que pode fazer toda a diferença ali entre a pessoa morrer ou ela sobreviver Então no dia 22 foi quando eu comecei essa apuração com essa preocupação dos médicos Quando a gente começou a entrar em contato com os órgãos de saúde, principalmente aqui em São Paulo e também com hospitais, tentando saber o que estava acontecendo. Porque as internações de metanol, geralmente elas acontecem com pessoas que estão em vulnerabilidade social ou pessoas em situação de rua, segundo os especialistas que eu conversei, que acabam tomando o próprio combustível de bomba. Eles vão lá e compram, pegam o combustível de bomba e tomam essa substância. e acaba parando nos hospitais. Só que essa situação de pessoas que estavam em situações de convívio social mesmo, em um bar, em um churrasco ou num encontro com amigos, começou a chamar a atenção desses médicos.
Ana Tuzaneri
Você ligava para os hospitais? Você ligava e perguntava se alguém tinha registrado algum caso de intoxicação por metanol? Era isso?
Carlos Henrique Dias
É, a gente entrou em contato com as assessorias dos hospitais. Algumas não confirmaram e nem negaram. Outras simplesmente falaram, a gente vai verificar. Porque ainda está nessa situação de o paciente teve entrada com todos os indícios de metanol. Foi feito tratamento por metanol, mas ainda não tem laudo. Em alguns casos, né? Que manda pra uma análise. E mesmo o médico falando, isso aqui é metanol. Que foi o que salvou essas pessoas.
Ana Tuzaneri
Então a gente pode estar falando de um cenário até de subnotificação, né?
Carlos Henrique Dias
Com certeza, sim, pelo que eu verifiquei, é um cenário de subnotificação. Eu conversei com algumas famílias e tem um caso, por exemplo, de um rapaz que ele ficou, ele tá em coma, ele acordou do coma agora, ficou um mês, quase um mês e meio em coma. Ele acordou, só que ele acordou, ele tá cego, ele tá usando tráqueo, ele ficou muito mal.
Ana Tuzaneri
Tráqueostomia, né?
Carlos Henrique Dias
Isso, uma tráqueostomia. E no caso dele, só ele foi internado, mas ele consumiu bebida com os amigos. Os amigos também passaram mal, mas não tanto quanto ele. E eles não procuraram internação. Só nesse caso você vê. Pelo menos eles estavam, se eu não me engano, com três amigos. Dois ou três amigos. E eles não procuraram um hospital. Então aí tem pelo menos uns três casos. Pelo menos.
Ana Tuzaneri
O que que despertou essa desconfiança em relação ao que está acontecendo agora? É muito diferente do que costuma ser registrado ano após ano no Brasil.
Carlos Henrique Dias
O que chamou a atenção foi essa situação da contaminação das pessoas em uma festa, em um bar, sentado num bar, tomando três caipirinhas, chega em casa, você passa mal e vai parar num hospital.
Narrador/Relator
Marcelo Macedo Lombardi era advogado, tinha 45 anos e morreu no último sábado depois de consumir uísque numa festa, segundo a Prefeitura de São Bernardo do Campo. É a terceira morte suspeita de intoxicação por bebida contaminada com metanol, segundo a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. Wesley tem 31 anos e está internado desde o dia 24 de agosto, quando entrou em coma depois de beber uísque com amigos na zona sul da capital paulista. Ele não enxerga e luta para se.
Carlos Henrique Dias
Recuperar de um estado muito grave. do que geralmente os médicos ou que é notificado com a contaminação de metanol, que é a situação da pessoa em situação de vulnerabilidade ou com algum vício e acaba consumindo de outras fontes, como o próprio combustível ou qualquer outra forma de álcool por questão de alguma doença, algo crônico. E foi isso que chamou a atenção. E foi essa preocupação dos médicos quando uma fonte me procurou que viu esse cenário acontecendo e nós começamos a questionar tanto o governo estadual quanto o governo federal durante a semana para tentar ter informações sobre esses casos. Foi quando a gente teve acesso a informações que o Seatox de Campinas já tinha pelo menos oito, nove casos. de pessoas que tiveram alguma contaminação por metanol. Isso foi por volta de quinta-feira. Então nós pedimos, a gente falou, então a coisa tá grande. Então pedimos informações à Anvisa, ao Ministério da Saúde também, se esses casos tinham sido notificados. E eles começaram também essa checagem. Então, nós esperamos essa confirmação para saber se isso estava sendo checado, que foi quando o Ministério da Justiça soltou um alerta na sexta-feira sobre esses casos para todo o Brasil, que as pessoas começaram a comentar, foram informadas que a situação estava acontecendo.
Diogo Marques
O governo anunciou uma força-tarefa que vai ser montada pelas secretarias da Segurança Pública e da Saúde. Segundo o governador, médicos estão fazendo neste momento um protocolo para orientar a rede pública de saúde no tratamento de pacientes que chegam nos hospitais com sintomas muito parecidos. A Polícia Civil de São Paulo também foca as investigações no comércio clandestino de bebidas alcoólicas. As autoridades agora querem saber como que esse metanol foi parar nas garrafas.
Carlos Henrique Dias
O Ministério Público tem que ir atrás também, tem que ajudar, porque quem está fazendo isso está assumindo o risco de matar.
Diogo Marques
É assassinato, a pessoa adultera uma bebida.
Carlos Henrique Dias
Dessa e provoca morte.
Diogo Marques
Do consumidor final, de quem tá bebendo.
Carlos Henrique Dias
Então isso é um homicídio, é gravíssimo. A gente pediu no primeiro posicionamento e o que chegou pra gente foi algo que está sendo investigado, mas ainda nada confirmado. E quando nós começamos a pedir mais informações, principalmente para o Seatóxis de Campinas, eu não sei se começaram a notificar, começaram a ver que poderia ter algo fora do comum, do que eles chamam de comum, e começaram a se notificar.
Representante da Secretaria de Saúde
A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços na cidade de Americana e encontrou nesta chácara uma fábrica clandestina, onde era feito o envasamento das bebidas adulteradas o uísque, gin e vodka, com rótulos de marcas conhecidas Dois homens foram presos em flagrante e vão responder por crimes contra propriedade material, saúde pública e relação de consumo. 18 mil itens foram recolhidos para a perícia. Não foi encontrado metanol no local.
Ana Tuzaneri
A Secretaria Estadual de Saúde, a de São Paulo, ela estava informada do que estava acontecendo? Ela sabia do que estava acontecendo quando você a procurou?
Carlos Henrique Dias
A primeira vez que a gente procurou a Secretaria de Saúde do Estado foi na segunda-feira e naquela época, naquela situação dia 22, que teria um caso confirmado em junho de contaminação por metanol e casos estavam sendo apurados, casos suspeitos. Na época não tinha os hospitais todos que a gente achava que teria um paciente segundo o que as fontes tinham falado pra gente, mas eu lembro que eu mandei os suspeitos em casos em Osasco, em Campinas, em São Bernardo, São Paulo e Osasco. São essas cidades. E depois esses casos realmente foram confirmados. Tanto que o caso de Osasco é a do rapaz, a do Rafael, que a gente mostrou a mãe dele no Fantástico, falando que o filho, ela não sabe se o filho vai acordar. O filho está em coma, ele mantido ali por máquinas, mas ela não sabe se o filho vai acordar.
Narrador/Relator
O gin com energético e gelo com sabor foi consumido em casa pelo grupo de amigos no último sábado de agosto. Horas depois, eles, e principalmente Rafael e uma das meninas, começaram a passar mal.
Diogo Marques
O Rafael, logo em sequência, ele acordou e falou que tava numa ressaca muito forte, que pra ele não era normal aquilo. Uma dor de cabeça e parecia que estava bêbado ainda.
Carlos Henrique Dias
Segundo ela, ela falou durante a nossa entrevista que realmente ali ela espera um milagre, porque pela ciência pra ela é difícil.
Ana Tuzaneri
E você sabe quanto eles beberam de gin? Eles disseram pra você?
Carlos Henrique Dias
Não, a gente não sabe o quanto eles beberam, mas, segundo os relatos, quem bebeu mais acabou ficando mais em estado grave. A Radarane, que falou com a gente, que ela não sabe se vai voltar a enxergar, na verdade, ela tá fazendo o tratamento pra voltar a enxergar. Ela atualmente tá internada em um hospital particular de São Paulo. E ela falou, olha, eu tomei, eu tava num evento com umas amigas e tomei três caipirinhas. Ela tomou três caipirinhas e chegou em casa, começou a passar mal, teve tontura, teve vômito. E quando a família viu que seria algo mais grave, porque ela começou a ter uma confusão, uma confusão mental, levou ela para o hospital. E lá o médico, o chefe lá da UTI, falou. O caso dela é um caso de metanol. E ali, claramente, começou um protocolo de metanol, para tratar metanol. E ela foi salva por isso.
Narrador/Relator
Foi a irmã que levou o Radarani para o hospital.
Especialista em toxicologia
Ela teve que ir para a UTI para fazer esse exame e nessa UTI ela já convulsionou, no domingo de manhã ela já foi entubada. Nesse princípio não sabíamos, ninguém imaginava que seria uma suspeita de intoxicação por metanol. A nossa expectativa é que a gente consiga um tratamento para que ela volte a enxergar.
Carlos Henrique Dias
E ela chegou a ser entubada, ela ficou desacordada, ela ficou em coma e acordou muito mal, mas ainda está em recuperação.
Ana Tuzaneri
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Carlos Henrique Dias. Você conversou com muita gente, conversou com vítimas, conversou com familiares de vítimas. Existe algum padrão no relato que eles fazem?
Carlos Henrique Dias
Não tem nenhum padrão. As pessoas estavam em situações diferentes. Uma estava, pelo menos as pessoas que a gente conversou, estava em um bar tomando caipirinha e depois passou mal na zona sul de São Paulo. A outra pessoa, o Rafael, o Diogo e as amigas estavam em outro canto da cidade tomando gin que eles compraram de uma adega. Então assim, não tem algo que ligue esses casos. Não é uma bebida, um tipo de bebida, né? Por enquanto o que tem é pessoas que passaram mal depois de tomar uma bebida destilada.
Narrador/Relator
Usado na indústria para fazer solventes e outros produtos químicos, o metanol é altamente tóxico para o organismo humano e pode levar à morte por falência múltipla de órgãos. O primeiro a ser atingido é o fígado, que transforma o metanol em outras substâncias tóxicas. que atingem a medula e o cérebro, causando dor, confusão mental, convulsões e coma. O sangue fica ácido. O nervo ótico também pode sofrer lesões, deixando a visão turva ou causar cegueira. O metanol provoca ainda insuficiência pulmonar e ataca os rins. Os primeiros sintomas de uma intoxicação por bebida com metanol podem até ser parecidos com os de uma embriaguez ou ressaca comuns. Mas o socorro precisa ser muito rápido para salvar o paciente ou evitar lesões graves.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Os pacientes podem ter alterações de consciência.
Representante da Secretaria de Saúde
Ficarem um pouco confusos, mas principalmente o.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Que eles têm são sintomas gastrointestinais, mas.
Carlos Henrique Dias
Mais do que aquela EMS, aquele vômito.
Representante da Secretaria de Saúde
Eles têm muita cólica abdominal, dor de barriga e com essa confusão mental que pode ter.
Ana Tuzaneri
Você conversou com médicos, conversou com especialistas, que cuidados, que recomendações as autoridades fazem para que a população possa se proteger numa situação em que ou compra bebida alcoólica ou sai para beber em algum bar?
Carlos Henrique Dias
Segundo as últimas informações que a gente verificou aqui do poder público, a orientação é principalmente com a procedência do que você está bebendo. está em um lugar que você confia, que você sabe, ou se você vai comprar algo que você guarde em uma nota fiscal, ou que você tome cuidado com alguns lacres violados. Mas assim, depois de conversar com todas essas pessoas, Eu vejo assim que realmente você o alerta para as famílias, para as pessoas e para os parentes, que realmente se a pessoa passar mal, vá ao médico.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Está aqui o ministro Alexandre Padilha.
Ministro Alexandre Padilha
Primeiro, a gente tem três regras básicas em relação à ingesta de qualquer bebida alcoólica, que a gente sempre reforça a população. Primeiro, se beber, não pode dirigir, em hipótese alguma. Segundo, ninguém deve ingerir bebida alcoólica sem estar bem hidratado, sem continuar se hidratando durante essa ingesta e sem estar bem alimentado. E terceiro, saber a origem da bebida que você está ingerindo. O ideal é você só beber aquilo que você vê estar sendo aberto na sua frente. O lacre sendo aberto, a gente sabe que isso não evita, mas pode minimizar riscos de ação como essa. Na medida que começar a ensinar os sintomas, procure o serviço de saúde. Não vá fazer qualquer medida por conta própria. Não vá achar que você tem algo milagroso para uma desintoxicação. Nós temos 32 centros de referência de intoxicação toxicológica no Sistema Único de Saúde espalhados pelo país. Em todos os estados nós temos pelo menos um centro. Está na página do Ministério da Saúde o contato de cada um desses centros, centros de referência.
Ana Tuzaneri
E quais são as hipóteses, Carlos? A gente está falando de uma contaminação potencialmente acidental ou de uma falsificação proposital de uma bebida usando metanol. Já tem elementos para dizer algo nessa linha? Se um ou se outro?
Carlos Henrique Dias
Tudo que a gente viu sobre as apurações, só a polícia aqui do estado de São Paulo divulgou hoje que está com cinco inquéritos para investigar essa contaminação.
Narrador/Relator
O metanol pode contaminar as bebidas de duas formas. Pode ser adicionado criminosamente para aumentar o teor alcoólico do produto ou ser gerado durante a destilação clandestina. Isso torna a investigação ainda mais complexa e aumenta a necessidade de fiscalização e de cuidado. O uso de etanol contaminado com metanol para lavar garrafas também está sendo investigado.
Ana Tuzaneri
E como esses casos estão sendo investigados, Carlos?
Carlos Henrique Dias
Atualmente a Polícia de São Paulo divulgou que tem cinco inquéritos que foram abertos para investigar esses casos e a Polícia Federal também investiga. Já foram interditados os estabelecimentos aqui na capital?
Ministro Alexandre Padilha
Só para deixar claro, não há evidência.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Nenhuma de que haja crime organizado nisso.
Ministro Alexandre Padilha
Os inquéritos que estão abertos e que estão chegando Há pessoas que estão trabalhando.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Com adulteração nessas destilarias clandestinas.
Carlos Henrique Dias
São pessoas que não têm relação com.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
O crime organizado e que não têm relação entre si.
Carlos Henrique Dias
A Polícia Federal, ela não descarta... Em.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Razão de toda a cadeia de combustível, onde parte disso passa pela importação de metanol pelo porto de Paranaguá, e, portanto, a necessidade de entrarmos nesse caso, pelo menos por essas duas razões. E agora a investigação dirá se há conexão com o crime organizado, com operações anteriores, enfim, a gente vai buscar trabalhar de maneira integrada. E que são investigações que se complementam com as investigações na parte administrativa, com investigação a cargo também da Polícia Civil de São Paulo.
Carlos Henrique Dias
Mas estão fazendo operações desde segunda-feira na cidade e estão aprendendo garrafas, milhares de garrafas foram apreendidas e também locais que seriam feitos, onde as bebidas seriam adulteradas. essas informações que a gente tem até o momento.
Ana Tuzaneri
E pra finalizar, Carlos, a gente conversa na tarde de terça-feira, num dia bastante cheio. Autoridades diferentes convocaram a imprensa quase que ao mesmo tempo aqui em São Paulo, onde a gente está, e também em Brasília, onde está o governo federal, pra falar dessas intoxicações todas. Eu quero entender, em quais pontos as declarações no âmbito federal e no âmbito estadual divergem exatamente?
Carlos Henrique Dias
Nesse momento, o estado de São Paulo fala que não teria um envolvimento do crime organizado nessa adulteração, quando se fala em metanol, que também já foi identificado na adulteração de combustível, por exemplo. ou na Polícia Federal afirmou que não descarta e que isso ainda é apurado.
Ana Tuzaneri
Carlos, muito obrigada pelas informações. Importante o trabalho que você fez, a apuração diligente que você fez nessa história, dessa história, melhor dizendo. Bom trabalho.
Carlos Henrique Dias
Obrigado.
Ana Tuzaneri
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o assunto podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou Natuzaner e fico por aqui. Até o próximo assunto.
Podcast: O Assunto
Host: Ana Tuzaneri (G1)
Episódio: A onda de intoxicações por metanol
Data: 1 de outubro de 2025
Neste episódio, Ana Tuzaneri aprofunda o alarmante aumento de casos de intoxicação por metanol a partir de bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo e outras regiões do Brasil. O episódio reúne depoimentos de vítimas e familiares, além de análises de especialistas, jornalistas e representantes da saúde pública, para esclarecer o que está acontecendo, o contexto da crise, o funcionamento das investigações e as orientações para a população.
O episódio revela a gravidade e a complexidade crescente da crise das intoxicações por metanol em bebidas adulteradas no Brasil, destacando a rápida escalada dos casos e as consequências devastadoras para vítimas e famílias. A apuração do G1 demonstra que qualquer pessoa pode ser vítima, reforçando orientações práticas para a população e a necessidade urgente de investigação e punição dos responsáveis — uma questão de saúde pública, segurança e justiça.