O Assunto – “A onda de intoxicações por metanol”
Podcast: O Assunto
Host: Ana Tuzaneri (G1)
Episódio: A onda de intoxicações por metanol
Data: 1 de outubro de 2025
Visão Geral
Neste episódio, Ana Tuzaneri aprofunda o alarmante aumento de casos de intoxicação por metanol a partir de bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo e outras regiões do Brasil. O episódio reúne depoimentos de vítimas e familiares, além de análises de especialistas, jornalistas e representantes da saúde pública, para esclarecer o que está acontecendo, o contexto da crise, o funcionamento das investigações e as orientações para a população.
Pontos-Chave e Estrutura do Episódio
1. Relatos de Vítimas e Impacto Direto [(00:00) – (04:02)]
- Histórias Pessoais
- Diogo Marques: Acordou cego e com forte dor de cabeça após consumir bebidas compradas em uma adega com amigos.
- “Eu acordei desesperado, porque eu acordei, abri o olho e estava enxergando nada, tudo preto e uma dor de cabeça muito forte.” – Diogo Marques [00:00]
- Rafael dos Anjos: Amigo de Diogo, está em coma desde 1º de setembro.
- “Ele está respirando pelo ventilador. Segundo a medicina, é irreversível.” – Helena, mãe de Rafael [00:46]
- Radarane Domingos: Designer de interiores, internada e sem visão após beber três caipirinhas em um bar respeitável.
- “E ainda assim, o que me impressiona é que… ela causou um estrago. Bem grande. Eu não estou enxergando nada.” – Radarane Domingos [02:13]
- Marcelo Lombardi: Advogado, faleceu após consumir vodka adulterada. Sua família busca respostas para a morte súbita.
- “Perder uma pessoa assim de uma hora pra outra é muito mais absurdo... É muito surreal, é a palavra que eu consigo usar no momento. E a gente perdeu uma pessoa inexplicável.” – Fernanda, irmã de Marcelo [03:11]
- Diogo Marques: Acordou cego e com forte dor de cabeça após consumir bebidas compradas em uma adega com amigos.
2. O Contexto Epidemiológico e Alerta das Autoridades [(04:02) – (05:58)]
- Dados Alarmantes
- Mais de 20 investigações de intoxicação por metanol em São Paulo, com confirmação de 5 mortes — números acima da média anual (cerca de 20 casos/ano) [04:02].
- A Secretaria de Saúde emitiu alerta para hospitais com sintomas: sonolência, tontura, dor abdominal, vômitos, visão turva.
- Escala do Problema
- Mais de 1/3 das bebidas alcoólicas vendidas no Brasil são forjadas, contrabandeadas ou adulteradas.
- “Uma em cada cinco garrafas de vodka vendida no país é falsificada.” – Representante da Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes [04:57]
- Mais de 1/3 das bebidas alcoólicas vendidas no Brasil são forjadas, contrabandeadas ou adulteradas.
3. Investigação Jornalística e Subnotificação [(05:58) – (09:38)]
- Primeiros Alertas e Dificuldade na Apuração
- Repórter Carlos Henrique Dias explica como médicos começaram a perceber aumento fora do tradicional em público de risco.
- “O primeiro atendimento é o mais importante, é o que pode fazer toda a diferença ali entre a pessoa morrer ou ela sobreviver.” – Carlos Henrique Dias [06:21]
- Antes, intoxicações por metanol eram associadas a situações de extrema vulnerabilidade social, agora envolvem consumidores em bares, festas e encontros comuns.
- Repórter Carlos Henrique Dias explica como médicos começaram a perceber aumento fora do tradicional em público de risco.
- Subnotificação
- Muitos casos não são oficialmente contabilizados, seja por falta de laudo definitivo ou porque os afetados não procuram atendimento médico.
- “É um cenário de subnotificação… Os amigos também passaram mal, mas não tanto quanto ele. E eles não procuraram internação.” – Carlos Henrique Dias [08:40]
- Muitos casos não são oficialmente contabilizados, seja por falta de laudo definitivo ou porque os afetados não procuram atendimento médico.
4. Mutação do Perfil dos Casos e Respostas das Autoridades [(09:38) – (12:52)]
- Mudança no Público Afetado
- Novos casos envolvem pessoas de fora dos contextos mais pobres ou vulneráveis, em bares ou eventos sociais.
- “O que chamou a atenção foi essa situação da contaminação das pessoas em uma festa, em um bar, tomando três caipirinhas.” – Carlos Henrique Dias [09:38]
- Novos casos envolvem pessoas de fora dos contextos mais pobres ou vulneráveis, em bares ou eventos sociais.
- Ação Governamental
- Governo de SP e Polícia Civil criam força-tarefa para investigar as cadeias de adulteração, com ajuda da Polícia Federal.
- “As autoridades agora querem saber como que esse metanol foi parar nas garrafas.” – Diogo Marques [12:08]
- “É assassinato, a pessoa adultera uma bebida… Isso é um homicídio, é gravíssimo.” – Diogo Marques e Carlos Henrique Dias [12:45–12:52]
- Governo de SP e Polícia Civil criam força-tarefa para investigar as cadeias de adulteração, com ajuda da Polícia Federal.
5. Desdobramentos das Investigações [(12:52) – (16:55)]
- Descoberta de Fábricas e Operações Policiais
- Mandados de busca em fábricas clandestinas, milhares de bebidas apreendidas.
- A complexidade da investigação reside em diferentes formas de contaminação: adição intencional para aumentar teor ou contaminação acidental durante destilação ilegal.
- Quadro Clínico das Vítimas
- Casos graves ocorreram mesmo com quantidades consideradas pequenas, especialmente em destilados ou drinks.
- Radarane Domingos segue em tratamento hospitalar intensivo, com protocolo de desintoxicação iniciado a tempo graças a suspeita médica.
6. Natureza do Metanol e Confusão com Sintomas Comuns [(18:30) – (19:43)]
- Toxicidade do Metanol
- Altamente tóxico ao organismo humano; atinge fígado, sistema nervoso, causa acidose, cegueira, falência múltipla de órgãos. Sintomas iniciais podem se confundir com embriaguez ou ressaca comum.
- “O metanol é então metabolizado e se transforma em outras substâncias tóxicas que atingem a medula e o cérebro... O nervo óptico também pode sofrer lesões, deixando a visão turva ou causando cegueira.” – Especialista em toxicologia [01:20]
- “O socorro precisa ser muito rápido para salvar o paciente ou evitar lesões graves.” – Narrador [18:30]
- Altamente tóxico ao organismo humano; atinge fígado, sistema nervoso, causa acidose, cegueira, falência múltipla de órgãos. Sintomas iniciais podem se confundir com embriaguez ou ressaca comum.
7. Orientações para a População [(19:43) – (21:53)]
- Cuidados Práticos
- Sempre verifique a procedência da bebida, prefira locais confiáveis, conserve a nota fiscal, observe lacres.
- Sintomas suspeitos: procure atendimento médico imediatamente.
- “O alerta para as famílias… realmente se a pessoa passar mal, vá ao médico.” – Carlos Henrique Dias [20:04]
- Dicas do Ministério da Saúde
- Não beber e dirigir, manter-se hidratado, não ingerir bebidas sem ver o lacre ser rompido, buscar imediatamente um centro de intoxicação em caso de sintomas.
- “Na medida que começar a ensinar os sintomas, procure o serviço de saúde. Não vá fazer qualquer medida por conta própria. Não vá achar que você tem algo milagroso para uma desintoxicação.” – Ministro Alexandre Padilha [20:49]
- Não beber e dirigir, manter-se hidratado, não ingerir bebidas sem ver o lacre ser rompido, buscar imediatamente um centro de intoxicação em caso de sintomas.
8. Causas, Hipóteses e Caminhos da Investigação [(21:53) – (24:08)]
- Duas Possibilidades de Contaminação
- Adulteração criminosa para aumentar o teor alcoólico ou falha no processo de destilação ilegal.
- “Pode ser adicionado criminosamente… ou ser gerado durante a destilação clandestina... O uso de etanol contaminado com metanol para lavar garrafas também está sendo investigado.” – Narrador [22:22]
- Adulteração criminosa para aumentar o teor alcoólico ou falha no processo de destilação ilegal.
- Foco das Investigações
- Polícia de São Paulo abriu cinco inquéritos, operação conjunta com Polícia Federal para rastrear conexões interestaduais e possíveis vínculos com rotas de contrabando ou crime organizado.
- “No momento as ocorrências estão concentradas no estado de São Paulo, mas tudo indica que há uma distribuição para além do estado…” – Ministro Ricardo Lewandowski [05:35]
- Polícia de São Paulo abriu cinco inquéritos, operação conjunta com Polícia Federal para rastrear conexões interestaduais e possíveis vínculos com rotas de contrabando ou crime organizado.
9. Divergências Entre Autoridades [(24:27) – (25:24)]
- Federal x Estadual
- Governo estadual diz não haver indício de crime organizado, Polícia Federal mantém possibilidade em aberto.
- “Nesse momento, o estado de São Paulo fala que não teria um envolvimento do crime organizado nessa adulteração, (...) a Polícia Federal afirmou que não descarta e que isso ainda é apurado.” – Carlos Henrique Dias [25:00]
- Governo estadual diz não haver indício de crime organizado, Polícia Federal mantém possibilidade em aberto.
Momentos e Citações Notáveis
- “Eu acordei e estava enxergando nada, tudo preto e uma dor de cabeça muito forte.”
Diogo Marques, relatando o impacto fulminante do metanol [00:00] - “É muito surreal, é a palavra que eu consigo usar no momento. E a gente perdeu uma pessoa inexplicável.”
Fernanda, irmã de vítima, expressando desamparo diante da morte repentina [03:11] - “Mais de um terço de toda bebida alcoólica vendida no Brasil é forjada, contrabandeada ou adulterada... Uma em cada cinco garrafas de vodka vendida no país é falsificada."
Representante da Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes [04:57] - “O primeiro atendimento é o que pode fazer toda a diferença ali entre a pessoa morrer ou sobreviver.”
Carlos Henrique Dias [06:21] - “O alerta para as famílias… realmente se a pessoa passar mal, vá ao médico.”
Carlos Henrique Dias [20:04] - “Não vá achar que você tem algo milagroso para uma desintoxicação. Nós temos 32 centros de referência de intoxicação toxicológica no Sistema Único de Saúde.”
Ministro Alexandre Padilha [20:49] - “Quem está fazendo isso está assumindo o risco de matar. (...) É assassinato, a pessoa adultera uma bebida... Isso é um homicídio, é gravíssimo.”
Diogo Marques e Carlos Henrique Dias [12:37–12:52]
Tópicos Importantes Com Timestamps
- [00:00] – Relato do Diogo Marques (impacto no cotidiano)
- [01:20] – Explicação científica sobre metanol e seus efeitos
- [02:13] – História da Radarane Domingos
- [03:11] – Relato da família de Marcelo Lombardi
- [04:02] – Dados epidemiológicos do surto
- [05:35] – Ministro Lewandowski sobre abrangência das investigações
- [06:21] – Início da apuração jornalística (Carlos Henrique Dias)
- [09:38] – Diferença do perfil dos casos atuais em relação ao histórico
- [12:08] – Força-tarefa das Secretarias de SP, investigação policial
- [16:55] – Evolução clínica dos pacientes
- [18:30] – Toxicidade do metanol e confusão de sintomas
- [20:49] – Orientações oficiais do Ministério da Saúde
- [22:22] – Formas possíveis de contaminação de bebidas
- [24:08] – Atualização sobre operações policiais e investigações
- [25:00–25:24] – Divergências entre declarações estaduais e federais
Conclusão
O episódio revela a gravidade e a complexidade crescente da crise das intoxicações por metanol em bebidas adulteradas no Brasil, destacando a rápida escalada dos casos e as consequências devastadoras para vítimas e famílias. A apuração do G1 demonstra que qualquer pessoa pode ser vítima, reforçando orientações práticas para a população e a necessidade urgente de investigação e punição dos responsáveis — uma questão de saúde pública, segurança e justiça.
