Transcript
Natuzaneri (0:01)
A Praça dos Três Poderes, no coração da capital brasileira, tem cerca de 26 mil metros quadrados. Bastam 10 minutos a pé para percorrer a praça inteira, passando em frente aos prédios que são as sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Se o Brasil fosse um estádio de futebol, a Praça dos Três Poderes não passaria de um grãozinho de areia ali no Círculo Central. Mas é lá que se decidem todas as partidas. Nesta semana, muita coisa aconteceu naquele local. Enquanto o Supremo Tribunal Federal dava início a um julgamento inédito, a apenas 200 metros dali, o Congresso se mexia.
Bernardo Mello Franco (0:41)
Bom, a gente viu, principalmente essa semana, com o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, de outros sete réus, crescer aqui no Congresso, especificamente na Câmara, um movimento por essa amnistia para os condenados pelo 8 de janeiro.
Natuzaneri (0:55)
Sabendo que precisam do capital político do ex-presidente para as eleições de 2026, as lideranças da direita e do centrão se uniram em torno da pauta e apertaram o torniquete para fazer o projeto andar na Câmara.
Bernardo Mello Franco (1:08)
Partidos como União Brasil, Republicanos e PP manifestaram apoio a essa iniciativa. O líder da União Brasil, Pedro Lucas, por exemplo, chegou a dizer que essa iniciativa da Anistia poderia conter inclusive o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Natuzaneri (1:23)
Partidos do Centrão, com ministérios no governo Lula, anunciaram o desembarque da base do governo. O União Brasil e o Progressistas ameaçaram punir os filiados que não deixarem o governo Lula.
Comentator/Analyst (possibly a political analyst or journalist) (1:36)
Os dois partidos têm integrantes nos ministérios do Turismo, com Celso Sabeno, e do Esporte, com André Fufuca.
Natuzaneri (1:43)
No Senado, o vento sopra na mesma direção, mas em versão mais light.
Bernardo Mello Franco (1:48)
O presidente da casa, Davi Alcolumbre, já deu sinalizações claras que ele não quer o avanço dessa pauta da anistia. Inclusive, ele tem trabalhado um texto paralelo, tanto com aliados, como o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, como também com ministros do Supremo. para ter um projeto mais moderado, que não seria uma anistia, e sim uma recalibragem dessas penas que foram impostas para os condenados do 8 de janeiro. E também teria um porém mais importante, que seria um projeto que seria destinado só para os participantes do ato do 8 de janeiro, e não para os organizadores, nem para os financiadores. Então isso não contemplaria, por exemplo, nem Bolsonaro, nem esses outros réus, aliados dele, que estão sendo julgados nessa semana, também na próxima.
