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Tim Black, um plano exclusivo para você descobrir a sua melhor versão.
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A mulher negra chefe de família é uma lente essencial para entender a situação social do nosso país. 51% dessas mulheres sofrem algum grau de insegurança alimentar de acordo com a mais recente pesquisa de orçamentos familiares do IBGE, marcas de um país estruturalmente desigual.
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Ela faz bicos, mas ainda não consegue renda suficiente para alimentar a família. Eu sou a mesma que trabalha dentro de casa. É muita preocupação, porque às vezes a gente não tem o que comer.
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Em 2019, 63% das casas comandadas por mães negras com filhos de até 14 anos viviam com cerca de meio salário mínimo, por volta de 420 reais mensais à época, o que colocava essas famílias abaixo da linha da pobreza. Em 2024, o Ministério das Mulheres divulgou que pouco mais de um terço dos domicílios chefiados por mulheres negras ou pardas tinham rendimentos de até meio salário mínimo, ou seja, cerca de R$ 759. Uma melhora que reflete outros índices.
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Em termos absolutos, o número de brasileiros em situação de pobreza diminuiu em mais de 17 milhões entre 2022 e 2024. Passou de aproximadamente 68 milhões para 50 milhões e 700 mil pessoas, queda de 25,4%. O Brasil deixou o mapa da fome da Organização das Nações Unidas depois de três anos.
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Hoje, 50 milhões de pessoas não conseguem manter uma dieta balanceada contra 62 milhões há três anos.
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O rendimento médio real dos brasileiros aumentou quase 3% na comparação com o ano anterior. A desigualdade de renda entre os mais ricos e os mais pobres caiu no Brasil.
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Apesar do avanço, ainda há um longo caminho a ser percorrido e superado.
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77% dos brasileiros consideram que hoje vivemos em um país muito desigual. É o que mostra uma pesquisa que ouviu diferentes perfis e classes sociais nas cinco regiões do país. Apesar do recuo da pobreza, o Brasil ainda é um país muito desigual quando se trata de renda. E mudar essa realidade só será possível com uma combinação de fatores. Em 2024, o 1% mais rico do país tinha um rendimento médio 30,5 vezes superior aos 50% mais pobres, um pouco menor que em 2023. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje com Vitor Buadian.
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É A redução da desigualdade e os desafios do Brasil. Meu convidado é Marcelo Neri, economista e diretor do FGV Social, o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas. Segunda-feira, 20 de outubro. Marcelo, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, mas houve uma redução importante entre 2001 e 2015. Depois disso, foram registradas flutuações nos índices e eu quero entender em que momento nós estamos agora. E aí eu aproveito também para te perguntar sobre a redução da pobreza, que foi mais expressiva nos últimos anos.
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Quer dizer, as razões são diversas e isso é bom. Existe um conjunto de explicações que se complementam e dão uma certa sustentabilidade. Passando aos números, de 2021 até 2024, a pobreza caiu de 37% para 24%, usando uma linha de R$666,00 por pessoa, uma família de três pessoas numa renda de R$2.000,00. Então essa é a magnitude daquela de pobreza, é a menor taxa de pobreza da história, mesmo quando a gente retroage até 1976, não tem nível de pobreza menor, pobreza monetária menor do que o encontrado na última PNAD, e a desigualdade, Ela também caiu, está no menor nível da série, mas é um cenário menos auspicioso. Ela estava meio enganchada desde 2014.
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O índice de Gini do IBGE mede a concentração de renda numa escala de 0, máxima igualdade, a 1, máxima desigualdade. Segundo o IBGE, o indicador recuou de 0,518 em 2023 para 0,506 em 2024, menor resultado da série histórica. O índice mais alto foi registrado em 2018, 0,545. A renda dos mais ricos que era 19 vezes maior que a dos mais pobres, agora está 15 vezes maior. No período, a renda média entre os trabalhadores chegou a R$ 2.475, maior valor da série histórica iniciada em 2012. O crescimento foi maior entre os mais pobres.
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É uma boa notícia que a queda também acontece em 2025, pelo menos em termos de renda do trabalho.
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Agora, olhando um pouco mais para as mudanças no mercado de trabalho, essas mudanças mais recentes, o mercado está aquecido, o que a gente sabe sobre a precarização desses trabalhos? No mercado formal também, queria entender quais são os desafios que persistem e dificultam o trabalho de redução da desigualdade. Queria te ouvir também o que você chama de efeito firma, do que se trata isso?
D
Acho que é importante distinguir a fotografia do filme. A fotografia do mercado de trabalho brasileiro tem muita precariedade, muita informalidade, rendimentos ainda baixos, jornadas extensas, vários problemas, mas o que os dados mostram É um avanço do mercado de trabalho nos últimos anos, muitos beneficiários do Bolsa Família passaram a ter carteira de trabalho, pessoas do Cade Único, três quartos, passaram a ter, a informalidade está no nível mínimo da série, o desemprego também no nível mínimo, a renda real está no nível bem acima dos outros anos, Então, na verdade, quando a gente olha para o retrovisor, a gente vê um mercado de trabalho melhor do que estava antes. Aumentos do salário mínimo, própria expansão de programas sociais, que obviamente têm implicações fiscais, ajudam a explicar essa conjuntura trabalhista.
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O que é esse efeito firme então? Essa conjuntura?
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O efeito firme é o seguinte, quando a gente tenta entender o que determina o nível de renda do trabalho das pessoas A literatura dizia que educação era o principal componente, ainda é muito importante Mas quando você leva em conta a firma que as pessoas trabalham Essa variável, se essa pessoa trabalha na firma A ou na firma B ou na administração municipal C, o local onde a pessoa trabalha explica duas vezes mais o salário da pessoa do que a própria educação. Então, ir na firma é o local onde o desganjo de produtividade acontece, então é uma lição da nova literatura de desigualdade, a importância do efeito fígado.
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Entendi. Embora esses números deixem evidente a redução da pobreza, o aumento da renda, por que essa realidade não é tão perceptível no nosso dia a dia? Por que as pessoas ainda dizem ficar frustradas com a economia, costuma ser uma preocupação, uma sensação de que continua difícil pagar as contas e viver?
D
Eu acho que essa é uma boa pergunta. De fato, os indicadores dos últimos anos, eu acho que até uma progressão que se parece mais com o salto que houve depois do Plano Real do que há próprios avanços sociais dos anos 2000 que foram mais homeopáticos. Mas quando você conversa com as pessoas, as pesquisas de opinião atestam isso, as pessoas não sentem tanto progresso. Eu diria que num mundo atual digital, nós todos temos passado a... primeiro a gente começa a ter contas que a gente não tinha antes. Uma conta de internet, banda larga, um streaming, que são contas fixas. Feitos por grandes empresas que são as maiores empresas que extraem muito recurso da venda desse serviço E através dessas redes sociais a gente começa a se comparar com pessoas não dos nossos vizinhos, mas pessoas de outros países e redes sociais, a gente está se comparando com os Jones americanos e não com o Silva brasileiros. A gente tem novas despesas, muitas vezes o preço da alimentação sobe, aí você comprar a cesta básica passa a ser um desafio, mas os dados objetivos mostram que a renda nunca teve tão alta, a pobreza nunca teve tão baixa, e a própria insegurança alimentar vai na mesma direção. O país atingiu o menor índice de pobreza da série histórica do IBGE que começou em 2012. São 59 milhões de brasileiros na pobreza e 9,5 milhões na extrema pobreza. Entre 2022 e 2023, 8,7 milhões de pessoas saíram da pobreza e 3,5 milhões da extrema pobreza.
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Apesar da conquista, ainda há desafios. É que, segundo as Nações Unidas, 28 milhões e meio de brasileiros vivem em insegurança alimentar moderada, quando se diminui a quantidade da alimentação entre os adultos. E 7 milhões convivem com a insegurança alimentar severa, em que a redução de comida atinge toda a família, principalmente as crianças.
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Mas eu acho que essa é uma pergunta importante, a sensação de bem-estar e não os indicadores objetivos apenas, o que eles dizem.
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No aspecto regional, historicamente o Brasil tem uma desigualdade regional enorme. O que tem mostrado os índices nos últimos anos e quais são os desafios persistentes e os desafios novos, se é que há?
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A desigualdade brasileira, a fotografia é muito alta, é uma das mais altas do mundo e, como você disse, um país grande como o Brasil, diverso e altamente desigual regionalmente. Um pouco nessa queda de desigualdade que só acontece em 2024 e até meados de 2025 está acontecendo, o que a gente captou, por exemplo, é um ganho de renda no Nordeste. O Nordeste cresceu 11% contra 4,7% do Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra Domicílio.
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O Nordeste e o Sudeste apresentaram os maiores recuos, respectivamente 6,5 milhões e 6,4 milhões de pessoas a menos em situação de pobreza. A redução no Norte foi de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas. A menor variação aconteceu no Centro-Oeste, menos 930 mil brasileiros em situação de pobreza.
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O Nordeste tem uma população grande, pobre. Então, vamos dizer, uma imagem dessa redução de desigualdade é esse boom nordestino que aconteceu lá na primeira década desse século, mas não vinha acontecendo há pelo menos 15 anos. Eu acho que é um exemplo de grupos tradicionalmente excluídos que estão tendo progresso. Se a gente pegar os últimos 12 meses, a gente vai ver que a renda do trabalho cresceu 9,8% na metade mais pobre e 2% nos 10% mais ricos. Então a renda está crescendo, pelo menos até agora, e com mais fermento na base da distribuição. E isso inclui quando a gente compara regiões ou atributos como gênero, o salário das mulheres está crescendo mais do que dos homens, mas ainda é um diferencial grande.
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A desigualdade de gênero no salário se manteve. No ano passado, elas receberam aproximadamente 73% do rendimento médio masculino. Hoje, a mulher negra é a base da pirâmide. Ela recebe 57% menos que um homem branco. Neste processo, ela é a que mais sustenta a família. 47% das famílias que são sustentadas hoje é provida pelas mulheres.
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Olha, a gente tem também estudos que mostram, isso também é bastante frequente no país, uma percepção de que a mobilidade social é muito lenta, são sete gerações para se sair da base da pirâmide e chegar à classe alta, não exatamente no topo. Então, qual que tem sido o papel de programas como o Bolsa Família, programas de distribuição de renda na redução da pobreza extrema, mas também nessa mobilidade e de que forma o Brasil pode agir para agilizar esse processo.
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Esse ponto é muito importante, talvez seja o ponto mais característico, além da desigualdade de renda, é essa baixa mobilidade, demora 175 anos, que é uma parcela substantiva da nossa história, para sair do percentil 25 para chegar ao percentil 75, para ir para o topo. Tem duas evidências, a primeira quando você considera qual o principal determinante da educação das pessoas é a educação dos pais. tem pouca mobilidade. Isso no período de queda de desigualdade, de aumento de programas, de expansão de programas tipo Bolsa Família, o que era uma rigidez de 80% passou a ser uma rigidez de 50%, que ainda é muito grande, mas ainda é uma das mais altas que tem mundo afora, dos lugares que tem esses estudos, mas é menor do que os 80% que existia 15 anos antes. Uma segunda evidência que mostra que os filhos de beneficiários do Bolsa Família, em meados da primeira década desse século, Boa parte deles saíram do Bolsa Família, eles eram filhos de beneficiários, mas não continuaram no Bolsa Família, passaram a ter acesso a emprego formal. Então, o que o estudo demonstra, vários estudos, é que existe um efeito de curto prazo do Bolsa Família, mas existe um efeito de longo prazo importante.
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Então, mas exceto num caso de milagre econômico que algumas nações enfrentam, por exemplo, tigres asiáticos, digamos assim, você consegue em poucas gerações fazer uma transição rápida. No caso do Brasil, nesse processo que a gente tem um crescimento média de 2,5% ao ano, se uma família pobre tiver mais condições de dar um pouco mais para o seu filho, esse filho também, e essa estabilidade perdurar, esse filho vai ter também um pouco mais de condições de dar para o seu filho, condições para prosperar e subsequentemente assim, aí a tendência diminui. Esse é o raciocínio?
D
É, você tem uma sociedade mais móvel. Os estudos mostram que essa alta desigualdade brasileira é muito correlacionada com essa baixa mobilidade também brasileira. Estudos, vamos dizer, internacionais mostram isso com clareza. No fundo o maior desafio é aumentar a mobilidade entre gerações, isso é o efeito longo prazo, isso exige aumento de produtividade, crescimento, mas eu acho que talvez a gente não tenha percebido muito nos últimos anos essa queda da desigualdade que não aconteceu há algum tempo e ela traz esses benefícios de longo prazo em termos de mobilidade. Então o nosso paradigma não tem sido crescimento com crescimento de produtividade que garante uma menor pobreza no futuro, mas tem sido crescimento de renda de curto prazo e redução de desigualdade. Essa tem sido a marca brasileira no começo desse século e nos últimos 4, 5 anos.
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E a consistência também desses programas ao longo do tempo, porque você garante alguma certeza de que vai haver a continuidade da transferência de renda para essas famílias.
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Uma certa continuidade, isso é diferente, por exemplo, lá do México, que é um contemporâneo na criação de uma espécie de Bolsa Família deles, eles já desativaram o programa, o Brasil continua, tem mais uma persistência, mas é preciso dizer que também esses programas sociais guardam uma certa instabilidade político-eleitoral. A pobreza no Brasil segue um ciclo político já desde a eleição de 82, Se você pegar 11 eleições, 10 delas a pobreza caiu no ano eleitoral E na maioria delas ela subiu no ano pós-eleitoral Então tem uma instabilidade de curto prazo que é danosa E que precisa ser combatida de alguma forma Espera um.
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Pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Marcelo Neri Agora, eu queria falar um pouquinho, brevemente, sobre essas características mais contemporâneas do mercado de trabalho. A gente tem números de trabalhadores em plataformas digitais que, embora sejam precarizados, têm renda até mais alta que a média do setor privado, o que ajuda na inserção produtiva. A dúvida é o quanto isso é sustentável no longo prazo, quais que são os riscos dessas características do atual mercado de trabalho.
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Quer dizer, é importante a gente desmistificar um pouco os números, quer dizer, de fato, a renda é maior dos trabalhadores em plataforma, mas não o salário-hora, porque eles trabalham mais horas e o que eles ganham é flexibilidade. Flexibilidade é o grande ganho dessa população, tem uma certa desproteção social, principalmente que é grave para as pessoas que fazem entregas de motocicletas, existe uma epidemia de acidente de motocicleta muito séria que a gente precisa atender.
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O país tem quase 40 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. A taxa de informalidade vem caindo. Segundo o IBGE, agora está abaixo de 38%. Na avaliação do professor titular da Fundação Getúlio Vargas, seja formal ou informal, o trabalhador precisa ser protegido.
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A gente tem que pensar a possibilidade de ter proteção social não baseada nas velhas caixinhas ou mesmo em ocupações, mas baseada no trabalhador. Se a gente olhar a renda dos conta próprias até indo além dos pequenos empresários, indo além dos trabalhadores por plataforma, O lucro deles nunca foi tão alto como nos últimos tempos Então tem uma certa prosperidade, mas ainda muito risco e muita incerteza no futuro Porque, por exemplo, hoje em dia você tem as entregas feitas por motocicleta, por bicicleta, os motoristas de aplicativo, etc. Agora, se a tecnologia evoluir muito de drones ou de carros autônomos, pode ser que essas Essas ocupações que estão em alta hoje, elas entram em queda no futuro, sem falar na questão da inteligência artificial Então eu diria que a marca do nosso tempo é a alta incerteza em relação ao futuro, difícil fazer previsões.
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Qual deve ser o papel, na sua opinião, da reforma tributária da renda na redução dessas desigualdades?
D
Acho muito importante. Primeiro, a reforma tributária dos impostos indiretos, ela traz mais equidade e mais eficiência. A gente fez um estudo que mostrou que tudo que o Bolsa Família trouxe de redução de desigualdade, quando a desigualdade estava caindo no começo do século, impostos indiretos retiraram o equivalente dessa queda de desigualdade do sistema, sem reforma, sem nada, só a operação de um sistema muito ineficiente e inequitativo. Então essa é uma agenda importante que afeta os dois lados da moeda, a equidade e a eficiência. E essa reforma do imposto de renda, acho que impostos estão em alta no debate no Brasil, e eu acho que é uma maneira interessante de você primeiro enxergar onde estão os mais ricos e depois fazer políticas redistributivas como essa de isenção até 5 mil reais, Eu acho que isso não tem um grande impacto distributivo. A reforma tributária tem uma grande queda da desigualdade. A reforma de renda é uma política mais voltada para a classe média baixa. Ela tem um impacto na desigualdade, mas eu diria que é mais algo para melhorar o meio ou a parte, não exatamente a base da distribuição como faz o Bolsa Família, mas trazer pessoas para a classe média baixa, melhorar a vida deles. Então não é tão pro equidade, mas é um pro, digamos, nova classe média.
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O senhor foi já ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, que já chamou em outro governo de secretarias de assunto de longo prazo. Eu chamo de Ministério do Futuro. Eu queria a sua opinião sobre o que o Brasil precisa ainda fazer, precisa tomar conta para a gente sair definitivamente desse paradigma de um país desigual, se isso é possível. Na sua opinião, o que ainda é preciso fazer?
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Acho que a gente precisa ter políticas educacionais, melhora do ambiente de negócios, políticas de produtividade, produtividade partilhada que chegue à base da distribuição, crescimento é fundamental.
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Dados da pesquisa do Observatório Fundação Itaú, com cerca de 2.700 entrevistados, apontam que 8 em cada 10 brasileiros consideram o Brasil um país muito desigual. A percepção é maior entre mulheres, pessoas mais velhas e de classes mais baixas. Um quarto dos entrevistados considera a ausência de políticas públicas como fator responsável pela desigualdade. 18% acham que a culpa é da má gestão pública, 12% da corrupção, 10% da falta de emprego.
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Mas a gente tem que combater a desigualdade utilizando os instrumentos que a gente tem. A gente tem um bom acervo de instrumentos. como o Bolsa Família, para levar a efeitos de curto e de longo prazo. A boa notícia é que os estudos mostram que algo está mudando. A má notícia é que a desigualdade ainda é muito alta, mas ela ainda é um fruto baixo de ser colhido, quer dizer, se a gente fizer políticas de combate à desigualdade, acho que os dados dos últimos anos têm demonstrado isso, a desigualdade cai. É diferente da impressão que a gente tinha até no ano 2000, por exemplo, como se a desigualdade fosse uma constante da natureza, a desigualdade brasileira. Hoje em dia ela sabe que ela cai, ela pode subir, como já subiu recentemente, mas se a gente se mobilizar enquanto sociedade, contra a desigualdade, a desigualdade vai cair. Eu diria que a gente está num menor nível, a gente está testando esse nível de desigualdade e a resposta ainda não é muito clara qual vai ser a trajetória nos próximos anos. Olhando pelo espelho retrovisor, ela caiu de uma maneira interessante como caiu até 2014, ela caiu nos últimos dois anos, mas ainda é muito cedo para dizer se essa queda é uma queda permanente e se ela vai continuar caindo.
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Marcelo Neri, obrigado pela sua presença aqui no Assunto.
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Obrigado, Victor. Um prazer.
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Este episódio usou áudio da TV Cultura. Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kaczorowski e Carlos Catellan. Eu sou o Vítor Boiadjan e fico por aqui até o próximo Assunto.
Date: October 20, 2025
Host: Vítor Boiadian (G1)
Guest: Marcelo Neri (Economista, Diretor do FGV Social)
This episode, hosted by Vítor Boiadian, explores the current state and the persistent challenges of socioeconomic inequality in Brazil. Through a discussion with economist Marcelo Neri, the show examines significant recent improvements in poverty reduction, the dynamics of the labor market, regional and gender disparities, the impact of social programs, and the importance of tax reform. The result is a nuanced, multi-faceted look at how Brazil has achieved progress, what obstacles remain, and what actions are needed to build a more equal society.
This episode offers a comprehensive look at how Brazil has managed to reduce poverty and income inequality in recent years—thanks to a combination of social programs, improvements in the labor market, and strategic policy changes. However, deep-seated structural issues—regional disparities, slow mobility, precarious employment, and political volatility—continue to present significant challenges. The discussion concludes that sustained progress will require further investment in education, tax reform, and consistent, long-term social policies that resist the ups-and-downs of political cycles. Most importantly, the episode emphasizes that while inequality has long been a defining feature of Brazil, it is not immutable—with concerted societal effort, continued reductions are possible.