Transcript
Natuzaneri (0:00)
Tim Black, um plano exclusivo pra você descobrir a sua melhor versão. Um conflito com raízes históricas muito complexas, cujo capítulo mais recente teve início em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia por terra, água e mar. De lá pra cá, inúmeras tentativas de cessar fogo e negociações de paz fracassadas. Até que no início de 2025, um importante ator entrou neste tabuleiro de tensão, prometendo o fim do conflito. Quem é ele? Donald Trump. Eis uma de suas declarações. Abre aspas. É uma guerra sem sentido. Isso nunca deveria ter começado. Fecha aspas. O problema é que esse importante personagem é uma figura instável, imprevisível Ora, o presidente americano demonstra simpatia pelo presidente russo Vladimir Putin Ora, apoia a Ucrânia de Volodymyr Zelensky Enquanto isso, a guerra continua, ampliando seu rastro de destruição. E com muitas vidas perdidas dos dois lados. pelo Reino Unido.
News Reporter (1:37)
Em outra frente os russos divulgaram imagens de um exercício militar com mísseis balísticos capazes de carregar armas nucleares.
Natuzaneri (1:50)
E no meio de tudo isso, há uma população inteira lutando pela própria sobrevivência. É o que me conta o jornalista Fabrício Vitorino, meu convidado neste episódio. Fabrício é mestre em cultura russa pela USP e esteve na Ucrânia durante o mês de outubro como parte de sua pesquisa de doutorado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é A resistência ucraniana. Segunda-feira, 27 de outubro. Fabrício, você passou três semanas na Ucrânia agora em outubro e testemunhou um fortíssimo bombardeio russo na cidade de Lviv. Conta pra gente o que você testemunhou.
Fabrício Vitorino (2:37)
Pois é, Natuza, foi logo no meu segundo dia na Ucrânia, então eu imaginava que eu fosse experimentar, vivenciar uma situação dessas, mas não tão cedo, não em Lviv, e não com essa intensidade. Então, por volta de meia-noite soou o primeiro alarme, eu estava em contato com amigos, e é bom sempre reforçar isso, não é uma viagem que se faz despreparado, sozinho, então tinha contato com amigos que me avisaram que esse alarme de meia-noite ia cair rápido. Mas por volta de 5 da manhã, e a gente tem que dormir de roupa, com a mochilinha preparada, por volta de 5 da manhã soaram as sirenes na rua, começou a tocar mensagem, os amigos me avisaram, olha, esse é sério. Então, 5, eu corri para o banheiro. Levívio não tem muito abrigo, não é como Kiev, que tem aqueles abrigos subterrâneos, não é uma cidade constantemente atacada. Então, eu corri para o banheiro para seguir a regra das duas paredes, ficar ali entre a segunda e a terceira parede do prédio, e começaram os ataques, os barulhos de drones, os barulhos de mísseis. Então, são barulhos realmente, além de causarem pânico, terem um impacto moral muito grande, são muito altos e muito assustadores. Então, começaram os barulhos dos drones, dos mísseis e as explosões. e também as baterias antiaéreas, como aquelas cenas que a gente vê dos ataques da Ucrânia. Então, as explosões fortes, num volume muito impactante, e isso durou, Natus, até 9 da manhã. Então, a gente ficou, eu fiquei de 5 da manhã no banheiro, encolhido, sentado, ouvindo aquela barulhada, até 9 da manhã.
