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Ana Tuzaneri
No sábado à tarde, em meio a palmeiras e refletores, Donald Trump falava como se apontasse um farol para todo o continente. Horas antes, militares dos Estados Unidos tinham capturado Nicolás Maduro. A declaração de Trump olhava adiante. Cada pergunta dos jornalistas era como um ponto de partida para novas ambições. O presidente dos Estados Unidos desenhava sobre o globo um velho mapa, o da América para os americanos. Nas palavras de Trump, Cuba é uma nação em falência e os Estados Unidos querem ajudar os cubanos. Mas é Donald Trump, sendo Donald Trump, testando os limites permanentemente. Ele joga uma ideia, aí as pessoas acham absurdo, ele repete a ideia, acham menos absurdo, ele repete uma terceira vez, aí já começa a ser encarado com alguma normalidade. Mas Trump não parou por aí. Ao citar o nome de Gustavo Petro, o presidente colombiano, a retórica foi um tom acima. O presidente americano disse, ele tem que se preocupar.
Brian Winter
Ele tem que se preocupar.
Ana Tuzaneri
Questionado sobre uma eventual operação militar também na Colômbia, Trump sorriu. E respondeu. Parece bom.
Brian Winter
E ele.
Ana Tuzaneri
Seguiu. Só no último fim de semana, Trump citou também México e Groenlândia.
Brian Winter
Cada declaração.
Ana Tuzaneri
Parece expandir o raio de ação da Casa Branca. Uma Cuba que não está indo muito bem. Uma Colômbia governada por um encrenqueiro. O México controlado por cartéis de droga. e uma Groenlândia que os Estados Unidos precisam. Provocações do homem que se apresenta não apenas como presidente dos Estados Unidos, mas como o arquiteto de um hemisfério sob sua própria leitura de ordem. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é América, um continente na mira de Trump. Meu convidado é Brian Winter, analista político e editor-chefe da revista America's Quarterly. Terça-feira, 6 de janeiro. Brian, a gente conversa dois dias depois da invasão americana na Venezuela. Eu quero discutir com você o que o fato de sábado nos ajuda a sondar sobre algo semelhante que possa acontecer com outros países, a começar pela Colômbia. Bom, Trump disse que uma ação militar contra o país soa bem, palavras dele e voltou a atacar o Gustavo Petro, ele que é um presidente legitimamente eleito, mas que sofre sanções americanas desde outubro. Explica pra gente qual é o interesse de Trump na Colômbia e o que poderia acontecer por lá na sua avaliação.
Brian Winter
Veja, essa é a decisão mais ousada e mais arriscada que um governo americano tomou em América Latina nos últimos 35 anos. E é verdade, ao longo da região tem muita esperança e tem muito medo também. E um dos governos que está com medo é o governo colombiano. Eu acho que o risco para o Gustavo Petro não é uma operação como a que aconteceu na Venezuela, de tentar extrair ele e levá-lo para enfrentar a justiça nos Estados Unidos. Aliás, não tem um processo contra o Gustavo Petro. Mas o risco é de algum tipo de ataque por parte dos Estados Unidos contra alvos associados com o narcotráfico. Isso pode sim acontecer na Colômbia, pode acontecer no México. O presidente Trump falou várias vezes sobre esses dois países como possíveis alvos, que seria obviamente uma humilhação para o governo Petro, e algo que ele queria evitar.
Gustavo Petro
Gustavo Petro negou as acusações do presidente americano de que estaria envolvido com o narcotráfico e destacou que o governo e as Forças Armadas da Colômbia estão empenhados no combate à fabricação e ao comércio de cocaína. Nas redes sociais, o presidente colombiano afirmou, se capturarem um presidente respeitado e querido por boa parte do povo, vão desencadear a fúria popular. Pela pátria, pegarei em armas novamente. Não sou ilegítimo, nem traficante.
Brian Winter
O problema, e você perguntou pelo foco, a intenção do presidente Trump, O tema comum aqui é a droga, a cocaína, que cresceu três vezes a produção na Colômbia nos últimos dez anos. O governo americano sabe disso, está criando consequências ao longo de toda a América Latina e nos Estados Unidos também. E o presidente Trump, muito animado, quase exaltado pelo sucesso da sua operação militar na Venezuela no sábado, Eu vejo bem possível que ele autorize uma coisa não muito parecida, mas não muito distante, na Colômbia nos próximos meses.
Ana Tuzaneri
Você citou o México quando abordava a situação da Colômbia. Revisitou, inclusive, um ponto que é muito importante. Não há nenhum processo contra o presidente colombiano, assim como não há nenhum processo contra a presidente mexicana, Sheinbaum. O que sustenta o argumento que a gente vê, Kuai, pelo menos parte da imprensa americana, de que o México seria uma fonte de problemas dos Estados Unidos em diversas frentes, tanto na frente da imigração quanto na frente do combate ao tráfico de drogas?
Brian Winter
É um fato que a grande maioria do fentanilo que entra nos Estados Unidos passa pelo México. E é o fentanilo que matou muita gente nos Estados Unidos nos últimos 10 anos. O poder devastador dessa droga nos Estados Unidos. As imagens lembram as cracolândias que se espalharam pelo Brasil. Pessoas vagando sem rumo nas ruas, episódios de overdose nas calçadas.
Gustavo Petro
Atualmente, nos Estados Unidos, o fentanilo é a maior ameaça para nossos filhos, para nossas famílias e para nossas comunidades.
Brian Winter
O fentanil é um opioide, substância usada como anestésico nos hospitais para tirar a dor dos pacientes, mas ele também causa alucinações e afeta o pulmão. Aqui sim é importante destacar que a Venezuela nesse tema não tem muita importância, mas acho que a sua audiência já sabe bem disso. Mas o fentanil, no caso do México, É um fato. Também é verdade que a fronteira entre o México e os Estados Unidos foi, nos últimos anos, a fonte de grande parte da imigração não autorizada que recebemos aqui no país. Então, para muitos no governo Trump, México é o alvo principal. é a preocupação original. Inclusive, houve artigos do jornal Washington Post e outros que disseram, citando fontes, que todo esse plano que acabou na invasão da Venezuela começou com a intenção de atacar território mexicano. de atacar alvos relacionados com os carteiros de drogas no México e que o Trump mudou de opinião só quando houve mais colaboração do governo da Claudia Sheinbaum, que é um governo de esquerda que tem sido crítica dos Estados Unidos, mas que também tem procurado uma boa relação e colaborou já várias vezes com esses dois temas da luta contra o narcotráfico e contra a migração ilegal. Então, eu posso confirmar que tem muita preocupação no governo mexicano, no governo colombiano, também no governo cubano, E o governo da Nicarágua, que é outra ditadura na América Latina associada com esse grupo chavista. As consequências na América Latina estão só começando a repercutir.
Ana Tuzaneri
Eu quero entrar um pouco no aspecto cubano dessa história, mas antes eu queria só esgotar contigo mais um exemplo do foco de Trump em relação ao México. Ele disse recentemente, é preciso fazer algo em relação ao México, e disse inclusive que o México precisava se organizar. O que você enxerga Trump fazendo no México e o que essas falas dele sinalizam?
Brian Winter
Eu acho que o instinto do presidente Trump tem sido atacar alvos associados com os cartéis para tentar diminuir o fluxo de drogas e, bom, isso principalmente. Está claro que outros funcionários do seu governo, o Marco Rubio, o secretário de Estado entre eles, têm desencorajado esse instinto, falando, pelo amor de Deus, Não faça isso porque você vai colocar em perigo a colaboração que temos e que precisamos com o governo mexicano. O governo mexicano até agora fez o suficiente para evitar esse tipo de ação. O problema com o Trump, Natuza, é que a história nunca acaba. Você não chega num porto seguro onde você fala, agora estamos salvos.
Gustavo Petro
O Trump pode.
Brian Winter
Mudar de opinião. Amanhã, e decidir que o governo mexicano não está fazendo o suficiente, ver como deu certo, pelo menos até agora, a sua intervenção na Venezuela, e decidir atacar e mostrar os dentes para os cartéis. É uma preocupação permanente no México, porque eles conhecem o Trump muito bem ao longo desses 10 ou 11 anos.
Ana Tuzaneri
Pois é, eu fico tentando desenhar, tentando fazer imagem do que isso pode significar. Então, declarar guerra aos cartéis se valendo, por exemplo, de uma invasão à soberania, por exemplo, poderia ser bombardear regiões onde os cartéis estão incrustrados, onde eles estão escondidos, certo?
Brian Winter
É isso mesmo. Seria um bombardeio, acho que bem focalizado em um prédio ou em grupos de veículos ou coisas parecidas ao que vimos no Caribe com os barcos ao longo dos últimos meses, mas com a diferença importante essa vez de estar em território mexicano ou talvez colombiano. Ele também tem falado, inclusive nas horas posteriores à invasão da Venezuela, ele falou que o governo mexicano não controla o seu território. E é verdade. Você pode discordar com a solução que o presidente Trump está propondo, mas tem estudos que mostram que até um 10% do território mexicano é controlado pelos cartéis de drogas, por facções criminosas. Então, esse é um ponto onde o presidente Trump pode estar certo no seu diagnóstico, mas talvez não na solução.
Ana Tuzaneri
Brian, eu quero olhar para Cuba mais detidamente. O regime cubano alegou que 32 cidadãos foram mortos, entre os quais militares. A gente sabe da dependência de Cuba em relação ao petróleo venezuelano. O que esse duro golpe no chavismo, o que a queda de Maduro implica para Cuba? Quais são as consequências para o regime cubano?
Brian Winter
Pode levar à queda do governo cubano, sem dúvida. Cuba já está numa situação catastrófica e, veja, estamos acostumados a ouvir ao longo dos anos que a Cuba está em crise, especialmente em crise econômica. Mas o que vem acontecendo nos últimos cinco anos na Cuba é inédito. Um méxodo de talvez um 20% da sua população pelas condições de fome, de falta de oportunidades. É um país que era muito dependente do petróleo venezuelano, uns 50 mil barriles de petróleo por dia, que não é pouca coisa. E isso ajuda a explicar a presença de militares cubanos que participavam na protecção do governo do Nicolás Maduro. É curioso, porque tinha muita gente que rejeitava essa tese, que dizia que a presença de inteligência cubana estava exagerada. Obviamente, não foi o caso. Mas tá claro também que Marco Rubio especialmente tem a Cuba como prioridade. Talvez a peça central. Venezuela já é... não é pouca coisa para o Marco Rubio. Mas todos somos seres humanos, todos temos a nossa história. A história do Marco Rubio é que ele é filho de imigrantes cubanos. Ele vem desse mundo da política do sul da Flórida, onde Cuba é o eixo central e tem todos os exiliados esperando a queda do governo comunista há mais de 60 anos. É um governo resiliente. Aliás, o governo venezuelano também é. E o que você falou, Natuza, sobre que é ainda um governo chavista na Venezuela, é talvez o ponto mais importante para ressaltar nesse caso.
Gustavo Petro
Hoje, a vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodrigues, tomou posse como presidente interina. No discurso, voltou a condenar a agressão militar que chamou de ilegítima dos Estados Unidos. E lamentou o que descreveu como o sequestro de dois heróis, numa referência à captura de Maduro e da esposa. Ontem à noite, ela tinha publicado uma mensagem mais diplomática para o governo americano. Evitou pedir a libertação do ditador, como tinha feito no sábado, e afirmou Mas.
Brian Winter
A situação da Venezuela agora é mais delicada que nunca. E a Cuba já vinha com as suas complicações e os seus problemas. E ao ver um corte no fluxo de petróleo venezuelano para Cuba, talvez não seja nem preciso uma intervenção militar ou uma intervenção de qualquer tipo dos Estados Unidos, talvez seja uma situação que pode mudar da sua própria dinâmica.
Ana Tuzaneri
Agora, eu queria muito falar sobre uma outra região fora da América Latina. Eu queria falar sobre a Groelândia, porque o Trump já havia demonstrado interesse no território logo no começo do segundo mandato dele, ainda no ano passado. No domingo, ele voltou a dizer que os Estados Unidos precisam da ilha e que a pauta da anexação da Groelândia voltou a circular entre aliados dele, ele tem essa obsessão, é curioso porque o Trump é um homem de obsessões, tanto que ele repete ideias fixas o tempo todo, de um jeito ou de outro. A gente está diante de uma retórica de pressão ou de um risco concreto? Porque eu tendo a achar que a gente está diante de um risco concreto, sempre camuflado como retórica de pressão, e de repente uma hora acontece.
Brian Winter
Eu também tenho a mesma percepção, Natuza. O presidente Trump é uma figura que tem as suas obsessões, mas também é uma figura que às vezes menciona ideias e que depois esquece. Veja, por exemplo, o que ele falou sobre a construção de hotéis na Gaza. ou de retomar o canal de Panamá. Duas ideias que criaram muito barulho num certo momento e que depois foram talvez esquecidos ou talvez na cabeça de Trump resolvidos. Especialmente no caso do Panamênio, onde o governo de Raul Molino fez várias coisas para atender os reclamos do presidente Trump. Mas eu tenho a sensação de que há muita preocupação hoje na Dinamarca e em toda a Europa sobre essa ameaça renovada sobre o futuro da Grimlândia, porque todos sentimos a mesma coisa, de que o Trump saiu muito fortalecido e muito encorajado por essa experiência na Venezuela e que ele agora quer mais. Ele sente a possibilidade de tomar mais território.
Mette Frederiksen
A operação na Venezuela também reacendeu temores depois das declarações do presidente americano de que gostaria de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo que faz parte da Dinamarca. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que o povo da Groenlândia já se manifestou contra uma anexação pelos Estados Unidos, mas que é preciso levar Trump a sério. Se os Estados Unidos atacarem um aliado da OTAN, disse ela, acaba tudo, incluindo a OTAN e toda a segurança que tivemos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Brian Winter
E que também ele tem outras regras para o hemisfério ocidental comparado com o resto do mundo. Ele nunca teria feito esse tipo de coisa, esse tipo de operação, sei lá, no Afeganistão, por exemplo. Criaria muitas comparações com as guerras perdidas dos Estados Unidos da primeira parte desse século. Mas ele falou claramente no sábado e em outras declarações que ele vê a América Latina com outros olhos, que são países muito mais próximos, que são parte da nossa vizinhança, nas palavras que ele usou. e que ele quer ver aliados nesses territórios. A questão, basicamente, com a Grinlândia é se ele inclui a Grinlândia no mesmo território, se ele vê Grinlândia como parte da mesma esfera de influência que inclui Venezuela, Panamá, Cuba e o Caribe. Para mim não está claro, mas o risco é real.
Ana Tuzaneri
Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Brian Winter. Eu queria olhar de novo para o Brasil. Como é que você vê o Brasil dentro dessa nova coreografia geopolítica trampista, por assim dizer? Como é que a gente está em relação ao presidente dos Estados Unidos?
Brian Winter
Está claro que o presidente Trump preferiria ver aliados também no governo brasileiro.
Ana Tuzaneri
A ponto de influenciar nas eleições aqui, por exemplo, deste ano?
Brian Winter
Pois é. Ele já tentou isso com as tarifas em julho. Mas toda essa aventura brasileira acabou criando mais problemas para o presidente Trump. Ele se cansou. Cansou de ouvir os reclamos dos seus amigos empresários. viu que os seus esforços não estavam ajudando o seu amigo Jair Bolsonaro, todo o contrário, acabaram ajudando pelo menos no curto prazo o presidente Lula, então aí ele mudou, essa história é bem conhecida. Mas também é verdade que no último ano o presidente Trump conseguiu ajudar o seu amigo Javier Millet na Argentina, dando um pacote de 20 bilhões de dólares que aparentemente ajudaram o Millet a evitar uma derrota eleitoral.
Gustavo Petro
O Banco Central da Argentina oficializou uma linha de financiamento de 20 bilhões de dólares com os Estados Unidos.
Brian Winter
Trump ainda ameaçou, se Millet perder, ele vai cortar, ele, Trump, vai cortar a ajuda à Argentina. Uma intervenção direta na eleição de outro país. E ele também acabou escolhendo o candidato certo no Honduras. E o candidato conservador apoiado por Donald Trump venceu a eleição presidencial em Honduras. Nazri Asfura foi declarado vencedor mais de três semanas depois da votação.
Ana Tuzaneri
O presidente americano ameaçou consequências terríveis e ameaçou retirar o apoio financeiro dos Estados Unidos a Honduras se Asfura não vencesse.
Brian Winter
Então, novamente, ele está se sentindo empoderado, que pode impor a sua vontade e que a América Latina é um território fértil para fazer esse tipo de coisa. Eu particularmente duvido que ele tente de novo no Brasil, mas posso estar errado e eu acho que ele vai tentar, sem dúvida, em outros países da região, especialmente na Colômbia, que também tem eleições esse ano. e vai ter um candidato forte da esquerda que está associado com o presidente atual, Gustavo Petro. Eu não tenho a menor dúvida que o presidente Trump vai tentar intervir nessa eleição.
Ana Tuzaneri
Bom, nesse caso, de você estar certo, de ter mais chance de Trump olhar para a eleição na Colômbia do que para a eleição brasileira. Como é que você avalia que tem que ser a conduta do governo brasileiro diante deste personagem tão instável que ora tem obsessão com uma coisa, ora esquece, ora tem obsessão com outra e vai até as últimas consequências? como lidar, como o Brasil deve lidar com Donald Trump?
Brian Winter
Eu não quero dar recados para o governo brasileiro porque o governo que melhor lidou com o Donald Trump nesse ano que ele está de volta na Casa Branca é o governo brasileiro, que procurou uma postura firme, que manteve a compostura, a independência e acabou tendo um resultado favorável. Você me conhece há muitos anos na Tusa, eu tenho uma imagem um pouco associada com o Brasil, para mim é um orgulho. E eu tenho contatos e amigos na Europa, por exemplo, e em outros países da América Latina que me chamaram ao longo dos últimos meses para perguntar como é que o Brasil fez para suportar essa pressão que o presidente Trump estava colocando em cima. Novamente, a história nunca termina, nunca acaba com o presidente Trump. O Brasil pode se tornar um alvo amanhã e também é verdade que ao longo desse ano é provável que o presidente Trump expresse uma preferência clara pelo candidato bolsonarista, seja quem seja. Posso estar errado, mas eu duvido que tenha essa dimensão e esse risco que foram as tarifas que foram originalmente anunciadas em julho e que depois foram retiradas.
Ana Tuzaneri
Brian Winter, meu amigo de longuíssima data, para quem não sabe, Brian morou no Brasil, tem filhos brasileiros, esposa brasileira, é um brasilianista, um querido brasilianista. Muito obrigada por topar conversar com a gente aqui no assunto para tentar clarear o que ainda está muito obscuro diante dos nossos olhos. Um grande abraço para você e bom trabalho, Brian.
Brian Winter
Abraço para você também, Nathilza. Obrigado pelo convite.
Ana Tuzaneri
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kaczorowski e Carlos Catelano. Neste episódio, colaborou também Paula Paiva Paulo. Eu sou Ana Tuzaneri, fico por aqui, até o próximo assunto.
Data: 6 de janeiro de 2026
Host: Ana Tuzaneri
Convidado: Brian Winter (analista político, editor-chefe da revista Americas Quarterly)
Neste episódio, Ana Tuzaneri conversa com o analista Brian Winter para analisar a ousada e polarizante política de Donald Trump para o continente americano após uma série de movimentos provocativos, incluindo a recente invasão militar à Venezuela. A discussão examina os riscos e consequências para Colômbia, México, Cuba, Groenlândia e Brasil, traçando o novo contorno das relações hemisféricas sob a ótica da Casa Branca de Trump. O episódio explora tanto o impacto imediato dessas ações quanto seus desdobramentos potenciais sobre diplomacia, eleições e segurança regional.
Quote:
"Ele joga uma ideia, aí as pessoas acham absurdo, ele repete... começa a ser encarado com alguma normalidade."
— Ana Tuzaneri [00:40]
Quote:
"Pela pátria, pegarei em armas novamente. Não sou ilegítimo, nem traficante."
— Gustavo Petro [05:01]
Quote:
"O problema com o Trump é que a história nunca acaba. Você não chega num porto seguro..."
— Brian Winter [11:04]
Quote:
"Você pode discordar da solução, mas há estudos que mostram que até 10% do território mexicano é controlado pelos cartéis de drogas."
— Brian Winter [13:02]
Quote:
"Cuba já está numa situação catastrófica... O que vem acontecendo nos últimos cinco anos é inédito."
— Brian Winter [14:12]
Quote:
"Há muita preocupação hoje na Dinamarca e em toda a Europa sobre essa ameaça renovada sobre o futuro da Groenlândia..."
— Brian Winter [19:32]
Quote:
"Se os Estados Unidos atacarem um aliado da OTAN... acaba tudo, incluindo a OTAN."
— Mette Frederiksen [20:29]
Quote:
"Ele está se sentindo empoderado, que pode impor a sua vontade e que a América Latina é um território fértil para fazer esse tipo de coisa."
— Brian Winter [24:35]
O episódio é marcado por uma análise sóbria, crítica e minuciosa dos impactos da política externa trumpista para a América Latina. O tom de Ana Tuzaneri é inquisitivo e didático, buscando explicações detalhadas sobre implicações e riscos. Brian Winter apresenta avaliações realistas, conjugando fatos, bastidores diplomáticos e cenários prospectivos, mas sem alarmismo gratuito.
O episódio mostra como Trump recoloca a América Latina no centro das ambições estratégicas americanas, ora pela força militar, ora por ingerências políticas, marcando um retorno a uma doutrina de domínio hemisférico em múltiplas frentes. Especialistas estimam consequências imprevisíveis, riscos para as democracias da região e o acirramento do debate internacional sobre soberania e influência dos EUA. A posição do Brasil é vista como de resiliência, mas o cenário permanece volátil.