Transcript
Arthur Dapieve (0:00)
Nunca ouvi falar dele.
Natuza Nery (0:04)
Não sei quem ele é." Foi assim que Donald Trump reagiu, em outubro passado, à escalação do porto-riquenho Bad Bunny para o show de intervalo do Super Bowl. Trump ainda disse que era ridículo escolher um artista que canta em espanhol para o jogo final da Liga de Futebol Americano, justamente o esporte que melhor simboliza a identidade dos Estados Unidos. E justamente no dia em que o país para. É o maior evento esportivo do ano, capaz de deixar mais de 130 milhões de pessoas, só nos Estados Unidos, grudadas na frente da TV. E que movimenta bilhões de dólares. É tão importante que parece um dia de final de Copa do Mundo aqui no Brasil. Esse nome que Trump disse não conhecer é, na verdade, um dos músicos mais ouvidos do planeta. Benito Antonio Martinez Ocasio, Bad Bunny, liderou rankings no Spotify em 2020, 2021, 2022 e 2025, superando estrelas como Taylor Swift. Suas músicas já foram reproduzidas mais de 20 bilhões de vezes. Neste ano, Bad Bunny fez história ao ser o primeiro a ganhar o Grammy de Melhor Álbum com um disco totalmente em espanhol.
Narrator/Reporter (1:21)
Os números dele demonstram que o mercado norte-americano, que os americanos celebram o trap latino que ele canta, o reggaeton que ele canta, a mistura que ele faz com uma série de outros ritmos mais tradicionais, especialmente da América Central, da América Hispânica.
Natuza Nery (1:38)
Foi exatamente essa mistura de ritmos que Bad Bunny levou ao show do Super Bowl no último domingo, na cidade de Santa Clara, na Califórnia. Uma apresentação única, já que o astro tem evitado fazer shows nos Estados Unidos, com medo de que seu público seja alvo dos agentes do Ice. Cheia de símbolos e mensagens exaltando a América Latina, a apresentação levou Porto Rico para dentro dos Estados Unidos. A cada caminhada de Bad Bunny, novos elementos apareciam. Trabalhadores do campo, vendedores de ouro, manicures. Num cenário de cacita, construção tradicional porto-riquenha, ele recebeu artistas convidados com ascendência latina, como Cardi B, Jéssica Alba e Pedro Pascal. Ao lado de Lady Gaga, exibiu uma cerimônia de casamento com baile ao ritmo de salsa, com direito a mesinhas, bolo e até criança dormindo nas cadeiras. Uma cena que ressoa na memória de todo latino. Uma das músicas mais políticas de Bad Bunny foi cantada por Rick Martin, sentado numa cadeira de plástico dessas que a gente está acostumado a ver nos fins de semana. A faixa Lo Que Passou a Hawaii fala sobre o impacto do imperialismo americano na cultura do Havaí. Ao final, uma única frase em inglês, no meio de um desfile de bandeiras. Ao fundo, um telão exibia a frase, a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Logo depois do show, a reação. Donald Trump foi à rede social e disse... E voltou a afirmar que ninguém entende uma palavra do que o cantor diz e que as danças são repugnantes.
