O Assunto — "Bad Bunny X Trump: a força latina nos EUA"
Podcast: O Assunto (G1)
Data: 10 de fevereiro de 2026
Host: Natuza Nery
Convidado principal: Arthur Dapieve, comentarista da GloboNews e professor de jornalismo cultural na PUC-Rio.
Visão Geral do Episódio
Neste episódio, Natuza Nery e Arthur Dapieve exploram o impacto cultural, político e social da apresentação histórica de Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl e o embate que se formou entre o astro porto-riquenho e o ex-presidente americano Donald Trump. A conversa aborda a força crescente da influência latina nos Estados Unidos, a relevância de Bad Bunny como símbolo de resistência, a reação controversa de Trump, o contexto da imigração e as tensões culturais em um momento crucial da política americana.
Pontos Principais e Discussões
1. O Fenômeno Bad Bunny
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Superação e Protagonismo Global
- Bad Bunny nasceu em Porto Rico, filho de caminhoneiro e professora aposentada, lutou muito até conquistar o estrelato internacional (05:09).
- Iniciou a carreira no SoundCloud e foi ganhando projeção junto à comunidade porto-riquenha nos EUA antes de explodir mundialmente.
- "Ele suou a camisa para chegar onde ele está." — Arthur Dapieve (05:54).
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Conquistas Recentes e Recordes
- Maior artista no Spotify em vários anos (2020, 2021, 2022 e 2025) e vencedor do Grammy de Álbum do Ano com disco todo em espanhol, algo inédito (00:30).
2. Super Bowl: Espetáculo, Identidade e Resistência
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Show de Intervalo com Sinalizações Políticas
- Apresentação cheia de símbolos latinos e mensageira de orgulho hispano-americano (01:38).
- Bad Bunny levou ao palco trabalhadores do campo, comerciantes e artistas latinos como Cardi B, Jéssica Alba e Pedro Pascal (01:52).
- Com Lady Gaga, encenou casamento ao ritmo de salsa, remetendo à memória afetiva latina.
- “A cada caminhada de Bad Bunny, novos elementos apareciam. [...] Uma cena que ressoa na memória de todo latino.” — Natuza Nery (01:52).
- Desfile de bandeiras com “Juntos somos a América” e uso do azul claro da bandeira porto-riquenha, associada à independência (14:37).
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Aspecto Político e Cultural
- Bad Bunny evitava shows nos EUA por receio da perseguição de imigrantes pelo ICE.
- Sua apresentação foi vista como afirmação de presença e orgulho latino diante da hostilidade política crescente.
- O único trecho em inglês do show: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor.” (02:20).
- Final apoteótico subverte o clássico "God Bless America" ao lembrar que América é todo o continente, não apenas os EUA (15:35).
3. Reação de Donald Trump e Política Anti-Latina
- Trump ridicularizou a escolha de um artista que canta em espanhol no maior evento esportivo americano e afirmou que ninguém entendia o que Bad Bunny dizia, além de classificar as danças como “repugnantes” (02:34, 22:20).
- Ao criticar publicamente o show, reforçou a tensão cultural e o distanciamento da comunidade latina.
- “Ninguém entende uma palavra do que o astro fala.” — Donald Trump (22:20).
4. Bad Bunny como Símbolo de Resistência e Universalidade
- Tornou-se porta-voz do sentimento de indignação latino diante da exclusão e discriminação (08:23, 12:01).
- Seu alcance extrapola a barreira da linguagem; é ouvido em Gaza, China, e outros lugares onde o espanhol não é predominante.
- “Ele canta o mundo, daí a possibilidade de ser cultuado por chineses, palestinos, moradores de Gaza…” — Arthur Dapieve (11:02).
- Urgência da representatividade na cultura pop em um tempo de recrudescimento de políticas anti-imigrantes e desumanização de latinos pelo ICE e governo americano.
5. Porto Rico: Política e Identidade
- Porto Rico é território americano, mas seus habitantes têm cidadania limitada — não podem votar para presidente e dependem das decisões do Congresso dos EUA (10:21).
- Trump foi criticado por tratar Porto Rico como “ilha de lixo do Caribe”, especialmente após furacões e crises políticas (13:13).
6. Impacto Político e Guerra Cultural
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Audiência do Super Bowl e Potencial de Mobilização
- 135 milhões de espectadores nos EUA, mais de 1 bilhão pelo mundo (14:37, 19:59).
- O show simbolizou resistência e orgulho: “Nós somos latinos e temos que nos orgulhar de sermos latinos.” — Natuza Nery (18:11).
- O evento ocorre enquanto Trump perde popularidade entre latinos: apoio caiu de 49% para 38% em 12 meses (18:11, 28:16).
- “A guerra cultural acabou. Bad Bunny ganhou.” — New York Times, citado por Natuza Nery (22:43).
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Desgaste Político para Trump
- Dapieve aponta que as políticas e o discurso agressivo de Trump tendem a afastar parte da comunidade latina dos republicanos, impulsionando figuras de resistência como Bad Bunny.
- “Desconsiderando 20% da população americana que entende, sim, o que o Bad Bunny está cantando.” — Arthur Dapieve (19:59).
7. Imigração, Economia e Xenofobia
- Imigrantes Contribuem para a Economia
- Estudo do Cato Institute mostra que imigrantes geraram superávit fiscal de US$ 14,5 trilhões entre 1994-2023 (26:12).
- “É xenofobia, racismo, mas não tem nenhuma base pragmática.” — Arthur Dapieve (26:12).
- Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, defende imigração como necessidade econômica e questão moral (27:20).
- Dapieve reforça que a visão “monolítica” dos latinos é incorreta; a comunidade é heterogênea e as reações à política variam amplamente (28:50).
Timestamps de Segmentos-Chave
- 01:52 Bad Bunny e a simbologia no show do Super Bowl
- 05:09 Ascensão e trajetória de Bad Bunny
- 07:05 Bad Bunny versus Trump — choque de visões sobre a América
- 12:01 Elemento político da música de Bad Bunny
- 13:13 Relação de Porto Rico com os EUA e o impacto da gestão Trump
- 14:37 Repercussão e recorde de audiência do Super Bowl
- 18:11 Processo de desumanização de latinos e impacto político do show
- 19:59 Efeito do espetáculo sobre a base de apoio de Trump
- 26:12 Dados econômicos desmentindo discurso anti-imigração
- 28:50 Heterogeneidade da comunidade latina
Citações Notáveis
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Arthur Dapieve (05:54):
“Ele suou a camisa para chegar onde ele está.”
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Natuza Nery (01:52):
“A cada caminhada de Bad Bunny, novos elementos apareciam [...]. Uma cena que ressoa na memória de todo latino.”
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Arthur Dapieve (11:02):
“Ele canta o mundo, daí a possibilidade de ser atendido, cultuado, admirado por chineses, palestinos, moradores de Gaza…”
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Donald Trump (22:20):
“Ninguém entende uma palavra do que o astro fala.”
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Arthur Dapieve (26:12):
“É xenofobia, racismo, mas não tem nenhuma base pragmática.”
Memorable Moments
- Bad Bunny entrega o Grammy ao seu “eu criança” no show, ressignificando tanto sua trajetória quanto a luta dos latinos imigrantes (19:59).
- O colorido, a cenografia, o uso das bandeiras e referências culturais do Super Bowl foram chamados “o espetáculo mais bem pensado” na história do evento (15:35).
Conclusão
O episódio retrata, de modo aprofundado e acessível, como música, identidade e política se cruzam hoje nos EUA — mostrando Bad Bunny como exemplo maior dessa força e Donald Trump como símbolo do rechaço, do xenofobismo e da rejeição à diversidade. A discussão incluiu nuances sobre cultura, economia e política de imigração, ressaltando a importância das culturas latinas no cenário americano e global.
