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Marco Antônio Martins
Itaú Empresas, conte com o banco especialista para te apoiar em todos os momentos do seu negócio.
Natuza Nery
Esta é uma história que se repete ao longo dos anos e atravessa diferentes esferas do poder. A começar por aqueles que ocupam o mais alto cargo do governo do Rio de Janeiro, o Palácio da Guanabara. Desde a redemocratização, em 1985, o Rio teve 11 governadores. Nos últimos dez anos, cinco deles foram presos.
Mônica Mariotti
A gente teve a prisão de Moreira Franco, em março de 2019. A Rosinha Matheus, que foi governadora entre 2003 e 2006, também acabou sendo presa em novembro de 2017. Antônio Garotinho, marido dela, também, em outras ocasiões. Sérgio Cabral, cumprindo ali condenações que já somam praticamente 200 anos. E aí o vice dele, o Pezão, que acabou sendo preso também.
Natuza Nery
Para além desses, outros dois governadores recentes tiveram seus nomes ligados a escândalos. O Wilson Witzel, que foi afastado do cargo por suspeita de irregularidades e desvios na área da saúde. Ele sofreu impeachment em abril de 2021 e passou o cargo a seu vice, Cláudio Castro. Castro foi reeleito em 2022, mas acabou sendo indiciado por corrupção e peculato A suspeitas são da época em que ele era vereador e também vice de Wilson Witzel Mas a história não se restringe apenas a governador, não Já atingiu também outras das mais importantes autoridades do Estado Alcançou, por exemplo, o Legislativo Eu quero.
Mônica Mariotti
Chamar a atenção para a operação Furna da Onça, a decisão sobre o futuro.
Marco Antônio Martins
Dos deputados estaduais que foram presos no Rio de Janeiro.
Natuza Nery
A maioria decidiu, portanto, em manter a.
Mônica Mariotti
Prisão preventiva dos acusados, dos deputados que.
Natuza Nery
São acusados de envolvimento nesse esquema de.
Mônica Mariotti
Propina na LERG, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Natuza Nery
E chegou também à Prefeitura da capital.
Marco Antônio Martins
A três dias do Natal, a oito, nove dias de encerrar o mandato, foi preso agora de manhã numa investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, o prefeito Marcelo Crivella, aqui no apartamento onde ele mora.
Natuza Nery
E até mesmo a órgãos que deveriam fiscalizar, como aqueles que fazem o controle de gastos do governo.
Amanda Polato
Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado levavam dinheiro para fazer vista grossa aos desvios do governo. O ex-presidente do TCE, Jonas Lopes, que virou delator, foi condenado. A delação dele levou cinco conselheiros do Tribunal de Contas para prisão.
Natuza Nery
Casos recorrentes unidos por uma palavra, corrupção. Entretanto, no caso mais recente, algo novo surgiu. A suspeita de envolvimento de políticos e autoridades do Estado com facções criminosas. Em setembro, o deputado Tiego Raimundo do Santo Silva, conhecido como TH Joias, foi preso.
Sara Rezende
Ele foi denunciado pelo Ministério Público por trabalhar para o Comando Vermelho e uma facção rival, o Terceiro Comando Puro. De acordo com a investigação, o parlamentar se dividia entre as sessões na Assembleia Legislativa e a compra e venda de armas e drogas para as quadrilhas. Ainda segundo os investigadores, o deputado ganhava dinheiro contrabandeando equipamentos usados por bandidos para derrubar drones em operações policiais.
Natuza Nery
A prisão de TH Joias acabou se ligando à outra, que ocorreu no início de dezembro.
Mônica Mariotti
A Polícia Federal prendeu o presidente da Assembleia Legislativa do Rio. Rodrigo Bacelar é suspeito de vazar informações sigilosas da polícia para ajudar um aliado, o ex-deputado estadual TH Joias. Na decisão, o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, afirmou que há infiltração profunda do crime organizado no poder público do Rio.
Amanda Polato
E que existe um verdadeiro estado paralelo, capitaneado pelos capos da política, que nos bastidores vazam informações que inviabilizam o sucesso de operações contra facções criminosas.
Natuza Nery
E se conectou também a mais uma prisão. Esta ocorrida nesta terça-feira.
Luiz Felipe Silva
De acordo com a Polícia Federal, o desembargador Macário Ramos Judici Neto avisou Rodrigo Bacelar durante um encontro em um restaurante sobre o mandado de prisão que ele expediu contra TH Joias. Ainda segundo a Polícia Federal, nessa ocasião, Rodrigo Bacelar ligou para o então deputado TH Joias para avisá-lo da operação. A defesa informou que vai apresentar os devidos esclarecimentos nos autos e pedir a imediata soltura do desembargador preso.
Natuza Nery
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é o caso TH Joias e o elo entre política e justiça no Rio de Janeiro. Minha conversa é com Marco Antônio Martins, repórter do G1 Rio. Quarta-feira, 17 de dezembro. Marco Antônio, quero começar te perguntando sobre a peça-chave nessa história, o TH Joias, ex-deputado estadual. Relembra pra gente quem é ele e por que ele foi preso no começo de setembro?
Marco Antônio Martins
O ex-deputado TH Joias começou a carreira política influenciado pelo Marcos Falcon, policial, ex-presidente da Portela. O Falcon foi buscar, viu no TH uma liderança política ali na região de Madureira, na zona norte do Rio. Por quê? O TH era um cara, morador do Morro do Fubá, um Urivis que assumiu o negócio do pai e aí começou a produzir joias para jogadores de futebol, tipo o Neymar, o Adriano Imperador, para a cantora Ludmilla, e aí ficou popular. E o Falcon viu no TH um potencial político para a região. O Falcon foi assassinado em 2016, num crime que teve até grande repercussão na época. E o TH seguiu a carreira política, se filiou ao MDB, conseguiu na primeira eleição dele, em 2022, 15 mil votos. Isso ficou como deputado suplente e chegou a lerje Após a morte do Tony de Paula Pai, o Rafael Pisciani, que seria o indicado a seguir, preferiu aceitar um cargo no governo do Castro, e o TH chega à Assembleia.
Amanda Polato
O ex-deputado, que também é dono de uma joalheria e fazia joias para artistas e jogadores de futebol, é acusado de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas para a facção criminosa Comando Vermelho. TH foi expulso do MDB logo depois da prisão.
Marco Antônio Martins
Na verdade, Natuza, a PF chega no TH Joias, a gente tem que dar um passo atrás. para lembrar uma operação de 2024, operação da Covo, que é feita pela PF da Bahia. Nessa operação, que trata sobre o tráfico de armas para facções criminosas do Rio de Janeiro, surge um personagem ali entre os fornecedores de armas, índio. Era a única identificação que a PF tinha. Era esse apelido, índio. Isso chamou atenção, é feita a operação, mas não se chega a se identificar quem é esse índio. A investigação é passada para o Rio e a PF do Rio começa a se apurar e se chega ao nome do Gabriel Dias Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, que tinha uma certa representatividade na Baixada Fluminense, e aí esse Índio do Lixão, amigo do TH Joias. E aí é que a PF consegue chegar ao TH Joias e descobrir que tanto o Índio como o TH Joias tinham ligação com o Comando Vermelho, o Terceiro Comando. Eles conseguiam uma coisa pouco usual, que era ter ligação com todas as facções criminosas. Na rua, as facções criminosas brigam por território, são responsáveis por grande parte da violência hoje no Rio de Janeiro, mas no submundo, nos negócios, TH e Índio forneciam drones, forneciam armas para essas diferentes.
Natuza Nery
Facções Bom, as investigações mais recentes mostraram que o TH Joias recebeu ajuda antes da prisão O que a gente sabe agora sobre o fatídico 2 de setembro, que foi o dia anterior à prisão do ex-deputado?
Marco Antônio Martins
No dia 2 de setembro, véspera da prisão do TH Joias, houve um encontro entre o Rodrigo Bacelar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e o desembargador Emacário Júdice, que toca a investigação.
Tiago Kazurowski
A Thalia tem uma funcionária, onde você estava? Oi, Rodrigo Bacelar? E ele fala, tô no jantar com o desembargador, o que houve? Então ele confirma aqui no dia 2, véspera da operação. Dá pra ver a hora aqui, Flávio?
Amanda Polato
22H04.
Tiago Kazurowski
22H04, portanto há um jantar entre o desembargador numa churrascaria com o Rodrigo Bacelar. É muita, essa churrascaria é uma das maiores churrascarias, fica ali em Botafogo. No Aterro. No Aterro, ali é público, gente. É público ali. Vamos passar mais, vamos ver agora as... Aqui ó, agora é... Estou no jantar com o desembargador, véspera da operação, numa churrascaria mais movimentada, uma das mais movimentadas do Rio de Janeiro. Identificou-se ainda que no dia 3, data da deflagração da operação policial, Rui Carvalho...
Carlos Catellan
3 de setembro, né?
Tiago Kazurowski
O Rui de Carvalho é o chefe de gabinete. Ele mandou uma chamada de voz para o Rodrigo Bacelar e o Rodrigo Bacelar não atendeu, depois encaminhou uma mensagem de voz. A lei dos investigados terem conversado ao longo do dia 3, indicando alinhamento na organização de tarefas e deslocamentos sem mencionar expressamente operação.
Carlos Catellan
Nesse sentido, a PF destacou o que levanta suspeitas de que o Rui possa ter sido informado sobre os fatos ainda na madrugada, possivelmente durante um encontro físico com o Bacelar e considerando o fato de não estarem no mesmo local após o amanhecer.
Tiago Kazurowski
Pois é. Mas esse aqui já é o dia da operação. Já é o dia da operação.
Carlos Catellan
Dia 3 de setembro, essa que você citou.
Marco Antônio Martins
Para se chegar a esse encontro, essa reunião, foi preciso, a gente tem que voltar na operação em 3 de setembro. Quando a PF chega, 6 horas da manhã, na casa do TH Joias, encontra a casa vazia, sem o TH e sem vários pertences do então deputado. E aí, em uma conversa com vizinhos, se descobre que no dia 2 de setembro, naquele momento em que Bacelar e o desembargador estavam reunidos no restaurante, o TH realizava uma mudança rápido da residência.
Amanda Polato
Esse vídeo é considerado pela Polícia Federal a principal prova contra o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacelar, do União Brasil. Na véspera da operação para prender o então deputado estadual, TH Joias, um caminhão baú deixa a casa do parlamentar carregado.
Marco Antônio Martins
Ô, presidente, não tem como levar não, irmão.
Amanda Polato
TH Joias envia este outro vídeo a Rodrigo Bacelar, falando sobre várias peças de picanha que ele tinha em casa. De acordo com as investigações, as imagens comprovam que TH Joias soube que seria alvo da PF e tirou de casa tudo o que poderia ser comprometedor. E que quem vazou a informação sigilosa foi o próprio presidente da Alerje. T.H. Joias saiu de casa na noite anterior à operação. Os agentes encontraram o imóvel todo revirado. T.H. foi preso em outro endereço.
Marco Antônio Martins
Os policiais começam a investigação e descobrem que naquele momento em que eles estavam procurando o TH dentro da residência dele, ele já estava em outro local, mas com acesso a câmeras internas da casa. O TH faz uma chamada de vídeo com o Bacelar, seis e pouco da manhã, e comenta com ele, olha só quem está na minha casa, policiais federais. E mostra a imagem da câmera interna da casa dele para o Bacelar. Isso também deixa claro a obstrução, porque nesse momento o Bacelar sabe que o TH está sendo procurado pela Polícia Federal e não comunica a ninguém. Não comunica o Procurador-Geral de Justiça, não comunica a Polícia Civil, o que deixa claro para os investigadores uma postura de obstrução da investigação. E esse se torna um outro elemento de prova para os investigadores nesse caso de movimento entre Bacelar e o então deputado TH Joias.
Natuza Nery
Bom, aí vem a prisão do Bacelar, a apreensão do celular do Bacelar, que acabou dando, jogando evidência para um outro personagem que você já citou em uma das suas respostas, que é o tal desembargador que foi jantar com o Bacelar na véspera da prisão do TH Joias, que é o desembargador Macário Ramos Júdice Neto. Esse desembargador foi preso na terça-feira, que é o dia em que a gente conversa. Quem é esse desembargador, para além de ser o responsável pelo caso do TH Joias, e quais são as suspeitas contra Macário Ramos Judici Neto?
Marco Antônio Martins
Bem, o desembargador Macário tem uma coisa curiosa, ele ficou quase 18 anos afastado da magistratura. Em 2005, surgiram contra ele suspeitas de envolvimento com jogo do bicho e com venda de sentenças lá no Espírito Santo. Ele é afastado da Justiça Federal e começa a responder processo.
Natuza Nery
Dez anos depois, em 2015, ele teve.
Mônica Mariotti
Aposentadoria compulsória, ou seja, 2005 afastado, 2015.
Natuza Nery
Aposentado compulsoriamente, e aí em 2023 ele volta. A justiça o colocou de volta depois de quase 18 anos afastado do judiciário.
Marco Antônio Martins
Em 2023, como ele já era voltando para a magistratura, como ele já era antigo no tribunal, ele é promovido a desembargador. e assume um cargo como desembargador do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, que cuida do Rio e do Espírito Santo. Logo que ele assume, dois meses depois dele assumir, ele dá uma decisão que chamou a atenção. Ele vota pelo trancamento da investigação contra a máfia do cigarro. Até então, era a maior investigação sobre a máfia do cigarro do Rio e sobre o Adilson Coutinho Filho, que é apontado como bicheiro e um dos maiores contraventores hoje da nova cúpula do bicho no Estado. Agora, em setembro, o desembargador caiu no sorteio para assumir o caso de investigação contra o TH Joias. e das prisões pedidas pela Polícia Federal. Ele não foi contra nenhum pedido da PF. Só que começa a chamar a atenção de todos, dos investigadores, a PF prende o... no início de setembro e no final do mês, quase 30 dias depois, dia 29 de setembro, a PF entrega o relatório final do caso, indiciando o TH e os integrantes da quadrilha. Dias depois, o MPF apresenta a denúncia e há dois meses o desembargador não oferece, não informa, não toma nenhuma decisão sobre os pedidos apresentados.
Natuza Nery
Ele não se movimentou, ele não deu nenhuma decisão, nenhum despacho, nada? Ele ficou parado?
Marco Antônio Martins
Ficou parado. Dois meses sem o processo andar e todo mundo tendo estranheza, porque assim, o TH foi indiciado, o TH foi denunciado por corrupção, por lavagem de dinheiro e por tráfico de drogas. O indiciamento foi corroborado pelo MPF, e não houve nenhuma decisão do desembargador.
Natuza Nery
Deixa eu ver se eu entendi. O TH Joias, na véspera de ser preso, conversa com o Rodrigo Bacelar, a Polícia Federal pega esse diálogo e, em razão disso, pede a prisão, prende Rodrigo Bacelar. O celular de Bacelar é apreendido nessa ocasião e, no celular dele, Havia conversas muito suspeitas de Bacelar com o desembargador, é isso?
Marco Antônio Martins
É isso. A PF apreende três celulares do Rodrigo Bacelar e aí nas quebras dos celulares descobre que é uma ligação íntima de grande amizade entre Bacelar e o desembargador Macario.
Natuza Nery
Ou seja, o desembargador Macário pode ter sido a fonte da informação de que TH Joia seria preso, que foi fornecida, teria sido fornecida pelo Bacelar ao ex-deputado estadual.
Marco Antônio Martins
Sim, essa é a grande suspeita. Os advogados do desembargador falam que eles são amigos e que eles só trocam informações e conversas sobre futebol. Não é isso que aparece na investigação da PF, na representação da PF e na decisão do ministro Alexandre de Moraes. Você vê ali declarações que mostram como eles são intrinsecamente ligados.
Tiago Kazurowski
Aqui tem algumas, olha como é que...
Carlos Catellan
Te amo pra ele?
Tiago Kazurowski
Pro Rodrigo Bacelar, te amo. Aí o Rodrigo Bacelar aumenta o coração. Deus te abençoe, irmão, sou seu fã. E o Macario diz bom dia, recíproco, aguardo sua agenda. Ele diz recíproco. Aí diz o desembargador para Rodrigo Bacelar, quero lhe desejar muitas bênçãos nos exames que fará hoje. Ao que o desembargador diz, bom dia, irmão. O GOV me ligou, falamos hoje. Então, o GOV, no meu entender, quem é GOV? O governo não liga, o governador. O governador me ligou hoje, falamos hoje. E o Bacelar diz, você é irmão devida. Não se desgaste por nada, porque o melhor não temos, irmão, que é amizade para a vida e reciprocidade. Ou seja, a Polícia Federal vai mostrando aí uma relação entre um relator de um processo de investigação na Lerje e o chefe dessa Lerje.
Amanda Polato
No pedido de prisão, Moraes diz que os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, que Rodrigo da Silva Bacelar estaria atuando ativamente pela obstrução das investigações envolvendo o facção criminosa, inclusive com influência no poder executivo estadual. Moraes afirma ainda haver fortes indícios de que o presidente da Allergy participa de uma organização criminosa com profunda infiltração no poder público fluminense.
Natuza Nery
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Marco Antônio. Eu vi ao longo do dia referências a diálogos super esquisitos. Uma sobre eu vou beber o sangue dele. O que tinha nesse diálogo? Era de quem com quem e sobre quem?
Marco Antônio Martins
Era do desembargador Macario com o Rodrigo Bacelar. Você imaginar que o representante do Poder Legislativo do Rio de Janeiro, o Bacelar, ele tem conhecimento de que de que um deputado ia ser preso e ele não comentar, não acionar a justiça, não informar que aquele deputado está foragido e acontece essa conversa entre o Bacelar e o TH durante a busca da PF, É assim, para os investigadores está clara a obstrução à justiça, entendeu?
Tiago Kazurowski
Estão todos ali fechados. O desembargador Macario, a mulher dele era lotada na ALERJ, na diretoria-geral. A diretoria-geral que é um cargo importante, ligado tradicionalmente, historicamente, ao presidente da ALERJ. Então, você também tem no gabinete do Macario pessoas que já trabalharam no governo do Estado.
Carlos Catellan
Então, o que você está dizendo é que está tudo dominado. O judiciário, a polícia, aqui né, nesse caso. Ele tem uma perna, uma mão totalmente amiga no judiciário, mais do que amiga, que é o desembargador. Tem, eu tô falando do TH Joias, né? O presidente da ALERJ, à época, o Rodrigo Bacelar, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio. E você tem um deputado estadual que seria ligado ao crime organizado. Ao Comando Vermelho.
Marco Antônio Martins
Muita coincidência para os investigadores que, na véspera da prisão, eles tenham saído para jantar, tanto o Bacelar e o desembargador Macario, ao mesmo tempo que o TH Joias estivesse fugindo de casa.
Natuza Nery
Além da suspeita de que o desembargador teria vazado a informação sobre a prisão para o Bacelar, há alguma outra hipótese dos investigadores que vale a pena contar aqui para quem nos acompanha?
Marco Antônio Martins
A PF foi a quatro endereços do desembargador. Aliás, perdão, vamos consertar. Foram quatro endereços do Bacelar e três e três do desembargador Macario. Dos quatro endereços do Rodrigo Bacelar, chamou a atenção um apartamento na Avenida Atlântica, de frente para o mar, em que quando os policiais chegaram no apartamento e abriram o apartamento, eles descobriram que as portas internas eram blindadas. Portas blindadas, uma grande adega, Quem é esse deputado que, em 2018, quando ele se candidatou pela primeira vez, ele era um advogado de campos que seguia a carreira do pai e declarava um patrimônio de R$ 85 mil? Em 2022, o deputado Bacelar apresentou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 793 mil. Então, assim, uma elevação patrimonial de mais de 80 vezes. E começa a ganhar estatura na Assembleia a partir do momento que ele é escolhido pelo então presidente André Siciliano. para cuidar, relatar o impeachment do governador Wilson Witzel. Nessa relatoria, ele ganha um status na Assembleia e depois ele também relata o caso dos então deputados estaduais Paulo Mello e Albertace, que também foram presos. Então, o Rodrigo Bacelar começa a criar uma estatura que, com o impeachment do Witzel, ele é levado a secretário de governo do Cláudio Castro. E aí cresce absurdamente no Estado com influências no Executivo, influências que eu digo indicações no Executivo.
Mônica Mariotti
Rodrigo Marcellar tinha influência no governo de.
Sara Rezende
Cláudio Castro, inclusive queria indicar o chefe da Polícia Civil.
Marco Antônio Martins
E retorna alerje em que ele consegue ser eleito presidente da Assembleia por unanimidade. fontes da Assembleia me contaram hoje que o Rodrigo Bacelá tem uma característica que chama muita atenção a todos os funcionários da Assembleia. Ele tem relação da direita à esquerda, ele atende a todos os partidos em todos os momentos. Isso é com nomeação de cargos, isso é com decisões favoráveis a todos eles, a todos os deputados. E essa defesa pelos parlamentares é uma coisa que levou a transformar o Rodrigo Bacelar na figura que ele é hoje. tão influente dentro do Rio de Janeiro. A PF espera descobrir essa ligação, porque está faltando mostrar a ligação, porque o Bacelar é tão ligado ao TH Joias. Ao desembargador Macario já está comprovada a amizade e essa ligação, mas está faltando entender qual é a ligação do ex-presidente da Assembleia do Rio, o Rodrigo Bacelar, com o deputado TH Joias.
Natuza Nery
Marco Antônio, muito obrigada por tua participação aqui no assunto e bom trabalho para você.
Marco Antônio Martins
Obrigado, Natuza.
Natuza Nery
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou Natuzaner e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Data: 17/12/2025
Host: Natuza Nery (G1)
Convidado principal: Marco Antônio Martins (repórter G1 Rio)
Tema: O escândalo que expõe os vínculos e infiltrações entre políticos, judiciário e crime organizado no Rio de Janeiro, tendo como figura central o ex-deputado TH Joias.
Neste episódio essencial, o podcast aprofunda o mais recente e chocante caso de corrupção e crime organizado envolvendo o ex-deputado estadual TH Joias, e revela como a teia de relações entre o poder Legislativo, Judiciário e o crime atravessa diferentes esferas e personagens-chave no Rio de Janeiro. Natuza Nery e a equipe conversam especialmente com o jornalista Marco Antônio Martins, que detalha a trajetória, os crimes e a rede de proteção (e conluio) expostas nas investigações que unem políticos (inclusive o presidente da Alerj), um desembargador federal e chefes do crime.
[00:10–02:44]
"Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado levavam dinheiro para fazer vista grossa aos desvios do governo. O ex-presidente do TCE, Jonas Lopes, que virou delator, foi condenado." – Amanda Polato [02:26]
[02:44–04:11]
“De acordo com a investigação, o parlamentar se dividia entre as sessões na Assembleia Legislativa e a compra e venda de armas e drogas para as quadrilhas.” – Sara Rezende [03:04]
(a) Quem é TH Joias e Como Chegou Ao Poder?
[05:23–08:50]
(b) O Dia da Prisão e o Vazamento de Informações [09:09–13:09]
(c) Judiciário Envolvido: O Caso do Desembargador Macário Júdice [14:21–18:59]
"Te amo pra ele? Pro Rodrigo Bacelar, te amo. [...] O GOV me ligou hoje, falamos hoje." – Leitura dos diálogos pela equipe [19:33–20:00]
(d) Obstrução de Justiça e Estado Paralelo [18:47–23:23]
“Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos... há fortes indícios de que o presidente da Allergy participa de uma organização criminosa com profunda infiltração no poder público fluminense.” – Amanda Polato, citando decisão de Alexandre de Moraes [20:34]
[23:38–26:51]
“Quando abriram o apartamento, descobriram que as portas internas eram blindadas... Quem é esse deputado que, em 2018, era um advogado de Campos com R$ 85 mil?” – Marco Antônio Martins [23:38]
“O TH foi indiciado, o TH foi denunciado por corrupção, por lavagem de dinheiro e por tráfico de drogas. O indiciamento foi corroborado pelo MPF, e não houve nenhuma decisão do desembargador.” – Marco Antônio Martins [17:39]
"Está tudo dominado. O judiciário, a polícia. ... Tem uma perna, uma mão totalmente amiga no judiciário, mais do que amiga...." – Carlos Catellan [22:38]
“Muita coincidência para os investigadores que, na véspera da prisão, eles tenham saído para jantar, tanto o Bacelar e o desembargador Macario, ao mesmo tempo que o TH Joias estivesse fugindo de casa.” – Marco Antônio Martins [23:07]
O episódio adota uma linguagem jornalística, clara e direta, mas não isenta de indignação diante da sucessão de escândalos que reiteram a persistência do “estado paralelo” no Rio. Frases dos jornalistas e convidados são objetivas, contextualizando para o público os fatos e sua gravidade. O clima geral é de exposição, indignação e análise minuciosa das estruturas de relação espúria entre o crime, a política e a justiça.
O caso TH Joias é emblemático do modus operandi do poder no Rio de Janeiro: esquemas de corrupção endêmicos evoluem para posições onde o crime organizado tem, não só acesso, mas também agência ativa dentro das instituições responsáveis pela ordem pública. As investigações e suas consequências são ainda abertas, mas o episódio expõe com detalhes e conexões como a atuação de personagens como TH Joias, Rodrigo Bacelar e Macário Júdice representa o que há de mais grave na infiltração do crime no poder do Estado.
Para saber mais sobre o episódio, ouvir análises complementares e aprofundar o contexto político e criminal do Rio de Janeiro, acesse a playlist 'This Is O Assunto' no Spotify.