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Narrator
Itaú Empresas.
Lucas Correa
Conte com o banco especialista para te apoiar em todos os momentos do seu negócio. Vamos perfurar, bebê, perfurar. Nós teremos a maior quantidade de petróleo.
Reporter
E gás do que qualquer país na Terra.
Lucas Correa
E nós vamos usar esse petróleo e esse gás. Vamos usar.
Vitor Boiagian
Enquanto uma das maiores potências do mundo retoma antigas práticas.
Reporter
O presidente americano anunciou que vai permitir perfuração de petróleo e gás no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico. Essa região é uma das maiores áreas de natureza intocada remanescentes nos Estados Unidos.
Vitor Boiagian
Outra está mais preocupada com a transição energética.
Narrator
Hoje ela é responsável por mais de 30% das emissões globais, vem justamente da China. Mas por outro lado, a China também é esse país que tem investido cada vez mais nas energias renováveis.
Reporter
A China começou o ano passado com a capacidade instalada de energia solar equivalente a duas vezes toda a produção de energia do Brasil, de todas as fontes. E de lá pra cá, já adicionou o Brasil inteiro. A velocidade de adição de energia limpa no sistema chinês é mais alta do que todo o resto do mundo combinado.
Vitor Boiagian
Essa diferença entre os países ficou ainda mais evidente na última conferência do Clima da ONU, em Belém. O governo americano não enviou nenhum representante ao encontro. E quem ocupou o vácuo deixado pelos Estados Unidos foram os chineses, que usaram a cúpula como vitrine para seus avanços em tecnologias verdes. Presente na COP, o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, criticou a ausência de Trump. E disse que os Estados Unidos estavam perdendo uma grande oportunidade econômica, a da transição energética. Nelson afirmou o seguinte, abre aspas, e ele, a quem Nelson se refere, é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A estratégia chinesa deve ter impactos não só no futuro do clima, mas também no desenvolvimento econômico do país e na reorganização geopolítica do mundo China, Estados Unidos e o futuro da energia limpa Neste episódio, eu converso com o economista Lucas Correa, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. Pela Unicamp, Lucas defendeu em 2024 uma tese de doutorado sobre a corrida pelas tecnologias energéticas verdes. Segunda-feira, 1º de novembro. Lucas, Estados Unidos e China são os dois maiores poluidores do mundo e eles têm se posicionado de maneiras opostas em relação à transição energética. Você pode explicar quais são essas direções?
Lucas Correa
Hoje a China e os Estados Unidos exibem conjuntamente 40% do total de gás carbônico na atmosfera. A China cerca de 30% e os Estados Unidos um pouco mais de 10%. Então isso significa que pra gente ter qualquer ideia de transição energética, a gente passa muito pelo que esses dois países tomam e vão tomar de decisões, certo? No caso dos Estados Unidos, a gente percebe que existe uma preocupação muito grande com a questão da segurança energética. No início do século XX e XXI, os preços do petróleo começam a subir e a gente vê o início dessa intensificação das políticas que impulsionam as energias renováveis no caso dos Estados Unidos.
Historian/Documentary Narrator
Em 27 de agosto de 1859, foi furado o primeiro poço de petróleo comercial do mundo, no estado americano da Pensilvânia. Foi aqui que nasceu o petróleo como conhecemos hoje. Substituiu os músculos e o carvão, principalmente porque era mais barato, para movimentar carros, aviões, fábricas. E depois, plástico, fertilizante, remédio, eletrônico. As petroleiras americanas se tornaram multinacionais. Começaram a abrir poços pelo mundo. O Departamento de Estado americano servia como um advogado dos Estados Unidos pelo mundo, pavimentando o caminho para que as concessões ocorressem sem problemas, financiando tratados, construindo bases militares e alianças estratégicas. Arábia Saudita. os americanos construíram toda a infraestrutura. Oleodutos, terminais de exportação e a marinha americana garantia a segurança nas rotas. Em 1974, a jogada de mestre veio num encontro secreto. Em troca de armas e proteção militar, os sauditas aceitaram comprar e vender usando apenas uma moeda, o dólar americano. Logo, todas as transações de petróleo do planeta eram obrigatoriamente feitas com a moeda americana. Foi o começo da era que dura até hoje. A era do petrodólar.
Lucas Correa
Nesses 20 anos que a gente estuda aqui na nossa pesquisa, a gente verifica esse processo de primeiro um aumento considerável de políticas, de tentativas de promover essas energias, no caso Estados Unidos, e logo em seguida a gente vê uma reversão desse processo e as energias renováveis deixando de estar de uma forma mais estável na pauta política. E depois tem toda a questão também das trocas de administrações que Por exemplo, na primeira administração do governo Trump, ele sai do Acordo de Paris.
Historian/Documentary Narrator
Donald Trump retirou os Estados Unidos do Acordo Climático de Paris, ele já tinha retirado os Estados Unidos no seu primeiro mandato, Joe Biden colocou de volta e agora Donald Trump assinou uma carta que diz que vai enviar à ONU explicando os motivos por ter retirado os Estados Unidos do Acordo de Paris. Durante toda a campanha, o Trump disse que a prioridade dele era furar e furar cada vez mais poços de petróleo.
Reporter
Ele criou uma força gravitacional muito negativa para a vida no planeta. E saindo do acordo, isso significa que nós vamos ter que trabalhar dobrado para atender as nossas obrigações, o nosso compromisso ético com a vida e o equilíbrio do planeta e fazer por aqueles que não estão fazendo.
Lucas Correa
Então isso mostra que essa questão ambiental e das energias renováveis, ela é menos estável no caso dos Estados Unidos. Já na China a gente verifica uma coisa completamente contrária. A China, desde o começo do século XXI, ela vem criando esse consenso e criando essa ideia e esse discurso de que uma transição energética está para acontecer e de que isso se coloca como uma oportunidade histórica para que a China assuma a liderança nessa nova dinâmica tecnológica. Desde o início do século XXI, a China vem enfatizando esse ponto, que as energias renováveis podem representar uma oportunidade tecnológica para que a China desse salto qualitativo, nessa mudança de estrutura, produtiva, no sentido de incorporar mais as energias renováveis, tecnologias ambientalmente responsáveis. E isso vai se intensificando ao longo do tempo. Então, lá em 2012, ela define um conjunto de setores e tecnologias que são consideradas indústrias emergentes estratégicas.
Narrator
Foi o país que mais cresceu aí a sua capacidade produtiva em termos de fontes de energia eólica e solar e isso faz parte da própria estratégia de desenvolvimento da China. À medida que a China amplia a sua base de produção de energia renovável, E ela se compromete também a migrar toda a sua frota de veículos para veículos elétricos, ela está impulsionando a sua economia local, tanto na produção de turbinas, de painéis fotovoltaicos, das próprias baterias e dos carros elétricos e até no uso do processamento dos minerais críticos e das terras raras.
Lucas Correa
Não são tecnologias exatamente novas, tecnologia eólica da década de 70, energia solar da década de 50, então não são exatamente tecnologias novas, mas que elas estão ganhando força e ganhando essa estrutura mais recentemente. E por estar acontecendo tudo isso mais recentemente, significa que não existem tantos competidores muito bem estabelecidos no mercado. Então a China percebe isso como uma oportunidade. Então nesse sentido a gente percebe o caso do estadunidense muito mais conjuntural, que depende das administrações que estão no poder ou de como estão os preços e como estão as outras fontes de energia. enquanto no caso chinês a gente percebe uma ideia muito mais estratégica e de longo prazo, visando o desenvolvimento econômico. A questão da tecnologia, da inovação, ela é um componente muito importante para que o país consiga dar esse salto no processo de desenvolvimento.
Vitor Boiagian
Quer dizer, a China conseguiu colocar dentro do projeto de desenvolvimento econômico a transição energética, é isso que eu estou entendendo. Agora, como é que conseguiu dar passos tão largos nessa direção?
Lucas Correa
Dado que é um objetivo de longo prazo, a China consegue, com todo o seu aparato de planejamento econômico e de planos criminais e todo esse arcabouço de política pública que ela consegue implementar, a China consegue então criar esse arcabouço de políticas que é bastante complexo e bastante agressivo e que foi evoluindo ao longo do tempo. Então a gente analisa ali na tese 20 anos de história da China, de 2001 a 2020, a gente verifica que nesse pequeno espaço de tempo ela conseguiu mobilizar vários instrumentos de políticas públicas com o objetivo sempre de atingir esses objetivos ambiciosos e de longo prazo que ela foi estabelecendo.
Vitor Boiagian
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Lucas Correa. Agora, você mencionou aqui a energia eólica, que não é, como você disse, uma tecnologia tão nova. Eu também me lembro até da energia solar, aquelas calculadorazinhas da década de 80, que tinha um painelzinho de energia solar, também não é uma tecnologia nova. nem bateria menos ainda, não é uma coisa nova. Por que a China está tão à frente nessas tecnologias que não são tão novas, enquanto outros países que produziam isso ficaram para trás?
Lucas Correa
O que a China fez foi identificar que esse movimento está começando a surgir das preocupações climáticas, está cada vez mais intensificando mais esse tipo de preocupação e de direcionamento de política e conseguiu mobilizar, então, instrumentos pra apoiar esse tipo de indústria, né? Então ela consegue apoiar em várias etapas, né? Então ela começa com instrumentos e políticas visando, por exemplo, absorver tecnologia externa, depois ela vai implementando políticas e incentivos pra fortalecer as indústrias que estão nascendo lá na China, e depois pra aprimorar a capacidade nacional, e até por fim, que a gente mostra ali na tese, entrar nessa dinâmica de tentar, de fato, dominar essa tecnologia e de ser líder, ser um líder tecnológico nesse tipo de inovação. A China tomou uma decisão consciente, ela.
Vitor Boiagian
Não tem os recursos de petróleo suficientes.
News Anchor
Para a frota que ela tem e.
Lucas Correa
Decidiu investir na eletricidade.
Reporter
Nas ruas de Pequim, o silêncio do trânsito. Ônibus, motos, bicicletas, tudo elétrico. Carros elétricos já são mais da metade dos vendidos no país. É a eletrificação da economia. No transporte, isso é passivo. Vai de redes de metrô em suas megacidades a uma rede de trem-bala com mais de 40 mil quilômetros.
Vitor Boiagian
Hoje, por exemplo, as baterias chinesas, elas estão inclusive nos carros elétricos fabricados por outros países, né? Por que essa preferência pelo produto chinês?
Lucas Correa
A China, ela, no geral, ela é comumente conhecida, né? Até é popularmente conhecida como a origem de produtos de baixa qualidade, chamada de a fábrica do mundo e tudo mais. E o que a China está tentando fazer é justamente romper com essas ideias, né? Então, por exemplo, tem políticas e planos, por exemplo, Made in China, lá de 2015, ele tem essa ideia de transformar o país então da fábrica do mundo para um país que de fato está inovando e está tomando essa dianteira. No estudo a gente mostra que não só a quantidade de patentes chinesas nessas tecnologias vem aumentando, mas também a qualidade dessas patentes.
Vitor Boiagian
Bom, vamos falar de um produto específico que a gente vê aqui no Brasil. O mercado de carros elétricos aqui no Brasil, 90% está sendo de marcas chinesas, apesar de termos aí muitas marcas de outros países, mas com mais tradição aqui no mercado brasileiro. Por que essa aposta em mercados emergentes como o Brasil e quais são as perspectivas de competitividade das outras marcas com relação às chinesas que estão chegando de maneira tão ostensiva aqui ao país?
Lucas Correa
Então, o carro elétrico é um caso bastante emblemático disso que a gente está conversando. Há poucos anos atrás a gente via os carros chineses, carros a combustão mesmo, os carros normais. A gente existia essa percepção de que eram carros de má qualidade, carros que quebravam, carros que o pós-venda era ruim, coisas nesse sentido, faltava peça, todos esses problemas que donos de carro precisam olhar.
Reporter
O início dos chineses no Brasil foi bem difícil, cheio de preconceito e desconfiança. O primeiro a chegar, em abril de 2008, como o carro mais barato do Brasil, foi o EFA M100. Custava R$ 22.900,00, mais barato que o Uno Mille da época. A qualidade de acabamento e materiais não agradou o brasileiro. E ele deixou de ser importado em 2012, com menos de duas mil unidades licenciadas nos quatro anos que ficou por aqui.
Lucas Correa
O Made in China, produto de uma qualidade inferior, esse conceito basicamente se perdeu. A complexidade dos produtos chineses, a tecnologia, a automação, tudo que a China tem desenvolvido, isso mudou completamente dos tempos para cá. Então a China vinha tentando entrar nesse tipo de mercado em que a competição já é mais acirrada, porque existem já empresas e países bem estabelecidos nessas tecnologias, então é difícil competir com uma marca já estabelecida, muitas vezes centenária. Então a China tentou competir com essas outras empresas nesses mercados, não conseguiu. E quando ela parte para os carros elétricos, a gente verifica que a competição ela conseguiu tomar essa frente de uma forma muito mais rápida justamente por conta desse novo mercado, ele tá surgindo agora, tá crescendo, esse emergente, né? Então, essa oportunidade tecnológica, ela se abre justamente nesse momento em que não existe um líder estabelecido, né? A gente tem todas as montadoras de automóveis no Brasil, são estrangeiras, poucas ou acho que nenhuma, na verdade, tá produzindo carros elétricos no Brasil, né?
Reporter
Os carros chineses representam hoje 82% das vendas de híbridos e elétricos no Brasil. Dos 126 mil vendidos no ano passado, mais de 103 mil são de marcas chinesas.
Lucas Correa
Então acho que a China entra aqui justamente por ter essa estrutura mais frágil, mais fácil de entrar. E também, é claro, tem questões tarifárias. Por exemplo, no caso dos Estados Unidos, a tarifa sobre carros elétricos chineses é de 100%. Na União Europeia, varia entre 17% e 38%. No Brasil, para carro elétrico é 18% e para carro híbrido é 20%. Então é mais fácil entrar nos mercados que têm essa barreira tarifária menor.
Vitor Boiagian
Quais são as implicações geopolíticas desse empenho chinês em desenvolver tecnologias de energia limpa e exportar para o mundo todo?
Lucas Correa
Olha, eu acho que o primeiro ponto de produzir essas tecnologias é importante porque, por mais que o objetivo principal seja o desenvolvimento tecnológico e essa disputa tecnológica, a segurança energética está sempre por trás desses investimentos em energia. Energia é um componente estratégico e essencial para o desenvolvimento econômico, o crescimento econômico de um país. A China, ao longo desse período que eu analisei, de 20 anos, ela continua crescendo aceleradamente, mesmo agora que está crescendo mais devagar, mesmo assim, é um crescimento bastante acelerado e isso demanda bastante energia. Então, acho que o primeiro passo que a China foi capaz de, em alguns momentos desses anos, a gente teve a crise econômica, os mercados externos se encolheram e a China se voltou pra dentro. começou a investir e implementar essas tecnologias lá. Então acho que o primeiro componente é isso. Só um exemplo, em 2009 a China produzia 40% dos painéis solares e ela tinha uma capacidade global de apenas 2%. Ou seja, a China era produtora dessas tecnologias e agora ela é também consumidora e ela está direcionando boa parte dessa produção que ela tem, para atender as necessidades internas. Então, hoje a China importa 24% do total de energia que ela consome no ano. Então, a questão da segurança energética é um ponto importante, e acho que é um ponto importante também do ponto de vista geopolítico, porque diminui essa dependência de importações de outros países, e principalmente de petróleo e gás, que em geral são importações que envolvem vários desses tipos de conflitos e que coloca em risco, poderia colocar em risco, esse crescimento acelerado que a China, que está nesse processo de crescimento chinês. Hoje a China, como eu falei lá no começo, é o maior emissor de gás carbônico do planeta, é um país que as emissões continuam crescendo e provavelmente vão continuar crescendo por um tempo, justamente por esse rápido crescimento, essa rápida necessidade de energia, só que ao mesmo tempo é o maior investidor em tecnologias renováveis. Então acho que a China está se colocando nessa posição de fazer parte da solução, de estar empenhada de forma bastante dedicada e bastante estável ao longo do tempo, em criar essas soluções tecnológicas, em criar alternativas para o consumo de energias convencionais. Então, acho que isso também é um componente importante no discurso, no debate internacional da China se colocar nesse ponto de fazer parte dessa solução e ajudar e colaborar a sua maneira para a transição energética.
Reporter
A China tem 10 trilhões de motivos para acelerar. Esse foi o faturamento em reais com a economia verde no ano passado, quase o valor de toda a riqueza produzida no Brasil no período.
Vitor Boiagian
Só para a gente finalizar, eu queria saber a tua opinião. A China está muito à frente a ponto dessa competição ter sido vencida em definitivo ou ainda há espaço para concorrentes nesse mercado?
Lucas Correa
Eu acho que é cedo demais dizer que a China venceu a corrida. Eu acredito que a própria tecnologia e a inovação é um processo que é bastante dinâmico, a gente pode a qualquer momento ter algum tipo de inovação diferente que pode mudar esse mercado, dado que ele está dando seus primeiros passos agora. E claro, o que a gente olha na nossa pesquisa é um recorte também muito pequeno, a gente olha 20 anos de história, então é cedo demais para dizer que a China venceu e acabou. Essa disputa ainda está em aberto. O que é notável é a velocidade com que a China deu esses passos largos nessa direção. em 20 anos ela passou de um país que era irrelevante nessas tecnologias, que não produzia, não investia, que hoje é um país que é o maior investidor nessas tecnologias renováveis, veículos elétricos e essas outras soluções da transição energética.
Narrator
A China também é a maior investidora em energia limpa do mundo. Em 2024, colocou mais de 600 bilhões de dólares em energia solar, eólica e.
Vitor Boiagian
Outras tecnologias para distribuir e guardar a energia.
Lucas Correa
Então, o que a China vem fazendo é notável também por esse componente de rapidez. Só que, ao mesmo tempo, o que a gente consegue conceber é que não parece que a China está pensando em tirar o pé dessa dinâmica. Ela não parece estar querendo desacelerar e não parece estar querendo dar por finalizada essa corrida. Ela continua dobrando a aposta, continua implementando instrumentos de política, estabelecendo metas.
News Anchor
A China assumiu a liderança com objetivos promissores. É a primeira vez que o país se compromete com a redução dos gases que causam aquecimento global. O presidente Xi Jinping disse que, até 2035, a China vai reduzir entre 7% e 10% a emissão desses gases. Parece pouco, se comparado a outros países. O Brasil, por exemplo, promete cortar entre 59% e 67%. Mas é que a China é, de longe, o maior emissor do mundo. Um corte de 10% significa uma redução de quase 1,5 bilhão de toneladas. Isso corresponde a quatro vezes o que o Reino Unido, uma das maiores economias do mundo, emite em um ano. Xi também anunciou que planeja multiplicar por seis a capacidade eólica e solar do país, além de dar prioridade à venda de carros elétricos.
Lucas Correa
Mas é claro que outros países vão responder de acordo com o que acham apropriado, do que conseguem fazer pra tentar disputar e tentar recuperar, em alguns casos, esse espaço perdido nesses 20 anos que a China saiu na frente, digamos assim.
Vitor Boiagian
Lucas, muito obrigado pela sua participação e pelas explicações que você trouxe aqui pra gente do assunto.
Lucas Correa
Não, valeu. Muito obrigado. Eu que agradeço.
Vitor Boiagian
Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no Globoplay, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kaczorowski e Carlos Catellan. Eu sou o Vitor Boiagian e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Data: 1º de dezembro, 2025
Host: Vitor Boiagian (G1)
Convidado: Lucas Correa (Economista, Universidade do Estado de Santa Catarina, doutor pela Unicamp)
Neste episódio especial de "O Assunto", o podcast explora as estratégias divergentes de China e Estados Unidos na transição para energias limpas. Vitor Boiagian recebe Lucas Correa, especialista em políticas públicas e tecnologias energéticas, para analisar o passado, o presente e as perspectivas geopolíticas dessa disputa, com foco em como cada potência está se posicionando diante do desafio climático — e o impacto dessa rivalidade para o desenvolvimento econômico global e mercados emergentes, como o Brasil.
Timestamps: 03:35–07:06
“Pra gente ter qualquer ideia de transição energética, a gente passa muito pelo que esses dois países tomam e vão tomar de decisões, certo?” — Lucas Correa (03:45)
Timestamps: 04:16–06:25
Timestamps: 05:51–07:06
“Durante toda a campanha, o Trump disse que a prioridade dele era furar e furar cada vez mais poços de petróleo.” — Historian/Documentary Narrator (06:30)
Timestamps: 07:06–09:49
“A China, desde o começo do século XXI, vem criando esse consenso... de que uma transição energética está para acontecer e que isso se coloca como uma oportunidade histórica.” — Lucas Correa (07:13)
Timestamps: 08:55–10:40
Timestamps: 09:49–10:40
“No caso chinês a gente percebe uma ideia muito mais estratégica e de longo prazo, visando o desenvolvimento econômico.” — Lucas Correa (09:14)
Timestamps: 10:40–12:12
Timestamps: 12:15–16:30
“O que a China está tentando fazer é justamente romper com essas ideias de que é a fábrica do mundo de produtos de baixa qualidade.” — Lucas Correa (12:57)
Timestamps: 16:57–19:52
Timestamps: 20:04–22:49
“Eu acho que é cedo demais dizer que a China venceu a corrida. A própria tecnologia e a inovação é um processo bastante dinâmico.” — Lucas Correa (20:15)
Sobre a instabilidade das políticas energéticas nos EUA:
“A questão ambiental e das energias renováveis, ela é menos estável no caso dos Estados Unidos.” — Lucas Correa (07:06)
Sobre a velocidade de avanço chinês:
“A velocidade de adição de energia limpa no sistema chinês é mais alta do que todo o resto do mundo combinado.” — Reporter (01:18)
Sobre o impacto das tarifas:
“No caso dos Estados Unidos, a tarifa sobre carros elétricos chineses é de 100%... No Brasil, para carro elétrico é 18%.” — Lucas Correa (16:40)
Sobre a dimensão do compromisso chinês:
“A China também é a maior investidora em energia limpa do mundo. Em 2024, colocou mais de 600 bilhões de dólares em energia solar, eólica...” — Narrator (21:15)
O episódio evidencia o abismo estratégico entre as políticas dos EUA (instáveis e cíclicas) e da China (consistentes, planejadas e expansivas), mostrando como isso influencia não apenas a transição energética, mas o equilíbrio econômico e geopolítico mundial. Ao mesmo tempo, reafirma que a corrida tecnológica e verde permanece aberta — e dinâmicas locais, inovações futuras e regulações globais ainda podem redefinir o jogo, apesar do expressivo avanço chinês.
| Segmento | Timestamp | |---------------------------------------------|------------| | Introdução & contexto | 00:20–03:35| | Emissões globais e panorama EUA x China | 03:35–07:06| | História energética dos EUA | 04:16–06:25| | Estratégia & consenso chinês | 07:06–10:40| | Aceleração chinesa em tecnologias verdes | 08:12–12:12| | Mercado de carros elétricos no Brasil | 14:09–16:30| | Geopolítica e segurança energética | 16:57–19:52| | A corrida tecnológica segue em aberto | 20:04–22:49|
Ouça esse episódio para entender não só a rivalidade energética entre as maiores potências do planeta, mas também o papel — e a chance — dos mercados emergentes nesse novo tabuleiro global.