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Ana Tuzaner
O mundo inteiro começou a sentir os efeitos da guerra no Irã quando o regime dos ayatolás trancou o trânsito de navios pelo Estreito de Hormuz Naquele corredor de água de largura entre 30 e 50 quilômetros de borda a borda passam cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. É muita coisa. Tanto que os preços da energia dispararam e a economia planetária começou a sentir o golpe.
John (protester from Massachusetts)
É uma faixa marítima rasa e estreita. Isso força os navios a passar a poucos quilômetros de distância do Irã. Mais de 15 embarcações foram atacadas ali. Mais de 3 mil navios seguem presos no Golfo Pérsico. Muitos são petroleiros, com até 300 mil toneladas de combustível. Eles transportam essa energia de alguns dos principais produtores de petróleo do planeta, principalmente para a Europa e para a Ásia, incluindo para algumas das maiores economias do mundo, China e Índia.
Ana Tuzaner
E o que já estava ruim pode piorar. Isso porque entrou no problema um outro estreito, o estreito de Bab-el-Mandeb. Ele fica na Península Arábica e agora está no centro do problema, porque também corre o risco de ser fechado. A situação é a seguinte. Todo o petróleo que é extraído e refinado no Oriente Médio tem dois canais de escoamento marítimo. Imagina um mapa do Oriente Médio na sua frente. À direita desse mapa tem um corredor de água com um trecho bem apertado. Esse é o Estreito de Hormuz. Foi essa passagem que o Irã fechou. Agora vamos olhar para o lado esquerdo desse mapa. Nele, há um outro corredor de água que separa a África da Ásia. No finalzinho desse corredor, tem uma passagem ainda mais apertada que o de Hormuz. Esse é o estreito de Babel-Mandepe. É um corredor de pouco mais de 30 quilômetros de largura que liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho, o portão de entrada para o canal de Suez. Por lá, passam outros 12% do petróleo e mais 20% das exportações globais de fertilizante. E mais, segundo a Organização Marítima Internacional, um quarto de toda a navegação mundial passa por essa rota.
Narrator/Reporter
Os navios saem da Ásia, China, Índia, sobem pelo Oceano Índico, passam por um gargalo estratégico, o estreito de Bab-el-Mandeb. Entram no Mar Vermelho, sobem até o canal de Suez, no Egito, e dali seguem para a Europa. O que torna mais grave é que não são só o petróleo e o gás natural que passam por ali. Mas os eletrônicos da China, peças automotivas, máquinas industriais, roupas, eletrodomésticos, basicamente tudo o que abastece as lojas europeias, também alimentos e insumos.
Ana Tuzaner
O controle desse gargalo está nas mãos dos Houthis. Eles formam um grupo rebelde dentro do Iêmen que domina a capital e a costa do país, banhada justamente por esse estreito. Os Houthis são aliados estratégicos do Irã.
Narrator/Reporter
O porta-voz militar Houthi afirmou que a operação contra Israel teve uma parceria com o Irã e o Hezbollah no Líbano e que vão continuar os ataques até que a agressão cesse No último fim
Ana Tuzaner
de semana, os Houthis entraram oficialmente na guerra O grupo reivindicou ataques com mísseis de cruzeiro e drones que bombardearam alvos em Israel e colocaram mais peças no tabuleiro de um conflito que expande ao sul, no Mar Vermelho, e ao norte,
Narrator/Reporter
no Líbano Imagens verificadas pela agência France
Guga Chakra
Presse e pela rede britânica BBC mostram
Narrator/Reporter
um avião de vigilância aérea dos Estados Unidos destruído num ataque iraniano à base
Guga Chakra
aérea Príncipe Sultan, na Arábia saudita.
Narrator/Reporter
A aeronave atingida é um E-3 Sentry, modelo usado para monitoramento aéreo e coordenação de operações militares.
Guga Chakra
Com o impacto do avião, ficou partido ao meio.
Ana Tuzaner
Enquanto novos frons se abrem na guerra e os mercados se assustam com os riscos econômicos disso, Donald Trump segue enviando sinais contraditórios e vive sob uma verdadeira pressão interna. Num dia, ele acena com um acordo iminente com o Irã No outro, diante do desmentido de Teherã, volta a subir
Guga Chakra
o tom O presidente publicou uma mensagem na internet afirmando o seguinte, abre aspas, fecha aspas.
Ana Tuzaner
E a pressão doméstica nos Estados Unidos só sobe. Também no último fim de semana, cidades americanas foram tomadas por protestos massivos contra a condução da guerra e a escalada de preços.
Guga Chakra
Milhões de americanos foram às ruas em protesto contra o governo de Donald Trump. Em países europeus também houve manifestações.
John (protester from Massachusetts)
Nos 50 estados do país, americanos frustrados com o presidente Donald Trump tomaram as ruas. John veio de Massachusetts para protestar mais perto da Casa Branca.
Guga Chakra
Esse país está irreconhecível.
John (protester from Massachusetts)
O que está acontecendo agora vai contra os princípios democráticos dos nossos fundadores. As guerras, as deportações, o desrespeito ao Congresso, isso ultrapassa a humanidade, o certo e o errado, as leis constitucionais.
Ana Tuzaner
Da redação do G1, eu sou Nath Uzaneri e o assunto hoje é a expansão da guerra no Oriente Médio, do Estreito de Ormuz ao Estreito de Babelmandepe. Neste episódio, eu converso com Guga Chakra, comentarista da Globo, da Globo News, da CBN e colunista do jornal O Globo. Terça-feira, 31 de março. Guga, você escreveu um texto na sexta-feira que tinha um tom, digamos assim, pré-monitório sobre a entrada dos Houthis na guerra. No sábado, os Houthis atacaram o Israel com o lançamento de mísseis de cruzeiro e também de drones. Então, para começar, quem são eles, quem são os Houthis e por que, finalmente, eles entraram nesse conflito?
Guga Chakra
Natuza, os Houthis são um movimento tribal do norte do Iêmen. Houthis, inclusive, o apelido dos líderes do movimento Houthi tem esse nome, que é um nome tribal, mas na verdade é Ansar Allah, que é o nome da organização. Seguidores de Deus, alguma coisa nessa linha. Os Houthis, eles seguem uma vertente do islamismo conhecida como Zayid, que é derivada do islamismo xita, mas não é a mesma coisa que o islamismo xita. É algo que só existe nessa região do Iêmen, onde eles são, inclusive, majoritários, seguidores do islamismo zaíde. Os Houthis, ao longo das últimas décadas, nos anos 90, nos anos 2000 e no começo dos anos 2010, eles lutavam contra a ditadura do Abdullah Saleh. O Abdullah Saleh, que foi a figura que conseguiu unir o Iêmen. O Iêmen era dividido em Iêmen do Norte, que era mais tribal, e o Iêmen do Sul, que era do bloco socialista.
Romilda
Os rebeldes ganharam força depois da invasão do Iraque em 2003 com eslogans contra os Estados Unidos e contra Israel Eles se aliam ao Irã e se dizem parte do eixo da resistência encabeçado pelo Irã e que inclui grupos como o Hezbollah, Hamas e o regime sírio de
Guga Chakra
Bashar al-Assad Porque eles não são como o Hezbollah. O Hezbollah foi criado pelo Irã. Hezbollah no Líbano. O Hezbollah segue o islamismo xiita como regime iraniano. É direta a relação da guarda revolucionária com o Hezbollah. Os Houthis não. É algo independente tribal do Iêmen que fez uma aliança contra o Irã por terem inimigos comuns. por um período da Arábia Saudita, depois até o Irã se reaproximar da Arábia Saudita, agora naturalmente não mais, mas também Israel, porque os Houthis têm um discurso forte pró-Palestina, e também os Estados Unidos. Então essa que é a origem do movimento Houthi na Tusa.
Ana Tuzaner
A gente vem falando, ao longo dessa guerra, do estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Mas a entrada dos Rutes nessa jogada mexe em outro estreito. Queria que você falasse desse outro estreito, as consequências dessa entrada dos Rutes no conflito e como esse tabuleiro é movimentado a partir disso.
Guga Chakra
Olha, o grande impacto, os Houthis lançaram, como você colocou, os mísseis contra Israel, mas ainda não foi a grande entrada dos Houthis nessa guerra. Eles ainda seguiriam, por essa aliança que eles têm com o Irã, eles podem, a qualquer momento, entrar, seja com disparos contra a Arabia Saudita, mas não necessariamente, mas, acima de tudo, para fechar o strait, Babel manda. que seria algo como Bab, a palavra pra porta, ou portal em árabe, Al-Madhab que é mais ou menos como lamentações, algo nesse sentido. Então é um estreito que liga o Golfo de Adem, o Golfo que se abre pro Oceano Índico. liga o Oceano Índico, na prática, ao Mar Vermelho. E o Mar Vermelho é a artéria de ligação, via esse canal de Suez, posteriormente, ao Mar Mediterrâneo. Então, todo o comércio da Europa com a Ásia, todo o comércio marítimo, se dá através desse corredor. Mar Mediterrâneo, canal de Suez, Mar Vermelho atravessa o estreito de Bab el-Mandab, cai no Golfo de Aden e segue pelo Oceano Índico. Os hoots conseguem fechar esse estreito, por quê? Basta disparar alguns mísseis, alguns drones, não é com minas marítimas, não há essa necessidade hoje em dia. Se você lança um drone por semana e atinge uma embarcação, na prática, você consegue fechar. E os próprios hoots conseguiram isso em determinados momentos da Guerra de Gaza. Aí os Estados Unidos bombardeou o Iêmen e eles fizeram um acordo para parar os bombardeios e eles liberaram o tráfego ali no strait Bab el-Mandibi. Mas eles poderiam fazer isso de novo e manter fechado por um período longo. E isso é complicado porque se você não tem essa artéria de ligação, você precisa fazer a rota do Vasco da Gama.
Romilda
Por conta do risco de navegar pela região, embarcações com comida que saíam da Índia para o Sudão, um dos países mais vulneráveis do mundo, agora estão contornando toda a África até o Mediterrâneo e indo para o Mar Vermelho pelo canal de Suez. Milhares de quilômetros extras significam semanas de atraso e ainda mais custos. Os do petróleo já subiram cerca de 40%, do frete até 20%. Mas a guerra também está aumentando o preço dos fertilizantes.
Guga Chakra
Então teria um impacto econômico muito grande a entrada dos húteis. Eles são assim bem aleatórios, viu Natuza? Os húteis são bem difíceis de controlar e são grandes guerreiros, são conhecidos por serem grandes guerreiros.
Ana Tuzaner
Mas tem armamentos pra isso? Eles têm arsenal?
Guga Chakra
Tem drones e tem mísseis. Não muito, não é? Militarmente, Natuza, os Estados Unidos é a maior potência da história da humanidade. Israel é uma superpotência. Todos nós sabemos disso. Militarmente, por exemplo, eles claro que já ganharam do Irã. Não tem como. Mas em termos estratégicos, não. Porque você faz uma guerra assimétrica. Uma guerra assimétrica é isso. É você fechar o Estreito de Hormuz. fechar o strait de Bab el-Mandeb, que na prática você impõe um custo elevadíssimo para os Estados Unidos, para a comunidade internacional inteira, com o fechamento desse strait. Então é dessa forma que eles agem, ou atingindo alvos dentro da Arábia Saudita ou dentro de Israel, por mais que não seja algo que seja muito destruidor, mas se gera um impacto grande no dia a dia das pessoas desse país, como a gente vem observando com os ataques iranianos às nações do Golfo. Pesco, quer dizer, os Emirados Árabes, Dubai, que nos últimos anos já se tornaram uma das grandes metrópoles internacionais, ou o Catar, que decidiu a Copa do Mundo, todos esses viram a imagem de se desgastar bastante para atrair futuros investimentos, como eles vinham conseguindo, tudo isso já gerou impacto. Então, é dessa forma simétrica que o Irã e seus aliados, os Houthis mais especificamente, em uma menor escala o Hezbollah também, que eles agem, é a guerra simétrica.
Ana Tuzaner
Espera um pouquinho que eu já volto pra falar com o Guga Chakra. Eu estou aqui imaginando para quem mexe com dinheiro ou para quem é influenciado por uma situação grave econômica do mundo, ou seja, todos nós, essa entrada em cena de maneira mais forte, ela tem um impacto econômico que eu queria muito que você traduzisse, porque enquanto a gente fala no Estreito de Hormuz, sobretudo de petróleo, a gente está falando no estreito de Babel-Mandeba, a gente está falando de fertilizante, a gente está falando de grão. Dá uma dimensão para a gente do risco, do perigo disso?
Guga Chakra
Olha, o impacto para o Brasil não seria tanto, porque o comércio do Brasil com a Ásia não precisa cruzar esses estreitos europeus. Estados Unidos, porque o caminho da Ásia para os Estados Unidos, claro, você tem aquele caminho inverso indo para a Califórnia. Por isso que a Europa é o mais impactado nesse sentido. Porque o comércio tem que passar para lá. Então, escala muito o preço das coisas e acaba impactando para todo o mundo. Apesar de os europeus serem os mais impactados, claro, naturalmente os asiáticos, mas todo mundo acaba pagando preço. Porque se gera a inflação de preços em determinado produto na Europa, acaba também impactando no Brasil, ainda que numa menor escala.
Ana Tuzaner
A Organização Marítima Internacional estima que até um quarto da navegação mundial passe justamente por essa rota. Pesquisadores do Royal Institute of International Affairs chamam essa região de choke point, que é um ponto de estrangulamento da produção mundial de alimento. Se a gente já está sofrendo as consequências da guerra via estreito de Ormuz, dá para imaginar que isso escalaria sobremaneira com esse estrangulamento também. Agora, Tem um ponto que eu queria tratar com você que tem a ver com a relação de Israel e Líbano. Você vem dizendo, tanto nas suas colunas do Globo quanto nos seus comentários da Globo News, do erro que é Netanyahu atacar o Líbano mirando no Resbolá. Eu queria que você desenhasse pra gente por que você considera isso um erro e nos explicasse qual é o cálculo que Benjamin Netanyahu faz ao agir assim, colocando o Líbano na rota de tiro, entre aspas.
Romilda
Essa é a Romilda. Como ela, mais de um milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas no Líbano, desde que a guerra entre Israel e Hezbollah recomeçou. E a gente indo pra frente, e as bombas caindo lá na minha cidade. Sabe filme de terror? Sabe filme de guerra? Assim. A gente acordou de madrugada com as bombas, com a minha cidade sendo bombardeada, sem aviso prévio. Foi muita gritaria no prédio, na cidade toda.
Guga Chakra
As pessoas na rua, passando necessidade, as pessoas voltaram pra sua casa, vê tudo quebrado, é muito triste isso. Sinceramente, é muito triste você voltar e ver sua casa toda no chão. É uma imagem forte que eu nunca tinha visto antes na minha vida. Isso mexeu comigo. Natuza, quando terminou a guerra de 2024, foi feito um cessar-fogo. Nesse segundo cessar-fogo, o Hezbollah não poderia mais atacar Israel, Israel não poderia mais atacar o Líbano e o governo libanês teria que desarmar o Hezbollah. Em 2025, chegou ao poder, no Líbano, um governo que o Thomas Friedman, do New York Times, descreve como um dos mais respeitáveis da região. Ele considera o melhor governo do Líbano em cinco décadas, pelo menos. Por quê? Porque o primeiro-ministro do Líbano era, simplesmente, o presidente da Corte Internacional de Hague, um dos juristas mais respeitados do mundo. É o Nawaf Salam. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, Ele era comandante das Forças Armadas Libanesas e foi treinado nos Estados Unidos. Ambos poliglotas, ambos figuras brilhantes. E ambos defendendo o desarmamento do Hezbollah. Essas duas lideranças, o presidente do Líbano e o primeiro-ministro. Líderes que chegaram ao poder de forma democrática. O Líbano tem democracia. Não é perfeita, tem a questão sectária. mas é uma democracia. Então, quando a gente ouvia falar que Israel dizia que não tem parceiro na faixa de Gaza porque o Hamas está no poder, não tem esse argumento no caso do Líbano. Como é que você vai dizer que não tem parceiro, sendo que o primeiro-ministro e o presidente do Líbano são opositores ao Hezbollah, defendem o desarmamento do Hezbollah e são figuras respeitadas internacionalmente, tanto no Ocidente como no mundo árabe. E entre esse período de novembro de 2024 E até o dia 28 de fevereiro de 2026, ao longo de todo esse período, o Hezbollah não realizou nenhum ataque contra Israel. Zero na Tusa. O governo libarense conseguiu conter o Hezbollah nesse período todo. Ao mesmo tempo, segundo a UNIFIL, que são as forças de paz da ONU na fronteira do Líbano com Israel, Israel teria violado milhares de vezes o cessar-fogo. Segundo as autoridades libanesas, cerca de 500, 600 libaneses, foram mortos nos bombardeios israelenses no período de cessar-fogo. O governo libanês já disse publicamente que está disposto a negociar com Israel, criminalizou os armamentos do Hezbollah, fez tudo o que foi pedido, tudo. e está disposto a negociar, mas o Netanyahu optou por levar adiante a ocupação do sul do Líbano. Mais uma vez, Israel já ocupou em 78, ocupou entre 82 e 2000, ocupou por um breve período em 2006, por um breve período em 2024, embora tenha ficado em cinco pontos, mas áreas pequenas, e agora volta a ocupar e dizem que é até o risbolá se desarmar, embora membros do governo Netanyahu defendam a anexação do sul do rio Litâni, desses 30 quilômetros, tornando a Israel mais ou menos como eles fizeram com as Colinas do Golã. As figuras radicais, Netanyahu não falou isso. Mas seria melhor negociar com o governo libanês, porque você tem um governo respeitado, aliado, que poderia trabalhar conjuntamente.
Ana Tuzaner
Para fechar essa nossa conversa, eu preciso te perguntar sobre o fator Trump. Pesquisas não estão boas para ele. protestos no fim de semana em diferentes cidades.
John (protester from Massachusetts)
Essa é a terceira edição do protesto não aos reis contra o governo de Donald Trump. Acontece no momento da pior aprovação do presidente, depois que lançou duas ações militares, na Venezuela, em janeiro, e no Irã, há quatro semanas. A guerra ilegal, a invasão ilegal de outros países e o sequestro de seus líderes são um grande problema para mim. Nossa reputação no cenário mundial foi arruinada.
Ana Tuzaner
Uma crítica que parte do seu próprio quintal, crítica dentro do próprio maga. Mas ele segue dizendo a mesma coisa, que a guerra está sob controle, a gente sabe que não está, que os objetivos estão sendo cumpridos e especialistas analisam que a guerra de escolha de Trump passou a ser uma guerra de necessidade. Eu queria saber qual é a tua avaliação e que você explicasse esse paradoxo entre a escolha e a necessidade.
Guga Chakra
o que aconteceu com Trump. Nesse momento ele precisa que o Strait of Hormuz seja reaberto, que estava aberto antes da guerra. Quer dizer, o objetivo final virou algo que ele próprio criou com os ataques ao Irã, porque antes disso não tinha problema nenhum para a circulação de navios através do Strait of Hormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Então esse virou o objetivo, passou a ser uma necessidade para o Trump.
Ana Tuzaner
Nesse momento, só para deixar uma coisa bastante clara, o fechamento do Estreito de Hormuz tem um impacto inflacionário no mundo inteiro, mas tem um impacto inflacionário bastante negativo para os Estados Unidos também. E inflação é um tema que fez com que ele ganhasse a eleição de Joe Biden depois de Kamala Harris, quando houve a troca.
Guga Chakra
Ele batia muito nessa tecla da inflação, sem dúvida alguma, e também no fato de ele ser contra guerras, que ele iria resolver acabar com as guerras que existiam, Gaza e Ucrânia, e ele inventa que acabou com outras oito guerras, mas aí é exagero da parte dele, ele não acabou com a guerra da Ucrânia, e não é culpa dele, no caso da Ucrânia, a culpa é do Vladimir Putin, mas ele não acabou, e ele criou mais uma guerra. Ele criou uma guerra de um potencial gigantesco, que é a guerra do Irã. Tudo que ele criticava do ex-presidente George W. Bush, ele está fazendo não igual, mas criou uma guerra no Oriente Médio que ele sempre foi contrário. Não só ele, como membros do governo dele, como o próprio secretário da Defesa, o Pete Hackson, e o vice-presidente J.D. Vance. Aí uma defesa em relação ao J.D. Vance, que ele tem se mantido calado, ele não tem apoiado publicamente o conflito. do Reccef e de outras figuras do governo que passaram a apoiar bastante. Mas o Trump, nesse momento, ele precisa decidir se ele opta entre duas decisões péssimas ou ele faz um Cesar Fogostil. O que é Cesar Fogostil? Ele dizer ganhamos a guerra, vamos retirar nossas tropas daqui e acabou o conflito. Ele já está falando que mudou o regime no Irã, não mudou, ele não ganha ninguém com isso, mas ele pode ficar com esse discurso e vai mudando de assunto, se foca em Cuba ou em alguma outra questão internacional. O problema dele com essa alternativa é que o Estreito de Hormuz talvez fique fechado. ou o Irã mantendo o controle do Estreito de Hormuz, falando, ó, agora pra passar pelo Estreito de Hormuz vai ter que pagar tanto, se você apoiar a Israel não vai passar, enfim, pode colocar uma série de condições. Então, o Trump, nesse caso, sairia perdedor. O Irã sairia mais forte do que entrou nessa guerra. A guerra teria sido claramente um fracasso. A segunda alternativa para o Trump, que talvez seja pior, ainda seria a de realizar uma operação terrestre. O cenário para o Trump é bastante complicado e isso, claro, gera um efeito grande aqui nos Estados Unidos, especialmente em setores da ala trumpista. Eu acho que vocês conversaram com o Carlos Gustavo Poggio recentemente sobre isso, sobre as divisões do MAG, a guerra aqui nos Estados Unidos. Isso tem impacto para o Trump também.
Ana Tuzaner
Guga Chakra, meu amigo, muito obrigada. Bom trabalho para você.
Guga Chakra
Obrigado, Natuzzi. Abraço, ouvintes.
Ana Tuzaner
Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti e Stephanie Nascimento. Colaboraram neste episódio Nayara Felizardo e Catarina Kobayashi. Eu sou Ana Tuzaner e fico por aqui. Até o próximo assunto.
Podcast Summary: O Assunto – De Ormuz a Bab el-Mandeb: a expansão da guerra no Oriente Médio
Date: March 31, 2026
Host: Ana Tuzaner (substituting Natuza Nery)
Guest: Guga Chacra (Globo commentator), plus field testimonies
This episode explores the dramatic escalation of conflict in the Middle East, focusing on the strategic closure or threat to two vital maritime chokepoints: the Strait of Hormuz and Bab el-Mandeb. Ana Tuzaner and guest Guga Chacra analyze the geopolitical and economic ramifications involving Iran, the Houthi movement in Yemen, Israel, Hezbollah in Lebanon, and the complex ripple effects reaching Europe and the US, with global protests and the mounting political crisis for President Donald Trump.
Energy and Economic Impact:
Protester in Washington:
On Houthi Tactics:
First-hand on displacement in Lebanon:
Trump’s Dilemma Summarized:
The episode presents a vivid, multifaceted look at how the Middle East crisis, now spanning Hormuz to Bab el-Mandeb, is shaking not just regional security but global trade, economics, and politics. Guga Chacra’s insights, combined with ground-level testimonies and sharp analysis, provide listeners with context for this rapidly shifting conflict—its roots, its human cost, and the high-stakes dilemmas facing the world's great powers.