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Narrator/Anchor
A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master foi decidida por unanimidade com todos os ministros aqui do Supremo Tribunal Federal.
Natuzaneri (Host/Reporter)
A situação de Dias Toffoli ficou insustentável. O anúncio de que ele deixou a relatoria das investigações aconteceu logo depois de uma reunião que envolveu todos os ministros do Supremo Tribunal Federal.
Narrator/Anchor
A reunião foi a portas fechadas. No gabinete da presidência, apenas os ministros do Supremo. A Secretaria de Comunicação do STF informou a pauta do encontro. Fachin queria dar ciência aos demais ministros do conteúdo do relatório da Polícia Federal sobre a investigação nos telefones dos envolvidos no caso Master, que cita o nome de Toffoli.
Official STF Statement Reader
Saiu uma nota agora do Supremo Tribunal Federal, não ser caso de cabimento para argüição de suspensão. Entendem que não tem que acontecer esse procedimento dentro do Supremo Tribunal Federal. Continuo. Reconhecem assim a plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli na Relatoria da Reclamação nº 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência. Expressam neste ato apoio pessoal ao Excelentíssimo Ministro Dias Toffoli, respeitando a dignidade de sua excelência, bem como a inexistência de suspensão ou de impedimento.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Toffoli via crescer sobre ele a pressão para que deixasse a Relatoria da Investigação. O episódio mais recente que disparou esse movimento todo veio à tona na noite de quarta-feira, quando a Polícia Federal entregou a Edson Fachin, presidente do Supremo, um relatório com menções ao ministro Dias Toffoli.
Investigator/Reporter
A Polícia Federal encontrou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que faziam menção a pagamentos relacionados ao resort da família do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras do Banco Master.
Reporter/Analyst
A perícia achou trocas de mensagens entre Vorcario e Toffoli. Segundo o jornal O Globo, uma delas foi o convite para uma festa de aniversário de Toffoli enviado para o banqueiro.
Natuzaneri (Host/Reporter)
O ministro se defendeu e deu explicações.
Reporter/Analyst
O gabinete de Dias Toffoli divulgou uma nota admitindo que Toffoli é sócio da empresa familiar que vendeu o resort para um fundo investigado no caso Master e negou que tenha recebido valores de Daniel Vorcaro.
Narrator/Anchor
Ele afirmou aos colegas que não tomou nenhuma medida ilegal na condução do inquérito e que não há nada que possa desaboná-lo.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Mas não foi o suficiente, até que um novo ministro precisou assumir a função.
Legal Expert
É André Mendonça que substitui o ministro Dias Toffoli, que pediu para sair. É uma contenção de danos de imagem do Supremo. E também contempla uma outra frente, manter provas, que já foram colhidas, e descartar a necessidade de voltar à estaca zero. Ou seja, investigação só vai mudar de mãos. Tudo está preservado.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Algo raríssimo, para não dizer inédito, na história do Supremo Tribunal Federal. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é... Dias Toffoli fora do caso Master. Neste episódio, eu converso com Waldo Cruz, comentarista da Globo News e colunista do G1. Sexta-feira, 13 de fevereiro. Valda, a gente grava este episódio na noite de quinta-feira. Neste momento, portanto, já conhecemos o resultado da reunião de Ministros do Supremo. O ministro Dias Toffoli já não é mais o relator do caso envolvendo o Banco Master. O que pesou para essa decisão que foi divulgada por meio de uma nota assinada pelos dez ministros que integram a corte atualmente?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Olha Natuza, o que mais pesou foi a pressão dos próprios colegas de Dias Toffoli, dizendo que não havia outra saída a não ser ele deixar a relatoria porque as pressões não iriam parar, as investigações da imprensa sobre ele iriam prosseguir, e que ele acabaria desgastando ainda mais a imagem, não só dele, como a do Supremo Tribunal Federal também. Então, isso pesou de forma significativa, neste dia que Começou tenso e termina tenso também. Apesar de terem soltado uma nota, com uma decisão unânime, não foi uma construção simples. Depois, no final, sim. Mas no início não foi, Natuza. No início foi uma reunião tensa.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Eu quero até entrar um pouco mais nisso contigo, mas antes é preciso marcar, Valdo, o ineditismo do que a gente está tratando aqui. Eu apresentava o jornal e cerca de sete horas da noite eu reproduzia uma fala de uma pessoa muito próxima de Dias Toffoli dizendo que ele não largaria o caso Porque se ele largasse, a imagem dele seria a imagem de uma pessoa que foi liquidada ali pelas circunstâncias. Mas aí, horas depois, a gente está aqui discutindo sobre uma decisão que foi unânime. Você disse que a reunião começou tensa. Como é que foi a dinâmica dela, do que a gente sabe até aqui?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Olha, por ação minha e também do Márcio Falcão, vai na seguinte linha. O presidente Edson Fachin começou a reunião lendo o relatório da Polícia Federal e Toffoli foi rebatendo ponto por ponto dizendo que não tomou nenhuma medida ilegal na condução do inquérito. E dizendo claramente no início dessa reunião que ele não pretendia deixar a relatoria exatamente por entender que tomou as iniciativas corretas Porém, a gente sabe que são decisões que, se não são ilegais, são controversas. E isso pesa ali na avaliação em relação ao ministro. Então, ele começou a reunião rebatendo todos os pontos do relatório da PF, muito irritado com a decisão da PF de encaminhar esse relatório para Edson Fachin. Alguns ministros deram razão para a reclamação de Toffoli em relação ao PF, dizendo que a PF investigou Toffoli sem autorização, mas a PF não investigou Toffoli. O que a PF fez foi encontrar informações relacionadas ao ministro Diante desse achado, fez o que manda a lei orgânica da magistratura nacional. Encontrou algo contra o magistrado, comunica-se ao seu superior, no caso, o presidente do STF. Foi isso que A APF fez, ela não investigou o Toffoli, ela não pediu suspeição. A gente sabe que Toffoli, desde o início desse caso, está tomando uma posição de ataque, de tentativa de desgastar a Polícia Federal. Foi sempre a postura dele desde o início. E ele passou esse tom durante a reunião. Defendendo-se de todos os pontos, dizendo, inclusive, que não há nada que possa desaboná-lo, numa referência à venda do resort para um fundo que, segundo a APF, é administrado por Fabiano Zetel, o cunhado de Daniel Alvorcaro. Mas os milícios entenderam que, tecnicamente, não é caso de suspeição. Foi essa a posição, depois que Toffi foi rebatendo ponto a ponto. Mas os ministros começaram a mostrar para Toffoli que o melhor caminho era ele deixar a relatoria. Ele foi, segundo a palavra de um ministro que estava lá na reunião, ele foi evoluindo, ele falou assim, ele foi evoluindo durante a reunião e acabou cedendo aceitando deixar a relatoria. Como os ministros disseram que nada do que ele fez foi ilegal, as medidas estão preservadas, ou seja, não há o risco de anular o que foi feito até agora de investigação. Por livre e espontânea impressão, é convencido a se afastar da relatoria porque iria comprometer mais o Supremo e ele não sairia do foco e nem sei se vai sair. Agora, pelo visto, ele escapa de uma investigação da PR.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Nesse ponto que eu queria entrar um pouco mais com você. Se a gente olhar com atenção, o teor da nota divulgada pelos ministros é uma nota de 1, 2, 3, 4, 5 parágrafos. É uma nota de desagravo a ele também, é uma nota que ao mesmo tempo anuncia a decisão, mas que faz uma defesa de Dias Toffoli. Eu vou dizer aqui, vou falar aqui um trecho. A plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli, aí quando eles dizem isso eles afastam qualquer possibilidade de a defesa pedir anulação ou conseguir, a defesa pode até pedir, mas obter a anulação de todos os atos praticados por Dias Toffoli enquanto era relator, mas o que mais me flagra atenção é esse trecho aqui, abre aspas. expressam neste ato apoio pessoal ao ministro Dias Toffoli, respeitando a dignidade de sua excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que sua excelência, fazendo referência a Dias Toffoli, atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e pela PGR. Portanto, tem aqui um desagravo a ele. Eu queria te ouvir à luz do que a nota nos trouxe.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Eu creio, Natuza, que como o Supremo tem alguns ministros que apoiam Dias Toffi e outros que tem uma posição mais crítica em relação ao que ele estava fazendo, tem uma ala que acha que ele não está fazendo nada de legal. E realmente, à luz das regras, ele pode dizer que estava fazendo a supervisão do processo.
Investigator/Reporter
Dias Toffoli admitiu ser sócio do negócio familiar.
Reporter/Analyst
Ainda segundo o gabinete, a referida empresa Merit foi integrante do grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A nota também recorda que a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025, ou seja, quando há muito, a Merit não fazia mais parte do grupo Tayaiá Ribeirão Claro. Por fim, conclui a nota, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vocaro ou de seu cunhado Fabiano Zetel.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Mas tem uma outra ala do Supremo que considera que as decisões tomadas por ele são controversas para dizer o mínimo, mas também entra numa linha de que estava ali avançando num controle, numa tentativa de limitar a investigação da Polícia Federal. Daí que essa nota acaba refletindo uma concessão dos dois lados. Toffoli deixa a relatoria, como diria que 90% dos ministros desejavam, até aqueles que estão mais próximos dele já estavam avaliando que ele não tinha mais condições de permanecer no posto, mas, por outro lado, ele consegue essa nota de desagravo, realmente, porque, inclusive, a nota é toda numa construção em defesa de Toffoli.
Official STF Statement Reader
Anota-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Registram ainda que, a pedido do ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à presidência do tribunal questões para o bom andamento do processo, E considerando os altos interesses institucionais, a presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação de sua excelência.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Decidiu pedir para sair. Ele foi convencido, a partir de uma pressão de seus pares, a deixar a relatoria. Então, eu vejo essa nota, Natuso, como a construção dos dois dados.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Uma leitura muito negativa para Toffoli, que foi a interpretação de que algo sério o relatório levado pela Polícia Federal ao ministro Edson Fachin deveria haver, porque, do contrário, o chefe da Polícia, da PF, não teria procurado o Edson Fachin, teria procurado o próprio relator. Olha, encontramos aqui essas menções ao senhor ministro relator e estamos aqui comunicando. Não há nada no telefone ou nos telefones que indique outra coisa. Então está aqui, estou informando o senhor que encontramos menções à vossa excelência. E a outra leitura é de que? Se os ministros fizeram esse apoio tão enfático a Dias Toffoli, logo, o relatório da PF não seria tão ruim assim para Toffoli, porque, do contrário, eles não teriam assinado essa nota nos termos em que foi.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
No mínimo, o relatório levantou suspeitas, porque se não tivesse levantado suspeitas, o ministro Edson Fachin não teria convocado uma reunião de emergência com todos os integrantes da Suprema Corte. Não é usual um ministro avisar, vou encerrar a sessão do plenário hoje mais cedo, volta de quatro horas, porque precisamos conversar sobre um assunto. O assunto é exatamente o relatório entregue pela PF ao ministro Edson Fachin.
Additional Reporter/Analyst
No documento, a PF não pede afastamento de Toffoli da relatoria, mas cita um possível descumprimento da lei da magistratura, que rege a atuação dos juízes brasileiros. O presidente da corte, ministro Edson Fachin, determinou que o material enviado pela PF fosse autuado como argüição de suspeição. Um instrumento jurídico que questiona a imparcialidade de um ministro quando há indícios de vínculo ou interesse que possam comprometer a atuação do magistrado em um determinado caso.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Duas reuniões, uma reunião de 2 horas e 20 minutos, depois o intervalo, outra reunião de 30 minutos. Não é nada trivial. A gente sabe disso num tribunal em que o corporativismo sempre esteve muito presente. O espírito de corpo, diria-se, melhor dizendo, o espírito de corpo dentro do Supremo sempre prevaleceu. Quando um está acuado, os outros saem em defesa dele. Agora, nas conversas de bastidores, Natuza, com alguns ministros, eu diria que esses ministros não gostariam de endossar totalmente essa nota. Mas o fizeram na busca de fazer, buscar fazer gente, vamos acabar com essa crise dentro do Supremo. Porque se a gente também solta uma nota de que a gente está rachado, essa crise iria só piorar. Agora temos que ver, Natuza, como fica a situação da Polícia Federal. A Polícia Federal fez o correto.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Até porque, Waldo, desculpa te interromper, se a Polícia Federal tivesse se deparado com menções ou até mesmo diálogos envolvendo o ministro Dias Toffoli e não fizesse nada, o delegado ou os delegados, os policiais responsáveis por essa investigação poderiam ser punidos por prevaricação, por se deparar com algo suspeito e nada fazer?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Exatamente. Ele faz isso porque, tecnicamente, ele tem que fazer algo correto para se proteger, inclusive. Porque, caso contrário, era melhor ele nem apresentar. Ele apresentou por uma questão de responsabilidade, dever de ofício. Ele encontrou achados relevantes, durante a análise do celular de Daniel Borcaro, diante desses achados relevantes, ele fez o que a lei determina, ele não prevaricou, igual você disse, ele passou para o Presidente Supremo. Agora, os Ministros Supremos entenderam o seguinte, olha, Não estamos vendo nada aqui que possa realmente comprometer o ministro.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Valdo, está bastante claro que o Supremo Tribunal Federal agiu para estancar a sangria, a sangria do próprio Supremo. Resta saber se a saída de Toffoli do caso e a escolha de um novo relator será capaz de estancar a sangria de Dias Toffoli, porque a gente não tem absoluto, pleno conhecimento do teor das citações ao ministro, do teor do relatório, nem do que Toffoli, de fato, fez ou deixou de fazer. Acho que vale a pena te pedir, Valdo, para você explicar como é que se estabeleceu um elo entre Toffoli e Daniel Vorcaro. Como é que essa história começa?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
O primeiro caso, ligando Toffoli ao Banco Master, que vem a público, é aquela carona que ele pega no Jatinho para assistir a final da Libertadores em Lima, no Peru, Flamengo contra Palmeiras. Ele pega uma carona num chatinho de um amigo dele, um empresário amigo dele, e nesse chatinho estava o advogado do Luiz Antônio Bull, que foi diretor do Master. Então ali começam a aparecer relações de Toffoli com o mundo do Banco Master. Depois começam a surgir as informações relacionadas ao resort lá no Paraná, o Tayayá. Quando a imprensa começa a investigar, descobre que o hotel, uma primeira parte da propriedade da família Toffoli no resort, é vendida para o fundo Arlin. que é um fundo que é controlado, segundo a APF, pelo cunhado de Vorkar, o Fabiano Zetel. Até então, ninguém tinha informação de que Toffoli era sócio do hotel, do resort, apesar de todos os sinais exteriores indicarem nessa linha. Ele aparecia lá durante a recepção para algumas pessoas como se fosse o proprietário do resort, não era só um hóspede, era alguém que estava ali recebendo, dando as honras da casa, como o seguinte, olha, o resort é meu, estou aqui recebendo vocês. Mas até ali ele não admitia que era dono do resort. Bom, a partir desse relatório da APF, já sabemos que a família Toffoli vendeu o hotel para um fundo ligado ao Grupo Master.
Additional Reporter/Analyst
Em 2021, dois irmãos de Toffoli venderam, por intermédio da empresa Maridit, parte das cotas que tinham no resort Tayayá, por mais de 3 milhões de reais. A venda foi feita para o Arlin, um fundo controlado pela REAG, administradora de investimentos ligada ao Banco Master. Segundo o Banco Central, a REAG e o Banco Master montaram um esquema de operações combinadas para que o dinheiro circulasse entre fundos previamente organizados, para inflar o patrimônio do conglomerado.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Aí depois desse relatório da PF, descobre-se que pela avaliação que Toffoli, pelo visto, era sim o dono, porque tanto que Fabiano Zettel com Daniel Borcaro, durante a conversa, Zettel lembra que a Maritti estava cobrando pelo pagamento lá do hotel, do resort, do Toffoli. Bom, então o resort é do Toffoli. A APF suspeita que pode ser dinheiro vindo de lavagem de recursos ilegais que eles estavam legalizando na compra do resort. Não é problema da família Dias Toffoli. Agora, é algo para ser investigado pela Polícia Federal. Toffoli alega que não conhecia os donos do fundo Arlin, que comprou o resort, uma parte do resort. Ele diz que foi em 2021, não sabia de ninguém. Só que nos achados relevantes da PF, na conversa de Fabiano Zettel com Vorcaro, lá eles citam um outro contrato de 2024, E que em dezembro daquele ano, Zetel fala para o Vorkaru que a maride de Dias Toffoli estava cobrando pagamentos. E pagamentos que iam totalizar 20 milhões de reais.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Valdo Cruz. Bom, e o que a PF disse ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre as mensagens e que acabou motivando a convocação dessa reunião com todos os magistrados?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
A Polícia Federal não tem poder para pedir a suspeição de ministro do Supremo. Mas a lei orgânica da magistratura nacional tem um ponto em que fala, quando o órgão investigador, nesse caso a PF, encontra algo contra o magistrado, tem de reportar, estou traduzindo, tem de reportar ao superior desse magistrado aquele achado, para ele dizer o seguinte, olha, encontramos isso, prosseguimos com essa investigação, o que fazemos? E cita também um ponto de um código dizendo que isso pode se configurar conflito de interesse. Conflito de interesse é motivo para suspeição. Isso está no relatório.
Legal Expert
O que é a suspeição? Ela é basicamente um instrumento jurídico que questiona a parcialidade de um magistrado, de um juiz. E pode ser validada quando há indícios de vínculo ou interesse que possam comprometer a isenção do juiz em um determinado processo.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Já com esse relatório em mãos, Fachin passa para Toffle. Toffle, tem esse documento contra você. Qual a sua posição? A Camilla Bonfim conseguiu apurar, que a resposta de Toffle foi o seguinte, não me sinto impedido, posso continuar à frente desta relatoria do caso Master, que ele foi escolhido para ela por sorteio, é bom lembrar. Mas, porém, foi ele quem decidiu tirar da Justiça Federal e passar para o STF com um motivo muito frágil. Lembrando, a decisão dele foi baseada na existência de um contrato de negociação de um empreendimento imobiliário na Bahia entre o deputado João Carlos Bacelar e Daniel Vorcaro. Empreendimentos que não foi para frente e que não tem nenhuma relação com as negociações, as fraudes bancárias que teriam sido cometidas entre o Master, do Master com o BRB. Então, é uma justificativa muito frágil. Tem alguns colegas de Toffoli que consideram um ponto muito frágil para você tirar da Justiça Federal e passar para o STF. Por isso que tem muita gente que não descarta a possibilidade do caso das fraudes bancárias retornar para a Justiça Federal, Natuza.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Agora, Valdo, existe já alguma explicação para o fato de só na quarta-feira, depois de semanas de desgaste e de suspeitas, o ministro ter afirmado somente agora que fez parte, que faz parte, na verdade, do quadro societário dessa empresa, da Maridit, que diga-se de passagem Maridit significa Mare de Marília, que é a cidade onde a empresa está assediada e é a cidade da família de Dias Toffoli e D.T. de Dias Toffoli. Existe já alguma explicação do porquê ele não disse isso antes?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Ele alega, Natuza, de que essa empresa, Maraítiti, era uma sociedade anônima. Por ser sociedade anônima, não é obrigatório divulgar os nomes dos seus sócios. Não é obrigado, mas está no contrato social. No contrato social está lá que ele é sócio. Só estavam divulgando até então os nomes dos irmãos de Toffri, José Carlos Dias Toffri, que é um padre, e José Eugênio Dias Toffri, que é um engenheiro, porque eles eram colocados como administradores da empresa. Toffri não poderia aparecer, enquanto magistrado, enquanto ministro supremo, como administrador da empresa, ele não pode. Ele pode receber dividendos desta empresa, mas não pode aparecer como administrador. Então essa é a explicação que ele está dando.
Additional Reporter/Analyst
O gabinete de Dias Toffoli divulgou uma nota dizendo que a Maridit é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada na junta comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal. Que suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas. que o ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes dele, e que de acordo com a lei orgânica da magistratura, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Só que os próprios colegas de Dias Toffoli dizem o seguinte, Ele deixou esse caso crescer, sendo que ele poderia ter tentado encerrá-lo. Quando surgiu a primeira reportagem, ele deveria ter vindo a público e falado assim, olha, eu sou sócio dessa empresa, eu não administro, recebo só os dividendos, ponto, acabou. Agora, não estaria levantando toda essa dúvida sobre por que ele não admitiu desde o início que era o que ele chama de sócio anônimo. Eu ouvi de três ministros do Supremo essa indagação. Por que ele não admitiu desde o início que era sócio dessa empresa? Teria evitado muito questionamento neste instante. Vamos lembrar a todos que o ministro disse que recebia dividendos da empresa, né? É ok, ele é sócio, ele tem direito à participação nos lucros. Agora, tem um detalhe, essa operação de venda da participação da família no resort para o fundo Alien, aí não se trata de dividendo, se trata de venda de uma participação numa empresa. A PF quer saber o seguinte, quanto que Toffi ganhou? Ele tinha uma participação igual com seus irmãos ou não? Era um terço, um terço, um terço da participação da família? Ou o Toffi tinha mais ou tinha menos? Pode ter menos também, pode ter mais. A gente não sabe e a PF quer saber. Por que a PF quer saber isso? Quer saber exatamente o seguinte, se Toffi era dono da maior parte da empresa, como ele conseguiu comprar essa maior parte da empresa. Lembrando que ele é ministro do STF antes de comprar esse resort. Então, só com dinheiro de ministro supremo ele conseguiria comprar? Talvez se economizou muito, pode ser que sim, mas isso tem que ser investigado.
Natuzaneri (Host/Reporter)
E você cita a Polícia Federal, que é uma instituição sobre a qual Toffoli já havia, inclusive, avançado. Vou dizer aqui de que forma. o ministro Dias Toffoli já vinha colecionando uma série de decisões inusuais, para dizer o mínimo. Vou ler aqui as mais importantes. Ele subiu a investigação para o Supremo Tribunal Federal com poucos indícios de envolvimento de pessoas com foro. Aqui se pode argumentar que, como o Vorcaro era muito bem relacionado em Brasília, fatalmente subiria mesmo para o Supremo Tribunal Federal. Mas, ainda assim, o primeiro ato disso foi, depois de ser provocado pela defesa de Vorcaro, puxar o caso para o Supremo. Ele também viajou no mesmo jatinho que um dos advogados de um diretor do Master, que é investigado. Ele aumentou o nível de sigilo da operação e, num primeiro momento, tirou a polícia de Sena, o que foi considerado muito, muito inusual. Ele marcou uma cariação entre os representantes do Banco Master e do Banco BRB junto com o diretor de fiscalização do Banco Central, que não é investigado, que também foi considerado uma prática estranha, e ele também determinou a guarda e a perícia dos celulares de Vorcaro no STF, e a praxe é que isso fique com a Polícia Federal, e tomou mais uma decisão. No momento em que a Polícia Federal vai até o ministro Fachin, ele determina que a Polícia Federal envie tudo para ele. o relator do caso. Relembra para a gente algumas dessas decisões, Valdo, as que foram mais rumorosas? Explicar o que há de estranho nelas?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Ao conteúdo dos celulares apreendidos. Tentou evitar que a PF tivesse esse acesso direto e que fossem indicados quatro peritos que, junto com a PGR, fariam essa análise, retirariam só o que teria interesse direto para a investigação das fraudes bancárias e descartariam o resto, ou seja, outros achados, aqueles encontros fortuitos de prova. A gente trata hoje desse relatório. Esse relatório traz informações que não se referem diretamente às fraudes bancárias. Então, se a gente tivesse seguido a regra anterior, esses casos poderiam ter sido descartados. E a PF estaria analisando tão somente dados relacionados às fraudes bancárias, a relação de compra pelo fundo Arlin, de uma parcela do resort, isso não estaria sendo tratado hoje pela PF, porque a PF não teria tido acesso. E vamos lembrar que a Forcara pagou alguns desconteúdos, mas a Polícia Federal conseguiu recuperá-lo. E o ministro toma uma série de medidas controversas, tem essa que eu falei de limitar o acesso da PF ao celular e tem outras importantes. Eu acho que é importante também a seguinte, centralizar no Supremo Tribunal Federal os depoimentos.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Por esse motivo, a delegada não pôde coordenar ela o depoimento que ela ia fazer, que ela ia colher. Ele mandou várias perguntas, o que também não é usual. Agora, Valdo, teve uma outra, essa mais recente. A nossa colega Júlia do Ailibe noticiou isso no G1, na quinta-feira, que é quando a gente conversa. dando conta de que Toffoli determinou que a PF enviasse os dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação, esses mesmos que foram objeto da comunicação da polícia para o ministro Edson Fachin. O que isso significa na prática?
Waldo Cruz (Commentator/Analyst)
Natusa, para os investigadores, duas possibilidades. Uma, o ministro quer saber na íntegra, porque o relatório da PF pega os pontos ali, olha, nos interessa isso, nos interessa aquilo, e aí eles constroem o relatório. Mas ali nem sempre está a íntegra da conversa, da troca de mensagens, né? Então ele quer ter a íntegra para tentar ali se defender. Essa é uma possibilidade apontada pelos investigadores. Qual a outra possibilidade? O ministro também quer saber outras autoridades que são citadas nessas mensagens, todo esse material que foi extraído pela PF do celular de Daniel Boccaro. Aí é uma avaliação da PF de que ele pode estar tentando ter noção de outras pessoas que estariam envolvidas com Daniel Boccaro. E isso, a gente sabe, em Brasília, vira arma, munição para as pressões de bastidores.
Natuzaneri (Host/Reporter)
Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sara Rezende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco. Colaborou neste episódio, Paula Paiva Paulo. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Date: February 13, 2026
Host: Natuzaneri
Guest: Waldo Cruz (GloboNews/G1 commentator and columnist)
Main Theme:
An in-depth discussion on the unprecedented withdrawal of Supreme Federal Court (STF) minister Dias Toffoli from the relator position in the “Banco Master” investigation, focusing on institutional pressures, details of the case, intra-court dynamics, and broader implications for the STF and Brazilian justice.
The episode examines the highly unusual and controversial exit of Minister Dias Toffoli from the relator role in investigations into alleged fraud at Banco Master, following findings by the Federal Police (PF) linking Toffoli and his family’s resort business to individuals under investigation. Host Natuzaneri and analyst Waldo Cruz explore the buildup of pressure within the STF, Toffoli’s defenses, how the court managed the crisis, details of the alleged connections, and possible consequences for the integrity of judicial processes in Brazil.
Unanimous Decision for Toffoli’s Exit: All STF ministers agreed Toffoli should step down as relator (00:00–00:23). The move followed revelations in a PF report linking Toffoli to figures under investigation.
Behind Closed Doors: The decision was made after a tense, private meeting among all ministers (00:23–01:00).
STF Official Note: The official statement maintained the legality of all acts taken by Toffoli while expressing support for his dignity and refuting grounds for suspecting or impeding him (00:46–01:25).
Pressure on Toffoli: Constant media investigation and internal court pressure made his position untenable (01:25–03:59).
PF Report Details: The PF uncovered cell phone messages linking the banker Daniel Vorcaro to payments allegedly related to the Toffoli family’s resort (01:44–02:24).
Toffoli’s Defense: Toffoli maintained no wrongdoing and denied having received any payments from Vorcaro (02:10–02:24).
Damage Control: The STF chose André Mendonça as the new relator, preserving previous investigative acts (02:34–03:00).
A Rare Event: Toffoli’s exit is almost unprecedented in STF history (03:00–03:59).
Tense Meeting: The STF meeting started with Toffoli vigorously denying any illegal actions and criticizing the PF for its report, with some ministers sympathizing but ultimately persuading him to step aside for the court’s image (05:44–09:16)
Dual Purpose: The note defended Toffoli’s actions while formalizing his resignation. It attempted to preserve both the court’s reputation and Toffoli’s honor (09:16–13:26).
Compromise: The note represents a middle ground between factions supportive and critical of Toffoli within the Supreme Court (11:43–13:10).
Timeline of Links: The episode explains how Toffoli’s social and business links with figures connected to Banco Master gradually emerged—from sharing a private jet to the sale of the family resort (18:31–22:45).
The Resort Sale: Investigations revealed the Toffoli family sold part of their resort to a fund managed by associates of Banco Master, with the PF suspecting money laundering motives (20:36–22:45; 21:07).
Questionable Timing: Toffoli only recently admitted being a shareholder in the resort’s holding company, raising questions about transparency (25:34–26:15).
Legal but Controversial: Technically, a STF minister can be a corporate shareholder, but not an administrator; Toffoli claims compliance (26:15–27:03).
Unusual Judicial Acts: Toffoli centralized investigations in the STF, limited PF access to evidence, and took steps to increase secrecy—moves described as highly irregular (29:49–33:09).
Delegation and Data Access: Toffoli demanded the entirety of seized data from the PF—possibly to defend himself or learn about other implicated authorities (33:44–34:51).
Corporate Solidarity: The STF’s collective defense of Toffoli was seen as an attempt to end internal crisis and avoid deeper institutional damage (15:29–16:32).
Role of the Federal Police: The PF acted appropriately according to the law of the judiciary; failing to report findings could have implicated investigators in dereliction of duty (16:32–16:55).
Unresolved Questions: The real impact of these revelations on Toffoli and the court’s image remains uncertain, as much about the PF’s findings and Toffoli’s role is undisclosed (17:45).
On the Pressure and Breaking Point:
On the Unprecedented Situation:
On Court Solidarity and Compromise:
On the Alleged Links and Transparency:
On the PF's Duty:
Consistent with “O Assunto”: sober, analytical, and direct, favoring clarity in context and careful distinction between technically legal actions and those “controversial to say the least.” Both host and guest maintain a clear-eyed, non-partisan approach, balancing court solidarity with recognition of questionable judicial conduct.
This episode provides a detailed, multifaceted view into the extraordinary resignation of Minister Dias Toffoli from a high-profile STF case, illustrating not only the pressures and political calculations within the Brazilian judiciary, but also fundamental questions about transparency, separation of powers, and the robustness of institutional checks and balances in safeguarding public trust.
Listeners gain insight into both the specific facts of the Banco Master case and the larger dynamics at play among Brazil’s highest legal authorities.