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A
Seis.
B
Horas e 43 minutos pelo horário de Brasília. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado, por volta das seis horas da manhã.
A
Ele estava no condomínio onde mora, já cumprindo prisão domiciliar.
B
Bolsonaro já está na sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A nossa apuração diz que essa prisão é preventiva, portanto, não se trata ainda do cumprimento da pena. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é Bolsonaro preso, a violação da tornozeleira e o risco de fuga. Minha convidada é Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da CBN e da Globo News. Sábado, 22 de novembro. Maria Cristina, ao decretar a prisão de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes fundamentou a decisão dele em três pontos. Violação da tornozeleira eletrônica, risco de fuga e risco à ordem pública. E esse último por causa de uma convocação feita por Flávio Bolsonaro para apoiadores do pai dele para irem até a porta do condomínio dele em Brasília. Vou começar pelo primeiro ponto. O que a gente já sabe sobre a tentativa de destruição desse dispositivo?
A
Bem, Natuza, esse foi o fundamento maior da prisão, porque a gente viu ao longo da tarde, ao longo do dia dessa prisão, a tentativa do bolsonarismo emplacar a tese de que a tentativa de violação da tornozeleira foi posterior à decisão do ministro Alexandre de Moraes, porque a tentativa de violação aconteceu às oito minutos do sábado e a prisão às seis da manhã, mas considerou que o ministro trabalha assim de madrugada e depois a fala do próprio ex-presidente que disse ter usado uma solda à tarde. Você usou alguma coisa pra queimar isso aqui? Eu tinha ferro quente aí. Ferro quente? Curiosidade. Que horas que o senhor começou a fazer isso, seu Jair?
B
Final da tarde.
A
Final da tarde? A foto da tornozeleira queimada já está no ar, bem como o diálogo entre o ex-presidente e o agente da Polícia Federal que o confirma.
B
Um destaque desse documento vem nesse parágrafo seguinte, que fala que o Centro de Integração e de Monitoração Integrada da Polícia.
A
Federal, do Distrito Federal, comunicou ao Supremo a ocorrência de violação do equipamento do monitoramento eletrônico. A gente está falando aí, portanto, da.
B
Tornozeleira eletrônica, essa ocorrência que teria sido registrada meia-noite e oito do dia 22 de novembro. A informação constatada que seria a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada.
A
Pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho. O fato primeiro, que foi o aviso desta tentativa de violação na Tusa, ao fim e ao cabo, mostra que O desfecho de todo esse processo, que é a prisão do ex-presidente, mostra que as instituições de fato estão funcionando. Essa pergunta que sempre se faz nesses momentos históricos. Porque o aviso desta violação foi dado por este Centro Integrado de Monitoração Eletrônica, que é da Secretaria de Administração Penitenciária, subordinado ao GDF. O governo do Distrito Federal, o mesmo GDF, cuja polícia facilitou aquele 8 de janeiro. Se a polícia militar do Distrito Federal tivesse agido, talvez o 8 de janeiro não tivesse acontecido. Então, se cochilou lá atrás, não fez dessa vez. Por que não fez? A gente pode discutir depois, quando a gente falar dos desdobramentos políticos dessa prisão.
B
Vamos passar agora para o risco de fuga. O que baseou a decisão do ministro?
A
Bem, o ministro Alexandre de Moraes usa tentativa de violação e usa a vigília que seria promovida pelo filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro.
C
O objetivo principal ali foi uma convocação divulgada na noite de ontem de apoiadores do ex-presidente para uma vigília na casa, na porta ali do condomínio onde mora o presidente Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes disse na decisão que essa convocação dos apoiadores indica que houve, sim, uma tentativa de utilização de apoiadores de Jair Bolsonaro ali numa aglomeração a ser realizada no local onde é cumprida a prisão domiciliar para obstruir a fiscalização das medidas cautelares. E, portanto, há ali uma indicação de que isso poderia, inclusive, representar até um risco de fuga diante dessa aglomeração e do uso dessas pessoas.
A
O ministro Alexandre de Moraes, ao inclusive trazer todo o histórico em relação ao.
B
Modus operandi da organização criminosa, ele relembra.
A
Que o condomínio onde o réu mora, ou seja, onde Bolsonaro mora, fica muito próximo do setor de Embaixada Sul, onde.
B
Fica localizada, por exemplo, a Embaixada dos.
A
Estados Unidos, e uma distância que pode.
B
Se percorrer em 15 minutos.
C
Hoje em dia, o lado político diz muito até sobre a possibilidade ou não da cooperação internacional com a justiça dos diversos países. Então, era um receio com fundamentos e que esses atos de agora tornam o que era só um receio mais abstrato numa coisa mais concreta.
A
Porque tentativa de fuga de Bolsonaro, a gente já tem conhecimento de pelo menos dois indícios, né Natuza? Aquela hospedagem de Bolsonaro na Embaixada da Hungria, no carnaval de 2024, ele passou duas noites lá, um fato revelado pelo jornal New York Times, lá no ano passado. O embaixador da Hungria, no Brasil, Miklos Halmay, ele foi chamado pelo Ministério das Relações Exteriores para dar essas explicações a respeito dessa notícia, né, divulgada hoje pelo The New York Times sobre o ex-presidente Bolsonaro passando duas noites na embaixada da Hungria. O embaixador não falou quase nada, estava visivelmente constrangido. Ele se recusou a dar detalhes e a explicar os motivos dessa hospedagem de Bolsonaro. Na embaixada, o embaixador tentou dar ares de normalidade ao que nada tem de normal E depois, a minuta, que aliás foi citada na decisão do ministro Alexandre de Moraes, a minuta de um pedido de asilo que foi encontrada no celular.
C
Do ex-presidente Lembrando, Bolsonaro já ensaiou uma fuga no passado. Bolsonaro tinha preparado lá atrás uma carta, que acabou nunca sendo utilizada, mas enfim, pra Argentina, pra ver se conseguia uma fuga pra Argentina. Ou seja, essas ideias estavam na cabeça dele. A justiça não pode agir apenas com base em ideias na cabeça, mas agora a gente tinha atos concretos de violação das medidas às quais Bolsonaro estava sujeito.
A
Essa tentativa de fuga, evidenciada pela tentativa de rompimento da tornozeleira e a vigília, foram os principais indícios que levaram o ministro a decretar essa prisão.
B
Bom, só a critério de contexto, Maria Cristina. No dia 12 de fevereiro de 2024, Bolsonaro deu entrada na embaixada da Hungria carregando um travesseiro na mão, era de noite. Pouco mais de 40 dias depois desse acontecimento, dele chegar até a embaixada, o jornal americano The New York Times traz uma reportagem com imagens do circuito interno da embaixada mostrando Bolsonaro chegando. E foi aí que todo mundo tomou conhecimento do que tinha acontecido. A gente só descobriu a partir de então. E naquele mesmo período, salvo engano na mesma data em que ele entra na Embaixada da Hungria, foi descoberto, tempos depois ainda esse ano, um pedido de asilo para a Argentina. Bom, e aí a gente chega no terceiro ponto, que é o de convocação da vigília por Flávio Bolsonaro. Fala um pouco disso pra gente também.
A
Talvez este, de fato, seja um dos pontos mais delicados da decisão do ministro Alexandre de Moraes por duas razões. O primeiro, ele está dizendo que o risco à ordem pública vem da vigília que o Flávio Bolsonaro estava a promover nas redes sociais.
C
Você vai lutar pelo seu país ou assistir tudo do celular aí no sofá da sua casa? Eu te convido para lutar com a gente e com a sua força, a força do povo, a gente vai reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje. Quando os ímpios sobem ao poder, o povo se esconde, mas quando eles perecem, os justos se multiplicam. Provérbios 28, 28. Vem com a gente, vamos lutar. Te espero aqui. E você tem o filho dele, Flávio Bolsonaro, chamando para uma vigília, mas chamando em termos que ele tenta manter naquela ambiguidade da linguagem religiosa, mas que ele diz com todas as letras. Está chamando as pessoas para a luta. Ou seja, chamando o povo para a luta na frente do condomínio onde Bolsonaro estava na prisão domiciliar. Alguém tem alguma dúvida de que esse é o tipo de mobilização que pode ter consequências muito ruins e muito graves quando a polícia chegasse para tentar executar apenas e encontrasse, digamos, uns poucos milhares ou até centenas de pessoas ali ao redor do condomínio preparadas para lutar, nas.
A
Palavras do Flávio, Eles estão alegando, o bolsonarismo alega, que seria uma vigília religiosa. O pastor Silvio de Malafaia já engrossou o coro de uma vigília religiosa e está sendo usado o argumento de uma suposta afronta à liberdade religiosa por parte do ministro Alexandre de Moraes. A facilitação de uma fuga ante o tumulto de uma vigília, este é o argumento do ministro, não cita o 8 de janeiro. mas foi o último grande tumulto motivado por uma concentração de pessoas. Aquela concentração na frente do quartel-general, do comando do exército em Brasília, logo depois do segundo turno que redundaria na aglomeração que acabaria por promover aquela invasão dos três poderes no dia 8 de janeiro. Agora, é bem verdade que a última manifestação em defesa de Bolsonaro, no dia 7 de setembro, este último, foi um fiasco. Foi o maior fiasco desde que ele deixou a presidência. Então, esta convocação de vigília que estava com toda a estava dando toda a demonstração que era um ato já da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, que é uma das possibilidades que ele dispute no lugar do pai. Então, ali já seria um ato de pré-campanha. Agora, tem outro elemento que torna tudo isso mais delicado, porque a prisão do presidente da República, Lula, lá em Curitiba, nos 580 dias que ele ficou preso, teve vigília. Mas vamos lembrar que esta vigília aconteceu depois de sua prisão, e não foi uma prisão domiciliar, foi uma prisão na carceragem da Polícia Federal, uma prisão sem chance de fuga. Então, quando esta vigília bolsonarista foi convocada, o ex-presidente estava ainda em prisão preventiva domiciliar. A prisão preventiva efetiva no regime fechado só viria a acontecer eventualmente depois de esgotado o prazo dos embargos às 23 horas e 59 minutos desta segunda-feira.
C
Então, não estamos falando do início da execução da pena estabelecida pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal por crime de tentativa de golpe de Estado, de abolição violenta do Estado de Direito, nada disso. Se trata de uma prisão de natureza cautelar, pelo risco da ordem pública ser comprometida. O presidente Jair Bolsonaro já estava sob a vigência de uma prisão cautelar, mas era por outro motivo. A prisão cautelar determinada meses atrás em desfavor de Jair Bolsonaro foi nos autos daquela investigação da Polícia Federal que inicialmente apurava a possibilidade de coação no curso do processo pela atuação do filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos da América. No caso desse tipo de prisão de natureza cautelar, diferentemente da prisão temporária, a prisão preventiva não tem um prazo fixo estabelecido. Ela perdura enquanto o órgão judicial entender que aquela circunstância ensejadora da prisão de caráter preventivo há de perdurar. Isso vale para absolutamente qualquer cidadão.
A
Então, nós estamos dentro de um contexto em que, sem muita demora, o chamado fundamento da prisão irá se acertar. Hoje, é um fundamento cautelar. Esta questão da perturbação à ordem pública em torno de uma vigília, de fato, é uma questão delicada, mas não é preto no branco e não dá ao bolsonarismo, se bem explicado pelo Judiciário, pela Polícia Federal, não se endamenta essas razões que estão sendo aí elencadas para essa contestação à decisão do ministro.
B
Maria Cristina, eu fiz esse exato questionamento a uma fonte da Polícia Federal, e essa fonte explicou o seguinte. Ele disse, pensa na seguinte possibilidade, existe uma aglomeração na frente do condomínio do presidente, o ministro Alexandre de Moraes determina a execução da pena definitiva para o qual ele foi condenado pela trama golpista, a polícia chega lá, tem uma aglomeração na frente do condomínio e impede a polícia de passar. E aí aquelas pessoas se colocando à frente da polícia, impedindo a polícia de passar. Rapidamente a gente passaria isso, o policial contando, a um cenário de potencial violência, para poder tirar aquelas pessoas ali e cumprir a decisão da justiça. Então foi basicamente isso o que me contaram. Mas eu queria muito entrar no aspecto particular da defesa. porque os advogados do ex-presidente entraram, antes disso tudo acontecer, desse episódio todo de sábado, entraram na Justiça para pedir que Bolsonaro cumprisse a pena dele a 27, mais de 27 anos de prisão, em prisão domiciliar. Com tudo isso que ocorreu, essa possibilidade de prisão domiciliar fica mais distante na sua avaliação?
A
Acho que certamente complica, Natuza, A situação de saúde do ex-presidente não muda. As condições que fragilizam sua saúde aí estão e aí permanecem.
B
Uma nota que foi assinada pelo Celso Villardi. Paulo Amador da Cunha Bueno fazem parte da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirma que a prisão preventiva do ex-presidente, decretada na manhã de hoje, causa profunda perplexidade. Além disso, a nota continua dizendo o estado de saúde de Jair Bolsonaro é delicado e sua prisão pode colocar sua vida em risco.
A
O problema é que o que aconteceu com a tornozeleira eletrônica de Bolsonaro acrescenta mais um indício de tentativa de fuga. Porque, afinal de contas, o Bolsonaro tentou queimar a tornozeleira. Qual é a razão dele tentar queimar a tornozeleira, usar uma solda para queimar a tornozeleira, se não tirar a tornozeleira para fugir? Nós vamos ouvir do advogado de defesa do ex-presidente Bolsonaro.
C
Fez a ver com grande indignação a determinação da prisão preventiva do presidente. Trata-se de um indivíduo que compareceu a todos os atos do processo antes mesmo de ser convocado, sempre esteve disponível, nunca se esquivou de responder a qualquer ato desse famigerado processo. compareceu inclusive espontaneamente por ocasião do julgamento do recebimento da sua denúncia. É um idoso, padece de problemas que são públicos e ostensivamente graves em sua saúde.
A
De imediato, a defesa terá muita dificuldade de conseguir levar o ex-presidente para uma prisão domiciliar. O que pode acontecer lá na frente é uma negociação por parte da defesa do ex-presidente. O ministro Alexandre de Moraes e uma negociação que passe pela Polícia Federal com a imposição de condições para que esta prisão domiciliar aconteça. Uma negociação que passe, por exemplo, pela inexistência de vigílias em torno da residência do ex-presidente, o que pode também ser uma armadilha. porque vai gerar uma queda de braço, geraria uma queda de braço permanente entre o ministro, entre a Polícia Federal e o bolsonarismo, porque sempre que alguma aglomeração viesse a se formar, voltaria aí o embate entre o risco de a Polícia Federal não poder ter acesso devido à residência, ante o tumulto de vigílias e à alegação de que a vigília é religiosa e o presidente tem direito a que se ore por ele. Fica mais difícil a vida de defesa e fica também mais difícil a gente entender como é que vai se dar o desdobramento dessa prisão na Tusa.
B
Eu quero passar agora às consequências políticas da prisão preventiva de Bolsonaro. Como é que ficam as peças da direita a partir de agora? Como essa prisão pode reconfigurar o tabuleiro em torno do campo bolsonarista?
A
Bem, Inatuzo, acho que a primeira coisa pra gente observar é que passe ao fiasco da última vez que o bolsonarismo tentou angariar uma manifestação em defesa de Bolsonaro, que foi no 7 de setembro, A confusão gerada por esta vigília e a prisão pode dar algum fôlego ao bolsonarismo, aos filhos do ex-presidente, particularmente ao senador Flávio Bolsonaro. Pode usar esta vigília para vitaminar a militância bolsonarista, o bolsonarismo raiz. E isso pode aumentar a fissura do campo da direita, a fissura entre a direita e a extrema direita. Quando o ex-presidente foi preso, a mulher dele, Michele Bolsonaro, estava no Ceará e se manifestou em rede social. Disse que confia na justiça de Deus, que a justiça humana, como temos visto, já não se sustenta. Os filhos de Bolsonaro também criticaram a prisão.
C
É um absurdo completo. Uma total falta de nexo causal, uma.
A
Total falta de Governadores aliados de Bolsonaro contestaram a prisão e prestaram solidariedade ao ex-presidente. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, afirmou que Bolsonaro é inocente e o tempo o mostrará e disse que vão seguir firmes ao seu lado e lutar para que essa injustiça seja reparada o quanto antes. Os governadores que já se manifestaram, presidentes de partidos, já estão sendo muito duramente cobrados pelos bolsonaristas nas redes sociais de que não fizeram por onde, não mexeram seus pauzinhos, não articularam junto às instituições, junto ao judiciário, para que essa prisão não acontecesse. Então, aumenta a censura, E aumenta aí a probabilidade de fato de o bolsonarismo ter um candidato e a direita, que também pertence ao campo bolsonarismo, bolsonarista, porque reivindica a esperança bolsonarista, ter o seu candidato, seja ele o governador de São Paulo, Tacísio Freitas, ou o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Eu queria chamar a atenção de uma outra circunstância política desta prisão, Natuza, que é o momento em que ela acontece. Esta prisão acontece no momento em que a Polícia Federal faz, talvez, a investida mais séria para desbaratar a atuação de um importante agente econômico, que é o banqueiro Daniel Volcaro, do Banco Master, desarticular a sua toda a sua operação nos três poderes para que este banqueiro tenha tido a proteção que teve, a despeito das evidências que duraram por tanto tempo, de que a situação do banco era frágil e ele conseguiu postergar essa prisão, postergar a liquidação do seu banco. Por que eu estou juntando? Porque um dos crimes pelos quais o Bolsonaro foi condenado e será preso é crime organizado. O que Daniel Vorcaro está sendo acusado, o Master está envolvido, é numa grande operação que envolve o abrigo que as instituições deram no Congresso, nos governos estaduais e nas prefeituras, ao crime organizado. Os indícios aí é de que houve indícios de cometimento de crime organizado por este banqueiro. Então, isso está muito longe de ser inócuo para o futuro do bolsonarismo. porque isso envolve, como eu disse, os três poderes, não envolve só figuras da oposição, envolve também personagens do campo governista, mas isso tem uma grande repercussão e a gente viu manifestações ao longo do dia de defesa do ex-presidente que também estão aí como digamos assim, personagens a serem bastante afetados aí pelos desdobramentos da prisão do Vorcaro. É também um momento em que o governo tenta aumentar a atuação da União em defesa de uma atuação maior da União na segurança pública, por meio da PEC da segurança e do PL antifacção, quando há um embate entre governo e oposição em torno do tema. Então, o Bolsonaro é preso neste momento em que há um grande embate, governo e oposição, sobre um combate ao crime organizado. E o Bolsonaro foi preso, entre outros crimes, por ter integrado um grande crime organizado, que foi a tentativa de golpe.
B
Maria Cristina, são muitas as consequências dessa prisão. Algumas a gente consegue ver com nitidez, outras só vão ficar mais claras daqui a um tempo. Eu conto muito com a sua ajuda pra traduzir todos esses aspectos pra gente. E desde já te agradeço muito por ter topado conversar com o assunto depois de um dia intenso como foi o de hoje. Bom trabalho pra você.
A
Eu que agradeço, Natuza. Um bom trabalho pra vocês também.
B
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou o Natuzanera e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Data: 23 de novembro de 2025
Host: Natuza Nery (G1)
Convidada: Maria Cristina Fernandes (Valor Econômico, CBN, GloboNews)
Neste episódio extraordinário, Natuza Nery conversa com a jornalista e analista Maria Cristina Fernandes para analisar o caso da prisão preventiva de Jair Bolsonaro. O foco do bate-papo está nos fundamentos legais da decisão do ministro Alexandre de Moraes, os riscos de fuga, a mobilização em torno do ex-presidente, as implicações políticas imediatas e as possíveis consequências para a direita brasileira.
Momento notável:
— Natuza relata que Bolsonaro afirmou à PF ter tentado queimar a tornozeleira com um ferro de solda:
“Final da tarde.”
(Bolsonaro, sobre quando tentou queimar a tornozeleira - 02:33)
Citação importante:
“Era um receio com fundamentos e que esses atos de agora tornam o que era só um receio mais abstrato numa coisa mais concreta.”
(Maria Cristina, 05:55)
“Bolsonaro já ensaiou uma fuga no passado... Essas ideias estavam na cabeça dele. [...] Agora a gente tinha atos concretos.”
(Maria Cristina, 07:17)
“Você vai lutar pelo seu país ou assistir tudo do celular aí no sofá da sua casa? [...] Vem com a gente, vamos lutar. Te espero aqui.”
(Flávio Bolsonaro, 09:16)
“Aquela (vigília de Lula) aconteceu depois da prisão, e não foi prisão domiciliar, era na carceragem da PF, sem chance de fuga.”
(Maria Cristina, 11:54)
“A nota continua dizendo que o estado de saúde de Jair Bolsonaro é delicado e sua prisão pode colocar sua vida em risco.”
(Natuza Nery, 16:28)
“De imediato, a defesa terá muita dificuldade em conseguir levar o ex-presidente para uma prisão domiciliar.”
(Maria Cristina, 18:02)
Fortalecimento do bolsonarismo raiz:
A prisão e a resposta mobilizada podem dar fôlego à base militante e aos filhos de Bolsonaro, especialmente Flávio.
Divisão na direita:
Aumentam as fissuras entre direita tradicional e extrema-direita.
“Pode aumentar a fissura do campo da direita, a fissura entre a direita e a extrema direita.”
(Maria Cristina, 19:53)
“Bolsonaro é inocente e o tempo mostrará e disse que vão seguir firmes ao seu lado e lutar para que essa injustiça seja reparada o quanto antes.”
(Governador Tarcísio de Freitas, citado por Maria Cristina, 21:04)
“Bolsonaro foi preso, entre outros crimes, por ter integrado um grande crime organizado, que foi a tentativa de golpe.”
(Maria Cristina, 25:16)
“O desfecho de todo esse processo, que é a prisão do ex-presidente, mostra que as instituições de fato estão funcionando.”
(Maria Cristina Fernandes, 03:19)
“Você vai lutar pelo seu país ou assistir tudo do celular aí no sofá da sua casa?”
(Flávio Bolsonaro, 09:16)
“Pode aumentar a fissura do campo da direita, a fissura entre a direita e a extrema direita.”
(Maria Cristina, 19:53)
O episódio traz uma análise aprofundada sobre a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, explorando não só a dimensão legal e jurídica, mas também os intrincados desdobramentos políticos, históricos e simbólicos do momento. Fica evidente a preocupação com a institucionalidade, o papel das manifestações convocadas pelo entorno de Bolsonaro e o potencial rearranjo no tabuleiro da direita brasileira — com incertezas tanto para a oposição quanto para o Governo.