O Assunto – “Flávio Bolsonaro: o candidato do pai”
Podcast do G1 | 11/02/2026 | Host: Natuza Nery
Convidada: Maria Cristina Fernandes (Valor Econômico, CBN, Globonews)
Colaborações: Luiz Felipe Silva, Amanda Polato
Visão Geral do Episódio
Neste episódio, Natuza Nery aprofunda a análise sobre a surpreendente candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência em 2026, articulada após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O programa investiga como Flávio foi escolhido pelo pai, as movimentações internas da direita e do Centrão, o impacto no campo bolsonarista e as estratégias para consolidar sua imagem como candidato viável – inclusive moderado. Ao longo da conversa, a convidada Maria Cristina Fernandes contextualiza as dinâmicas políticas, avalia pesquisas e debate vulnerabilidades e trunfos de Flávio, além de comentar seu giro internacional e o contexto geopolítico e econômico atual.
Principais Pontos e Discussões
1. Os Bastidores da Escolha de Flávio Bolsonaro
- [00:02] Com a prisão de Jair Bolsonaro em novembro, houve uma reviravolta nos planos da oposição, que apostava em Tarcísio de Freitas como possível candidato.
- [00:29] Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura nas redes sociais incentivado pelo pai, gerando surpresa e reações negativas até entre aliados e o mercado financeiro.
- "[...] O fato de Flávio Bolsonaro ter feito um anúncio que quebra uma construção. [...] Quebra uma construção de um nome forte." – Maria Cristina Fernandes [01:08]
2. A Candidatura: De 'Moeda de Troca' a Projeto Real
- Inicialmente, Flávio usou a pré-candidatura como moeda de troca, articulando nos bastidores durante votação sobre anistia para envolvidos no golpe.
- "[...] Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou negociar." – Flávio Bolsonaro [00:53]
- Conforme o tempo passou, a candidatura ganhou corpo, principalmente após adesão de Valdemar Costa Neto (PL) e mais apoio interno.
- "O presidente do PL, o Valdemar Costa Neto, tá all-in no projeto do Flávio Bolsonaro, pelo menos a preço de hoje." – Luiz Felipe Silva [02:44]
3. A Transferência de Votos e Consolidação Bolsonarista
- Flávio alcançou rapidamente grande apoio entre bolsonaristas (77%), demonstrando forte transferência de voto do grupo radical.
- "[...] O Flávio Bolsonaro tem 77% do apoio das intenções de voto entre o eleitor bolsonarista." – Amanda Polato [02:26]
- O nome de Flávio consolidou-se como o mais competitivo para um segundo turno contra Lula, diante do vácuo de alternativas sólidas à direita.
4. A “Moderação” de Flávio: Imagem e Discurso
- Flávio procura reformatar sua imagem, apresentando-se como um Bolsonaro “paz e amor”, mais equilibrado e moderado, e embarca num giro internacional para reforçar esse perfil.
- "Um Bolsonaro mais moderado e eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado." – Flávio Bolsonaro [02:06]
- Sua trajetória, incluindo viagens ao exterior e gestos políticos, visa ampliar aceitação junto ao centro e setores econômicos.
5. As Pesquisas e o Cenário de Polarização
- A despeito da alta rejeição inicial, Flávio foi se beneficiando do antilulismo e da falta de nomes de terceira via. A rejeição caiu de 60% para 55%, enquanto Lula mantém cerca de 43% de potencial de voto e 54% de rejeição.
- "[...] A rejeição do Flávio, quando ele se lançou, estava ali no pico porque [...] coincidiu com o fim do julgamento, com a prisão do Bolsonaro, o momento em que toda a trama golpista foi trazida de volta." – Maria Cristina Fernandes [07:15]
- "[...] O Flávio Bolsonaro já tem metade, aproximadamente, das intenções de voto na direita não-bolsonarista, mesmo no cenário com Tarcísio, Ratinho, Caiado, Zema, etc." – Amanda Polato [10:14]
6. O Desafio de Liderar uma Oposição Fragmentada
- Maria Cristina questiona se Tarcísio algum dia foi realmente uma alternativa viável: “O tacísio nunca existiu eleitoralmente sem o Bolsonaro.” [05:14]
- A escolha de Flávio impede que o bolsonarismo vire apenas uma “fatia” da extrema-direita sob liderança de outro nome – como Tarcísio –, mantendo o grupo no eixo central da oposição ao lulismo.
7. Vulnerabilidades e Vantagens de Flávio
- Vulnerabilidades:
- Precisa responder pelo legado do governo Bolsonaro (pandemia, golpe, escândalos, questões econômicas).
- Exposição dos próprios negócios, relações e eventuais denúncias.
- Desafio de apresentar-se como nova alternativa sem se distanciar demais do pai.
- Vantagens:
- Força do sentimento antilulista e cristalização das bases bolsonaristas.
- Capacidade de explorar o vácuo na direita e de “moderar” o discurso para ampliar apoios.
- Campanha marcada por ferramentas inéditas, como uso intensivo de IA e novas regras no TSE.
- "Não dá para subestimar a candidatura dele porque a força do antilulismo no Brasil só pede hoje para a do lulismo." – Maria Cristina Fernandes [15:53]
8. A Construção de Apoios no Mercado e na Política
- Flávio busca um “posto Ipiranga” próprio (possivelmente Campos Neto), assim como Paulo Guedes foi para Jair.
- Até o momento, agrega nomes técnicos do segundo escalão do governo Bolsonaro na pré-campanha — como Gustavo Montesano e Adolfo Sachida.
- "[...] Ele já poderia ter um Paulo Guedes para chamar de seu – ele não tem nesse momento, Porque não quer, ele está comendo pelas beiradas." – Maria Cristina Fernandes [19:36]
- O discurso se expande para energia renovável e privatizações, áreas com possível apoio do mercado.
9. O Giro Internacional e Suas Limitações
- As viagens ao exterior servem tanto para alimentar o 'imaginário presidencial' quanto para buscar reconhecimento e apoio político – mas Maria Cristina observa pouca efetividade real nessas agendas.
- "[...] O único chefe de Estado que o recebeu nesse périplo, até onde minha vista alcança, é o Netanyahu, que não me parece conferir credenciais de estadista a ninguém." – Maria Cristina Fernandes [25:50]
- A tensão entre a extrema-direita mundial e as relações recentes de Lula com lideranças de direita dificultam que Flávio se beneficie desse nicho internacional.
Momentos e Citações Memoráveis
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Sobre o improviso e a falta de estratégia de Flávio
“Isso aqui não é herança de negócio de família, não. [...] usa uma rede social e quer botar com ela abaixo. Não, não é assim, não.” – Maria Cristina Fernandes [01:32] -
Polarização cristalizada
“Quem veste uma camisa não troca por nada. E que o percentual de votos em disputa é muito pequeno. É este percentual que será disputado na eleição que, segundo o presidente falou, vai ser uma guerra.” – Maria Cristina Fernandes [09:18] -
Flávio assumindo o papel de 'Bolsonaro moderado'
“Ah, procuravam tanto um bolsonarista moderado, esse bolsonarista moderado sou eu.” – Natuza Nery sobre Flávio [12:04] -
Desafio econômico para Flávio
“A economia brasileira vai bem, né? Inflação controlada, desemprego mais baixo, histórico, e vai bem graças em grande parte ao Trump, né?” – Maria Cristina Fernandes [21:33] -
Alerta ao PT
“O maior erro que o PT pode cometer é subestimar Flávio Bolsonaro a exemplo do que aconteceu com o próprio pai dele...” – Natuza Nery [18:27]
Timestamps de Segmentos Importantes
- Anúncio e “balão de ensaio”: [00:02–00:59]
- Críticas internas e reação da Faria Lima: [01:08–01:32]
- Flávio “paz e amor”, tour internacional: [02:01–02:26]
- Apoio do PL e pesquisas: [02:44–03:19]
- Polarização e queda da rejeição: [05:14–10:14]
- Discurso centrado e busca por apoio do mercado: [12:04–22:45]
- Giro internacional e contexto externo: [22:45–25:50]
- Conclusão e análise das alianças: [25:29–26:31]
Resumo Final
O episódio traça um panorama sólido do novo cenário eleitoral brasileiro e dos bastidores da ascensão de Flávio Bolsonaro como herdeiro político do pai – sinalizando que, apesar das fragilidades e do histórico controverso, ele está longe de ser carta fora do baralho. O antilulismo mobiliza e sustenta sua candidatura, enquanto as apostas em moderação e articulações políticas buscam ampliar sua base. O mercado observa, a terceira via hesita e a escolha do eleitor permanece, ainda, aberta.
