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Tim Black, um plano exclusivo para você.
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Descobrir a sua melhor versão.
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A depender da sua idade, durante o período escolar, você pode ter feito trabalhos consultando pesadas enciclopédias, com pesquisas feitas e copiadas à mão, um trabalho mais demorado comparado aos padrões atuais. Também a depender da sua idade, você pode ter usado um buscador em suas pesquisas, e mais recentemente pode ter conseguido respostas de um chatbot em poucos segundos. Um esforço menor, com um imenso ganho de produtividade, você pode ter recebido respostas mais variadas de diferentes fontes. Dados da TIC Educação, levantamento realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, analisou a presença das plataformas de inteligência artificial no ensino de escolas públicas e privadas do país. A pesquisa mostrou que 7 em cada 10 alunos do ensino médio recorrem à inteligência artificial para pesquisas escolares. Por outro lado, apenas 3 tiveram alguma orientação sobre como utilizar a ferramenta. Numa pesquisa brasileira divulgada este mês, 70% dos alunos do ensino médio ouvidos admitiram que já usaram IA em tarefas escolares. E só 32% relataram ter recebido orientações de como fazer isso de forma responsável. Uma tecnologia que não está apenas nas mãos dos alunos. dizem usar a inteligência artificial para preparar aulas e buscar novas formas de ensino. É o que mostram dados de uma pesquisa divulgada pela OCDE no início de outubro. Um patamar 20 pontos percentuais acima da média dos países desenvolvidos. Essa mesma pesquisa revela, no entanto, que 64% dos professores disseram não ter conhecimento e as habilidades para usar esse tipo de ferramenta. E seis em cada dez afirmam que as escolas em que trabalham não têm a infraestrutura necessária para o uso dessa tecnologia. São muitos os desafios pela frente, como explica a Júlia Santana, diretora executiva do Centro de Inovação para a Educação Brasileira.
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Cadê o dinheiro para isso?
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Onde é que estão os indicadores de acompanhamento desse processo? A gente está falando de inteligência artificial, mas eu estou falando aqui ainda de conectividade.
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Sem esse processo, a gente vai ficar realmente refém desse avanço que é dado da tecnologia, da inteligência artificial, mas vendo a desigualdade de aprendizagem aumentar no Brasil. Chegamos, então, ao ponto em que, tendo conectividade, tendo máquinas, precisamos garantir que os nossos professores se desenvolvam em formação e competências digitais e que a gente consiga ver essa transição da formação de cada um dos professores do Brasil para os estudantes.
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Da redação do G1, eu sou Nathuzan Nery e o assunto hoje com Vítor.
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Boedian é inteligência artificial na educação, gargalos e oportunidades. Primeiro eu ouço Nara Fernandes de Oliveira, professora do Colégio Estadual Barão de Tefé em Seropédica, no Rio de Janeiro. Nara também é coordenadora dos Anos Finais do Ensino Fundamental na Secretaria de Educação de Angra dos Reis. Depois falo com Paulo Blickstein, professor livre docente da Escola de Educação e diretor do Centro Leman de Estudos Brasileiros da Universidade de Colômbia, nos Estados Unidos. Quarta-feira, 15 de outubro, Dia dos Professores. Nara, você é professora de Arte, Linguagens e Projeto de Pesquisa no Ensino Médio. Como é que você está usando a inteligência artificial depois que você descobriu essa possibilidade?
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Antes, as minhas aulas eram mais tradicionais, né? E com a chegada da inteligência artificial, não tem como a gente negar que os adolescentes não vão utilizar, ou que essa ferramenta não seja útil pra gente quanto professor. e no nosso dia a dia, no planejamento das aulas. Os recursos de inteligência artificial são variados, a gente pode usar tanto para ferramenta de texto, áudio, vídeo e tudo mais. E na elaboração das aulas, por exemplo, quando eu preciso montar o plano de aula, aí eu jogo lá no prompt, no comando. que eu peço uma problematização com um tema definido, com o tipo de pergunta que eu quero, se eu quero as habilidades da BNCC, eu coloco lá quais são as habilidades, e o foco, o tipo de linguagem, enfim, ela traz pra mim toda aula estruturada, inclusive se eu pedir um tempo. E se eu ler aquilo tudo e ver que não tá legal, eu posso ainda pedir pra refazer, redefinir, reelaborar, e eu ainda posso pedir pra transformar em aulas mais atrativas, mais engajadoras, posso mudar o tema, e assim a gente vai modulando aquela aula. E isso faz com que eu também ganhe tempo na hora de fazer o meu planejamento, que isso fica mais rápido, E é claro que não é uma coisa assim pra gente ficar preguiçoso, porque se eu tenho uma ferramenta que vai facilitar o meu dia a dia, é ótimo pra eu utilizar. Mas pra eu usar a ferramenta, eu tenho que saber fazer a coisa, sabe? Não adianta eu só saber mandar alguém fazer e não saber fazer a coisa. Entende o que eu quero dizer?
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Sim, sim, bem claro, até porque o preparo das aulas toma muito tempo do professor, né? Então ter uma ferramenta é bastante eficiente isso, né? Agora eu queria saber como é que já do lado dos alunos, como é que tá sendo a relação dos alunos e quais desafios estão se impondo pra você a partir desse uso de inteligência artificial em sala de aula, se é que você tá usando.
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Eu trabalho com turmas de ensino médio no Colégio Barão de Tefé, que é uma escola de visão empreendedora, e é uma escola integral. E por ser integral, a gente precisa colocar propostas mais dinâmicas, porque estudar o dia inteiro é muito cansativo. tem que ter tudo uma intencionalidade pedagógica. Então, eu vou planejar de que maneira essa ferramenta vai ser utilizada. Por exemplo, eu fiz uma atividade com os alunos usando a plataforma Eureka, e eles percorreram a plataforma e investigaram se tinha livro, se tinha vídeo, perguntaram à inteligência artificial e ela teve resposta. Ela deu a resposta, aí a gente ensina. A resposta é o que a gente precisa, então a gente tem que ler, tem que avaliar se está adequada, pegar os trechos que são interessantes e fazer o resumo no caderno. Então a gente tem que fazer todo um trabalho orientado. porque de acordo com a competência 5 da BLCC, que fala da educação digital, das competências digitais, passa pela reflexão, você usar as ferramentas digitais, mas pensando para que, como, quando, de forma ética, então tem que ser todo mundo bem conduzido. E também dizer para o estudante que está tudo aqui na cabeça, Não é a inteligência artificial que sabe as coisas simplesmente, mas é você que vai colocar as suas ideias para ter as respostas da IA. E se você não conduzir muito bem, não estruturar muito bem esse prompt, dizendo o que você quer, botando as suas ideias, ela também não vai te dar uma boa resposta.
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Você falou do BNCC. O que é BNCC e que tipo de preparo vocês têm recebido como docentes para esse momento da educação para usar a inteligência artificial? E eu também queria a tua visão crítica sobre o que ainda precisa ser feito, quais adaptações nesse processo de preparo dos professores.
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Então, a BNCC é a base curricular comum nacional, que todos os professores do Brasil seguem. Ali tem as competências e as habilidades de todos os componentes, da educação infantil até o ensino médio. Então, ali a gente vai tirando Tudo o que a gente precisa ensinar e todas as habilidades que a gente precisa desenvolver para que no futuro ele crie uma competência.
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O Piauí é uma das primeiras regiões em todo o continente americano a adotar o ensino de inteligência artificial como uma disciplina no currículo da educação básica. Mais de 120 mil estudantes do último ano do ensino fundamental e do ensino médio da rede pública têm essa aula desde o início do ano passado. A inteligência artificial pode usar dados como o local onde o estudante mora, os índices de criminalidade da região, a frequência, as notas e assim identificar de forma precoce a necessidade de intervenção para evitar o risco de repetência ou abandono escolar. pode ajudar o professor a corrigir provas e a fornecer análises sobre o desempenho do aluno.
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E além da competência 5, nós temos a BNCC Computação, que está em vigor e está sendo implementada desde o ano passado e tem até o final desse ano para ser implementada no Brasil todo. Ainda tem isso. e vai ser implementada no Brasil todo ou de forma transversal, ou seja, cada componente curricular vai ter um pouquinho dessa educação digital ou como componente obrigatória e depende da rede, depende do estado, depende do município.
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Nara, pra gente terminar, bom, a gente tem aí o dia do professor nesta quarta-feira. Eu queria falar um pouco sobre a tua perspectiva de futuro da carreira. Você teme que a inteligência artificial também seja uma ameaça pra essa profissão?
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Eu não me sinto ameaçada. Não me sinto, porque pra mim é ferramenta. E quem conduz a máquina é o homem. Então, eu não tenho essa perspectiva, eu sou filha de um programador. Assim que surgiu a programação, o computador dentro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o meu pai, o Paulo Marcos, ele foi programador. Então, eu tenho essa companhia, esse contato com máquina há muitos anos, eu não vejo a máquina como ameaça.
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Nara, muito obrigado pela sua participação aqui com a gente no assunto, um bom trabalho para você e um bom dia do professor.
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Eu agradeço, obrigado.
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Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Paulo Blickstein. Paulo, dois levantamentos recentes, a Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem e outra do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, mostram o seguinte, mais da metade dos professores brasileiros já usam a inteligência artificial para preparar as aulas, um índice que está acima da média de países desenvolvidos, mas só um terço dos alunos recebeu alguma orientação sobre o tema. Diante disso, Que horizonte que se desenha aqui no Brasil sobre esse tema? É promissor, é preocupante? Como que a inteligência artificial pode, por exemplo, aprofundar ou resolver desigualdades existentes no ensino aqui no Brasil?
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Eu acho que o quadro é preocupante. Eu acho que tem coisas boas que podem acontecer lá no futuro, mas no momento eu acho que o quadro é preocupante pelo seguinte, A inteligência artificial é uma ferramenta que pode ser usada para substituir muitas vezes o trabalho que uma pessoa tem que fazer como parte fundamental daquela atividade. Então, por exemplo, planejar aulas é uma coisa muito importante que o professor faz. É uma habilidade fundamental da profissão docente e o professor e a professora precisam saber o que eles estão ensinando e por que eles estão ensinando e por que eles estão estruturando uma aula de uma determinada forma. Então, quando você usa a inteligência artificial como um auxílio para fazer esse planejamento, tudo bem, porque você vai usar a inteligência artificial para fazer pesquisa, para procurar dados sobre um determinado fenômeno científico e tudo mais, mas você está no comando do desenho daquela atividade educacional. Quando você vai lá no chat PT e simplesmente escreve, cria uma unidade para ensinar tal coisa e a inteligência artificial fez tudo por você e você só copiou e colou, Aí a gente tem um problema grave, porque aí quem controla o que acontece na sala de aula deixa de ser o professor e passa a ser um algoritmo que a gente não conhece, a gente não sabe o que está acontecendo lá dentro daqueles modelos de inteligência artificial, a gente não sabe quais dados treinaram aquele modelo. Então é um carro desgovernado. Você imagina se a gente tiver a maioria dos professores brasileiros usando inteligência artificial para guiar o que eles fazem em sala de aula, a gente coloca a educação brasileira numa situação de muito risco.
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A pesquisadora Natália Cosmina, do respeitado Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, liderou um estudo com uma metodologia original.
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Pedimos a 54 estudantes para escrever uma redação. Eles foram divididos em três grupos. Um podia usar o chat GPT. Outro só poderia fazer pesquisas no Google. E o último grupo só podia usar o próprio cérebro.
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Quanto tempo eles tiveram para escrever?
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Todos os participantes tiveram 20 minutos, um tempo bem curto. Um minuto depois, pedimos para os participantes citarem uma frase do trabalho, qualquer parte. Do grupo que usou o chat GPT, 83% não conseguiram citar nada do que tinham acabado de escrever.
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Se essa inteligência artificial é uma ferramenta que simplifica processos, que pula etapas, como que a gente pode garantir que as nossas crianças e adolescentes vão usá-las, vão usar essas ferramentas sem deixar de desenvolver e aprender as competências e habilidades que são essenciais nessa etapa da vida? Essa acho que é a grande preocupação de todo mundo, né? Se a gente se nós já estamos ficando suficientemente preguiçosos usando a inteligência artificial no ambiente profissional, o que dirá no ambiente escolar? Há esse risco, Paulo?
E
Claro, eu acho que esse risco é talvez um dos maiores riscos que a gente tem, porque você vai para escola não é para aprender a fazer produtos prontos, não é para aprender O ponto de ir para a escola não é você entregar uma pintura pronta para o professor de artes ou um texto pronto para o professor de português. O ponto de estar na escola é exatamente aprender a fazer essas coisas. Quando você pega e coloca, fala para uma máquina fazer todo aquele trabalho que você deveria aprender a fazer, a escola não tem função nenhuma. Ela vira um jogo de faz de conta, onde você vai para a escola, você finge que está fazendo, o professor finge que está corrigindo, E isso é um cenário distópico, mas não é um cenário muito distante, se a gente não fizer alguma coisa sobre isso. Porque o ponto de aprender a escrever é você colocar horas e horas, dezenas, centenas de horas construindo um argumento, aprendendo novas palavras, pesquisando, trazendo novos dados. É um trabalho, talvez, Ou seja, uma das coisas mais difíceis que um ser humano pode fazer é aprender a escrever. Agora, quando você dá para uma criança a opção, você quer ficar 10 horas aprendendo a fazer essa redação, ou você quer ficar 30 segundos escrevendo um prompt e ter a redação automaticamente feita pelo computador? é uma escolha que mexe com a cabeça das crianças como mexe com a cabeça dos adultos. Porque o criança fala, por que eu tenho que ficar 10 horas aprendendo? Para que serve isso? Então, a questão da inteligência artificial não é só, ah, vai ajudar os professores a fazerem isso, vai ajudar. É que ela pode, de fato, substituir o próprio trabalho que leva à aprendizagem. Sem esse trabalho, a aprendizagem não acontece.
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Para completar, durante a tarefa, um aparelho de eletroencefalograma registrava a atividade cerebral dos voluntários.
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Descobrimos que a conectividade funcional foi maior no grupo que usou apenas o cérebro. No grupo que fez pesquisas, foi um pouco menor, mas ainda bem presente. E o grupo que usou o chat GPT teve a menor atividade cerebral de todas. Uma diferença muito grande nas regiões do cérebro que processam informações que são relacionadas à criatividade.
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Esse, eu acho que é um perigo, porque também torna as redes de educação, os alunos, os professores, cada vez mais dependentes de ferramentas que a gente não controla, que não tem controle público. A gente não sabe como são feitas, onde são feitas, a gente não sabe se um dia elas vão ser cobradas. A gente teve vários casos já nos últimos 10 anos, onde ferramentas que começaram de graça e depois as empresas começaram a cobrar valores exorbitantes.
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Para onde a gente poderia olhar nesse debate alguma aplicação interessante que pode ser reproduzida aqui no Brasil?
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Experiências que ainda são isoladas, porque ainda é uma coisa muito recente, de, por exemplo, em vez de você fazer com que a criança use um chatbot, você ensina a criança a criar o seu próprio chatbot. Por exemplo, a gente tem um projeto na cidade de Sobral, de ensino de computação e IA, onde a gente fez exatamente isso. Onde as crianças falam, eu só consumi a tecnologia, eu nunca produzi tecnologia e agora que eu produzo tecnologia, eu me sinto pertencente a esse mundo tecnológico. Então, tem experiências desse tipo de você colocar a criança num papel de criadora de tecnologia, ou seja, em vez dela simplesmente ter um professor eletrônico, ela que está programando o computador. Tem um educador muito conhecido, Seymour Papert, ele fala, o computador não deve programar a criança, é a criança que deve programar o computador. Então, acho que esse é o espírito também do ensino usando o IA.
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A tecnologia pode apoiar diretamente o aluno, fazendo perguntas sobre a matéria e identificando em que ponto e por que ele errou, e depois ainda sugerir a revisão de alguns conteúdos para que ele possa melhorar o desempenho. Sem controle, a inteligência artificial pode oferecer respostas tendenciosas.
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O processamento das informações é ser orientado por perguntas que têm a priori de leitura do conjunto de informações disponíveis na sociedade. Isso pode dar viéses raciais, pode dar viéses misóginos. podem ser tão explícitos assim, que podem ser vieses culturais. É um risco enorme. Sociedades ou regimes mais autocráticos, mais autoritários.
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Podem usar a tecnologia para produzir uma.
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Leitura sobre a realidade só sobre a lente de uma determinada visão, de um determinado campo de valores. Então, a gente não quer que a IA seja só mais do mesmo, seja só aprender o velho conteúdo do século XIX, de matemática, disso, daquilo. A gente quer que a IA permita que a criança, por exemplo, crie uma nova teoria sobre física, que ela crie uma nova invenção robótica, que ela crie um novo tipo de obra de arte. E tudo isso é possível. É possível com muito menos tempo de treinamento técnico. nessas áreas e eu acho que isso é um dos grandes potenciais da IA.
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Recentemente, digamos assim há pouco menos de duas décadas, houve uma grande propaganda de como a internet, as telas especialmente, iriam facilitar a educação, democratizar a educação e na sequência o que a gente viu foi uma necessidade de uma política pública mais clara, orientando como usar isso de uma maneira organizada, porque o que a gente estava vendo era uma distração desses alunos, ou seja, retirando os alunos da atenção do conteúdo que estava sendo ensinado. quais são os cuidados que os gestores públicos e a população de um modo geral, agora que esse assunto está entrando em debate, precisam tomar para que a gente não volte a perder tempo com essas grandes promessas tecnológicas que acabam trazendo também efeitos colaterais negativos.
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Eu acho que, em primeiro lugar, a gente tem que lembrar que a inteligência artificial e essas outras tecnologias que muitas vezes entram na escola, elas não entram na escola de forma avulsa. Muitas vezes elas entram como plataformas, plataformas de empresas de Big Tech que estão sediadas lá no Vale do Silício. E essas plataformas, muitas vezes, elas chegam e tomam conta das redes de ensino. Então, os materiais estão na plataforma, a lista de presença está na plataforma, o guia para os professores está na plataforma, tudo está na plataforma. E agora a IA vai entrando ainda mais nessas plataformas, controlando muito mais coisas. Controlando, por exemplo, como o professor vai avaliar o aluno, tem ferramentas para você, por exemplo, avaliar uma redação automaticamente, para você avaliar, em alguns países tem até ferramentas para você avaliar a expressão facial da criança e ver se ela está prestando atenção ou não e tudo mais. Quando essas plataformas entram na escola, e todas essas empresas de IA têm alguma plataforma associada, você está tirando o controle público do que se ensina na escola, do que se faz na escola, e colocando isso na mão de uma empresa que nem é assediada no Brasil, Você não sabe onde os dados estão sendo armazenados, você não sabe para que os dados estão sendo usados, se eles estão sendo monetizados, você não sabe nada sobre o que acontece com aqueles dados. com aquelas informações, e você muitas vezes vai ter um sistema público de uma cidade de um milhão de habitantes controlado por um funcionário de 22 anos lá no Vale do Silício que tá olhando um dashboard lá e falando, ah, essa escola tá indo pior, essa escola tá indo melhor, vou gerar um relatório e mandar para o secretário. Então, isso é uma coisa que... É um risco real a gente ter o controle público da educação, do que se ensina, de como se ensina, de quais professores são recompensados, de quais escolas são recompensadas, transferidos para empresas que dizem ter a solução mágica para todos os problemas da humanidade. Mas que, na verdade, a gente viu o que acontece com as redes sociais, não é nada disso. É um negócio, elas querem fazer dinheiro, elas querem engajar as pessoas, elas querem achar formas de fidelizar os consumidores e tudo mais. E existe um risco real e imediato disso acontecer na escola também. Então, é muito importante, você falou de políticas públicas, a gente criar políticas públicas urgentemente que coloquem todas essas experiências de plataforma, de IA, todos esses contratos têm que ser transparentes, a gente tem que saber o contrato não ser de graça hoje, mas daqui a 10 anos, daqui a 20 anos. Todas as escolhas pedagógicas e as escolhas de conteúdo têm que ser transparentes e abertas para qualquer cidadão ou cidadã olhar. E o governo tem que, e acho que tem muitos governos já fazendo isso, inclusive o governo federal e muitos governos estaduais, mas acho que a gente precisa acelerar isso, esse cuidado de urgentemente criar políticas públicas para a gente não entrar nesse futuro distópico daqui a alguns anos.
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Paulo, muito obrigado pela sua presença, a gente espera contar com você mais vezes aqui no assunto.
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Muito obrigado, Victor, obrigado a toda a sua equipe. Eu queria também agradecer a minha equipe, que me ajudou a levantar muitos dos dados dessa entrevista, o Adel Meloy, a Cássia Fernandes, Fábio Campos, Fernanda Feijó e o Rodrigo Barbosa e Silva. Obrigado pelo convite.
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Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczorowski e Carlos Catellan. Eu sou o Vitor Boiadjan e fico por aqui até o próximo Assunto.
Data: 15 de outubro de 2025
Host: Vitor Boiadian
Participantes:
Neste episódio, Vitor Boiadian explora os desafios e oportunidades que a inteligência artificial (IA) traz para a educação brasileira. Com entrevistas de especialistas e relatos de quem vive a realidade em sala de aula, o episódio investiga como IA está sendo usada por estudantes e professores, a falta de preparo e infraestrutura, os riscos de dependência tecnológica, as promessas de inovação, e os perigos de desigualdade e controle privado sobre dados escolares.
"Cadê o dinheiro para isso?" – Júlia Santana (02:23)
"A resposta é o que a gente precisa, então a gente tem que ler, avaliar se está adequada, pegar os trechos que são interessantes e fazer o resumo no caderno." – Nara Fernandes (07:07)
"Não me sinto ameaçada. Quem conduz a máquina é o homem." – Nara Fernandes (10:35)
"Quando você usa a IA como um auxílio... tudo bem. Mas [...] quem controla o que acontece na sala de aula deixa de ser o professor e passa a ser um algoritmo que a gente não conhece." – Paulo Blikstein (12:36)
Estudo do MIT (Natália Cosmina):
Desenvolvimento de competências:
"O ponto de ir para a escola não é entregar um produto pronto... é aprender a fazer essas coisas." – Paulo Blikstein (15:32)
"O computador não deve programar a criança, é a criança que deve programar o computador." – citação de Seymour Papert trazida por Paulo (19:08)
Vieses e riscos de IA:
Dependência e controle de dados:
“É um risco real a gente ter o controle público da educação transferido para empresas que dizem ter a solução mágica para todos os problemas da humanidade.” – Paulo Blikstein (22:58)
Política pública é fundamental:
Ações urgentes:
O episódio evidencia o papel já central da IA na educação brasileira, mas alerta para o risco de aprofundamento das desigualdades, perda de autonomia docente, dependência tecnológica e invisibilidade dos processos de aprendizagem. A solução não está só em adotar novas ferramentas, mas em garantir formação para professores, infraestrutura para todos, e políticas públicas transparentes e participativas. O futuro da educação com IA será definido por escolhas críticas feitas agora – sobre quem controla, para quem serve e como são usadas as tecnologias em sala de aula.