Transcript
Rafael Colombo (0:03)
Em um vídeo, prédios altos aparecem cobertos de neve até o topo. Pessoas deslizam lá de cima como se o concreto tivesse se transformado em um imenso escorregador de gelo. Em outra imagem, uma mulher negra aparece aos prantos ao ser presa pelo ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos. Em um terceiro vídeo, um carrinho com um bebê desliza em direção à água. Segundos antes da queda, ele é salvo por um cachorro caramelo. Todos esses vídeos apelam à emoção, seja ela de espanto, de revolta ou de comoção, e a reação imediata de milhões de pessoas é clicar em compartilhar nas redes sociais. Eles têm uma característica em comum, todos foram criados por inteligência artificial, numa revolução que acelerou em maio de 2025 com o lançamento de uma nova ferramenta.
David Nemer (0:58)
O Viu3, ou Véu3, é um marco.
Rafael Colombo (1:01)
Na história da qualidade de geração de vídeos. Ele consegue gerar vídeos realísticos de qualquer tipo de situação que você quiser, apenas digitando o comando de texto. Em setembro, foi a vez da OpenAI, criadora do chat GPT, ampliar o acesso ao Sora, seu modelo de gravação de vídeos. O resultado foi imediato. As criações em massa se multiplicaram.
David Nemer (1:26)
Hoje a gente vive uma revolução por dia.
Rafael Colombo (1:28)
São vídeos pensados para o consumo rápido e descartável. Uma forma de entretenimento que dura apenas o tempo de um scroll. De acordo com uma reportagem do The Guardian, um em cada cinco vídeos do YouTube exibidos para novos usuários já é gerado por inteligência artificial. Esse grande volume de conteúdo de I.A. que inunda as redes sociais ganhou até um nome, Slop. Numa tradução livre, seria algo como entulho ou sobra digital. Slop, inclusive, foi eleita a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Merriam-Webster. Não é só entretenimento. Esses vídeos estão mudando uma coisa muito profunda em todos nós. A confiança naquilo que nossos olhos veem. Ver para crer já não basta. É um tipo de conteúdo que também vem sendo usado para reforçar estereótipos, intensificar a polarização política e criar deepfakes, especialmente de mulheres. Um levantamento feito pela agência Bloomberg revelou que o Grox publicou cerca de, presta atenção, 6.700 imagens identificadas como sexualmente sugestivas por hora. Isso num único dia. 6.700 imagens por hora modificadas com conteúdo sexual. Esse número corresponde a 85% de todas as imagens geradas pela ferramenta nesse período. A realidade ainda existe, mas agora, encontrá-la exige mais contexto, mais verificação e mais atenção. Da redação do Dia 1, eu sou.
Rony Domingos (3:16)
Nath Zaneri e o assunto hoje com.
