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Silas Malafaia
Pô, Malafaia, você tá meio emprenhado pelos ouvidos aí. Tu acha que eu mandei alguém negociar com encarregado de negócio? Eu tenho contato direto. Quem foi negociar perdeu o tempo, ok?
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Presidente, a boa. Dá parabéns ao Flávio. Eu não sou a favor da taxação, não. Mas tem que sentar pra conversar sobre a anistia. Tudo a carta do Tumpro é pra você.
Silas Malafaia
Se não começar votando a anistia, não tem negociação sobre tarifa. Não adianta um ou outro governador querer ir pros Estados Unidos, ir pro embaixado. E tô fazendo aquilo que eu entendo, você também tem razão. É a anixia. Resolveu a anixia? Resolveu tudo. Não resolveu? Já era.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Meu presidente, com todo o respeito, discordo de você. Deus tá contigo, cumpadi. Um abraço.
Nath Uzaneri
Da redação do G1, eu sou Nath Uzaneri e o assunto hoje com Vítor Boedian é...
César Tralli
O conteúdo do celular que levou ao indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro e colocou Silas Malafaia como alvo da PF. Minha conversa é com César Tralli, apresentador da Globo e da Globonews. Quinta-feira, 21 de agosto. Primeiro de tudo, obrigado por sair agora do programa do Edição das 18 na Globo News. Obrigado por ter esse tempo para a nossa audiência. A gente começa a nossa conversa no início da noite de quarta-feira, então um pouquinho tempo depois de Eduardo e Jair Bolsonaro serem indiciados pela Polícia Federal. Vamos começar esclarecendo que ação é essa e onde que está o começo do fio dessa investigação.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Vítor, obrigado aqui pelo convite. Essa investigação, ela começa em maio a pedido da PGR. O Paulo Gognet se manifesta para a Polícia Federal e diz, olha, nós aqui na PGR estamos vendo elementos de que o Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, filho do ex-presidente Bolsonaro, está fazendo movimentações no sentido de pressionar a justiça brasileira, de intimidar o Supremo Tribunal Federal, de forçar o governo norte-americano ou estimular o governo norte-americano a entrar nessa pressão toda em cima do STF, por conta, obviamente, do processo criminal que implica o ex-presidente da República na tentativa de golpe de Estado. A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro do PL por coação no curso do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.
Police Federal Representative / Legal Analyst
O relatório da Polícia Federal reúne os indícios colhidos pelos investigadores, como mensagens e áudios do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo os investigadores, mostram um conjunto orquestrado de ações praticadas pelo grupo investigado voltadas a coagir membros do Poder Judiciário e, mais recentemente, do Poder Legislativo, Câmara e Senado. De modo a tentar subjugar os respectivos chefes de poderes aos anseios do grupo criminoso, com a finalidade de obtenção de vantagem Então.
Investigative Journalist / Expert Commentator
A partir dessa manifestação da PGR, a Polícia Federal abre um inquérito, ou seja, lá em maio, e começa, portanto, a investigar o Eduardo Bolsonaro, o deputado que está morando nos Estados Unidos, e também o pai dele, o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro. Entra na investigação também, ao longo dela, o Paulo Figueiredo, que atua juntamente com o Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, fazendo ali intervenções junto ao governo norte-americano, e entra na investigação mais ao fim agora o pastor Silas Malafaia. Então, esse inquérito ele foca muito na atuação do Eduardo Bolsonaro fora do país e também nessa ponte, nessa interlocução que ele faz com o pai aqui no Brasil. Então, são indícios de coação porque tem um processo criminal no STF, ataque à soberania brasileira, intimidação em cima do Supremo Tribunal Federal, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, enfim, são uma série de imputações investigadas pela PF relacionadas principalmente ao filho do ex-presidente e ao próprio ex-presidente da República.
César Tralli
E aí a gente tem alguns fatos marcantes ao longo desse inquérito. Primeiro dia 18 de julho quando as primeiras cautelares sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e naquela ocasião a apreensão de aparelho de celular. No inquérito a gente lê que o ex-presidente habilita um novo aparelho de celular que vem a ser apreendido depois, no dia 4 de agosto, quando há aquelas medidas adicionais e cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Conta pra gente o que a polícia encontrou nesse aparelho de celular apreendido com o ex-presidente no dia 4 de agosto.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então, nessa investigação que apura exatamente tentativa de coação, ataque à soberania brasileira, intimidação do Supremo, atingindo diretamente a pessoa do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal faz a apreensão de material eletrônico, apreende alguns documentos na casa do ex-presidente, apreende o telefone celular dele, naquela ocasião também o pendrive, tem a colocação de uma Tornozeleira Eletrônica. Exatamente 132 dias desde que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso em casa por ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Police Federal Representative / Legal Analyst
Os policiais estavam monitorando a localização de Bolsonaro pelo sinal da Tornozeleira Eletrônica, segundo o ministro Alexandre de Moraes. A decisão foi motivada pelo fato de Bolsonaro ter descumprido, de forma reiterada, medidas cautelares impostas pelo STF, entre elas o uso de redes sociais dele próprio ou de terceiros. Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes citou a divulgação na internet do discurso de Bolsonaro por telefone para apoiadores que participaram de uma manifestação E aí, a.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Partir da apreensão do celular, a Polícia Federal, com um equipamento muito sofisticado, um software, consegue buscar até mesmo arquivos apagados nas trocas de mensagem de WhatsApp e até mesmo de áudios do ex-presidente da República com o filho, com o Silas Malafaia, com outros interlocutores. Esse relatório, ele revela uma série de mensagens que mostram, por exemplo, Eduardo Bolsonaro enfrentando Tarcísio de Freitas ou atacando Tarcísio de Freitas. Temos também ataques de Eduardo Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro. E esse material é usado como prova desses indícios de crime, ou seja, a Polícia Federal junta tudo isso neste inquérito que acaba de ser concluído e a Polícia Federal indicia o ex-presidente e o filho por esses crimes e remete tudo isso agora para o STF.
César Tralli
Além de permitir também as apreensões, as buscas com o pastor Silas Malafaia na chegada, agora, da viagem que ele fazia ao exterior, né, Trally?
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então, porque o Silas Malafaia, nós sabemos que, historicamente, ele é um grande defensor do ex-presidente da república, do legado do ex-presidente da república, na visão do Silas Malafaia, é um pastor que é muito vocal, né, ele é muito contundente nas suas colocações, ele diz que o STF persegue o ex-presidente, ele diz que que o ex-presidente vai ser condenado injustamente, que tudo isso é uma trama, uma armação por parte do Supremo para prejudicar o ex-presidente Bolsonaro.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Alexandre de Moraes promove a maior perseguição política realizada por um ministro do STF na nossa história. Então, eu tenho que fazer um desafio aos 11 ministros do STF, que eles venham a público. E digam, diante da opinião pública e da imprensa, que eles estão apoiando Alexandre de Moraes. O resto é blá, blá, blá, blá, blá. Tá chegando a hora da justiça se manifestar contra esse ditador.
Investigative Journalist / Expert Commentator
E aí, nesses ataques, nessas colocações mais contundentes do Silas Malafaia, ele diretamente afronta o ministro Alexandre de Moraes. Então, na visão dos investigadores, o Silas Malafaia faz parte dessa trama para tentar coagir o Supremo, para tentar obstruir o processo criminal da trama golpista. e, de certa forma, fazer toda essa pressão também que vem dos Estados Unidos para cima do governo brasileiro, especialmente do STF.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Vambora! A FAC o quê? Está contigo, Deus está contigo, compadre! Eles estão é ferrado! Vão ter que sentar no colinho!
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então o Silas Malafaia passa a ser investigado nesse inquérito, ele não foi indiciado agora pela Polícia Federal, pode vir a ser, porque o celular dele foi apreendido e a partir da apreensão do celular dele Enfim, a Polícia Federal pode extrair elementos de indícios que, na visão dos investigadores, podem levar ao indiciamento do Silas Malafaia. No momento, ele não foi indiciado por esses crimes, porém, ele foi, obviamente, obrigado a prestar depoimento para a PF. Então, ele estava voltando de um voo de Lisboa, E a informação que eu tenho de bastidor é que uma equipe da Polícia Federal já esperava no Finger, no local onde o avião ia desembarcar os passageiros, e quando abriu a porta do avião, a equipe da Polícia Federal já estava esperando ali pelo Silas Malafaia.
César Tralli
A PF também apreendeu, agora à noite.
Investigative Journalist / Expert Commentator
O passaporte e o celular do pastor Silas Malafaia.
César Tralli
Ele é suspeito de liderar uma ação.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Para coagir ministros do STF a suspender.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
A ação penal contra Jair Bolsonaro. Aprender meu passaporte, eu não sou bandido! Aprender meu passaporte, aprender meu telefone, vai descobrir o quê? Ainda dei a senha, que eu não tenho medo de nada! Conversa, conversa, conversa, conversa com Bolsonaro, eu tô proibido de falar com eles e não posso falar o que é porque eu tô proibido. Converso com amigos, eu tenho conversa de amigo e conversas particulares não interessam a ninguém. Que país é esse que vaza conversas minhas particulares com que se eu instruísse Eduardo, olha, faz assim ou faz assado. Quem sou eu? A posição de Eduardo é dele! É uma vergonha! Que país é esse? Que democracia é essa? Eu não vou me calar! Vai ter que me prender pra me calar!
Investigative Journalist / Expert Commentator
Perguntei até alguns investigadores como é que ele reagiu no momento e tal. Diz que ele foi tranquilo, que ele não esboçou nenhum tipo de reação raivosa ou tentou, enfim, de certa forma, confrontar os policiais que estavam ali no aeroporto internacional do Galeão. E a partir daí a Polícia Federal, a equipe que foi designada para fazer essa abordagem no Galeão, auxílio aos Malafaia, mostrou para ele, olha, tem aqui uma ordem de busca e apreensão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, nessa busca e apreensão eu tenho que aprender o seu celular, tenho que aprender o que tem com você e você vai prestar agora um depoimento. Então levaram o Cyrus Malafaia para uma sala da própria Polícia Federal no aeroporto do Galeão para fazer uma tomada de depoimento em relação a essas acusações que pesam contra ele no curso dessa investigação de coação, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, pressão sobre o STF, e tudo mais, então a gente vai ter que observar agora daqui pra frente como é que vai ficar a situação do pastor Silas Malafaia e até como é que ele vai reagir a tudo isso, porque ele sempre teve uma postura de confrontar tudo isso, ele sempre confrontou essas questões todas e a gente vai ter que ver agora de que forma que ele vai reagir a tudo isso também.
César Tralli
Inclusive foi sempre muito vocal naquele período em que Bolsonaro já estava com medidas cautelares impostas a ele e houve manifestações em favor do ex-presidente em vários pontos do país. Malafaia esteve presente em um deles.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Mas eu vou dizer, vai chegar a hora desse ditador, ele tem que tomar um impeachment, ser julgado e preso pelo bem do Estado Democrático Brasileiro. Vai chegar a hora dele pelas vias legais, por pressão do povo, por pressões internacionais e pela justiça de Deus. É um absurdo de pura perseguição que esse cara fez agora com Bolsonaro. Nós vamos dar uma resposta a esse ditador desgraçado. Você sabia que Bolsonaro só pode sair da casa dele de segunda a sexta, de seis da manhã às sete da noite, Centenas de brasileiros na cadeia, idosos, trabalhadores, mães de família, centenas de brasileiros exilados, porque não podem falar aqui.
César Tralli
Agora também é importante destacar que a polícia com posse do celular de Malafaia vai poder ter a outra ponta das conversas que estão sendo encontradas.
Investigative Journalist / Expert Commentator
É, mas independentemente do celular do Malafaia, Vitor, a Polícia Federal, quando ela consegue recuperar muitos arquivos do celular apreendido do ex-presidente Bolsonaro, o celular apreendido mais recentemente, porque ao longo das investigações da PF que pesam aí contra o ex-presidente da República, vários aparelhos dele já foram apreendidos. Nesta apreensão mais recente, que tem muito a ver também com essa investigação, O ex-presidente da república tem o hábito de mandar áudio, de mandar textos e tal, e apagar tudo na sequência, numa tentativa de não deixar rastro. Porém, a PF tem mecanismos para recuperar até mesmo mensagens apagadas. Então, ao recuperar mensagens apagadas e áudios apagados, A Polícia Federal faz constar nesse relatório final, que tem 170 páginas, relatório que foi para o STF, faz constar exatamente várias conversas entre o ex-presidente e o Silas Malafaia, conversas sobre as quais, na visão dos investigadores, há, portanto, aí uma espécie de jogo jogado, de conluio entre as partes, no sentido de, olha, As coações têm que continuar, os ataques ao Supremo têm que continuar. Nós não podemos parar com relação à divulgação daquilo que, no nosso entendimento, tem a ver com perseguição, com falta, portanto, de uma justiça correta por parte do Supremo Tribunal Federal.
Silas Malafaia
Se eu der uma de má chama agora, atenção, só se for assim, só se for assado, não resolve nada. Eu tenho meus contatos.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Toda rombada que o Trump deu no mundo é sobre economia. Você! Com o Brasil é sobre você, cara! A faca e o queijo tá na tua mão, cacete! E nós não podemos perder isso, pô!
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então são áudios e textos que mostram uma articulação muito grande entre o Silas Malafaia e o ex-presidente da república neste sentido, de acordo com a investigação. E o mesmo também é descoberto na extração desse material do celular do ex-presidente, conversas dele com o filho Eduardo Bolsonaro e até conteúdos surpreendentes e curiosos, em que o filho Eduardo Bolsonaro, lá nos Estados Unidos, orienta o pai a reagir aqui no Brasil às pressões que vêm dos Estados Unidos e chega a dizer, Se o senhor não reagir, se não houver uma postura mais firme, contundente do senhor, pode ser até que aqui o 01, o 01 é o Donald Trump, vire as costas para o Brasil, vire essa página e vá focar em outras questões. Ou seja, pode ser que nós até sejamos abandonados.
Police Federal Representative / Legal Analyst
Segundo a PF, Eduardo Bolsonaro enviou mensagens ao pai evidenciando que a real intenção dos investigados não seria uma anistia para os condenados pelos atos golpistas realizados no dia 8 de janeiro de 2022, mas sim interesses pessoais. Na mensagem recuperada pela PF, Eduardo afirmou, se a anistia Light passar, a última ajuda vinda dos Estados Unidos terá sido o post do Trump. Eles não irão mais ajudar. Temos que decidir entre ajudar o Brasil, brecar o STF e resgatar a democracia, ou enviar o pessoal que esteve num protesto, que evoluiu para uma baderna, para casa num semiaberto. Neste cenário, você não teria mais amparo dos Estados Unidos, o que conseguimos a duras penas aqui, bem como estaria igualmente condenado no final de agosto.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então, ele deixa entender, na visão dos investigadores, o Eduardo Bolsonaro, que se não houver contrapartida no Brasil, do pai, enfim, dos seus principais auxiliares e tal, no sentido de, olha, nós temos que dar voz e apoiar o ex-presidente Bolsonaro nessas questões, tudo isso pode até nos prejudicar depois ou a gente pode não ter a força necessária que nós estamos querendo ter.
Police Federal Representative / Legal Analyst
Em 10 de julho, Eduardo enviou outra mensagem para o seu pai. Segundo a PF, o deputado estava advertindo Jair Bolsonaro da necessidade de publicar em uma rede social um agradecimento ao presidente Donald Trump pelas medidas aplicadas contra o Brasil. A mensagem diz o seguinte, opinião pública vai entender e você tem tempo para reverter se for o caso. Você não vai ter tempo de reverter se o cara daqui virar as costas para você. Segundo a PF, uma referência a Trump.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então, na visão dos investigadores, Vitor, fica muito claro para essa equipe da Polícia Federal que conduziu o inquérito, que lá dos Estados Unidos, o Eduardo Bolsonaro, de fato, segundo a investigação, operava muito fortemente nessa questão de pressionar o governo norte-americano a pressionar o Supremo Tribunal Federal e vir até com sanções em cima do STF. Curiosamente, e coincidências a gente sabe que praticamente não existem nessas questões, ao longo do inquérito e por conta dessa pressão toda que vem de fora, a gente tem aí suspensão de visto do ministro Alexandre de Moraes para os Estados Unidos, de outros ministros também. a lei Magnitsky em cima do Alexandre de Moraes, o tarifaço do Donald Trump.
César Tralli
Quer dizer, tudo isso acontecia em meio a essa escalada de tensão, né? Esse período em que se escalava a tensão abertamente entre o governo dos Estados Unidos e agentes públicos aqui no Brasil, estavam essas conversas acontecendo, o que mostra, aparentemente, que Diferentemente do que eles diziam à justiça, eles estavam, podem estar desrespeitando as medidas cautelares que estavam impostas naquele momento ao ex-presidente.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Você veja, esse inquérito começa no início de maio. Dois meses depois, comecinho de julho, 9 de julho, vem a carta bomba do Trump em cima do Brasil, com o tarifaço de 50% para as nossas exportações. E na carta bomba, porque foi assim que ela foi recebida pelo governo, no Palácio do Planalto e até mesmo no STF, O presidente Donald Trump faz menção aos ataques sofridos pelo ex-presidente Bolsonaro, ou seja, o processo criminal em que ele é réu por tentativa de golpe de Estado, ou seja, o presidente Donald Trump diz que o ex-presidente está sendo injustiçado e faz também menção às próprias Big Techs, as grandes plataformas de redes sociais, por conta exatamente de uma tentativa de regular o conteúdo e combater desinformação. Então você veja que tudo tem a ver com uma grande articulação na visão da Polícia Federal, no sentido de tentar fazer frente ao processo criminal que envolve o ex-presidente da República, cujo desfecho nós iremos ver agora no começo de setembro.
César Tralli
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com César Tragli. Movimento led.com.br inscrições prorrogadas até dia 10 de setembro. E agora tem um outro documento que foi encontrado nesse celular do ex-presidente, que é importante a gente destacar também. A Polícia Federal diz que Bolsonaro tinha uma minuta em que iria pedir, poderia vir a pedir, um asilo político para o presidente da Argentina, Javier Milley. Segundo o relatório, qual que é a origem desse documento, Trally? O que os investigadores sabem?
Investigative Journalist / Expert Commentator
Esse documento foi encontrado no celular. Eles conseguiram recuperar. Estava apagado. E esse documento, ele não tem data. E não tem ano, então assim, ele tá em aberto.
Nath Uzaneri
Onde no documento a Polícia Federal diz claramente aqui ó, minutos de solicitação de asilo político por Jair Bolsonaro ao governo argentino. Durante a análise do material apreendido foi identificado um arquivo de texto em formato tal, com a última atualização em 12 de fevereiro de 24, cujo conteúdo revela que Jair Bolsonaro praticou atos para obter asilo político na Argentina. Embora se trate de um único documento em formato editável, sem data e assinatura, seu teor revela que o réu, desde a deflagração da operação, planejou atos de fugir do país com o objetivo de impedir a aplicação da lei penal.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Então, na visão da investigação, é como se o ex-presidente da República estivesse a qualquer momento pronto para entrar com um pedido de asilo, uma carta na manga ali para o presidente Javier Milley. E é um documento que faz exatamente isso, um pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milley, que é um presidente de direita, ele tem alinhamento com o ex-presidente Bolsonaro, enfim, seria um país, na visão dos investigadores, que facilmente daria guarida ao ex-presidente da república se ele fugisse do Brasil. E, no inquérito, nesse relatório final, a Polícia Federal usa Esse pedido de asilo que não está formalizado, não está assinado, é um esboço de pedido de asilo, é um documento pronto para ser preenchido e assinado. Usa essa carta na manga como mais um indício de que o ex-presidente da República estaria articulando uma fuga do Brasil, ou seja, na iminência de uma possível condenação pelo STF, o ex-presidente, se tivesse oportunidade, conseguiria escapar para a Argentina. A gente viu que depois, ao longo da investigação, foram ocorrendo outros fatos envolvendo o ex-presidente como descumprimento de medida cautelar e tal, em que ele passa a usar tornozeleira eletrônica e, ainda numa situação mais grave, passa a cumprir prisão domiciliar, com restrição absoluta de circulação. Então, esse documento não tem data, mas ele estava nesse celular apreendido do ex-presidente da república.
César Tralli
Muito bem, então agora, olhando pra frente, a gente, como você mencionou, dia 2 de setembro, começo do mês que vem, começa de fato o julgamento do núcleo crucial da chamada trama golpista lá pelo Supremo Tribunal Federal. Mas, enquanto isso, surge esse novo inquérito. O que a gente pode esperar nos próximos passos dessa investigação, desse inquérito que agora chega a indiciar o ex-presidente, o deputado federal e também o pastor Silas Malafaia?
Investigative Journalist / Expert Commentator
Talvez seja importante a gente destacar que esse inquérito não vai entrar no processo criminal da trama golpista. É um documento à parte, digamos assim, é uma investigação à parte, é um procedimento completamente fora do processo criminal da trama golpista, muito embora eles se conectem. Mas do ponto de vista formal, esse inquérito agora, a partir do momento que ele foi relatado com esses indiciamentos e encaminhado para o STF, o STF manda para a PGR pedindo para que o Paulo Gomes se manifeste sobre oferecimento ou não de denúncia em relação aos indiciados. O meu convencimento e entendimento é de que vai haver oferecimento de denúncia por todas as provas ou indícios de provas que a Polícia Federal coloca nesse relatório de 170 páginas. Exatamente por conta da extração de material eletrônico, enfim, de conversas, de áudios. Tem muito áudio, muito áudio mesmo.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
Você sabe que amigo é aquele que fala que o outro tá com uma Wallet. Eu aprendi esse ditado há muito tempo atrás. Tem que ter muita intimidade pra dizer que o outro tá com uma Wallet.
Silas Malafaia
Cada três segundos um solução, é impossível gravar qualquer coisa. E essa crise tá comigo há dias, tá ok? Preciso ir pra casa acalmar, que eu faço.
Supporter of Bolsonaro / Political Ally
E vem o, vem teu filho babaca falar merda, dando discurso nacionalista, que eu sei que você não é a favor disso, dê-lhe uns porra o cara mandei um áudio pra ele de arrombar.
Investigative Journalist / Expert Commentator
De conversas do ex-presidente com o filho, de conversas do ex-presidente com o Silas Malafaia, com outras pessoas e tal. Então tudo isso agora a PGR vai analisar, vai se manifestar, meu entendimento é de que vai haver um oferecimento de denúncia e muito provavelmente aceitação dessa denúncia. Então No futuro, que não deve demorar, um futuro em breve, deve ser aberto um novo processo criminal envolvendo o ex-presidente da república e agora também o filho dele, o Eduardo Bolsonaro. Tem circulado aí uns áudios, vazaram, mais uma vez, através do Fishing Expedition, pegam o celular do Bolsonaro, vazam o que interessam, jogam uma cortina de fumaça para o que realmente importa, Moraes e Dino estão tendo um tempo muito ruim com os bancos, sabem que não vão ganhar essa parada, pois não existe cenário de vitória para o STF.
César Tralli
E, diante disso tudo, eu tô aqui.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Pra dizer o seguinte, Pastor Silas Malafaia, tamo junto! E esse processo vai correr totalmente em paralelo, fora do escopo desse processo penal da trama golpista. É claro que tudo isso, esse inquérito que a gente está tendo acesso agora e que vem com esses indiciamentos, tem um peso no desfecho do processo criminal da trama golpista, quer dizer, tem um peso. Então, nas análises da primeira turma do STF, eles têm que se concentrar, obviamente, em cima das provas que fazem parte do processo criminal, ou seja, as acusações, as alegações de defesa, e têm que formar um veredito em cima daquele material todo que é muito robusto também, mas é claro que tem. Não tem como você desconectar uma coisa da outra. Então, nós vamos ter que observar agora como é que vai ser o desfecho desse processo criminal no STF. Uma sentença deve sair, portanto, pela previsão até a metade do mês de setembro. E tudo leva a crer, até pelo entendimento das pessoas mais próximas do ex-presidente, do filho, do Silas Malafaia, do próprio ex-presidente, que vai haver É condenação. O que a gente vai ter que saber é que tipo de condenação. É condenação à prisão domiciliar? Então ele já vai continuar em prisão domiciliar? É condenação a uma pena de prisão em regime fechado? Vai para algum outro lugar cumprir isso? quanto tempo de condenação, todos os réus vão ser condenados, os sete que envolvem aí esse núcleo crucial, mais o ex-presidente da república. Então, é algo que a gente vai ter que observar, mas que caminha, obviamente, por uma sentença em breve, a gente está falando aí de duas, três semanas no máximo, com uma possível condenação dos principais réus nessa questão da trama golpista. E vai ser muito importante também a gente observar o que vai vir mais de pressão internacional, quer dizer, porque segundo o próprio relatório da Polícia Federal, tudo que os Estados Unidos têm feito em cima do Brasil, do Alexandre de Moraes, de outros ministros do STF, tem a ver exatamente com o processo criminal da trama golpista que está chegando no seu desfecho, no seu veredito, enfim, numa sentença. Então, tudo tem a ver com isso, no entendimento dos investigadores, uma retaliação a essas questões todas pra tentar evitar que o ex-presidente seja punido.
César Tralli
E agora, se você puder também compartilhar a sua opinião ou o que você tem ouvido dos repórteres, que você acabou de sair do jornal, das implicações políticas também disso, né? A gente tem o deputado federal Eduardo Bolsonaro, já não mais licenciado, com suas faltas contando, que pode implicar na extinção do seu mandato. O ex-presidente numa prisão domiciliar, dizendo que são medidas excessivas contra ele. E agora elementos que justificam as razões pelas quais a justiça decidiu por essas medidas. O que você vê aí no aspecto político sobre essas figuras que agora passam a um novo indiciamento?
Investigative Journalist / Expert Commentator
Olha, por tudo que a gente tem observado e conversado com fontes, com colegas, em Brasília, fontes até mesmo do Supremo, dentro da própria Polícia Federal, na PGR, o entendimento é de que essa temperatura não vai baixar. Muito pelo contrário, há uma queda de braço aí que é meio vamos para o tudo ou nada. O que se espera é ainda mais pressão por parte do governo norte-americano, até mesmo com a possibilidade da lei Magnitsky, implicando outros ministros do Supremo. Há também uma possibilidade de novas cassações de visto para entrar nos Estados Unidos, envolvendo até mesmo parlamentares, integrantes da cúpula do Congresso Nacional. Então, há um ambiente de observação no sentido de que essa temperatura não vai baixar. assim como há uma convicção por parte da Polícia Federal, do STF e da PGR, de que o Eduardo Bolsonaro não pisa mais no Brasil tão cedo. Quer dizer, ele foi para fora, foi morar fora, se licenciou com esse objetivo de lutar até o último minuto para tentar salvar a pele do pai de uma condenação da ineligibilidade e fazer uma campanha de que o pai é um perseguido político. Ele tem muito acesso à Casa Branca, as sanções que vieram de lá demonstram isso, que o Eduardo Bolsonaro, junto com Paulo Figueiredo, eles conseguiram acesso a interlocutores auxiliares muito próximos do presidente Donald Trump e que, portanto, tudo isso que o Trump está fazendo é resposta a essa aproximação que o Eduardo Bolsonaro fez no sentido de convencer o presidente norte-americano de que o pai dele, Jair Bolsonaro, é um perseguido político no Brasil e é um perseguido do STF. O Eduardo Bolsonaro não volta mais para o Brasil tão cedo, Vitor, até porque ele já está indiciado. Se ele pisar no Brasil, ele mesmo já deu declarações de que ele tem praticamente convicção de que vai ser preso. É por isso que eu quero crer que essa situação não vai... essa fervura não vai ceder, não. É muito possível e provável, como me disse hoje um delegado da Polícia Federal, que participa ativamente dessas investigações, que a gente vai ver esse caldo borbulhar ainda mais.
César Tralli
Trali, obrigado por ter vindo aqui logo depois do jornal, depois de um dia tão cheio, explicar tudo isso para os nossos ouvintes. Venha sempre ao assunto.
Investigative Journalist / Expert Commentator
Obrigado, prazer foi todo meu, Vitor. Um abraço.
César Tralli
Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Rezende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczorowski e Carlos Catellan. Eu sou o Vitor Boiadjan e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Podcast: O Assunto (G1)
Data de exibição: 21 de agosto de 2025
Host: Natuza Nery (com Vítor Boiadjan)
Entrevistado: César Tralli (Globo/GloboNews), Investigative Journalist/Expert Commentator, Police Federal Representatives, Political Allies, Silas Malafaia
O episódio aborda o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, por coação no curso de processo judicial. A discussão gira em torno do contexto e dos bastidores da investigação da Polícia Federal, que também envolve o pastor Silas Malafaia e interlocuções internacionais, especialmente com os Estados Unidos. O episódio explora como mensagens, áudios e outros documentos recuperados dos dispositivos eletrônicos de Jair Bolsonaro alimentaram o relatório da PF, e traz uma análise aprofundada das implicações políticas e jurídicas desse desdobramento.
[01:35]
“A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro do PL por coação no curso do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.”
— Investigative Journalist/Expert, [01:35]
[04:28]
“A Polícia Federal faz a apreensão de material eletrônico, apreende alguns documentos na casa do ex-presidente, apreende o telefone celular dele, naquela ocasião também o pendrive...”
— Investigative Journalist/Expert, [05:05]
[07:24]
“A equipe da Polícia Federal já esperava... e quando abriu a porta do avião, estavam esperando ali pelo Silas Malafaia.”
— Investigative Journalist/Expert, [09:15]
[13:59]
“Na mensagem recuperada pela PF, Eduardo afirmou, se a anistia Light passar, a última ajuda vinda dos Estados Unidos terá sido o post do Trump. Eles não irão mais ajudar.”
— Police Federal Representative/Legal Analyst, [16:51]
[22:14]
“Na visão da investigação, é como se o ex-presidente da República estivesse a qualquer momento pronto para entrar com um pedido de asilo, uma carta na manga ali para o presidente Javier Milley.”
— Investigative Journalist/Expert, [23:04]
[25:26]
“No futuro, que não deve demorar, deve ser aberto um novo processo criminal envolvendo o ex-presidente da República e agora também o filho dele, o Eduardo Bolsonaro.”
— Investigative Journalist/Expert, [27:03]
[31:24]
“O entendimento é de que essa temperatura não vai baixar. Muito pelo contrário, há uma queda de braço aí que é meio vamos para o tudo ou nada.”
— Investigative Journalist/Expert, [31:24]
Silas Malafaia confronta a narrativa de conspiração:
“Aprender meu passaporte, eu não sou bandido!... Que democracia é essa? Eu não vou me calar! Vai ter que me prender pra me calar!”
[10:24]
Suposto aliado político reflete o clima de enfrentamento:
“Alexandre de Moraes promove a maior perseguição política realizada por um ministro do STF na nossa história... Tá chegando a hora da justiça se manifestar contra esse ditador.”
[08:05]
César Tralli destaca consequências políticas para Eduardo Bolsonaro:
“O deputado federal Eduardo Bolsonaro, já não mais licenciado, com suas faltas contando, que pode implicar na extinção do seu mandato.”
[30:38]
O episódio evidencia uma complexa rede de articulações políticas e jurídicas envolvendo a família Bolsonaro, apoiadores e aliados religiosos, com forte repercussão internacional. As provas digitais reconstruídas apontam uma sistemática tentativa de coação ao STF e estratégias para influenciar decisões políticas no Brasil via pressão internacional, principalmente dos EUA. O futuro próximo deve trazer novos capítulos judiciais e forte tensão política em torno do ex-presidente e seu círculo.
O caso evidencia a escalada do embate entre setores bolsonaristas e instituições da justiça brasileira, com impactos diretos sobre a estabilidade política e a imagem do país no exterior. A atuação protagonista de Eduardo Bolsonaro nos EUA, as articulações reveladas nas mensagens, o papel midiático-religioso de Malafaia e as respostas institucionais do STF e PF compõem o cenário de possível desfecho judicial histórico para o Brasil.