Loading summary
Vitor Boiadjan
Javier Milei, em uma pesquisa, apontou que o presidente argentino teve o pior nível de aprovação desde o início do mandato
Narrator/Host
De acordo com o Instituto de Pesquisa Zuban Córdoba, 64,5% dos argentinos desaprovam o governo, um índice que cresceu 15% nos últimos seis meses E a gestão até tem bons números para apresentar Segundo o INDEC, o IBGE deles, o nosso vizinho reduziu a pobreza de 38,1% para 28,2%. Isso significa que cerca de 4,5 milhões de pessoas saíram desta situação. Outros indicadores da macroeconomia também dão bons sinais. O PIB cresceu 4,4% em 2025. A inflação perdeu força e o país apresentou um superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo. Mas nas ruas a realidade pesa, com lojas e fábricas fechadas e uma onda de demissões. E diante de 19 mil empresas fechadas desde o início do governo, Fica evidente a dinâmica que o coloca entre os líderes mais rejeitados da América Latina. Enquanto isso, para tentar injetar mais dinheiro na economia do país, o governo tenta ativar uma fonte de recursos que não está nos bancos, mas dentro de casa. Na Argentina, por uma insegurança histórica no sistema financeiro, é comum as pessoas guardarem dólares fora dos bancos, em casa, e até no colchão. Há estimativas de que cerca de 170 bilhões de dólares estejam guardados fora dos bancos, e Millet lançou campanhas para trazer esse dinheiro de volta à economia. A ideia do governo é que esse dinheiro volte a circular. Economistas apontam que, se isso acontecer, pode aumentar o crédito e o consumo. o que poderia ajudar a aliviar o custo de vida, um dos principais pontos de pressão sobre a popularidade do governo. Os depósitos até cresceram, mas ainda de forma tímida, em um país onde a desconfiança não desaparece tão rápido.
Ariel Palacios
Da redação
Vitor Boiadjan
do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje com Vítor Boedian
Narrator/Host
é Javier Millet, em popularidade recorde e situação econômica na Argentina. Neste episódio, eu converso com Ariel Palacios, correspondente da Globo e da Globo News para a América Latina. Ariel mora em Buenos Aires. Quarta-feira, 6 de maio. Ariel Palacios, como explicar que mesmo com a queda da pobreza na Argentina, Milei esteja enfrentando um nível tão alto de desaprovação?
Ariel Palacios
É preciso ver a nuance da coisa, porque embora a pobreza tenha caído, uma boa parte dessas pessoas que deixaram de ser pobres estão ali na beirada, no solo, no assoalho. Se houvesse três andares na sociedade argentina, classe alta, média e a classe baixa, abaixo ali, no térreo, esses ex-pobres recentes estariam ali raspando no assoalho entre o térreo e o primeiro andar. Então são pessoas que deixaram de ser pobres, mas viraram uma classe média em penúria, uma classe média muito apertada que está com grandes dificuldades de chegar ao fim do mês. Então houve uma queda da pobreza, mas se a gente olha ali o detalhe da estatística, não é muito bem assim. Por outro lado, houve um crescimento do desemprego e há uma retomada da alta inflacionária. A inflação caiu no primeiro ano e meio de governo Mileni, ou seja, em 2024, foi desacelerando sem parar, entrou em 2025, continuou desacelerando, só que em junho do ano passado a inflação deteve essa desaceleração e voltou a crescer. Então já é quase um ano de inflação crescendo de novo. Isso aumenta a irritação popular dos argentinos. Então há vários índices e os especialistas e os economistas que calculam índices de pobreza, eles estão considerando que essa pobreza, que havia caído no segundo semestre do ano passado para 28,2%, a próxima medição poderia indicar uma nova retomada do crescimento da pobreza, já que a inflação não para de crescer. Então, São cenários sociais muito complicados. Aí você soma o fechamento de milhares, de dezenas de milhares de empresas e 300 mil postos de trabalho que foram eliminados desde o início do governo Milei. E muitas pessoas que às vezes voltaram a conseguir trabalho, mas não é um trabalho formal, são trabalhos informais. Recordando que 45% da população argentina vive na informalidade. Então, o número oficial da pobreza parece interessante, positivo, mas por trás disso há outros índices que estão mostrando que a coisa voltou a se complicar.
Narrator/Host
Ariel, você mencionou a informalidade no mercado de trabalho, mas eu queria falar também da informalidade no sistema financeiro. Há centenas de bilhões de dólares que os argentinos preferem guardar no colchão de casa em vez de levá-los para o sistema bancário. Por que que Millet, que foi um candidato tão pró-mercado, até ele tem dificuldade de trazer esses recursos para o sistema formal financeiro?
Ariel Palacios
É uma dificuldade que Millet e todos os presidentes argentinos têm enfrentado ao longo das últimas décadas. Só para fazer um pequeno histórico. Os argentinos se aferram aos dólares de uma forma sem nenhuma espécie de paralelo em todo o continente americano, porque é uma economia que desde 1975 já teve oito graves crises econômicas. Quando eu digo graves, qualquer crise grave brasileira é nada perto das crises argentinas.
Vitor Boiadjan
Acompanhamos a Silvia Nissetti, artista plástica, até o supermercado. Foi uma aula de história sobre como era viver no Brasil nos anos 80 e começo dos 90, quando a inflação era um problema sem solução. As donas de casa sempre atrás de ofertas. Sim, claro.
Ariel Palacios
Tinha uma época em que eu comia
Vitor Boiadjan
filé todos os dias. a impressão de que tudo que o país produz de melhor não é pra você.
Ariel Palacios
Isso fez com que os argentinos tivessem uma desconfiança persistente da classe política, até porque os governos que chegaram ao poder tiveram políticas econômicas erráticas. Houve governos que chegaram estatizando e no final do mandato estavam privatizando, ou vice-versa. Emilem prometeu muita coisa e não cumpriu. Cortou muitos lugares sociais, cortou para educação, para saúde pública, mas aqueles subsídios que os governos, desde a crise de 2001-2002, especialmente os governos Kirchner, do canal Kirchner, haviam instaurado e se manteve Sem interrupção, nesse último quarto de século, todos aqueles subsídios para os setores pobres manteve. Millet não fala sobre o assunto porque é constrangedor para o anarcocapitalista dizer que continua subsidiando em grande escala boa parte da população porque seria confessar que está cometendo uma heresia ultra neoliberal. Inclusive, nesta semana, a notícia era que, para 4 milhões de famílias argentinas, haverá um subsídio de 70% das tarifas de gás. Gás, que na Argentina é fundamental não só para a cozinha, mas para a calefação no outono e no inverno. Então, não tem nada a ver toda aquela coisa que Millet pregava de neoliberalismo selvagem. A Milei está mantendo essas tarifas porque, também a mesma coisa, para evitar problemas nas eleições do ano que vem. E os argentinos são muito desconfiados sobre isso, eles usam os dólares como reserva, não usam os dólares no dia a dia para compras ou vendas, usam como reserva e fora do sistema bancário, porque não confiam nos bancos, e fora das garras dos governos, seja lá o governo que for. O governo Milei tentou duas anistias para esses dólares que estão fora do sistema, Ou seja, na Argentina, dentro do colchão, como você citou, Victor, guardado nos mais variados esconderijos domésticos, em caixas de segurança. Então, quando o Millet fez essas anistias, ele conseguiu trazer de um total mais ou menos de 260 bilhões de dólares que os argentinos possuem no exterior. E quando eu digo argentinos, não é a elite. É desempregada doméstica que consegue guardar 500 dólares, até o dentista que guarda alguns milhares, o empresário que guarda milhões, conseguiu trazer de volta ao país mais ou menos 20 bilhões de dólares, menos de 10% do total. Esse dinheiro entrou na Argentina, foi legalizado, e desses 20 bilhões de dólares, 19 bilhões de dólares, quase 19 bilhões, voltaram a sair em poucos dias, ou seja, um sinal de que não se confia no país, seja com o Millet ou com qualquer outro presidente. Apenas um bilhão de dólares ficou, uma quantia ínfima, perto do total que os argentinos possuem no exterior. Ou seja, isso indica que até o eleitor de Millet prefere não confiar em Millet. Mas aí também é preciso fazer outra nuance. Boa parte das pessoas que votaram em Millet votaram não porque amam Millet, votaram em Milei porque odeiam os peronistas. Então, não voto pró-governo, é um voto ante um setor da oposição. E também, os próprios empresários ficam na dúvida se investem ou não investem, porque esperam tempos melhores ou tempos mais previsíveis, porque também tem aquela questão emocional de Milei. Ele emocionalmente é muito instável, ele tem acessos de fúria, maior multinacional argentina, A Ítalo-Argentina Tecint, que perdeu por uma birra de Millet, perdeu a chance de ter a concessão de uma série de obras ali na jazida de Vaca-Muerto, que é a maior jazida de Shell Gas da América Latina, perdeu para uma empresa da Índia a um confronto Millet chama depreciativamente o presidente desse grupo, Paulo Roca, Sr. Sucatinha, Sr. Chatareta, Sr. Sucatinha, ou seja, se é uma pessoa que tem a maior empresa do mundo, que é a Argentina, de produção de tubos de aço sem costura, de Sr. Sucatinha. Inclusive, esse empresário, Paulo Roca, recentemente se encontrou com o ex-presidente Maurício Macri e disse, precisamos racionalidade, porque Macri estava pensando, não ele ser candidato, mas sim que o partido de Macri, o PRO, apresente algum candidato para as eleições do ano que vem. E só o fato de Macri já estar pensando em uma opção sem estar aliado com o Millet indica que também os próprios aliados de Millet começaram a se cansar dele.
Narrator/Host
O que você tá me descrevendo, essa retórica provocativa, essa postura de anti-herói, ela costuma gerar engajamento nas redes sociais e explica uma parte, claro, do apoio que Miley teve pra ser eleito. Eu te pergunto, Ariel, como explicar A segunda chance que ele teve com as eleições legislativas que ocorreram no fim do ano passado. Por que que o Argentina então deu mais uma chance dando um amplo apoio no Congresso para a Milei? E agora o que que está acontecendo?
Ariel Palacios
Milei não está ali por mérito próprio. Milei está ali porque a oposição é uma catástrofe. Então, só por isso, e aí acabou ganhando as eleições parlamentares do meio do mandato de outubro do ano passado, o que deu um pouco de oxigênio. Ele não conseguiu maioria própria, mas agora ele tem a primeira minoria. A dúvida agora é o que vai acontecer até outubro do ano que vem, quando são as eleições presidenciais. A oposição continua sem uma figura forte, uma figura que seja uma nova figura, mas dentro dos partidos tradicionais. Por exemplo, o do peronismo, Cristina Kirchner, ex-presidente, está em prisão domiciliar por uma saraivada de escândalos de corrupção e foi declarada inergível para todo o resto de sua vida. Então querem tirar uma carta fora do baralho. Mas aí apareceu uma jovem figura, que é o ex-ministro da economia dela, Axel Kicillof, que é a principal figura do periodismo, porque é o governador da principal província do país, a província de Buenos Aires, e também não vai bem das pernas. Mas é a figura principal, nos últimos anos conseguiu ter um certo jogo de cintura, mas ele também é recordado por ter sido ministro da economia de Cristina e se encarregava de manipular os índices de inflação e os índices de pobreza. Recordando que houve anos, no início da segunda década, que o governo de Cristina Kirchner dizia que a Argentina tenha menos pobres do que a Alemanha. tinha 5% de pobres, o que era um absurdo total. O fato é que não há grandes figuras da oposição para o ano que vem, e essa tem sido a vantagem de Milei. O problema de Milei, perante seu próprio eleitorado, mais além da crise econômica, é que Milei havia se apresentado como antipolítica, anticasta, que não era corrupto, e desde o início do ano passado pipocaram uma miria de escândalos envolvendo o próprio Milei, no famoso escândalo das criptomoedas Javier Milei,
Vitor Boiadjan
presidente da Argentina, divulgou na internet a Libra, criptomoeda que não só não colou, como virou a maior crise do governo até agora.
Narrator/Host
Incentivados pela publicação do presidente, milhares de especuladores correram para a internet para comprar a tal Libra. Foi como numa pirâmide. Quem comprou e vendeu rápido teve altos lucros. e demorou um pouquinho mais para comprar, ficou com um nico na mão. Cerca de 40 mil investidores se deram muito mal.
Ariel Palacios
Depois foi a vez da sua própria irmã, a poderosa Karina Milet, secretária-geral da presidência, que se envolveu em um escândalo de subornos com empresas farmacêuticas para compra de medicamentos para o Estado, que atendia pessoas com deficiências físicas e mentais.
Diego Espanholo
Karina Millay seria a principal beneficiada de um esquema de desvio de dinheiro de contratos da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência com uma farmacêutica. O ex-diretor da agência, Diego Espanholo, fala sobre o pagamento de propina à irmã do presidente na compra de medicamentos. Karina Millay é secretária da presidência. Diego Espanholo pertence ao ciclo íntimo de Javier Milley e, em outro trecho, ele afirma já ter alertado o presidente sobre o esquema de corrupção.
Ariel Palacios
E agora o próprio chefe do gabinete de ministros dele, Manoel Adorni, que aparece como dono de uma série de propriedades imobiliárias e ele não tem como justificar com o seu salário. Milley não descarta essas pessoas que estão complicando o seu próprio governo e isso tudo complica mais ainda a situação. E agora, recordando outro fator, a Universidade de Buenos Aires controla seis hospitais públicos, anunciou em 45 dias, deixaremos de funcionar porque o presidente Milei não está enviando os fundos para esses hospitais. Isso tudo porque Milei não libera 57 milhões de dólares para esses hospitais. Como é que ele cortou o verbo? A verba está oficializada, legalizada. Ele simplesmente não liberou a verba enquanto que, ao mesmo tempo, gastou 600 milhões de dólares na compra de 24 aviões F-16 pousados com mais de 40 anos de uso da Dinamarca. Aviões americanos, mas usados pela Dinamarca, para um país que não tem hipótese de conflito.
Narrator/Host
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Ariel Palacios. Como é que o argentino tá percebendo isso, hein? Como é que ele tá reagindo a esses escândalos que estão sendo revelados? E se você pudesse falar também especificamente dessas pesquisas de opinião pública?
Ariel Palacios
O argentino, muitas vezes, como o brasileiro e tantas outras populações da região, tem aquela frase, rouba, mas faz. Então aceitam, toleram casos de corrupção dos governos, como toleraram de Christina Kirchner, de Menem e de outros, porque faziam alguma obra ou tentavam mostrar algum serviço. Quando a economia vai mal, o slogan não serve. Quando a economia vai mal, O corrupto não consegue se blindar com nada, e por isso a imagem de Millet também está caindo e muito. Uma pesquisa da Subancordoba indica que, em apenas seis meses, a desaprovação de Millet subiu de 49,6% para 64,5%. É a maior desaprovação de Millet desde que tomou posse, e a aprovação, que era de 48,5%, No final do ano passado, agora de 34,3%. E essa pesquisa também indica que 71% dos entrevistados consideram que a Argentina precisa de uma mudança de governo. Apenas 21% acreditam. E não é preciso mudar o atual governo. Mas aí vem aquela questão da oposição. Ao mesmo tempo que a maioria acha que deve mudar o governo, não existem figuras novas da oposição, não é que não lembrem aquela coisa naftalínica da oposição até agora. Então, por isso digo, essa tem sido a grande vantagem de Millet nos últimos tempos.
Narrator/Host
Eu queria saber se não faz parte um pouco da cultura argentina reprovar governos, porque a gente veio de Kirchner para Macri, depois Alberto Fernandes e agora Millet, ou seja, não há uma continuidade. O que está por trás então também dessa reprovação que não diz respeito apenas ao governo Millet?
Ariel Palacios
Os argentinos sempre esperam um salvador da pátria. Isso desde os últimos 80 anos, desde os tempos de Juan Domingo Perón, quando foi eleito pela primeira vez em 1946, se completaram agora 80 anos daquela eleição. E quando o salvador da pátria não salva a pátria, aí ocorre essa grande decepção. quando a pátria não se salva, aí começa a cair na imagem o governo. Se soma isso à questão dos casos de corrupção, aí a coisa se complica muito mais. Antigamente havia mais tempo de paciência, existia inclusive a famosa lua de mel, do início de um governo, quando os eleitores, a população de forma geral, dava uma espécie de pausa nos protestos, nas manifestações, como, bom, vamos esperar porque está começando para arrumar a casa, mas se aí os meses passam e a casa não se arruma, aí começa a irritação. Antigamente, esse tempo era maior, até porque a Argentina, os efeitos de diversas crises argentinas, de forma acumulada, era menor. Com o passar das crises, esse tempo de Pausa. Foi encolhendo, foi encolhendo. E com as redes sociais isso ficou cada vez mais rápido. Então estamos vendo prazos cada vez menores de paciência dos argentinos. E a isso se soma um problema dos candidatos ou dos presidentes. Eles continuam prometendo solução imediata. E a solução não é imediata. Recordando que Millet, quando tomou posse, em dezembro de 2023, disse que entre abril e maio de 2024, ou seja, cinco meses depois, a situação estaria maravilhosa e a Argentina estaria crescendo de forma exponencial.
Vitor Boiadjan
O presidente que contiver a inflação no país deve ser visto como um herói. O atual Javier Millet não quer outra coisa. Com uma serra elétrica na mão, prometeu cortar os gastos públicos. O que a gente vê na Argentina é a alta do desemprego, do valor das contas de serviços básicos pelo corte de subsídios do governo, da criminalidade, da pobreza e um impacto nas expectativas da população.
Ariel Palacios
Então há uma paciência cada vez menor por parte dos argentinos e há uma mania dos políticos argentinos de continuar se comportando como se os problemas não existissem, como se eles fossem uma espécie de santos milagreiros que vão conseguir resolver, só com um estalar de dedos, qualquer problema do país. Uma questão de ego. Junto com a cadeira presidencial, tem a faixa presidencial. Aqui na Argentina você tem o bastão presidencial e aí senta na cadeira presidencial. Deveria existir um divã pro-indiano ao lado para lidar com os egos de todos os presidentes argentinos ao longo da história.
Narrator/Host
Para a gente finalizar, eu não queria deixar de lado essa aproximação entre Trump e Milley. Trump também às voltas com uma baixa popularidade lá nos Estados Unidos, mas não são os argentinos que opinam sobre a popularidade de Trump. Mas eu queria saber o quanto que essa proximidade a essa altura não está sendo um abraço de afogado ou se de fato está trazendo alguma vantagem para a Argentina essa proximidade.
Ariel Palacios
Por enquanto, não houve vantagem concreta alguma. A Argentina conseguiu um acordo comercial com os Estados Unidos, que não é um acordo de livre comércio, mas um acordo de tarifas preferenciais, que mais ou menos em 85% ou 90% dos casos favorece muito mais os Estados Unidos do que a Argentina. Há uma quantidade muito maior de produtos americanos que entram com tarifas baixíssimas daqui. mas essa proporção não é igual de produtos argentinos que poderiam entrar nos Estados Unidos. É uma série de vantagens para investimentos argentinos na Argentina, mas não ocorre o mesmo nos Estados Unidos. Então, é um acordo que foi muito mais benéfico para os Estados Unidos do que para a Argentina, e é bastante gritante essa diferença. Por outro lado, o governo Trump disse que ia dar uma espécie de ajuda financeira para a Argentina de 20 bilhões de dólares, E não é um dinheiro fresco que o governo Milet pode usar da forma que quiser. É um swap de moedas. Ou seja, é uma espécie de troca de dólares por pesos. Então entra dinheiro em dólar e sai dinheiro em peso. Então não é dinheiro que ajude, não é dinheiro adicional. É um dinheiro já existente. Trump também disse, havia ordenado Scott Bassett, o secretário de Tesouro, para organizar um fundo de bancos americanos que poderiam emprestar 20 bilhões de dólares adicionais à Argentina. Nunca esse empréstimo se concretizou. Os bancos americanos não se interessaram por isso, porque a Argentina continua sendo um país instável, um país imprevisível, como tem sido ao longo do último meio século. No entanto, Milley continuou elogiando Exaustivamente, o governo Trump continua abraçado ao governo Trump. É a primeira vez que Trump recebe mais afagos dos seus aliados do que ele fazer afagos neles. Então, esse é mais um caso desse estilo, Victor.
Narrator/Host
Ariel Palacios, muito obrigado pela sua participação sempre repleta de informações. Muito obrigado, um bom trabalho para você.
Ariel Palacios
Muito obrigado, igualmente, Victor. Boa semana a todos.
Narrator/Host
Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sarah Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco e Juliane Moretti. Colaboraram neste episódio Paula Paiva Paulo e Guilherme Gama. Eu sou o Vitor Boiadjan e fico por aqui, até o próximo Assunto.
Host: Vitor Boiadjan (G1)
Guest: Ariel Palacios (correspondente Globo/GloboNews – Buenos Aires)
Date: 6 de maio de 2026
Duration: ~23 minutos
Este episódio de "O Assunto" aprofunda a crise de impopularidade do presidente argentino Javier Milei, recorde desde que assumiu, enquanto examina os indicadores econômicos do país. Com a participação de Ariel Palacios, o episódio contextualiza a queda da pobreza oficialmente registrada e os paradoxos sociais, o colapso da confiança popular, as dificuldades políticas do governo Milei e suas relações internacionais – tudo em meio a escândalos e desafios históricos da Argentina.
“Uma boa parte dessas pessoas que deixaram de ser pobres estão ali na beirada… viraram uma classe média em penúria que está com grandes dificuldades de chegar ao fim do mês.” (02:50)
“Quando o Milley fez essas anistias… conseguiu trazer de volta ao país… mais ou menos 20 bilhões de dólares, menos de 10% do total. Desse total, 19 bilhões voltaram a sair em poucos dias.” (08:45)
“Karina Millay seria a principal beneficiada de um esquema de desvio de dinheiro de contratos da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência…” (14:17)
“A desaprovação de Millet subiu de 49,6% para 64,5%… a aprovação, que era de 48,5%, agora de 34,3%.” (16:08)
“Os argentinos sempre esperam um salvador da pátria… quando o salvador da pátria não salva a pátria, aí ocorre essa grande decepção.” (17:56) “Deveria existir um divã pro-indiano ao lado para lidar com os egos de todos os presidentes argentinos ao longo da história.” (20:09)
“É um acordo que foi muito mais benéfico para os Estados Unidos do que para a Argentina.” (21:12) “Nunca esse empréstimo se concretizou… os bancos americanos não se interessaram, porque a Argentina continua sendo um país instável.” (21:37)
“Ex-pobres recentes estariam ali raspando no assoalho entre o térreo e o primeiro andar.” (02:50)
“Até o eleitor de Millet prefere não confiar em Millet.” (09:15)
“Os próprios empresários ficam na dúvida se investem ou não… porque também tem aquela questão emocional de Milei. Ele emocionalmente é muito instável…” (10:05)
“Quando a economia vai mal, o corrupto não consegue se blindar com nada…” (16:08)
“Os argentinos sempre esperam um salvador da pátria… esse tempo de Pausa foi encolhendo, foi encolhendo. E com as redes sociais isso ficou cada vez mais rápido...” (17:56)
“A Argentina conseguiu um acordo comercial com os Estados Unidos… que favorece muito mais os Estados Unidos do que a Argentina.” (21:12)
O episódio evidencia o paradoxo argentino sob Milei: conquistas pontuais na macroeconomia não se traduzem em melhora perceptível para a população, que enfrenta desemprego, informalidade e perda da paciência diante de promessas não cumpridas, escândalos e velhas práticas políticas. A confiança é baixa – tanto interna quanto internacionalmente – e, apesar da rejeição histórica, Milei persiste por falta de alternativa robusta na oposição. A aproximação com Trump é simbólica e pouco eficaz.
O quadro, segundo Ariel Palacios, especula crescente impaciência social e política em um país tradicionalmente à procura de salvadores – e frequentemente decepcionado.
Resumo elaborado com base em transcrição integral, mantendo a linguagem, tom e nuances dos participantes.