O Assunto – "Jorge Messias, a escolha de Lula para o STF"
Podcast: O Assunto (G1)
Host: Natuza Nery
Guest: Thomas Traumann (Jornalista, comentarista da GloboNews)
Date: November 21, 2025
Episódio em Resumo
Este episódio discute a nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, detalhando o contexto político, as motivações e repercussões dessa escolha. Natuza Nery conversa com Thomas Traumann, jornalista da GloboNews, abordando temas como o perfil de Messias, expectativas quanto ao seu desempenho no STF, e as implicações políticas e sociais dessa indicação.
Principais Pontos e Temas
1. Contexto da Indicação de Jorge Messias
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Narrativa: 42 dias após o anúncio da aposentadoria de Barroso, Lula indica finalmente Jorge Messias ao STF. (00:04)
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Perfil de Messias:
- Evangélico, membro da Igreja Batista
- Formado pela UFPE, mestre e doutor pela UnB
- Ingressou na Advocacia-Geral da União em 2007, cargos estratégicos em diferentes governos
- Advogado-Geral da União desde janeiro de 2023, membro da equipe de transição até 2022 (00:19)
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Motivação de Lula:
- Messias é "homem de confiança", sendo o terceiro indicado do atual mandato (00:48)
- Padrão de indicações: foco em nomes leais ao presidente, repetindo as escolhas de Zanin e Flávio Dino (00:52)
- Espera política para um momento "de calmaria" após pressões no Senado (03:49)
2. As Pressões e as Expectativas Políticas
- A disputa política:
- Forte pressão no Senado, especialmente de Davi Alcolumbre, que preferia Rodrigo Pacheco (02:15, 03:09)
- Pacheco teria maioria fácil, não fosse a preferência pessoal de Lula por Messias
- Lula aguardou um momento menos turbulento no Congresso para fazer o anúncio (03:49)
3. Debate sobre Diversidade no STF
- Dia da Consciência Negra e ausência de representatividade:
- Forte pressão pública por uma mulher negra no STF, não atendida por Lula (04:10)
- Thomas Traumann destaca: "em nenhuma das indicações houve debate sério para escolha de uma mulher, um negro, ou alguém fora do círculo pessoal de Lula" (04:31)
- Histórico das indicações: Zanin, Dino, agora Messias – todos do círculo mais próximo do presidente
4. Jorge Messias: Perfil Político e Social
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Questão Evangélica:
- Embora Messias seja batista, Thomas Traumann não acredita que esse tenha sido o fator decisivo, mas sim "um plus a mais" (06:28)
- Importância: Messias é um dos poucos interlocutores do PT com evangélicos, participou de eventos religiosos representando o governo, mesmo recebendo vaias (06:28–08:00)
- Aproximação recente com pastor Cezinha articulada por Messias (08:00)
- Ministro André Mendonça (também evangélico) elogiou publicamente a indicação (09:13)
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Aprovação institucional:
- Barroso (ex-ministro): "Jorge Messias é uma ótima pessoa, foi um admirável advogado-geral da União e estou certo de que honrará o STF" (09:50)
- Gilmar Mendes: "Messias demonstrou notável espírito público, pautando-se pelo diálogo institucional" (10:09)
- Messias em declaração: Compromisso com "dedicação, integridade e zelo institucional" (10:22)
5. Expectativas Para o Desempenho de Messias no STF
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Estilo discreto:
- Traumann prevê: Messias será "muito mais discreto", sem buscar holofotes ou confrontos públicos, em contraste com Barroso, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes (12:03)
- "Vai ser mais no estilo dos ministros Zanin ou Fachin, falando pouco e evitando embates" (13:31)
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Especialização em finanças públicas:
- Messias deve focar em temas fiscais e orçamentários, devido à sua sólida trajetória na Fazenda Nacional e na AGU (14:43)
- "O Ministério da Fazenda vai torcer para processos irem para Messias, por seu conhecimento de contas públicas" (14:43–15:50)
6. Critério de Escolha do STF e as Implicações
- Confiança presidencial:
- Lula consolida padrão de indicar pessoas de absoluta confiança (16:22)
- Traumann contextualiza com exemplos de outros presidentes, destacando o trauma do PT no Mensalão e Lava Jato (16:48): "Ministros indicados pelo PT votaram contra o PT. Acho que tem ali um arrependimento do presidente Lula..."
- "A tendência é o presidente indicar, tanto para PGR quanto STF, pessoas de sua confiança" (16:48–18:38)
7. A Reação do Senado
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Davi Alcolumbre:
- Alcolumbre ficou contrariado; "não recebeu telefonema do Lula nem do líder do governo", sinalizando insatisfação e possível demora na sabatina, como no caso André Mendonça (18:38–20:23)
- Senado usou a indicação para pressionar por aprovação de projetos relevantes, aumentando a complexidade política da votação (20:53)
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Ainda assim, Messias deve ser aprovado:
- Traumann: "Não vamos minimizar a capacidade de Davi de mostrar suas mágoas... mas a relação próxima com Lula deve prevalecer." (21:35)
- Rejeição é "muito improvável"; desde o século XIX nenhum presidente teve indicação rejeitada (23:04)
- "O constrangimento de votar contra pesa, além do próprio histórico político do Senado" (23:04–25:26)
Notáveis Quotes & Momentos
- Sobre demora da indicação:
- Thomas Traumann: “Só demorou 40 dias porque o Lula não tinha encontrado ainda o que ele considerava uma calmaria suficiente para tomar essa decisão” (03:49)
- Sobre a ausência de diversidade:
- Thomas Traumann: “Em nenhuma das indicações houve debate sério para indicação de uma mulher ou de um negro ou de alguém que não fosse de uma relação muito próxima do presidente Lula.” (04:31)
- Sobre a questão evangélica:
- Thomas Traumann: "É o plus a mais, uma vantagem que o Messias traz, mas não acho que essa tenha sido decisiva." (06:28)
- "Durante esse terceiro governo Lula, [...] sempre era Jorge Messias que representava o governo nas manifestações religiosas, mesmo levando vaias." (08:00)
- Sobre o perfil do ministro:
- Thomas Traumann: “Vai ser muito mais discreto, como o Zanin, como o Fachin.” (12:03)
- “Não vai disputar questões com senadores ou políticos, será um ministro mais dos bastidores.” (13:31)
- Sobre confiança como critério:
- Thomas Traumann: “A relação de confiança entre presidente e ministro do STF veio pra ficar. É um traço que virou padrão.” (16:48)
- Sobre aprovação no Senado:
- Thomas Traumann: “Acho que é muito improvável [ser rejeitado]. O constrangimento de votar contra pesa muito e a história mostra que o Senado nunca rejeitou uma indicação presidencial ao Supremo.” (23:04)
Tópicos com Timestamps
- 00:04–01:31: Anúncio da indicação e perfil de Messias
- 02:15–04:10: Motivações políticas, pressões no Senado
- 04:10–05:29: Debate sobre diversidade e decisões do governo
- 06:28–10:09: O contexto evangélico e repercussão institucional
- 12:03–14:43: Expectativas sobre como Messias será como ministro
- 14:43–16:22: Especialização em finanças públicas
- 16:22–18:38: Critérios de confiança em indicações ao STF
- 18:38–23:04: Reação do Senado e probabilidade de aprovação
- 23:04–25:26: Considerações finais e aposta na aprovação de Messias
Conclusão
O episódio oferece análise profunda sobre a indicação de Jorge Messias ao STF, explicitando as dinâmicas políticas, o papel da confiança entre presidente e indicados, e as nuances da representatividade no tribunal. Thomas Traumann vê a aprovação de Messias como provável, mantendo o padrão recente de escolhas presidenciais baseadas em confiança pessoal, enquanto o papel de Messias no Supremo tende a ser discreto e técnico, com atuação de destaque em temas ligados às finanças públicas.
