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Narrator/Reporter
Tim Black, um plano exclusivo para você.
João Miragaia
Descobrir a sua melhor versão. Alegria.
Natuzaneri
Tomou as ruas de Deir Ebalá, uma cidade em Gaza. Há cerca de 90 quilômetros dali, em Tel Aviv, no coração de Israel, a euforia era a mesma.
Israeli Official/Spokesperson
Os.
Natuzaneri
Sinais de que esse momento se aproximava já tinham surgido um dia antes. Num evento na Casa Branca, o secretário de Estado, Marco Rubio, sussurrou ao presidente americano e entregou-lhe um papel. A mensagem estava escrita à mão e foi flagrada por um fotógrafo.
Narrator/Reporter
Pouco depois, o presidente Donald Trump postou numa rede social, abre aspas, estou muito orgulhoso de anunciar que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do nosso plano de paz. Isso significa que todos os reféns serão libertados muito em breve e que Israel vai recuar suas tropas como um primeiro passo para uma paz forte, duradoura e permanente. todas as partes serão tratadas com justiça. Nós agradecemos os mediadores de Catar, Egito e Turquia, que trabalharam conosco para que esse evento histórico, sem precedentes, acontecesse. Que os negociadores sejam abençoados. Logo depois, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em um comunicado, com a ajuda de Deus, traremos todos os reféns para casa. O Hamas divulgou um comunicado em que afirma que o acordo foi fechado para acabar com a guerra em Gaza.
Natuzaneri
No dia seguinte, logo cedo, bombardeios ainda foram ouvidos na faixa de Gaza. Mas horas depois, o silêncio enfim reinou.
Israeli Official/Spokesperson
O chefe do Hamas anunciou. Chegamos a um acordo para encerrar a guerra e para começar a implementação de um cessar-fogo permanente. Khalil al-Khayyam afirmou que recebeu garantias dos países mediadores e do governo americano. Todos eles confirmaram que a guerra acabou completamente, disse o negociador do grupo terrorista. A assinatura da primeira fase do acordo, no Egito, hoje de manhã, veio depois de uma semana de conversas indiretas entre Israel e Hamas em Sharm el-Sheikh.
Natuzaneri
O acordo foi assinado justamente na semana em que o violento conflito completou dois anos, uma guerra que já matou mais de 60 mil civis na faixa de Gaza e que deixou um território devastado, com uma grave crise humanitária. Tudo começou há 734 dias, em 7 de outubro de 2023. O dia amanhecia quando o grupo terrorista Hamas invadiu Israel e assassinou 1.200 civis, além de estuprar, torturar e sequestrar centenas de pessoas. Agora, o acordo obriga o Hamas a liberar os 20 reféns que ainda estão vivos, em troca de prisioneiros palestinos.
Israeli Official/Spokesperson
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Whitkoff, e o germe de Trump, Jared Kushner, foram ao Oriente Médio participar das negociações. E participaram da reunião que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez com o gabinete ministerial para votar o acordo. Já passava de uma da manhã quando o governo declarou que tinha aprovado formalmente a primeira fase do acordo. Último sinal verde para a implementação. Vai começar a contar um prazo de 24 horas para o início do cessar-fogo. Depois do cessar-fogo, aí começa o prazo de 72 horas para a libertação dos reféns. E o cálculo é que a libertação ocorrerá na segunda ou na terça-feira. E Israel vai começar a recuar as suas linhas que estão sendo ocupadas por suas tropas na faixa de Gaza, que também é outro passo fundamental.
Natuzaneri
Essa era uma guerra que se arrastava sem perspectiva. Até que o governo de Benjamin Netanyahu tomou uma decisão que virou a chave. No último 9 de setembro, jatos israelenses avançaram sobre o Mar Vermelho e lançaram uma saraivada de mísseis em um bairro residencial em Doha, no Catar. Justamente ali, representantes do Hamas discutiam as possibilidades de encerrar o conflito.
Narrator/Reporter
As forças de defesa de Israel afirmaram ter feito um ataque preciso para evitar danos a civis e que o alvo eram chefes do Hamas, incluindo Khalil al-Hai, o principal negociador do grupo terrorista.
João Miragaia
Hamas disse que o filho dele e.
Narrator/Reporter
Mais quatro integrantes morreram, mas que a alta cúpula sobreviveu. Uma base americana no Catar detectou os caças israelenses a caminho e perguntou ao comando israelense o que estava acontecendo.
Natuzaneri
O ataque a negociadores enfureceu agentes internacionais, sobretudo os americanos, e passou a encurralar o já fragilizado primeiro-ministro de Israel.
Narrator/Reporter
Foi a partir daí que Donald Trump falou, não, enough is enough. Chega, basta, é basta. Foi aí que Donald Trump acabou arquitetando, junto com os países árabes, junto com os seus assessores, esse outro plano de paz proposto com a ajuda também do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Aquele momento em que Israel ataca dentro do Qatar e que o Qatar fala que aquilo ali é uma linha vermelha, que não dá mais, há uma mudança de disposição de todos os envolvidos nessa guerra.
Natuzaneri
Uma mudança de postura que deu novos contornos para o futuro em Gaza.
Narrator/Reporter
Eu acho que a gente tem que dar um passo para trás e perceber que a gente está vivendo um momento histórico. Um momento histórico, dois dias depois dessa guerra terrível, completar dois anos. Isso é um momento que a gente tem que parar e realmente ter esperança de que a paz vai perdurar.
Natuzaneri
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é o fim da guerra em Gaza. Neste episódio, eu converso com João Miragaia, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e assessor do Instituto Brasil-Israel, UIB. Miragaia fala comigo direto da cidade israelense de Av Talion. E Tanguy Baghdadi, professor de Política Internacional e fundador do podcast Petit Jornal. Sexta-feira, 10 de outubro. Miregai, eu quero muito te perguntar como você se sente em relação a esse acordo, mas antes eu queria tratar com você sobre o terreno que tornou esse acordo possível. E um fato importante é o ataque israelense ao Qatar no dia 9 de setembro. Qual é a relação desse ataque com essa tão aguardada interrupção da guerra em Gaza?
João Miragaia
A relação é indissociável, Natuza. É impossível a gente separar a modificação da posição dos Estados Unidos após o ataque desastrado, e eu acho que dizer desastrado é uma espécie de eufemismo, com tudo que aconteceu depois. O ataque israelense ao Catar, minando as lideranças do Hamas local, foi um didastre de todos os pontos de vista. Israel não matou a liderança do Hamas, fracassou nisso e formou, de maneira quase que imediata, uma coalizão entre os países árabes e muçulmanos, aqui do Oriente Médio, que começaram a pressionar o governo Trump para que isso bote um freio em Israel. O Catar foi a quinta nação soberana atacada por Israel desde o 7 de outubro do ano passado, mas foi a primeira vez que se tratava de efetivamente um aliado dos Estados Unidos e o país que abriga a maior base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Eu acredito que é muito possível que a gente não tivesse vendo esse sarfogo acontecer agora, caso não fosse o ataque israelense ao Qatar. Ele proporcionou ao mundo árabe, de maneira geral, a possibilidade de se unir, inclusive países que têm uma relação conturbada, o Qatar, a Arábia Saudita, não são exatamente aliados, países que são próximos ao Hamas, países que são distantes do Hamas, oposição ao Hamas, todos eles se juntaram e disseram, olha, aqui a gente precisa dar um basta, E o Trump se viu numa situação de que ele foi obrigado, mais ou menos, a aceitar essa pressão e escolher um lado.
Natuzaneri
Esse plano de paz foi apresentado logo depois da Assembleia Geral da ONU, onde a gente viu aumentar a pressão pela criação do Estado palestino. Só que lá atrás, Trump deu declarações falando em transformar a Gaza em uma riviera. Quando chegou a notícia do plano de paz, muita gente ficou surpresa. Falou, olha, esse plano, que era considerado bastante razoável, se parecia em nada com as declarações de outrora. Explica pra gente, em linhas gerais, o que os Estados Unidos colocaram na mesa de negociações. Um resumo básico desse plano, por favor.
João Miragaia
A verdade é que esse plano, ele é uma contradição não só à ideia mirabolante de limpeza étnica, de fato apresentada pelo Trump, de transformar a Gaza numa riviera no Oriente Médio, mas ele também é contraditório com relação a pontos que ele colocou no seu próprio Acordo do Século, que é como ele se referiu ao seu projeto lá no seu primeiro mandato, que visava a criação do Estado Palestino também.
Narrator/Reporter
Para Donald Trump, é um acordo realista. Sem pecar pela modéstia, o presidente acredita que é o mais ousado da história. Foram três anos de trabalho para chegar às 80 páginas do plano, que prevê muitas mudanças no mapa da Cisjordânia e de Jerusalém. As áreas em que Israel implantou assentamentos, consideradas ilegais pelas Nações Unidas, seriam incorporadas definitivamente pelos israelenses. E Jerusalém, unificada, seria a capital de Israel. Mas as primeiras reações dos palestinos foram negativas. Houve protestos em várias cidades do Oriente Médio contra a proposta americana. O presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, chamou o plano de absurdo.
João Miragaia
Porque naquele momento, por exemplo, ele dava para Israel, ele permitia, concedia a Israel a anexação de determinados territórios na faixa de Gaza e na Cisjordânia, algo que esse plano agora não só não concede, como proíbe a Israel. Esse plano, basicamente, 90% desse plano já era ponto pacífico há pelo menos um ano, que era que para o fim do conflito o Hamas deveria libertar todos os sequestrados israelenses, Israel libertaria um número ainda maior de prisioneiros palestinos, parte deles presos com sangue nas mãos, condenados a prisão perpétua, Israel se retiraria da faixa de Gaza, uma força internacional tecnocrata barra diplomática assumiria o controle de Gaza, ao menos de maneira temporária, até que a situação ali fosse restabelecida conforme Gaza ia se reconstruindo. Tudo isso foi estabelecido pelo governo Trump. Alguns acréscimos, por exemplo, o Trump estabeleceu que Israel não poderia anexar os territórios nem da Cisjordânia, nem na faixa de Gaza, que foi uma demanda dos países árabes. Qualquer cidadão de Gaza que desejasse sair da região poderia voltar posteriormente, que também soa um pouco contraditório com o que o próprio Trump pegou naquele plano da Riviera do Oriente Médio. Ali ele dizia que não vê porque as pessoas que voltariam para aquela região. Enfim, e ele também abriu mão, de acordo com o plano da Riviera, de governar Gaza, que os Estados Unidos chamariam o controle naquilo, ele chegou a insinuar isso, mas sim um governo de tecnocratas barra diplomatas, que no médio prazo passaria o controle a uma força palestina. O que foi incluído, após a reunião dele com Netanyahu, foi basicamente a questão do desarmamento do Hamas. O Netanyahu exige que o Hamas seja desarmado, concorde com seu próprio desarmamento para que esse acordo de paz, esse acordo de paz na verdade é para cessar fogo, é ser consumado. E esse ponto ainda está em discussão. Essa primeira etapa de cessar fogo, ela entra em vigor Mesmo que o Hamas e Israel ainda não tenham entrado em acordo sobre a questão do desarmamento do Hamas.
Natuzaneri
Já que você citou a expressão desarmamento, no aceite inicial das negociações o Hamas não concordou com isso. Qual foi a resposta do grupo terrorista a Trump e o que ficou decidido depois?
João Miragaia
Na verdade, o Hamas não deu uma resposta negativa. Essa é uma estratégia muito comum quando você pretende negociar. O Hamas recebeu a proposta do Trump, elaborou uma resposta muito incomum, inclusive, obviamente, se a gente examinar a retórica do grupo, porque eles elogiam a iniciativa do presidente Trump, de certa maneira até bajulando o Trump, O que me leva a crer que o Hamas não escreveu essa resposta sozinho, foi certamente assessorado pelo Qatar e pela Turquia, provavelmente. Então, disse que via com bons olhos a iniciativa, que valorizava, que parabenizava e que estava disposto a negociar imediatamente. Quem pretende negociar, é óbvio que entende que tem pontos nessa proposta que não são diretamente aceitos por eles. Então, nesse caso, a gente sabe que a questão do desarmamento é um deles, a gente sabe que a forma como o Trump propunha a retirada israelense da faixa de gás era outra, E, na verdade, isso já foi levemente modificado. Israel se retira a partir de agora uma linha mais distante do que pretendia, segundo o próprio acordo também insinuava. E há outros aspectos também, como a identidade dos prisioneiros a serem libertados.
Israeli Official/Spokesperson
Israel vai libertar 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua e outros 1.700 habitantes de Gaza presos durante a guerra. O acordo também vai permitir a entrada de ajuda humanitária em uma quantidade maior.
João Miragaia
Do que vinha ocorrendo E o futuro de Gaza que não está estabelecido claramente nessas negociações Eu queria te perguntar qual.
Natuzaneri
É a distância entre um cessar fogo e a paz. Por que que esses dois pontos não necessariamente são pontos próximos?
João Miragaia
Um acordo de paz, antes de qualquer coisa, ele necessita que haja um reconhecimento mútuo dos dois lados. e o Hamas não reconhece o direito de existência do Estado de Israel, e no caso Israel considera o Hamas um grupo terrorista. Enquanto essas duas máximas não mudarem, não existe como os dois lados entrarem num acordo que possa estabelecer um princípio de coexistência. A paz, o que ela prevê? Ela prevê que um lado deixe de lutar contra o outro, que eles estabeleçam um ambiente de que nós não temos mais hostilidades entre nós. Agora, A grande questão que acho que a gente tem que começar a debater a partir de agora é que o Cessáfogo, na verdade, ele estabelece um período sem hostilidades militares entre os dois lados, mas ele abre espaço para negociações de paz, não exatamente entre Israel e o Hamas, mas sim entre Israel e os palestinos. E, nesse caso, a intransigência do governo atual israelense com relação ao Estado palestino é semelhante à intransigência do Hamas com relação ao Estado de Israel. O governo israelense não reconhece o Estado palestino e, portanto, é difícil a gente imaginar que a gente possa avançar no sentido da paz, uma paz duradoura e efetiva. A gente, no momento, tem que se contentar com o cessafogo, que é muito perto do que a gente viu nos últimos dois anos, mas é óbvio que a gente espera por mais.
Natuzaneri
Miregai, a gente começa a assistir aos horrores dessa guerra com os ataques terroristas do Hamas, Ali vimos cenas muito bárbaras e vimos cenas muito bárbaras também depois contra o povo palestino. Essa notícia de um acordo é uma notícia de muito impacto. Eu quero saber como você recebe essa notícia e como você se sente diante dela.
João Miragaia
Eu recebo ainda incrédulo e mais ou menos em estado de choque, eu ainda não me permiti vibrar com essa notícia porque depois de dois anos e de tantas vezes que os acordos foram implodidos, eu ainda tenho dificuldade de aceitar essa realidade que se desenha, mas sem dúvidas a gente tá falando de uma excelente notícia, não tem outra maneira para descrever. A gente pode concordar ou discordar de determinados aspectos do acordo, da proposta do Trump, a gente pode achar que ainda falta muito para ser feito, com relação à justiça, a reparação, tudo isso, lidar com pós-trauma, tudo isso é parte do que falta acontecer e que gera na gente ainda uma sensação de inquietude, de incompletude, digamos assim. Agora, O acordo significa que menos vidas vão se perder a curto e médio prazo. Significa que os sequestrados vão poder voltar para casa, vão poder rever suas famílias. Significa que os palestinos vão poder começar a juntar os cacos e reconstruir suas vidas. E isso já vale muito, perto do que a gente viveu nos últimos dois anos. Eu acho que se a gente perguntar para as pessoas que estão diretamente envolvidas com isso, como eles se sentem agora, eu acho que o sentimento é de ampla felicidade. Ninguém que mora nessa região e que vive os efeitos dessa situação está triste agora com isso.
Tanguy Baghdadi
Israelenses e palestinos comemoraram o anúncio do acordo.
Narrator/Reporter
Da faixa de Gaza, jovens palestinos dançavam nas ruas enquanto alto-falantes das mesquitas transmitiam mensagens de agradecimento. Um som de festa misturado à lembrança do sofrimento. Em Israel, na Praça dos Reféns, famílias que por dois anos mantiveram vigílias se abraçaram em meio a gritos de eles estão voltando. Em Jerusalém, sinos e sirenes tocaram ao mesmo tempo, som de vitória e de alívio.
João Miragaia
Então, eu tento me permitir ficar feliz agora, e eu espero que esse acordo seja consumado, eu acredito que ele vai ser, eu acho que a gente tem todos os indicativos para acreditar nisso, para ser otimista pela primeira vez em bastante tempo.
Natuzaneri
Por que isso te emocionou? Eu vi que você ficou emocionada.
João Miragaia
Porque realmente foi um período muito difícil esses últimos dois anos. Realmente a gente viveu uma época de incertezas enorme. Eu saí da minha casa durante um período por conta dos bombardeios vindos do norte. A guerra com o Irã foi muito pesada também. A situação dos sequestrados é muito sensível para qualquer israelense. Eu tenho um conhecido que trabalhou comigo em diversas ocasiões, que está agora pra ser solto, Eitan Horen, conheço a família inteira dele. E ver os familiares dele pela televisão e ver como eles estão felizes e finalmente estão se permitindo comemorar é muito emocionante. E eu não tenho proximidade com a população de Gaza, eu não tenho amigos em Gaza, não tive contato com ninguém que mora em Gaza até por conta do bloqueio e da proibição que a gente tem, praticamente, de estabelecer contato com eles. Mas eu imagino, por tudo que eles passaram nos últimos dois anos, que é indescritível, que eles também finalmente vão poder ver uma luz de esperança e vão perder o medo de morrer a qualquer momento, que muitos deles devem passar nesses últimos tempos. Então não tem como a gente não se emocionar e ficar feliz com essa situação, porque o fim de um conflito armado que leva as pessoas à morte é sempre uma boa notícia. O que vem depois é o que vem depois.
Natuzaneri
Eu vejo você cheio de cuidados porque, como você disse, já se viu outras vezes a coisa naufragar. Por que agora é diferente?
João Miragaia
A principal arma, a principal carta que o Hamas tem nas mãos são os sequestrados israelenses. E o Hamas concordou com libertar todos os sequestrados de vivos praticamente no mesmo dia, um espaço de 72 horas a partir de segunda ou terça-feira. E o Hamas jamais teria aberto mão da sua principal carta caso eles não tivessem recebido garantias claras de que Israel não vai voltar a atacar a faixa de Gaza. E isso eu digo não só pela lógica. Diversas fontes confirmaram que os Estados Unidos e o Catar deram garantias claras ao Hamas de que Israel não voltará a atacar Gaza na esteira desse cessar-fogo. Ou seja, a gente pode ter bastante confiança que dessa vez é muito pouco provável que a guerra volte. E eu acho que os Estados Unidos têm razões também para não respaldar um ataque à Gaza, porque, nesse caso, seria trair a confiança dos seus aliados no mundo árabe-islâmico, como o Catar, como a Turquia, como o Egito, países que pediram para os Estados Unidos, que exigiram para os Estados Unidos dar essas garantias, e o governo Trump deu. Então, eu acho que, de fato, dessa vez, a gente pode ficar confiante que o acordo vai sair e essa guerra vai terminar.
Natuzaneri
Você mencionou os reféns e pelo acordo o Hamas deve entregar 20 reféns vivos e 28 corpos de israelenses mortos. Milhares de prisioneiros do outro lado, exigidos pelo Hamas, que estão em Israel, também seriam liberados. É uma operação, claro, delicada. Como é que estão os preparativos para essa troca?
João Miragaia
Primeiro de tudo, a gente tem que entender quando ela vai acontecer, porque essa data ela já mudou de domingo para segunda e agora alguns já dizem que pode acontecer somente na terça e eu tô falando dos sequestrados vivos, que aparentemente os 20 ainda estão vivos, né? E agora o Hamas começa a se preparar, a preparar toda a logística para essa libertação. Primeiro, a gente tem a notícia que eles foram levados para um lugar seguro, mas para que eles sejam soltos, todo o processo precisa ser seguro. Não pode haver nenhum contratempo, não pode correr o risco de que um grupo radicalizado descubra onde eles estão e tentem se vingar de alguma coisa, algum evento que tenha acontecido. Então, até que eles estejam de volta em Israel há muita expectativa, ainda que as famílias estejam comemorando, até estouro de champanhe teve na praça dos sequestrados ontem, parte das famílias dos sequestrados, ainda há apreensão. A logística é muito complicada, especialmente num lugar destruído, como a Faixa de Gaza, onde os próprios membros do Hamas dificilmente têm contato um com os outros. A gente tem já a notícia de que alguns corpos de sequestrados estão com paradeiro desconhecido, então a gente não vai ver Segundo os negociadores, o Hamas não.
Israeli Official/Spokesperson
Sabe onde estão todos os corpos. Uma força-tarefa de cinco países, incluindo Estados Unidos e Israel, vai ser criada e vai ajudar a encontrá-los.
João Miragaia
Há impasse, todavia, sobre isso. Aparentemente, Israel vai ter o direito a veto, entre seis e dez vetos, nos nomes listados pelo Hamas. O Hamas quer que os primeiros a serem libertados, que sejam os presos que tomam mais tempo nas cadeias israelenses. E ali a gente fala de lideranças muito controversas, Alguns, Israel não quer libertar por conta da liderança que eles podem exercer sobre os palestinos, como Marwan Barghouti, que é um dos principais líderes do Fatah, que é o partido que controla a autoridade palestina.
Israeli Official/Spokesperson
A porta-voz israelense disse, por exemplo, que.
Tanguy Baghdadi
Marwan Barghouti não será libertado.
Israeli Official/Spokesperson
O líder palestino cumpre prisão perpétua por ataques contra Israel.
João Miragaia
Mas também gente com atentados terroristas com dezenas de mortos realizados há 20, 30 anos e que podem voltar a ser perigosos cada vez que sejam libertados. Então esse é um dilema grande hoje para Israel. Há muita pressão das famílias dos mortos por esses atentados para que essas pessoas não sejam libertadas. mas é um preço que tem que ser pago para que os sequestrados voltem, não tem uma alternativa. No caso do Barghouti, eu acho que deve existir um debate, talvez seja positivo para o futuro, a sua libertação, talvez ele possa realmente representar uma mudança na liderança palestina, mas no caso dos terroristas com sangue nas mãos ligados ao Hamas ou às rádios islâmicas, é lamentavelmente um preço que que a gente precisa pagar hoje para ver os sequestrados de volta para casa. As vidas deles valem mais do que a prisão desses terroristas, na minha visão, e na visão de boa parte da sociedade de relíquia, da maioria da sociedade de relíquia.
Natuzaneri
Miragaia, para terminar, duas perguntas. Quem é que deve assumir o controle do território de Gaza? E como está a situação de Benjamin Netanyahu? Porque a gente sabe que a extrema-direita de Israel não queria nenhum tipo de acordo. Com esse acordo, ele ganha uma sobrevida? Ele perde essa sobrevida? O que acontece?
João Miragaia
Quem vai governar Gaza depois desse governo de diplomatas e tecnocratas é uma grande incógnita, porque não está estabelecido no plano. A gente sabe que o esforço franco-saudita para resolver a questão palestina de maneira geral quer que a autoridade palestina controle a faixa de Gaza e que eles realizem eleições em 2026 e o Macron pressionou a autoridade palestina para se manifestar com relação à não participação do Hamas nessas eleições. Mas a autoridade palestina não confirma essa exigência do Macron, até porque a gente está falando de um grupo com muito baixa popularidade e que sabe que se excluir um grupo que é presente na sociedade palestina e que tem popularidade, inclusive mais do que o próprio Fatah atualmente, as eleições não serão legítimas, vistas como legítimas pela própria população palestina. Então aí a gente já tem essa incógnita. Pelo lado israelense, O governo israelense atual não deseja a autoridade palestina governando a faixa de Gaza. Então, enquanto o governo israelense estiver no poder, eles vão fazer todos os esforços possíveis para que a autoridade palestina não assuma o poder na faixa de Gaza. A grande questão é que Israel não propõe exatamente que grupo palestino deve governar a faixa de Gaza. Embora o Netanyahu diga que grupos locais devem assumir o poder após esse governo diplomático tecnocrata, não diz quais são esses grupos. A gente sabe que não existe outro grupo na sociedade palestina com condições de exercer o poder na faixa de Gaza que não a autoridade palestina e o Hamas. Então, essa é uma grande incógnita. Com relação ao Netanyahu, Ele tenta agora recuperar sua popularidade, é uma situação complicada porque ele tá contradizendo todas as máximas e as promessas que ele fez durante essa guerra, os próprios objetivos que ele traçou, e ele tá sendo pressionado pela sua base, que deve deixá-lo no espaço de um, dois meses quando realmente a segunda etapa do acordo for consumada, A.
Narrator/Reporter
Pressão sobre Israel também veio de dentro. Uma pesquisa publicada na semana passada mostrou que dois terços dos israelenses querem o fim da guerra.
João Miragaia
E eu acho que ele está apostando alto na visita do Trump a Israel na semana que vem, porque o Trump foi convidado pelo próprio Netanyahu para discursar no parlamento. O Netanyahu fez esse acordo também para atender uma exigência do Trump e a gente sabe que essas que esses acordos não são dádivas, alguma coisa em troca o Trump deve dar para o Netanyahu. Eu imagino que o discurso do Trump no parlamento será um discurso valorizando os esforços e a presença do Netanyahu para que esse acordo saísse, tentando ajudar o seu parceiro nesse momento, mas isso vai ter algum resultado. Eu acho muito difícil, acho que a base anti-Netanyahu não dá créditos ao Netanyahu pelo acordo que a gente está vendo agora.
Natuzaneri
E os partidos que dão sustentação a ele?
João Miragaia
Os partidos que dão sustentação a Netanyahu, parte deles, os ultraortodoxos apoiam o acordo e os partidos sionistas ortodoxos, especialmente o sionismo religioso e o força judaica, eles votaram contra o acordo, não vão deixar o governo em primeira hora, mas já anunciaram que caso o acordo dê fim à guerra de fato, eles deixarão o governo. Isso mais cedo ou mais tarde vai acontecer e vai levar a gente a novas eleições.
Natuzaneri
João, muito obrigada pela participação. Você é sempre muito bem-vindo aqui e recebido com muito carinho por todos nós.
João Miragaia
Eu que agradeço o convite, Natuza. Espero que as próximas vezes seja para falar de coisas boas como hoje.
Natuzaneri
Espera um pouquinho que eu já volto para falar com Tanguy Baghdadi. Tanguy, o Miragaia nos explicou a relação de causa e efeito do ataque israelense contra o Catar no contexto desse acordo de cessar fogo. Com você, eu queria muito entender a importância do Catar e de outros parceiros do mundo islâmico para Trump e para os Estados Unidos.
Tanguy Baghdadi
No primeiro mandato dele, ele tentou promover aquilo que a gente chamava de os Acordos de Abraão. A tentativa dele era de normalizar a relação de Israel com vários países muçulmanos da região, países árabes da região, com os quais Israel nunca teve relações, e tentar dessa maneira criar pontes, criar oportunidades de negócios, oportunidades eventualmente até de acordos comerciais, acordos econômicos, acordos de investimentos. Ele conseguiu alguns avanços, é verdade, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, são países que em algum momento normalizaram as relações com Israel e o grande plano dele era, de fato, a Arábia Saudita, tentar fazer com que a Arábia Saudita fosse um desses papéis Acabou que, dados os fatos de sete de outubro de 2023, As conversas todas pararam, não houve mais avanços, mas de qualquer maneira Donald Trump olha para alguns desses países como um país que tem uma importância muito grande. Os Emirados Árabes Unidos são um deles, é um dos atores mais importantes na região em termos de articulação, em termos de capacidade de diálogo, e o Catar também. A importância do Qatar é um pouco diferente. O Qatar é um país que tem uma pegada mais religiosa no governo, tem, portanto, ligações com grupos relacionados à irmandade muçulmana, por exemplo, e que permite, portanto, que indiretamente os Estados Unidos tenham acesso a determinados grupos que normalmente não conseguiria acessar. Não por acaso, o Qatar é exatamente um interlocutor que ajuda os Estados Unidos a terem acesso, por exemplo, ao próprio Hamas. Por isso, aliás, que aquele ataque chocou tanto os Estados Unidos. Aparentemente, os Estados Unidos de fato foram pegos de surpresa, foram avisados com muito pouca antecedência. E chama a atenção que cerca de dez dias atrás, uma semana atrás, os Estados Unidos têm emitido uma nota dizendo que um ataque ao Catar passará a ser reconhecido como um ataque aos interesses americanos na região. o que diz muito sobre a maneira pela qual os Estados Unidos enxergam qualquer tipo de ameaça a um parceiro tradicionalíssimo, muito importante, inclusive tem uma base aérea muito importante dos Estados Unidos ali no Catar.
Natuzaneri
Então, é por causa do ataque israelense ao Catar que a opinião de Trump mudou. É isso? Porque até agora isso não parecia, para quem não acompanha como você essa história, tão claro assim. O que fez o Trump, de repente, promover, anunciar o acordo do dia 8 de outubro.
Tanguy Baghdadi
Esses grandes eventos internacionais, raramente eles são unidirecionais, então não foi apenas esse ataque, mas esse ataque certamente contribuiu muito. A gente teve, ao longo dos últimos dias, o reconhecimento, por exemplo, por parte de alguns membros do G7 ao Estado palestino. A gente está falando sobre países que estão muito longe de serem inimigos dos Estados Unidos ou, historicamente, Oxis, Israel. A gente está falando sobre Canadá, Reino Unido e França, que se juntam a outros países europeus, como Portugal, que reconheceu esse ano também, e a Espanha, que reconheceu o Estado Palestino no ano passado. Ou seja, há uma pressão maior por parte da comunidade internacional, me parece que é a maior pressão que a gente teve ao longo dos últimos tempos, e a gente ainda tem, ao longo desse período, uma tentativa de Donald Trump se posicionar como aquele que é capaz de fazer os grandes acordos, Donald Trump celebrou.
Narrator/Reporter
Reuniu seu gabinete e anunciou que vai viajar para o Egito domingo. Ele quer estar lá pessoalmente. E garantiu que Gaza será reconstruída. O historiador Brian Williams, da Universidade de Massachusetts, disse que este pode ser o maior feito diplomático do governo Trump.
Tanguy Baghdadi
Então, me parece que tudo isso contribui, mas, inegavelmente, o ataque de Israel ao Catar irritou os Estados Unidos, preocupou os Estados Unidos, até onde que o governo Netanyahu está disposto a ir e, portanto, me parece que é um dos elementos a serem colocados nesse tabuleiro, Natuza.
Natuzaneri
Um outro ponto que eu queria a sua ajuda para entender é a nota do grupo terrorista Hamas. A nota elogia o trabalho do próprio Catar, do Egito, da Turquia. Também faz elogios a Trump. O Miragaya, que falava com a gente antes, disse que isso chamou a atenção dele porque aquilo não é típico da linguagem do Hamas. O que a gente pode entender a partir desse movimento do Hamas em direção aos mediadores?
Tanguy Baghdadi
Olha, Natuza, a gente vai ter que entender que o grande ator dessa negociação são os Estados Unidos. Isso está claro para todo mundo, ninguém duvida disso. Se não fosse a intervenção de Donald Trump, da maneira como foi, com aquela proposta de 20 pontos, a gente não teria chegado nem perto de um acordo de paz por agora. Aliás, mérito dos Estados Unidos, ao fazerem aquele plano de 20 pontos, colocar, ainda que de forma vaga, menções à criação de um Estado palestino. Me parece, Natuza, que esse plano que ressalto, até muito no início, a gente não tem nenhuma garantia de que a coisa vai avançar, é possível que degringole na semana que vem, sim, tudo isso é verdade, mas é o mais perto que a gente tem de algum tipo de negociação para a criação de um Estado palestino desde a década de 90, a gente está falando sobre uma janela que se abre, que se fechou talvez no momento em que o Isaac Rabin, o ex-primeiro-ministro israelense, foi assassinado, aliás, foi assassinado exatamente porque estava negociando com os palestinos. Então, A lógica do Hamas é, se a gente avança num acordo como esse, é muito importante manter portas abertas com os Estados Unidos. Fechar essa porta significa ter mais dificuldade de conseguir concessões, mais dificuldade de colocar pontos na mesa de negociações. Então o Hamas soa como alguém que está tentando jogar o jogo. Se a negociação passa pelos Estados Unidos, elogiar Donald Trump é fundamental. Aliás, todo mundo já entendeu que Donald Trump também tem uma postura muito personalista diante dessas negociações. Ele quer ser elogiado, ele quer ser o céu das atenções, ele quer ser alguém que vai ser lembrado para a posteridade, como alguém que avançou com o ponto que os seus antecessores, principalmente o Obama, não conseguiu. A rivalidade dele com o Obama é palpável, inclusive, na questão do Prêmio Nobel da Paz. Ele é doido para ganhar o Prêmio Nobel da Paz e vamos ver, talvez ele tenha dado um passo importante para o ano que vem, para esse ano agora não dar mais tempo.
Natuzaneri
Pois é, mas isso de fato, apesar de que sim, ele pesca elogios para uma expressão traduzida aqui do inglês, mas ele de fato terá chegado muito longe se esse acordo se firmar como muita gente espera. Eu pego aqui pela revista The Economist. Ela cita isso, né, que Trump entraria ou entrará, esperamos que seja assim afirmativo, para essa seleta lista e diz que algo assim, como você acabou de mencionar, Só se chegou perto nos acordos de Oslo em 93 e 95. Será um grande feito?
Tanguy Baghdadi
Sem dúvida nenhuma. Trump, conseguindo concretizar, é porque esse acordo naturalmente vai ter que ser avaliado a posteriori. A gente já teve acordos anteriores que, vamos fazer em três fases, aí para na primeira. De início, a proposta de Donald Trump é que não houvesse fases para que você conseguisse um acordo de uma vez só. Isso a gente já viu que não funcionou, então já está se falando que o acordo atual já garante uma primeira fase, a gente vai ter que ver se as fases seguintes vão continuar, mas Donald Trump consegue o maior avanço dos últimos tempos, das últimas décadas nesse tipo de acordo.
Narrator/Reporter
Líderes mundiais receberam notícia com alívio, mas também pediram que Israel e o Hamas cumpram o acordo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o sofrimento deve acabar. Ele colocou as Nações Unidas à disposição para a implementação total desse acordo, o aumento da entrada de ajuda humanitária em Gaza, a reconstrução do território palestino. A Alemanha, Rússia e China dizem estar confiantes na implementação desse acordo e num cessar-fogo permanente na faixa de Gaza. A Arábia Saudita disse que esse é um passo importante para alcançar uma paz abrangente e justa na região. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que desempenhou um papel importante nas negociações, afirmou que não vai descansar até que um Estado palestino soberano seja criado.
Tanguy Baghdadi
Nesse momento, Natuza, a gente vai ter que prestar muita atenção no que está acontecendo em Israel, no governo israelense. Netanyahu vai tentar convencer a sua base de que esse cessafogo é necessário porque os Estados Unidos exigiram e tudo, mas existe uma ameaça. daqueles grupos que fazem parte da base de sustentação do governo Netanyahu, que é da extrema direita nacionalista religiosa israelense, de abandonar o governo caso isso aconteça. E aí a gente já tem a oposição se oferecendo para jogar uma boia de salvação para que Netanyahu permaneça no poder mesmo que a sua base o abandone. Ou seja, os próximos dias são dias nos quais a gente vai ver a história sendo escrita. É isso que a gente está vendo agora. Eu sei que é cansativo, mas a história está sendo escrita nesse momento E, funcionando, Donald Trump entra, de fato, como um dos atores mais importantes das negociações desde a década de 90.
Natuzaneri
Bom, nos resta torcer para que esse horror de dois anos acabe, né, Tanguy?
Tanguy Baghdadi
Vamos torcer, vamos torcer. Temos expectativas maiores do que há algum tempo atrás. Sempre ressalta a necessidade de cautela. Aliás, a própria nota do governo brasileiro fala sobre essa cautela.
Narrator/Reporter
No Brasil, o Itamaraty disse apoiar o plano e reforçou a solução de dois estados, com a entrada urgente de ajuda e a retirada das tropas de Gaza.
Tanguy Baghdadi
Temos que ver, tem muita coisa para acontecer, mas de fato é uma oportunidade que há muito tempo a gente não via. Vamos acompanhar para ver se a gente finalmente chega num cenário mais pacífico.
Natuzaneri
E continuamos contando com você, Tanguy. Muito obrigada.
Tanguy Baghdadi
Sempre à disposição. Um abraço.
Natuzaneri
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou Natuzanera e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Data: 10 de outubro de 2025
Host: Natuzaneri (Natuza Nery)
Convidados:
Neste episódio, o podcast “O Assunto” explora com profundidade o histórico acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e Hamas após dois anos de violento conflito na Faixa de Gaza. Natuzaneri conversa com especialistas para destrinchar as causas, impactos e desdobramentos do acordo mediado por Estados Unidos, Catar, Egito e Turquia, abordando desde o cenário diplomático até as delicadas questões do pós-guerra e o futuro da região.
[00:17–02:50]
"Estou muito orgulhoso de anunciar que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do nosso plano de paz..." — Donald Trump [01:07]
[04:21–07:30]
"[O ataque] proporcionou ao mundo árabe a possibilidade de se unir... Todos eles se juntaram e disseram, olha, aqui a gente precisa dar um basta." — João Miragaia [08:19]
[09:03–13:03]
"Esse plano... é uma contradição não só à ideia mirabolante de limpeza étnica, de fato apresentada pelo Trump, [...] mas ele também é contraditório com relação a pontos que ele colocou no seu próprio 'Acordo do Século'..." — João Miragaia [09:47]
[13:03–16:41]
"Enquanto essas duas máximas não mudarem, não existe como os dois lados entrarem num acordo que possa estabelecer um princípio de coexistência." — João Miragaia [15:15]
[16:41–21:08]
"Depois de dois anos e de tantas vezes que os acordos foram implodidos, eu ainda tenho dificuldade de aceitar essa realidade que se desenha, mas sem dúvidas, a gente tá falando de uma excelente notícia..." — João Miragaia [17:13]
[22:23–26:06]
"É um preço que tem que ser pago para que os sequestrados voltem, não tem uma alternativa." — João Miragaia [25:09]
[26:06–29:27]
"A base anti-Netanyahu não dá créditos ao Netanyahu pelo acordo que a gente está vendo agora." — João Miragaia [28:43]
[30:13–34:29]
"O Qatar é exatamente um interlocutor que ajuda os Estados Unidos a terem acesso, por exemplo, ao próprio Hamas." — Tanguy Baghdadi [31:49]
[34:29–38:33]
"Esse plano que ressalto... é o mais perto que a gente tem de algum tipo de negociação para a criação de um Estado palestino desde a década de 90." — Tanguy Baghdadi [35:40]
[39:19–40:13]
"Os próximos dias são dias nos quais a gente vai ver a história sendo escrita." — Tanguy Baghdadi [39:38]
[40:13–end]
"No Brasil, o Itamaraty disse apoiar o plano e reforçou a solução de dois Estados, com a entrada urgente de ajuda e a retirada das tropas de Gaza." — Narrador [40:31]
O episódio revela a complexidade dos bastidores do acordo histórico entre Israel e Hamas — um avanço sem precedentes, mas ainda cercado de desconfianças e indefinições. As discussões resgatam a importância da pressão internacional, dos cálculos políticos de Trump, do papel dos mediadores do mundo islâmico, e ressaltam tanto os avanços práticos quanto as lacunas deixadas para o futuro da paz no Oriente Médio. Um episódio essencial para entender um dos maiores acontecimentos geopolíticos deste século.