Transcript
Vitor Boiadjan (0:02)
O café está no dia a dia, na mesa do café da manhã, no papo entre amigos. O cheiro da bebida e do grão faz parte da memória afetiva. Quase todo brasileiro tem uma lembrança ligada ao café. E essa fruta também ajudou a escrever a história do Brasil. Uma história de poder e de influência.
Milena Serafim (0:25)
No.
Vitor Boiadjan (0:35)
Século XIX, o café transformou o país. Foi o combustível da economia, como explica a historiadora Ana Luíza Martins.
Ana Luíza Martins (0:45)
Então são esses primeiros grandes fazendeiros que vão abrir as primeiras indústrias e fazer os sacos para café, porque então os sacos eram importados da Inglaterra. Então eles começam primeiro fazendo sacos e depois vão para a indústria de tecidos, que é a nossa indústria pioneira em várias partes do Brasil.
Vitor Boiadjan (1:02)
As cidades cresceram com a riqueza do ouro negro. Quem tinha café mandava. Alguns anos depois da Proclamação da República, os chamados barões financiaram até o comando do país. Daí a expressão política do café com leite, um rodízio de poder entre São Paulo, dos cafeicultores e Minas Gerais, dos pecuaristas. De novo, você ouve a Ana Luísa Martins, autora do livro História do Café.
Ana Luíza Martins (1:38)
É aí que a gente vê como um certo egoísmo, um autocentrismo no caso de quem detinha o poder, e que por acaso eram os mineiros e paulistas, e que por acaso também, em geral, eles eram formados na faculdade de Direito do Lago São Francisco. Eles eram a elite cultural e econômica do país. e não queriam abrir mão daquele privilégio de serem os donos das grandes produções de café e das suas exportações. Embora falem café com leite para Minas, mas Minas tinha muito café também. A combinação dessa política dos governadores mineiros e paulistas era o seguinte, numa eleição nós fazemos a campanha do mineiro, na outra eleição é a campanha do paulista, e assim iam se revezendo no poder. até que Getúlio Vargas interrompeu esse ciclo.
Vitor Boiadjan (2:29)
Foram momentos de altos e baixos com o fim da sua apoteose marcada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque. Em 1929, o governo brasileiro queimou milhares de sacas para evitar uma crise ainda maior com o excedente estocado. E nas décadas seguintes, o setor passou por profundas transformações, da modernização das lavouras à abertura de novos mercados. Foi aí que, ao longo da década de 1970, o café voltou a ganhar força. O café brasileiro chega a diferentes cantos do mundo e tem nos Estados Unidos seu principal consumidor.
