Transcript
Narrator (0:00)
A gente começa com a troca de guarda na defesa de Daniel Vorcaro. Depois de a segunda turma do Supremo ter formado maioria para manter o dono do Master na cadeia, ele decidiu trocar de advogado e optou por José Luiz Oliveira Lima.
Natuzaneri (0:13)
A troca de defesa de Daniel Vorcaro na última sexta-feira 13 indica que o banqueiro pode ter dado o aval para seguir um novo caminho. O caminho da delação premiada. Juca, como é conhecido José Luiz Oliveira Lima, tem no currículo acordos de colaboração em casos de grande repercussão. Um deles, a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato. O processo da delação exige tempo. não é um caminho linear. O primeiro passo para se tornar um delator é se dispor a cooperar com a investigação. Em troca, se tiver como provar o que se propõe a dizer, pode receber benefícios como uma redução de pena, por exemplo. É um acordo que não passa a valer imediatamente, tem capítulos. Depois de negociado os termos da colaboração, todo esse trâmite precisa ser enviado ao juiz, que avalia o seu conteúdo. É a etapa chamada de homologação. Então caberá a um órgão colegiado de um tribunal, no caso, a segunda turma do STF, analisar a validade desse acordo. Segundo o relator do caso, outros oito
Reporter (1:14)
celulares de Vorcaro ainda precisam ser periciados. Só um até agora passou por análise da Polícia Federal.
Natuzaneri (1:22)
Agora uma coisa muito importante. Não basta o delator despejar uma série de nomes para os investigadores, não. Para que uma delação prospere, ele precisa apresentar provas ou pelo menos caminhos concretos para que os investigadores avancem na apuração.
Political Commentator (1:37)
Você tem setores da política aqui em Brasília que estão apreensivos justamente com a possibilidade, que é cada vez mais concreta, de uma delação premiada do Vorcaro.
Natuzaneri (1:48)
Tudo isso, no caso do Master, E pode acontecer enquanto o país entra em um período bem conturbado. aí o das eleições. E uma delação dessa dimensão tem potencial para atingir em cheio o tabuleiro político do país. Para você ter uma ideia do impacto, segundo pesquisa Quest recente divulgada na semana passada, 38% dos eleitores dizem que evitariam votar em um candidato envolvido no escândalo do Master. Da redação do G1, eu sou Ana Tuzaneri e o assunto hoje é... O caso Master em novo patamar e a influência da delação de Daniel Vorcaro nas eleições. Neste episódio, eu converso com Cláudio Couto, cientista político e professor da FGV São Paulo. Terça-feira, 17 de março. Claudio, na sexta-feira uma notícia chegou como uma nuvem bem carregada em Brasília e no sistema político como um todo. Daniel Vorcaro mudou de advogado. Antes dele era o Pierpaolo Bottini, um criminalista renomado, mas que tem na sua lista de clientes políticos que podem ser alvo de uma delação premiada de Daniel Vorcaro. E a saída de Pierpaolo sempre foi um termômetro das intenções do dono do Master de fazer uma delação, ou seja, enquanto o Pierpaolo estivesse na banca de Daniel Vorcaro, ele não estaria disposto a delatar. Só que isso mudou. E aí, para quem imaginava que Vorcaro iria fazer uma delação, e todo mundo que o conhece diz que ele não aguentaria ficar preso e levar sozinho para essa prisão tudo o que aconteceu e o que ele sabe e com quem ele atuou, essa possibilidade de delação chegou muito forte. Eu queria entender o que a gente pode esperar dessa delação, porque esse processo vai ser deflagrado agora. Mas já há pistas do potencial estrago dessa delação?
