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Natu Zaneri (0:02)
Um crescimento de mais de 10 vezes em apenas 10 anos. Foi esta a evolução do valor do orçamento reservado para as emendas parlamentares em uma década. Isso segundo a plataforma SigaBrasil. Nenhum negócio da iniciativa privada, por mais promissor que seja, cresce tanto assim. Emendas são recursos, dinheiro mesmo, que deputados e senadores destinam para obras e projetos em seus municípios, em seus estados. Esse dinheiro, que antes ocupava um papel mais lateral, hoje já supera o orçamento anual de ministérios inteiros e a tendência é aumentar. A coisa é escandalosa. Neste ano, R$ 61 bilhões estão reservados para as emendas parlamentares. Em uma década, as emendas parlamentares cresceram mais de 1.200%, mais do que qualquer métrica da economia brasileira do IPCA ao CDI. Um crescimento tão grande quanto suspeito em alguns casos. Isso porque, junto a essa ampliação, se somaram também investigações suspeitas de desvio de parte desse dinheiro. O caso do conhecido orçamento secreto chegou ao Supremo em 2021. Ali, a então-ministra Rosa Weber deu o parecer para encerrar o pagamento das emendas do tipo de relator. Era assim que elas eram chamadas. Mas ainda havia outros tipos. Três anos depois, o mesmo Supremo agiu de novo. O ministro Flávio Dino suspendeu valores que seriam destinados a emendas individuais de bancada e as chamadas emendas PICS. As chamadas emendas PICS chegam mais rápido à sua destinação final, mas também são menos transparentes.
Repórter/Apresentador do G1 (1:43)
Parlamentares tanto da base quanto da oposição ficaram irritados quando o Dino interrompeu os pagamentos. Chegaram a ensaiar atrasar votações importantes, como o orçamento e o pacote de corte de despesas. Flávio Dino argumenta que falta transparência no processo. As emendas se dividem assim, as que o governo tem a obrigação de pagar são impositivas, são individuais, cada parlamentar indica e a das bancadas estaduais. As que o governo não é obrigado a executar, mas usa como moeda de troca para aprovação de projetos são as emendas de comissão. Esse tipo é um dos mais criticados, porque não é possível conhecer o autor real do gasto. o dinheiro é indicado pelo coletivo, por uma comissão de deputados e senadores. O Flávio Dino determinou que, a partir de 2025, o Congresso precisa registrar o nome do parlamentar que enviou o dinheiro. O ministro chegou a dizer que o Brasil vive um regime singular, nem presidencialista, nem parlamentarista, tamanho o controle que o Congresso tem dos gastos públicos.
Natu Zaneri (2:55)
Nesta terça-feira, 13 de janeiro, a PF deflagrou a nona fase desta operação. Na Mira, suspeitas de fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Overclean.
Repórter/Apresentador do G1 (3:12)
