Podcast Summary: "O fôlego de Lula nas pesquisas"
Podcast: O Assunto
Host: Natuza Nery (G1)
Guest: Felipe Nunes (Cientista Político, FGV-SP, diretor da Quest)
Date: 9 de outubro de 2025
Duration: ~29min
Visão Geral do Episódio
Neste episódio de “O Assunto”, Natuza Nery recebe Felipe Nunes para analisar a nova virada nas pesquisas de opinião: a recuperação da popularidade do presidente Lula em 2025. Com base nos dados da pesquisa Quest, o episódio detalha os fatores que influenciaram essa retomada, como vitórias políticas, questões econômicas, atuação internacional e a reorganização dos segmentos da sociedade em relação ao governo. O debate também projeta os possíveis cenários para 2026 e os desafios enfrentados tanto pelo presidente quanto pela oposição.
Principais Temas e Pontos de Discussão
1. Evolução da Popularidade de Lula (00:36 - 01:50)
- Recuperação recente: No primeiro semestre, Lula sofria queda na popularidade. Neste segundo semestre, há um fenômeno de recuperação, em contraste com expectativas negativas do início do ano.
- Fatores decisivos:
- Redução do preço dos alimentos;
- Aprovação de medidas populares como a PEC da blindagem e a isenção do imposto de renda até R$5 mil;
- Vitórias políticas e desdobramentos favoráveis vindos dos EUA.
- Dados Quest:
- Em janeiro, 47% aprovavam Lula; caiu para 40% em maio; subiu para 48% em outubro.
- Desaprovação chegou a 56% em março, recuou para 49%.
Citação
“Uma combinação de notícias positivas e vitórias políticas... acabou produzindo esse fenômeno de recuperação de popularidade.” — Felipe Nunes (00:36)
2. O papel do Imposto de Renda e Expectativas Econômicas (02:07 - 03:56)
- Aprovação da isenção até R$5 mil foi central para "furar a bolha" e gerar expectativa positiva entre segmentos de renda alta, tradicionalmente refratários ao governo Lula.
- O impacto acontece mais pela expectativa do benefício do que pela concretização, pois a medida ainda não teve efeito real no bolso.
- Votação expressiva na Câmara mostra força política (mais de 490 votos a zero).
Citação
“O governo conseguiu furar a bolha com esse projeto [...] produziu expectativa de resultados positivos no ano que vem.” — Felipe Nunes (02:18)
3. Segmentos por Renda: Quem Aprova e Por Quê (03:21 - 08:24)
- Renda alta: Aprovação subiu de 37% para 45% em um mês, influenciada pela expectativa do IR.
- Felipe ressalta que pesquisas consideram renda familiar, não individual; expectativas contam tanto quanto resultados concretos.
- Baixa renda/trabalhadores pobres: Estabilidade na aprovação entre quem ganha até dois salários mínimos. Só houve avanço entre os muito pobres (beneficiários diretos de programas sociais).
- Fim da “gratidão automática”: população pobre vê benefícios sociais como direitos adquiridos, sem retribuição eleitoral óbvia.
- Em novembro, expectativa de melhora com novos programas (“gás do povo”, isenção na luz).
Citação
“O eleitor de baixa renda no Brasil olha para os benefícios sociais como direitos e não como benefícios com dividendos eleitorais automáticos.” — Felipe Nunes (07:00)
4. Gênero e Regionalismo: Mulhres em Destaque (08:24 - 10:49)
- Retomada de aprovação entre mulheres: primeira vez desde dezembro de 2024 que aprovação supera reprovação nesse grupo.
- Felipe destaca a importância da “polarização de gênero” e o papel decisivo das mulheres, especialmente chefes de família.
- Seguindo tendência de 2022, segmento feminino volta a ser sustentação crítica ao governo Lula.
Citação
“Sem o apoio das mulheres, o Lula estaria em maus lençóis na eleição de 26.” — Felipe Nunes (10:17)
5. Lula em 2026: Competitividade e Comparações Históricas (10:49 - 15:53)
- O cenário político atual é bem mais positivo para Lula do que era para Bolsonaro há um ano das urnas em 2022.
- Fragilidade da oposição, rejeição crescente à família Bolsonaro e desorganização da direita contribuem para o fôlego de Lula.
- Porém, maioria dos brasileiros ainda sente que o país está “indo na direção errada”, o que é alerta para o governo e oportunidade para a oposição.
Citação
“Hoje, Lula está num patamar muito melhor do que Bolsonaro estava quando a gente compara essa pesquisa de outubro de 25 com a pesquisa de outubro de 21. Mas... tem muita água pra passar debaixo dessa ponte.” — Felipe Nunes (11:50)
- Lembrança do efeito “incumbente degenerado”: maioria dos presidentes atuais no mundo não conseguiu se reeleger pós-pandemia, exceto por Lula que agora se recupera antes do ano eleitoral.
6. Dificuldades e Desafios para Lula (17:12 - 18:59)
- Lula não consegue, até o momento, mudar percepção majoritária de que o Brasil caminha na direção errada.
- A rejeição pessoal ainda é alta e muitos acham que Lula não cumpriu suas promessas.
- Trata-se de um cenário calcificado, difícil de alterar rapidamente e dependente de avanços consistentes.
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“O Brasil se divide quando eu pergunto se Lula é bem intencionado […] metade diz que sim, metade diz que não.” — Felipe Nunes (17:50)
7. A Pauta da Anistia e o Efeito na Oposição (18:59 - 22:45)
- Maioria da sociedade se opõe à anistia ou redução de pena para envolvidos no 8 de janeiro, enfraquecendo estratégia da ala bolsonarista.
- Oposição cometeu “erros de cálculo” ao insistir nessas agendas — rejeição à família Bolsonaro cresce, e o trauma de perder o apoio do grupo ainda é determinante para lideranças oposicionistas.
- Direita não-bolsonarista até é maior, mas menos cohesionada.
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“As escolhas políticas desse grupo [familia Bolsonaro] claramente estão equivocadas.” — Felipe Nunes (19:43)
8. Política Externa e Popularidade: Lula, Trump e o impacto internacional (22:45 - 25:12)
- Relação internacional, especialmente a crise com Trump, surpreendeu e impactou de forma inédita as percepções eleitorais no Brasil.
- A condução da crise, com Lula mostrando resiliência, contribuiu para a melhora na sua imagem, até entre eleitores do interior e centro-oeste.
- Questões como tarifas sobre carne, críticas e acordos foram bem visíveis para o público, cuja maioria acompanhou e aprovou o desempenho de Lula.
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“Os brasileiros não só sabem do que tá acontecendo, estão muito informados, como têm opinião sobre isso.” — Felipe Nunes (22:56)
9. Divisão dos Partidos de Centro e o Pragmatismo Político (25:12 - 28:48)
- Ministros do Centrão desafiaram liderança dos partidos — optando, por cálculo eleitoral, por ficar no governo.
- Recente recuperação de Lula faz deputados e senadores calcularem que manter um “pé em cada canoa” é mais interessante do que fechar questão num só bloco.
- Noções de pragmatismo e sobrevivência política prevalecem.
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“É melhor a gente se dividir em blocos do que sermos um monolito pesado demais.” — Felipe Nunes (26:00)
Momentos e Citações Memoráveis
-
Felipe Nunes sobre populismo e expectativas sociais:
“Não há mais gratidão automática. O eleitor de baixa renda no Brasil olha para os benefícios sociais como direitos e não como benefícios com dividendos eleitorais automáticos.” (07:00) -
Sobre apoio feminino:
“Sem o apoio das mulheres, o Lula estaria em maus lençóis na eleição de 26.” (10:17) -
Sobre desafios ao governo:
“Quando eu pergunto, Lula tem conseguido cumprir suas promessas de campanha? A maior parte dos brasileiros ainda diz que não.” (17:50) -
Sobre a oposição:
“As escolhas políticas desse grupo [família Bolsonaro] claramente estão equivocadas.” (19:43) -
Sobre política internacional:
“Os brasileiros não só sabem do que tá acontecendo, estão muito informados, como têm opinião sobre isso.” (22:56) -
Sobre pragmatismo político:
“É melhor a gente se dividir em blocos do que sermos um monolito pesado demais.” (26:00)
Timestamps de Segmentos-Chave
- Recuperação da popularidade: 00:36 – 01:50
- Imposto de renda e expectativa econômica: 02:07 – 03:56
- Segmentação por renda/baixa renda: 03:21 – 08:24
- Gênero e aprovação feminina: 08:24 – 10:49
- Comparativos para 2026 e desafios do incumbente: 10:49 – 15:53
- Principais desafios para Lula: 17:12 – 18:59
- Pauta da anistia e crise interna na oposição: 18:59 – 22:45
- Questões internacionais (Trump, carne, ONU): 22:45 – 25:12
- Pragmatismo do centrão/ministros: 25:12 – 28:48
Conclusão
O episódio oferece uma análise detalhada e multifacetada da evolução da popularidade de Lula e dos fatores que explicam seu “fôlego” renovado nas pesquisas, além de expor os dilemas internos dos partidos e da oposição em meio a um cenário volátil e ainda indefinido para 2026. O tom é de análise política séria, com pitadas de cautela e realismo — sempre partindo de uma leitura embasada dos dados de pesquisa e das tendências do eleitorado brasileiro.
Recomendação: Episódio essencial para quem quer entender o estado atual da política nacional e as expectativas para o próximo ciclo eleitoral.
