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Employee or Worker
Ei, você que está em busca de uma nova oportunidade? Calma, preste atenção!
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Bônus para quem não faltar e nem chegar atrasado. Mais bônus para cada indicação que for convertida em um novo funcionário.
Employee or Worker
Investimentos em treinamento, desenvolvimento profissional e planos reais de crescimento.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Transporte fretado, folga no dia do aniversário, escala 5x2, vale alimentação turbinado e salário acima da média do setor.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Muito mais.
Bruno (Economist, Foreign Intelligence)
Vale transporte, vale alimentação, convênio médico e odontológico e benefícios incríveis.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Hoje, na construção civil e no comércio, por exemplo, não basta mais abrir vagas. É preciso disputar os trabalhadores. Para conseguir contratar, empresas estão criando mecanismos que até pouco tempo atrás pareciam exceção. É uma mudança importante na relação empregado-empregador, que tem várias camadas. Aumento da escolarização, mudança geracional, a chamada economia dos aplicativos e um mercado que vem registrando, nos últimos anos, baixo índice de desemprego.
Narrator or Reporter
O setor de serviços, que inclui atividades como comércio, bares e restaurantes, saúde, educação, foi o que mais contratou em 2025, ajudando o país a terminar o ano passado com uma taxa média de desemprego de 5,6%. É o menor índice desde 2012, quando começou a série histórica do IBGE. Em 2025, o Brasil teve 6,2 milhões de brasileiros em busca de uma vaga. Um milhão a menos do que no ano anterior.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Supermercados, farmácias, logística, comércio popular, todos enfrentam dificuldades para preencher vagas. E é aí que a conta começa a não fechar mais. A Camila tem 17 funcionários entre a loja e a oficina de costura. Precisaria de mais três, mas é marcar entrevista e levar cano.
Employee or Worker
Algumas pessoas nos falaram assim, ah, eu achei que é muito longe da minha casa, a questão do transporte impacta bastante, o salário, ok, eu gostei dos benefícios, mas achei um emprego mais perto que até paga menos, mas é melhor pra mim.
Business Owner or Employer
Na entrada deste posto de gasolina, a faixa anuncia vagas para frentistas. Na rua atrás do posto, tem essa oficina mecânica. Aqui o proprietário diz que são nove vagas em aberto. São quatro vagas de borracheiro, duas de secretária, duas de vendedor e uma de alinhador.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Enquanto isso, do outro lado do balcão, o trabalhador faz as suas próprias contas. E cada vez mais, elas não passam só pelo salário.
Worker or Employee
É muito bom. Cinco por dois é realmente vida. A gente consegue ter uma vida fora do trabalho e a gente fica só uma horinha a mais e ganha um dia inteiro de folga. É muito bom.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Flexibilidade é a palavra-chave. A possibilidade de escolher horários, ter menos dias presenciais e mais autonomia sobre o próprio tempo passou a ser mais sedutor do que a promessa de estabilidade. Aquele modelo mais rígido, com jornadas fixas dentro da estrutura da empresa, deixou de ser o objeto de desejo de muito trabalhador.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Meu carro é o meu escritório, é a minha empresa. Com o tempo, a experiência acaba que transforma você num ótimo profissional.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é... O mercado de trabalho em transformação. Meu convidado é Rodolfo Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV e superintendente adjunto no FGV Ibre. Quinta-feira, 5 de fevereiro. Rodolfo, em 2025 a gente chegou ao menor patamar de desemprego da história e a população ocupada chegou ao recorde de 103 milhões de pessoas. Dito isso, preciso te perguntar, o que está acontecendo com o mercado de trabalho? A gente sabe que está aquecido, mas quais são as explicações para isso? Porque a economia não está crescendo essa maravilha toda. Então, queria entender essa equação.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Tem alguns fatores que ajudam a gente a explicar porque o mercado de trabalho tem se tornado bastante aquecido, indo até além das expectativas que a gente tem no início de cada ano. Esses últimos anos foram muito favoráveis, a gente viu uma criação de vagas muito positiva e uma redução da taxa de desemprego, de desocupação, para os mínimos históricos, o que foi até além das nossas expectativas iniciais.
Statistician or Data Reporter
A taxa de desocupação ficou em 5,1%. Com o resultado, o desemprego encerrou 2025 no menor nível da história. A taxa chegou a 5,6%, um ponto percentual a menos do que no ano anterior. A população desocupada somou 6 milhões e 200 mil brasileiros, redução de cerca de 1 milhão de pessoas. Já a população ocupada alcançou 103 milhões, o maior número da série histórica e 1,7% acima do registrado em 2024.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Eu acho que primeiro a gente tem uma explicação da economia, acho que a economia é o principal motor que ajuda a explicar por que o mercado de trabalho está avançando. Por mais que ela não tenha crescido, não esteja ali no seu melhor ritmo de crescimento, a gente está vindo para o quarto ano consecutivo de crescimento. Isso é um pouco raro nos últimos anos no Brasil. Nas últimas décadas a gente acabou enfrentando muita crise, muita instabilidade. Se a gente lembrar, a gente teve uma crise de 2014-2016, depois a gente teve um crescimento um pouco mais tímido, quando se esperava alguma melhora um pouco mais forte, a gente teve a pandemia. E agora, nesses últimos anos, a gente teve crescimentos acima de 3% em 2022, 2023 e 2024, A expectativa é que 2025 ainda cresça perto de 2,5%, então esse crescimento econômico consecutivo, contínuo, isso favorece o mercado de trabalho, isso favorece que as empresas acabem conseguindo gerar mais vagas também, principalmente para o setor formal. Acho que além disso, para ajudar a explicar porque está indo talvez no ritmo até mais forte, esse ritmo de queda tem sido mais forte até do que o ritmo de se candidatar alguma vaga, abrir algum processo seletivo. Hoje a gente tem uma economia muito mais conectada, uma economia muito mais digital. Então, por exemplo, a gente pode citar aqui as plataformas, as pessoas que trabalham para plataformas de transporte de passageiros, de entregas, enfim, e outros tipos de trabalho. Ficou um pouco mais fácil das pessoas conseguirem emprego, conseguirem algum tipo de trabalho. Então, na medida que alguém perde sua ocupação, hoje ela consegue, através de plataformas, já no dia seguinte começar um novo trabalho.
Statistician or Data Reporter
O número de empregados com carteira assinada no setor privado também foi o maior registrado pelo IBGE. No sentido oposto, houve recuo de 0,8%, o que significa quase 14 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. A taxa de informalidade caiu de 39% para 38,1%. Uma leve melhora, mas ainda assim faz parte da realidade de milhões de brasileiros.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Então isso ajudou a dinâmica do mercado de trabalho brasileiro, abaixando essa taxa de desocupação e chegando nesse mínimo histórico. Eu já fui CLT há muitos anos.
Statistician or Data Reporter
Mas por conta da rotina, da manhã.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Típica, eu precisei escolher.
Employee or Worker
Eu venho alguns dias quando eles precisam, e quando ele tem alguma consulta, aí eu não venho.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Prefere assim?
Employee or Worker
Por enquanto, no momento, sim.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
A gente vê que isso ajuda o ambiente de um pouco de negócio, essa previsibilidade é muito importante. Quando a gente fala até para o setor formal, é porque o custo de contratação existe, o empresário não pode contratar e no mês seguinte demitir porque ele vai acabar perdendo dinheiro. Então, quando a gente vê esses anos consecutivos de crescimento, essa melhora da demanda, o aumento do consumo, como a gente viu nos últimos anos, isso favorece para que as empresas também tenham um pouco mais de clareza e possam criar mais vagas, contratar mais pessoas.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Bom, o Brasil é um país em que se considera pleno emprego quando essa taxa está em 6%. Aí eu vou te fazer uma pergunta. O que é exatamente o pleno emprego? É quando todo mundo está trabalhando ou não? O que é exatamente essa taxa de 6%? Por que quando a gente fala de pleno emprego a gente não fala que 100% das pessoas estão trabalhando nesse momento?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Exatamente, o pleno emprego não consegue representar essa situação onde todo mundo está trabalhando, porque a gente acaba tendo sempre alguma rotatividade na economia, no mercado de trabalho.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Alguém que eventualmente saiu de um emprego agora, trabalhava num restaurante, saiu, passou duas semanas e foi trabalhar num outro restaurante, num restaurante concorrente, é isso?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Exatamente. Ela pode estar, eventualmente, esperando uma vaga melhor que ela já passou, mas só começa daqui a algum tempo. Ela pode estar se preparando ali para algum processo seletivo que ainda está em andamento. Então, isso tem uma taxa de rotatividade que faz com que a gente tenha um volume de pessoas que estão desocupadas ou desempregadas, como seria o termo mais popular. É natural que se tenha isso, não tem como a gente ter num momento ali quando se faz a pesquisa, quando se calcula a taxa de desemprego, todas as pessoas ocupadas, porque a gente tem naturalmente essa rotatividade. No Brasil, a gente estima que essa taxa hoje seja perto de 6%, porque além dessa questão da rotatividade, e aqui no Brasil a rotatividade é um pouco maior, por ser uma economia um pouco menos é dinâmica, podemos dizer assim, a gente tem questões estruturais também. A gente sabe que em determinadas regiões, mesmo quando se abre vaga ou quando aquela pessoa se qualifica para trabalhar em algum determinado trabalho, não é exatamente as vagas que estão sendo geradas ali. Então, ela acaba ficando um pouco mais tempo fora do mercado de trabalho, fora de algum trabalho, para poder buscar a sua ocupação ideal, vamos dizer assim. Então, nesse sentido, hoje a gente estima que seja perto de 6%, a gente estaria um pouquinho abaixo desse pleno emprego.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Isso, então, é um cenário positivo, claro, mas há sinais, há pontos de atenção nesse pleno emprego?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Há pontos de atenção. Quando a gente vê uma economia, quando a gente vê, por exemplo, aqui no Brasil, se a gente permanecer com uma taxa de desemprego muito abaixo do pleno emprego, isso pode gerar um risco de inflação no segundo momento. Quando a gente observa esse dado, poxa, por que não pode todo mundo estar trabalhando? Por que não se cria emprego para todo mundo trabalhar agora e resolver essa questão da taxa de desemprego? Porque se a gente gera mais vagas do que o crescimento de produtividade, isso vira um problema. Então, por exemplo, se a gente tem hoje uma empresa que tem 100 funcionários e ela precisa aumentar, ela precisa talvez substituir um funcionário, ela busca. algum tipo de trabalhador fora. A economia já está no seu plano de emprego, já está aquecida, a mão de obra está escassa, você não consegue contratar um trabalhador igual àquele que está saindo pelo mesmo preço, você sobe esse valor. Então você aumenta o salário dessa pessoa que vai entrar, mas ela acaba entregando a mesma coisa que o trabalhador anterior que recebia um pouco menos. Então você tem um ganho de renda na economia, ou seja, tem mais gente recebendo mais salários, mas você não tem o mesmo de ganho de de produtos, de valor entregue para a economia de volta. Então, isso acaba gerando um aumento de inflação, porque tem mais gente podendo consumir e isso faz com que os preços acabem aumentando no segundo momento. Então, nesse sentido, por isso que é um pouco um alerta que se tem quando a gente está muito abaixo do Plano Emprego para um período muito grande. Nesse momento do Brasil, a tendência é que a gente se aproxime desse Plano Emprego ao longo de 2026, e aí a gente chega mais perto desse equilíbrio da economia com o mercado de trabalho. Então não chega agora a ser um problema muito grande, mas isso é algo que o Banco Central fica de olho, porque ele pode acabar tendo que intervir de alguma maneira para poder fazer com que essa taxa se aproxime desse pleno emprego.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Você já viu outros momentos parecidos com este no Brasil? Já vivenciou?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
A gente observa ali no início desse século, a gente vê uma economia que ainda estava muito aquecida, só que a gente não tinha uma redução tão grande da taxa de desocupação, essa taxa de desemprego. O que a gente tem visto nos últimos anos é que essa taxa que a gente chegou agora no final de 2025 é a menor da série histórica que o IBGE divulga. Essa é uma pesquisa que o IBGE, a taxa de desemprego, o IBGE divulga dados desde 2012, mas existia algumas variáveis antes disso que a gente pode fazer algum exercício para tentar reconstruir e o que a gente observa é que essa taxa de desemprego atual, de 5,6%, ela é menor em muito tempo. Alguns exercícios indicam que a gente só vê uma taxa de desemprego baixa nesse patamar lá para a década de 60.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Bom, eu quero olhar agora para esse efeito de um mercado de trabalho superaquecido para o empresário. Ele olha para o mercado de trabalho e normalmente ele vem reclamando da escassez de mão de obra. Queria entender o que está acontecendo. Está faltando mais trabalhador? O que as empresas estão fazendo ou tendo que fazer? Muitas estão se virando nos 30 para preencher determinadas vagas de trabalho, postos de trabalho. Faz um diagnóstico pra gente, por favor.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Então, esse é um sinal bem claro de uma economia aquecida e de um mercado de trabalho aquecido. Quando a gente vê, a gente viu uma pesquisa agora nossa aqui do Ibre, da FGV, no final de 2025, a gente viu que seis em cada dez empresas reclamam de dificuldades de contratação ou de reter aquela mão de obra que ela tem dentro da empresa. Então, essa dificuldade, essa escassez de mão de obra que a gente vê na economia é um retrato bem claro de um mercado de trabalho muito aquecido. Isso acaba sendo uma dificuldade para a empresa, porque para ela pensar em crescimento, para ela pensar em evoluir um pouco mais, em produzir um pouco mais, ela precisa contratar pessoas muitas vezes qualificadas, que têm algum tipo de habilidade para aquela vaga que ela está abrindo, e com essa dificuldade ela acaba limitando o crescimento dela. ela tendo que oferecer mais benefícios e mais salários, que é o caso, que a gente viu muitas das empresas da nossa pesquisa reportando isso, que estão oferecendo mais benefícios, que estão oferecendo mais salários para contratar aquele trabalhador. Isso, por um determinado momento, pode não ser um grande problema, mas como a gente já falou, Esse crescimento muito grande dos salários, se não vier acompanhado de uma produtividade, ou seja, de uma entrega maior também, isso pode acabar gerando alguma inflação. A gente viu que algumas empresas também já estão falando, cerca de um quarto das empresas que estão com essa dificuldade, falando que tem que repassar os preços para o produto final. Elas pensam que se elas estão aumentando o custo dela, elas vão ter que passar para o produto final e isso acaba chegando no consumidor também. Nesse sentido, o que a gente tem visto é isso, que é uma barreira muito grande, a gente vê no setor da construção, de serviços, de comércio especialmente, são os que mais reclamaram disso, que mais apontaram essa escassez e quais são as atitudes que elas estão tomando. Muitas vezes qualificar dentro da empresa, mas também tendo que oferecer mais salários e mais benefícios.
Bruno (Economist, Foreign Intelligence)
Aqui, salário de admissão no Brasil com base em dados do Caged. Era R$ 1.792,00 em 2007, esse salário vai variando, agora está em R$ 2.304,00, crescendo em várias categorias, em várias áreas. Acima da inflação, então, esse salário de entrada está maior do que estava comparado e também está maior do que a inflação no período se for comparar. ainda a Caged, isso aqui sempre o salário de admissão. Bars, R$ 1.880,00, o crescimento de 4,4%. Tem crescimentos menores. Restaurantes, ali está R$ 1.880,00, 3,7%. E construção civil ficou ali, está com salário de R$ 2.340,00. Bruno, e mais um economista da Foreign Intelligence?
Worker or Employee
Não tem uma solução, vamos dizer assim, fácil para esses setores. Mas se você quiser realmente atrair e reter talento, ou é via salário, Ou é o benefício que também no fundo acaba sendo um pouco a segunda rodada, a segunda parte dos salários.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Rodolfo Tobler. E isso nos leva a um cenário de maior equilíbrio entre o que o empregador precisa e o que o trabalhador quer? Porque esse desencontro é um desencontro clássico, né? Ele tá menor agora em razão desse cenário positivo do mercado de trabalho?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Esse desequilíbrio diminui um pouco, porque muitas vezes o que acontece é que olhando para o Brasil, a gente tem uma taxa de desemprego mais elevada, muita gente procurando emprego, e aí o empregador acaba tendo um maior poder de barganha, ele acaba podendo tomar algumas decisões, reduzir alguns custos e acaba sobrando um pouco mais para o trabalhador. Quando a gente chega nesse momento de um mercado de trabalho mais aquecido, quem ganha um poder de barganha é o próprio trabalhador. porque ele acaba vendo que ele é uma mão de obra escassa, que ele tá com pouco mais de poder, então se ele trabalha em determinado local e abre uma vaga, da mesma vaga, da mesma atuação, numa empresa vizinha, vamos dizer assim, ele pode negociar um salário mais alto, ele pode negociar mais benefícios, então isso faz com que o trabalhador têm um poder de escolha maior. As empresas, quando falam em aumentar benefícios, não só benefícios de vale-transporte, vale-alimentação, mas também, muitas vezes, de carga horária, que é um debate que se tem bem recente, da questão da carga horária, do 6x1, do 4x2. Então, isso tudo também acaba entrando nesse momento. A gente vê alguns dos setores que têm essas escalas mais elevadas, como a gente pode citar aqui, por exemplo, o setor do supermercado, foi um dos que mais subiu o salário de admissão nesse ano de 2025, ainda com a GED.
Bruno (Economist, Foreign Intelligence)
Hipermercados, isso aqui sempre salário de admissão. R$ 1.932,00, houve um crescimento de 5,8%, a gente pegando ali o topo disso daqui.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Então isso faz com que o trabalhador tenha um poder de barganha mais alto, então isso ajuda a equilibrar um pouco mais esses desejos dos empresários, dos donos de negócios e também daquelas pessoas que estão entrando para trabalhar.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
E você acha que esse cenário de pleno emprego mais permanente pode facilitar uma mudança na legislação, ou seja, criar um ambiente mais favorável para a mudança dessa escala 6 para 1?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Acho que sim, acho que esse já é um debate que está muito claro, a gente já tem visto acompanhando ao longo do último ano, a gente sabe que tem muitas coisas que têm que ser vistas, pensar em políticas públicas que sejam de fato eficientes, então como o governo pode entrar nesse debate para ajudar a promover de fato esse equilíbrio maior? Mas o que a gente já tem visto é que isso já tem até começado a acontecer. Algumas empresas acabam tendo que reduzir a sua própria carga horária, oferecer vagas com uma carga horária um pouco mais reduzida, talvez não 6 por 1, mas 5 por 2, para atrair aqueles trabalhadores. Então aquelas empresas que já estão com dificuldade, que já estão com uma escassez de mão de obra, elas já começaram até a ver isso. já ter começado a rever um pouco de como pode ser feito isso.
Tatiana Awai (Professor, INSPER)
Professora do INSPER, Tatiana Awai. Vim da escala 6x1, seria migrar para escalas mais flexíveis, em comparação, por exemplo, com a tradicional 5x2, e também em comparação, inclusive, com a mais flexível ainda, que é a 4x3, de maneira que você consiga equilibrar melhor períodos de trabalho, mas também com períodos de descanso do funcionário. O que a gente tem hoje é que, nos experimentos que são feitos com escalas mais flexíveis, quatro por três, essas empresas que optaram por fazer essas experimentações, e isso está acontecendo em vários países do mundo, Brasil incluso, são pilotos ainda, mas ainda assim a gente já consegue ter, vamos dizer, alguns resultados preliminares. Os resultados preliminares mostram que não houve um impacto negativo em termos de produtividade, em termos de cumprimento de prazos, em termos de capacidade de entrega, em termos de performance mesmo, o reporte dessas empresas que já adotaram uma escala mais flexível é que as coisas funcionam bem em termos de entrega e produtividade, ela não foi negativamente impactada.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Acho que a gente tem algumas questões do mercado de trabalho que a gente precisa avançar agora. Acho que chegar nesse nível de desemprego que a gente chegou, que é baixo, é muito favorável. Mas não quer dizer que a gente está com o melhor cenário do mercado de trabalho possível. A gente tem muitos desafios, tem muitas questões estruturais para avançar. Pensar em como a gente pode melhorar a qualidade do mercado de trabalho, acho que é um grande momento. Quando a gente tem o mercado aquecido, é justamente o momento para se pensar em políticas públicas para avançar isso. Em questão de cargo horário, em questão de redução de desigualdade, em questão de redução de informalidade, que também é muito alta no país, em como a gente consegue absorver essas pessoas que estão em trabalhos de plataforma para tentar formalizar de alguma maneira. Então tem diversos assuntos que ajudam a falar um pouco mais sobre a qualidade do mercado de trabalho, que eu acredito que possa ser uma agenda agora, a partir desse ano.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Tem uma pesquisa de um colega teu do FGV híbrido, Daniel Duque, mostrando que a renda de um motorista de aplicativo, por exemplo, ela é mais estável do que a renda de um trabalhador CLT, porque ele não enfrenta períodos longos de desemprego, sempre tem dinheiro entrando, claro, né? Tem uma série de outras coisas que ele não tem, mas olhando só para essa renda, Você mencionava no começo do episódio que a economia mudou, entre outras coisas, porque encontrou um novo modelo para absorver esses trabalhadores menos escolarizados. Eu queria te ouvir sobre o impacto disso, porque não me parece irrelevante, ao contrário, me parece uma mudança muito elementar.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
É, acho que aqui a gente tem sempre uma questão ali do copo meio cheio e do copo meio vazio, né?
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Tudo no Brasil, né, Rodolfo? Tudo no Brasil é isso. Você comemora a redução do juro pelo Banco Central, mas aí quando você olha para o copo de novo, a taxa ainda está muito alta. Você comemora que você tem uma situação de pleno emprego, mas tem o risco de impacto na inflação. Ou seja, tudo no Brasil não dá para você ser só feliz, né? Você tem que ser feliz e tem o mais depois.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
A gente sempre tem uma cautela, acho que os economistas também tendem a ser assim, de trazer mais cautela ainda. Mas quando a gente olha essa questão do trabalho, acho que o trabalho mais digital, por aplicativos, a gente tem alguns efeitos positivos bem claros. Eu acho que essa é uma das questões muito diretas, é uma facilidade de entrar, de se conseguir um trabalho muito rápido, você não tem uma barreira ali. Então, podemos falar aqui como exemplo um trabalhador de transporte de passageiros. Ele, se ele perder sua ocupação no dia, no dia seguinte ele pode baixar o aplicativo, tendo um carro, começar a fazer algum tipo de serviço. Pode ter alguma burocracia pequena, mas é um trabalho mais digital. Ele pode conseguir atrair ali um tipo de trabalho, um tipo de remuneração que muitas vezes é até acima da média da população. A gente tem essa possibilidade, o trabalhador tem ali uma chance de ganhar algum tipo de rendimento que é até mais favorável. Eu começo às 8 da manhã e paro só às 10 da noite. Tá bom.
Researcher or Analyst
Não tá ruim, se você pegar firme mesmo... No Brasil, são mais de 1 milhão e 600 mil profissionais que trabalham para empresas de aplicativo, como entregadores ou motoristas. É o que mostra a pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia. Entre os motociclistas, a esmagadora maioria é de homens, 97%. Os motoristas não ficam longe, 95% são do sexo masculino. A pesquisa também traçou o perfil étnico dos trabalhadores. Nos aplicativos de delivery, mais de dois terços são pretos ou pardos. Entre os motoristas, o índice é similar. Com relação à renda, perto de 80% dos entrevistados nas duas categorias pertencem às classes C ou inferiores.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Existem alguns estudos apontando que até a questão de entrega, os aplicativos de entrega de alimentos, desses delíveres que hoje são febre no Brasil, principalmente nas principais capitais, pode ter ajudado a reduzir a criminalidade, porque muitas das vezes esses trabalhadores são jovens, são homens que estão entrando ali no mercado de trabalho e que estão deixando de entrar para alguma atividade ilícita, que geralmente é o mesmo perfil de pessoas. Então, são pessoas que têm, às vezes, uma escolaridade não tão elevada, que têm uma dificuldade de conseguir um trabalho, acabam encontrando ali e não precisam ir para uma atividade ilícita. Por outro lado, quando a gente olha o copo meio vazio, a gente tem alguns pontos. Primeiro que, muitas das vezes, esse trabalhador pode estar sendo subaproveitado, pode ser uma pessoa que tem uma qualificação um pouco maior, que ela poderia estar fazendo algum tipo de trabalho que gerasse alguma renda maior para a economia, que gerasse uma produtividade maior para a economia. Então a gente estaria subaproveitando essa mão de obra e estaria impedindo o nosso crescimento mais de longo prazo, o crescimento da nossa produtividade. Além disso, também muitas das vezes esses trabalhadores são aqueles trabalhadores que estão mais ligados à informalidade. Na informalidade, além de ser um trabalho que muitas das vezes é um pouco menos produtivo, quando a gente olha para a economia como um todo, é um trabalho que as pessoas têm menos proteção social, que têm menos benefícios sociais, então ficam um pouco mais vulneráveis. É um trabalho que traz uma certa vulnerabilidade e se a gente pensar no longo prazo, pode ser um trabalho que até, inclusive, seja que não tenha direito a uma aposentadoria, que não tenha direito a um benefício quando a pessoa chegar a uma idade um pouco mais avançada. Então, isso vira até um problema para o governo para pensar que é uma arrecadação que não está entrando agora e que vai acabar sendo um custo mais lá na frente. Então, nesse sentido, a gente tem esses copos meio cheios e meio vazios.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
É, esse é um drama, né? Primeiro porque a sociedade brasileira é bastante mediatista. Segundo porque a gente vive, a gente é fruto de uma economia muito desigual, de um país muito desigual. Então, os trabalhadores de aplicativos hoje, que têm essa renda maior do que quem é SLT, não estão se preocupando com a aposentadoria. E aí eu te pergunto se, diante desse desafio imenso, porque a gente pode ter gerações sem direito à aposentadoria lá no futuro, se não seria o caso de repensar o nosso modelo, inclusive o da CLT?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Está ficando cada vez mais claro que é o momento de se repensar isso. Já se tem algumas agendas, a gente já viu até no início desse governo alguma tentativa de conversas com os aplicativos para ver como pode ser feito algum tipo de formalização dessas pessoas. É difícil porque ainda é uma classe que está se iniciando, até para ter algum tipo de negociação não é tão simples. Mas é o momento de se pensar, porque todas essas transformações vêm acontecendo e estão ficando cada vez mais claras. A gente já viu em estudos aqui também no Ibre, que a gente faz uma pesquisa consultando pessoas para entender um pouco melhor essa dinâmica do mercado de trabalho, a gente foi atrás dos empreendedores para entender os motivos das pessoas estarem empreendendo. Porque muitas vezes a gente acha que as pessoas estão indo para o empreendedorismo por uma necessidade. Perdeu seu trabalho, precisa de uma renda extra, vou empreender aqui para conseguir algum dinheiro. Mas o que a gente viu é que é um pouco dividido. Tem uma boa parte das pessoas que está indo para esse empreendedorismo muito por esse lado imediatista que você mencionou. Então as pessoas querem ganhar um rendimento, querem ter uma flexibilidade do trabalho, querem ter uma independência maior e vêem ali muitas vezes no empreendedorismo uma chance mais rápida de ganhar um salário um pouco mais elevado, um rendimento um pouco mais elevado do que se talvez ficasse numa carreira um pouco mais, vamos dizer assim, tradicional como a gente sempre teve ao longo das últimas décadas. Então tem essa diferença que já está bem clara que existe não só nos empreendedores, mas até na informalidade. A gente tem visto que dentro da informalidade tem umas pessoas que estão lá porque querem, não é todo mundo está lá por uma necessidade ou porque teve algum problema. Então entender como pode captar esses trabalhadores informais, conseguir absorver eles de alguma maneira para que se tenha pelo menos alguma previdência, para que se tenha pelo menos algum tipo de recurso guardado ali para algum problema eventual. Então isso é muito importante, repensar esse novo regime de trabalho que não é mais aquela CLT tradicional, é muito importante para que a gente não tenha problemas estruturais lá na frente até agora, porque as pessoas que estão na informalidade são pessoas que não estão contribuindo. que poderiam contribuir. Então é até uma questão de arrecadação para o próprio governo no momento atual. A gente viu agora esse crescimento do mercado de trabalho recente, muito puxado pelo emprego formal, até a geração de vagas foi via empresa e tudo mais, mas a gente ainda tem hoje mais de 37% de pessoas do mercado de trabalho na informalidade. Se a gente olha alguns estados, especialmente ali para o Norte e Nordeste, mais da metade dos trabalhadores são informais. Então é um desafio muito grande, é uma desigualdade que a gente observa ainda muito grande e isso vai acabar aumentando se a gente não pensar em um novo modelo.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Pois é, lembrando a todo mundo que nos ouve que o imposto que a gente paga hoje, o que a gente contribui hoje é o que está garantindo a aposentadoria das pessoas que estão fora já e que já saíram do mercado de trabalho. No momento em que for a nossa vez de se aposentar, talvez não tenha tanta gente assim contribuindo a ponto de termos aposentadorias e assim sucessivamente. Isso vai passando de geração em geração, né, Rodolfo?
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Não só uma questão desse aumento da informalidade, que faz com que menos pessoas contribuam, a gente está passando também para uma questão demográfica. A gente está tendo um envelhecimento da nossa população, então a gente tem cada vez mais pessoas entrando nessa faixa de aposentadoria, que vão acabar recebendo esse benefício do INSS, enfim, de algum tipo de aposentadoria, e tem cada vez menos gente contribuindo porque tem menos gente trabalhando. Está entrando cada vez menos gente no mercado de trabalho, a população jovem está diminuindo, as pessoas têm cada vez menos filhos. o futuro é que a nossa população seja cada vez mais envelhecida, vamos dizer assim. Eu acho que repensar um pouco essa questão da informalidade, como a gente consegue trazer essas pessoas da informalidade para dentro de algum tipo de emprego formal, algum tipo de contribuição, eu acho que é uma agenda que a gente não vai ter como fugir nos próximos anos. Acho que vai ser realmente importante pensar nisso e pensar nessa nova relação de trabalho, não só mais aquela CLT antiga e tradicional.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Rodolfo, muito obrigada pelos esclarecimentos, foi um prazer recebê-lo aqui no assunto.
Rodolfo Tobler (Economist, FGV)
Eu que agradeço, estou sempre aqui à disposição para conversar. Enfim, muito obrigado pelo convite.
Natuzaneri (Host/Interviewer)
Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Este episódio usou áudios da TV Cultura. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sara Rezende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paulo. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Data: 5 de fevereiro de 2026
Host: Natuza Nery (G1)
Convidados principais:
O episódio aborda as rápidas e profundas mudanças no mercado de trabalho brasileiro, com atenção ao pleno emprego, transformações nos modelos de contratação, novas demandas dos trabalhadores e o impacto da economia digital e dos aplicativos. Natuza Nery conversa com economistas e especialistas para analisar por que o desemprego está em mínimos históricos, o que isso significa para empregadores e empregados, e quais os desafios no horizonte, incluindo informalidade, pressões inflacionárias e a necessidade de reforma estrutural nas relações trabalhistas.
Taxa de desemprego nas mínimas históricas
Mudanças na relação empregado-empregador
“Flexibilidade é a palavra-chave” (Natuza Nery, 02:48)
“Hoje em dia, não basta mais abrir vagas. É preciso disputar os trabalhadores.”
— Natuza Nery (00:35)
Por que o mercado aqueceu tanto?
Desafios do mercado formal e informal
O que é pleno emprego?
“Não tem como a gente ter... todas as pessoas ocupadas, porque a gente tem naturalmente essa rotatividade.”
— Rodolfo Tobler (08:53)
Perigos do pleno emprego prolongado
Comparação histórica
“Tudo no Brasil não dá pra você ser só feliz, né? Você tem que ser feliz e tem o ‘mas’ depois.”
— Natuza Nery (21:33)
Empresas precisam inovar
Pressão sobre os salários
Equilíbrio de poder
“Se você quiser realmente atrair e reter talento, ou é via salário ou é o benefício...”
— Bruno, Foreign Intelligence (15:35)
“As empresas que adotaram escalas mais flexíveis funcionam bem em entrega e produtividade.”
— Tatiana Awai (18:43)
O copo meio cheio e meio vazio
Perfil dos trabalhadores de aplicativos
“No Brasil são mais de 1,6 milhão de profissionais que trabalham para empresas de aplicativo... a esmagadora maioria é de homens, 97%.”
— Analista (22:46)
Atenção à aposentadoria e ao futuro do trabalho
Necessidade de repensar o modelo de trabalho
“Repensar esse novo regime de trabalho, que não é mais aquela CLT tradicional, é muito importante para que a gente não tenha problemas estruturais lá na frente.”
— Rodolfo Tobler (25:50)
Resumo final:
O mercado de trabalho brasileiro passa por um momento de pleno emprego, mas enfrenta desafios antigos (informalidade, desigualdade, previdência) e novos (flexibilização, aplicativos, mudanças geracionais), exigindo adaptação das empresas, trabalhadores e do governo para garantir um futuro sustentável, inclusivo e produtivo.