O Assunto – O mercado de trabalho em transformação
Data: 5 de fevereiro de 2026
Host: Natuza Nery (G1)
Convidados principais:
- Rodolfo Tobler (Economista, FGV IBRE)
- Bruno (Economista, Foreign Intelligence)
- Tatiana Awai (Professora, Insper)
Visão Geral do Episódio
O episódio aborda as rápidas e profundas mudanças no mercado de trabalho brasileiro, com atenção ao pleno emprego, transformações nos modelos de contratação, novas demandas dos trabalhadores e o impacto da economia digital e dos aplicativos. Natuza Nery conversa com economistas e especialistas para analisar por que o desemprego está em mínimos históricos, o que isso significa para empregadores e empregados, e quais os desafios no horizonte, incluindo informalidade, pressões inflacionárias e a necessidade de reforma estrutural nas relações trabalhistas.
1. Cenário Atual: O Mercado Aquecido
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Taxa de desemprego nas mínimas históricas
- 2025 terminou com desemprego em 5,6%, menor patamar desde 2012.
- O setor de serviços foi o maior contratante (01:05).
- População ocupada: recorde de 103 milhões de pessoas (04:29).
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Mudanças na relação empregado-empregador
- Empresas oferecem bônus, benefícios diferenciados e planos de carreira para atrair e reter funcionários (00:05–00:35).
- Exemplo: trabalhadores preferem empregos mais próximos de casa, mesmo com salário menor, por qualidade de vida (01:57).
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“Flexibilidade é a palavra-chave” (Natuza Nery, 02:48)
- Jornadas flexíveis e autonomia ganham espaço frente à estabilidade e rigidez de horários.
Notável
“Hoje em dia, não basta mais abrir vagas. É preciso disputar os trabalhadores.”
— Natuza Nery (00:35)
2. Análise Econômica do Pleno Emprego
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Por que o mercado aqueceu tanto?
- Quatro anos seguidos de crescimento econômico, mesmo que modesto (05:07).
- Digitalização facilita que trabalhadores encontrem alternativas rapidamente, via aplicativos, por exemplo (05:07–06:52).
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Desafios do mercado formal e informal
- Recorde de empregados com carteira assinada, mas informalidade ainda atinge cerca de 38% (06:52).
- Trabalhadores valorizam cada vez mais flexibilidade sobre o emprego tradicional (07:23–07:49).
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O que é pleno emprego?
- No Brasil, considera-se pleno emprego acima de 94% da força de trabalho ocupada (taxa de 6% de desemprego) devido à rotatividade natural (08:16–10:06).
Notável
“Não tem como a gente ter... todas as pessoas ocupadas, porque a gente tem naturalmente essa rotatividade.”
— Rodolfo Tobler (08:53)
3. Pontos de Atenção e Riscos
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Perigos do pleno emprego prolongado
- Pressão inflacionária: empresas precisam pagar salários mais altos, que não necessariamente trazem aumento de produtividade (10:14–11:52).
- Crescimento de salários sem produtividade pode impactar preços e exigir ação do Banco Central.
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Comparação histórica
- Similaridade de cenário só vista anteriormente nos anos 1960; série histórica do IBGE desde 2012 (11:59–12:40).
Notável
“Tudo no Brasil não dá pra você ser só feliz, né? Você tem que ser feliz e tem o ‘mas’ depois.”
— Natuza Nery (21:33)
4. Desafios aos Empregadores: Escassez de Mão de Obra
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Empresas precisam inovar
- 6 em cada 10 empresas relatam dificuldade de contratação ou retenção (13:17).
- Soluções incluem maiores salários, benefícios, flexibilização de jornadas e qualificação interna.
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Pressão sobre os salários
- Salário de admissão está crescendo acima da inflação em diversos setores (14:55–15:35).
- Exemplo: construção civil, bares, supermercados apresentam aumentos relevantes.
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Equilíbrio de poder
- Trabalhador ganha mais poder de barganha em mercados aquecidos, podendo negociar salários e condições (16:23–17:52).
Notável
“Se você quiser realmente atrair e reter talento, ou é via salário ou é o benefício...”
— Bruno, Foreign Intelligence (15:35)
5. Transformações nas Jornadas de Trabalho
- Flexibilização das escalas
- Empresas aderem a escalas mais flexíveis (5x2, 4x3) para atrair talentos (18:07–18:43).
- Resultados preliminares não apontam queda de produtividade com a flexibilização (Tatiana Awai, 18:43–19:54).
Notável
“As empresas que adotaram escalas mais flexíveis funcionam bem em entrega e produtividade.”
— Tatiana Awai (18:43)
6. Revolução Digital e Economia dos Aplicativos
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O copo meio cheio e meio vazio
- Aplicativos facilitam entrada no mercado e trazem estabilidade de renda (20:38–21:28).
- Por outro lado, elevam a informalidade e a vulnerabilidade: falta de previdência, benefícios, e risco de subaproveitamento de talentos (23:31–25:08).
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Perfil dos trabalhadores de aplicativos
- Dominado por homens (95%–97%), maioria preta/parda, rendas voltadas às classes C ou inferiores (22:46–23:31).
- Possível impacto social: diminuição da criminalidade entre jovens (23:31).
Notável
“No Brasil são mais de 1,6 milhão de profissionais que trabalham para empresas de aplicativo... a esmagadora maioria é de homens, 97%.”
— Analista (22:46)
7. Desafios Estruturais: Previdência, CLT e Reforma
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Atenção à aposentadoria e ao futuro do trabalho
- Informalidade crescente ameaça a sustentabilidade do sistema previdenciário (25:08–28:12).
- Envelhecimento populacional agrava o problema: menos jovens entrando, mais idosos saindo (28:38).
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Necessidade de repensar o modelo de trabalho
- Flexibilidade, empreendedorismo e informalidade exigem nova abordagem legal e de políticas públicas (25:50–28:12).
Notável
“Repensar esse novo regime de trabalho, que não é mais aquela CLT tradicional, é muito importante para que a gente não tenha problemas estruturais lá na frente.”
— Rodolfo Tobler (25:50)
8. Encerramento
- O episódio reforça que, mesmo diante de dados históricos positivos, o Brasil enfrenta desafios estruturais que exigem reformas e adaptação às novas dinâmicas do mercado.
- A informalidade, pressões inflacionárias, necessidade de valorização da produtividade e políticas públicas eficazes são temas centrais para o futuro do emprego no país.
Timestamps de Segmentos-Chave
- 00:35 – Natuza Nery define o novo contexto competitivo por trabalhadores
- 04:08 – Rodolfo Tobler explica o aquecimento do mercado
- 07:23 – Debate sobre informalidade e flexibilidade
- 10:06 – Pleno emprego e limites desse conceito
- 13:17 – Diagnóstico das dificuldades empresariais
- 15:35 – Bruno comenta sobre salários e benefícios como solução
- 18:43 – Tatiana Awai relata efeitos da flexibilização de escalas
- 20:38 – Discussão sobre aplicativos e impacto no mercado e previdência
- 25:50 – Rodolfo Tobler defende repensar o modelo CLT
- 28:38 – Envelhecimento populacional e reflexos previdenciários
Resumo final:
O mercado de trabalho brasileiro passa por um momento de pleno emprego, mas enfrenta desafios antigos (informalidade, desigualdade, previdência) e novos (flexibilização, aplicativos, mudanças geracionais), exigindo adaptação das empresas, trabalhadores e do governo para garantir um futuro sustentável, inclusivo e produtivo.
