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Narrator/Host
Tim Black, um plano exclusivo para você descobrir a sua melhor versão.
Mahmoud Abbas
É preciso, em primeiro lugar, um fim imediato à guerra em Gaza.
Natuza Nery
Com visto negado para entrar nos Estados Unidos, o líder da autoridade palestina discursou na Assembleia Geral da ONU por videoconferência. Mahmoud Abbas fez duras críticas à guerra em Gaza.
Mahmoud Abbas
O que Israel está fazendo não é uma agressão. É um crime de guerra e um crime contra a humanidade.
Natuza Nery
E condenou os ataques do grupo terrorista Hamas contra o povo israelense.
Guga Chakra
Apesar de tudo que o nosso povo.
Mahmoud Abbas
Vem sofrendo, nós rejeitamos o que Hamas fez no dia 7 de outubro. Essas ações que tiveram como alvo civis israelenses e os tomaram como reféns, essas ações não representam o povo palestino, nem representam a sua justa luta por liberdade e independência.
Natuza Nery
Abbas agradeceu países que recentemente reconheceram o Estado da Palestina.
Mahmoud Abbas
E aqui eu gostaria de, em nome do povo palestino, expressar a nossa gratidão, nosso apreço por todos os estados que recentemente reconheceram o Estado da Palestina. Nós pedimos que todos os estados que ainda não fizeram que reconheçam o Estado da Palestina.
Natuza Nery
E afirmou, o Hamas deve ficar de fora de um futuro governo do Estado palestino.
Mahmoud Abbas
Nós afirmamos e vamos continuar a afirmar que a faixa de Gaza vai continuar a ser uma parte do Estado da Palestina. O Hamas e outras facções precisarão entregar suas armas para a autoridade palestina como parte de um processo para construir a instituição de um Estado.
Natuza Nery
Nesta semana, antes do início da Assembleia Geral da ONU, lideranças se encontraram para discutir essa, que é uma demanda antiga dos palestinos e cobrada há pelo menos sete décadas.
Narrator/Reporter
Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal se juntaram então aos 143 países membros da ONU que já reconhecem a Palestina. E mais países vão fazer o mesmo nessa conferência hoje, incluindo França, Bélgica, Luxemburgo, Nova Zelândia. Essa medida amplia a pressão internacional pela criação de um Estado palestino como um caminho para acabar com a guerra em Gaza.
Essa conferência, que foi realizada hoje aqui na ONU, foi liderada pela Arábia Saudita e pela França. De acordo com Emmanuel Macron, essa é a única forma para se alcançar a paz em Gaza. Macron disse que a França continua se comprometendo com a guerra. diante do antissemitismo que está ao lado de Israel desde sempre, que isso não vai mudar e que continua condenando os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, mas que a criação de um Estado palestino daria aos palestinos a esperança de viver e viver em paz no Oriente Médio.
Natuza Nery
O tema pautou vários dos discursos nos dias seguintes, como no caso do presidente Lula, que abriu a Assembleia.
Narrator/Reporter
O povo palestino corre o risco de desaparecer. Só sobreviverá como um Estado independente integrado à comunidade internacional. Essa é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem aqui, nesse mesmo plenário, mas obstruída por um único reto. É lamentável. que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país-anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico.
Natuza Nery
A reivindicação faz parte da chamada solução de dois estados, que encontra atualmente dois obstáculos. Um deles é o presidente do país mais poderoso do mundo, Donald Trump.
Guga Chakra
E ainda há nesse corpo, nessa organização, gente reconhecendo literalmente o Estado Palestina. Mas seria uma recompensa muito grande para os terroristas do Hamas. Seria uma recompensa para essas atrocidades terríveis, incluindo o 7 de outubro.
Natuza Nery
E o outro é Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel vai discursar na ONU nesta sexta-feira, mas já adiantou o conteúdo da sua fala nas redes sociais. Netanyahu disse o seguinte, abre aspas, fecha aspas.
Narrator/Reporter
Danny Damon, que é o embaixador de Israel aqui na ONU, disse que esses debates não passam de encenação e que uma solução de dois estados passou a ficar fora da mesa a partir do ataque terrorista no dia 7 de outubro de 2023.
Narrator/Host
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou categoricamente, não haverá um Estado palestino. Netanyahu prometeu apresentar a sua resposta oficial após o discurso na ONU marcado para sexta-feira. No governo israelense, ministros de extrema-direita pressionam por uma anexação total da Cisjordânia como retaliação, enquanto a oposição critica Netanyahu por não ter conseguido evitar o que considera um fracasso diplomático.
Natuza Nery
Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é o Estado Palestino. O que significa a onda de apoio de países ocidentais à criação de um Estado independente e qual o impasse diante das posições dos Estados Unidos e de Israel? Neste episódio, eu converso com Guga Chakra, comentarista da TV Globo e da Globo News e colunista do jornal O Globo. Sexta-feira, 26 de setembro. Guga, hoje discursou na ONU o Mahmoud Abbas, falou na Assembleia Geral, só que por videoconferência, em razão de uma restrição dos Estados Unidos que não concedeu visto para ele. Já já a gente vai entrar no que ele disse, mas antes acho que vale a pena explicar quem ele é e o que é a autoridade palestina.
Guga Chakra
Oi Nathuns, hoje estou aqui no estúdio nosso das Nações Unidas, aqui que a gente tem acompanhado a Assembleia Geral. Bom, primeiro, quem que é o Mahmoud Abbas? O Mahmoud Abbas é uma figura histórica palestina que integrou a OLP e posteriormente sempre foi uma das figuras mais próximas ao Yasser Arafat. E quando o Yasser Arafat morreu, ele acabou sendo eleito presidente palestino. Isso faz duas décadas já, Natuza.
Natuza Nery
Yasser Arafat morreu num hospital de Paris aos 75 anos de idade. O homem que personificou a luta dos.
Guga Chakra
Mais de 4 milhões de palestinos pelo direito de existir como nação. O ex-primeiro-ministro Abu Abbas, também dito assim, assume a liderança da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina, fundada há 40 anos pelo Yasser Arafat e que até então também era dirigida por ele. Agora, no mês que vem, dia 15 de novembro, o Mahmoud Abbas completa 90 anos. Ele nasceu na cidade de Safed, durante o mandato britânico da Palestina histórica, no que hoje é Israel. Safed faz parte do território israelense. E ao longo desses 20 anos no poder, ele acabou se enfraquecendo bastante. Primeiro porque ele perdeu a legitimidade, ele não disputou mais eleições, ele foi permanecendo no cargo ali com o presidente palestino. Em segundo lugar, parte pela incompetência da administração dele, acusações de corrupção. Terceiro porque ele não alcançou o objetivo final dos palestinos, que é o de ter um Estado. Mas apesar de tudo isso, o Mahmoud Abbas, ele segue uma figura defensora do diálogo, do diálogo com Israel, Ele reconhece a existência do Estado Israelense.
Narrator/Host
A Autoridade.
Guga Chakra
Palestina tem origem nos Acordos de Oslo. Quando a OLP, que é a Organização para a Libertação da Palestina, então liderada pelo Yasser Arafat, assina os acordos de Oslo com Israel, eles passam a compor essa nova entidade, que é a Autoridade Palestina, que é a entidade reconhecida internacionalmente como representante do povo palestino, para cerca de 150 países, incluindo os europeus que fizeram reconhecimento na semana, como representante do Estado palestino.
Narrator/Reporter
No Jardim da Casa Branca, em 13 de setembro de 1993, depois de longas negociações com a ajuda do governo da Noruega, o líder palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin apertaram as mãos. Uma imagem que até então parecia impossível, ficou para a história. Ali nasciam os Acordos de Oslo. Apenas dois anos depois dos Acordos de Oslo, Yitzhak Rabin, o líder israelense que estendeu a mão para Arafat na Casa Branca, foi assassinado por um israelense de extrema direita. Naquele momento, o sonho da paz começava a ficar cada vez mais longe.
Guga Chakra
Ele comanda a autoridade palestina e ele integra o Fatah, que é o partido que controla a autoridade palestina, que era o partido do Arafat. E o Fatah é um adversário histórico do Hamas. O Fatah que tem um viés mais laico, mais secular, não religioso e sempre teve esse embate entre os dois.
Natuza Nery
Bom, então o fato de o Mahmoud Abbas criticar o ataque terrorista do Hamas e dizer que o Hamas não integrará um governo palestino não é necessariamente uma surpresa e eu já entro então com um pedido para você avaliar os quase 20 minutos de discurso do Mahmoud Abbas.
Guga Chakra
Ele condenou no discurso dele, mais uma vez, o atentado terrorista do Hamas. Não foi no plenário da ONU, é importante frisar que ele discursou de Ramallah na Palestina, na Cisjordânia, porque os Estados Unidos não concederam visto para ele vir para cá. impediram a vinda do Mahmoud Abbas e a Assembleia Geral, em uma votação, permitiu que ele fizesse por vídeo o discurso para a Assembleia Geral.
Narrator/Reporter
Mahmoud Abbas participou com uma mensagem gravada. Logo no início, ele condenou as ações militares de Israel na faixa de Gaza. O povo palestino está enfrentando uma guerra de genocídio, destruição, fome e deslocamento imposta pelas forças israelenses que mataram e feriram mais de 220 mil palestinos, a maioria desarmada, crianças, mulheres e idosos", afirmou Abbas. E acrescentou, é um crime de guerra e um crime contra a humanidade. Ele voltou a afirmar que a autoridade palestina está pronta para assumir o governo de Gaza, que o Hamas não terá nenhum papel lá e que o futuro Estado palestino não terá facções e grupos armados. No fim do discurso, ele afirmou que está pronto para trabalhar com o presidente americano, Donald Trump, e todos os parceiros para implementar um plano de paz.
Guga Chakra
Então ele condena um atentado terrorista do Hamas, ele pede a libertação dos reféns israelenses que estão nas mãos do Hamas e também do jihad islâmico na faixa de Gaza, cerca de 20 ainda estariam vivos segundo o governo israelense, ele também apresenta um plano para o futuro de um Estado palestino. Futuro não para o Estado palestino, inicialmente ele apresenta um plano para o fim da guerra de Gaza. Ele defende que haja uma administração em conjunto inicialmente da autoridade palestina com as Nações Unidas da faixa de Gaza, com entrada maciça de ajuda humanitária, reconstrução daquele território. É um plano em sintonia, Natuza, com as propostas apresentadas nas resoluções na ONU, no Conselho de Segurança da ONU, a maior parte delas vetadas pelos Estados Unidos, mas com apoio de grande parte da comunidade internacional, tanto no Conselho de Segurança como também Nasten Blair Gerardi, ele apresentou esse plano. Ele também acusa Israel de genocídio, seguindo na linha daquela comissão independente de inquérito das Nações Unidas, também em sintonia com a Anistia Internacional, com Human Rights Watch, com Médicos Sem Fronteiras, com o presidente Lula, com o presidente Ramaphosa da África do Sul, com o presidente Boric do Chile e outras lideranças internacionais que acusam Israel de genocídio, não foi a primeira vez que ele falou isso.
Narrator/Reporter
Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza.
Guga Chakra
Sobre o futuro Estado palestino, ele fez aquela defesa, mas também em sintonia com a comunidade internacional, defendendo o estabelecimento de um Estado palestino na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e com capital em Jerusalém. Oriental. Claro que há uma série de obstáculos para ele atingir esse objetivo ao começar pelos assentamentos israelenses, mas ele fez essa defesa de que o Estado palestino, que já é conhecido pela maior parte da comunidade internacional, seja formalmente criado nesses territórios.
Natuza Nery
Bom, duas perguntas em uma diante de tudo que você nos contou. Quais os efeitos político e diplomático dessa posição evidenciada no discurso dele? E uma dúvida. Existe, hoje é factível pensar em um Estado palestino sem a presença do Hamas?
Guga Chakra
Olha Natuza, começando pelo peso do discurso dele, é um peso mais simbólico, efeito prático não tem, porque a autoridade palestina não tem essa força toda, mas esse discurso ocorre dias depois de nações ocidentais, França, Reino Unido, Bélgica, Portugal, Canadá, a Austrália fazerem formalmente reconhecimento do Estado Palestina. Então é num momento fundamental que ele tem esse amparo de grande parte para a comunidade internacional. Ele sempre teve, de países da América Latina, da África, da Ásia, mas agora com esse apoio formal de nações importantes da Europa, incluindo duas que são integrantes do Conselho de Segurança da ONU, o Reino Unido e a França.
Narrator/Reporter
Quatro dos cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU terão reconhecido, então, o Estado palestino. Isso porque Rússia e China já reconheciam e agora Reino Unido e França se juntam a esse grupo de países. Lembrando que os Estados Unidos e apenas Os Estados Unidos, dentro do Conselho de Segurança, não seguem esse caminho.
Guga Chakra
A gente passa para a segunda pergunta. O Mahmoud Abbas, Natuza, ele tenta diferenciar o que é a causa palestina, o Estado palestino, o povo palestino. do que é o Hamas. Ele diferencia essas duas coisas. Ele defende que sim, haja um Estado palestino, que é, mais uma vez, o que a comunidade internacional defende, mas que nesse momento, pelo menos, não dá para o Hamas integrar, porque o Hamas não abdicou do terrorismo, não abdicou da suas armas, o Hamas teria que abdicar dos seus armamentos, abdicar do terrorismo, reconhecer formalmente a existência de Israel, o que o Hamas fez no passado foi aceitar uma hudna, que seria uma trégua por um período que aceitaria a existência de Israel, mas nunca reconheceu formalmente o direito de os israelenses terem um Estado. Agora, um Estado palestino sem o Hamas, eu diria que nesse momento é muito difícil que seja criado um Estado palestino, porque os dois atores poderosos naquela região, que são os Estados Unidos e Israel, o atual governo americano e o atual governo israelense, são formalmente contra a criação de um Estado palestino. E se eles não aceitarem a criação de um Estado palestino, como eles não aceitam, não haverá esse Estado palestino. Eles criticaram inclusive o reconhecimento feito por esses outros países e o governo Netanyahu, o premier Netanyahu, formalmente diz ser contra a existência de uma Palestina independente.
Narrator/Reporter
O Netanyahu destacou que não haverá dois Estados e que há planos para continuar assentamentos israelenses em território palestino.
Guga Chakra
Na prática, o que ocorre nesse momento? Bom, a guerra de Gaza todos nós observamos o que acontece lá, mas na Cisjordânia, onde vivem 3 milhões de palestinos nesse momento, em meio a 700 mil colonos israelenses que vivem em assentamentos ilegais, o que se discute é a anexação da Cisjordânia, da maior parte da Cisjordânia, de território, embora não dos centros populacionais, quer dizer, Israel anexaria quase a totalidade da Cisjordânia, 60, 80% da Cisjordânia, mas não a cidade, não anexaria Ramallah, não anexaria Nablus, não anexaria Belém, que ficariam ali como ilhotas, como cidades, ilhas, sem conexão entre elas e, naturalmente, inviabilizando a criação de um Estado palestino. Claro que com essa anexação de 80% seria anexada terras de palestinos, ainda que pouco populosas comparadas às cidades.
Natuza Nery
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Guga Chakra.
Narrator/Host
A Ingrid da ProBrain usa a inteligência artificial do Google em jogos que treinam.
Guga Chakra
O cérebro e melhoram a capacidade de escuta.
Mahmoud Abbas
Essa é a nova era da inovação.
Guga Chakra
Google.
Natuza Nery
E como é que o Netanyahu chega pra essa assembleia? Lembrando que no momento em que esse episódio vai ao ar, é exatamente o dia do discurso dele. No ano passado, várias delegações, incluindo a do Brasil, deixaram o plenário em caráter de protesto quando ele começou o discurso dele. Como é que deve ser? O que dá pra gente esperar, Guga?
Guga Chakra
Netanyahu chega poderoso e isolado ao mesmo tempo, isolado pela comunidade internacional. Ele vê agora os países europeus reconhecendo o Estado palestino, indo contra os interesses dele, discussões na UEF, na FIFA, até para suspender. Israel ainda não foi suspenso, mas há um um diálogo quase aberto sobre essa possibilidade, israelenses que viajam para a Europa sofrendo hostilidades por causa do Netanyahu, ele próprio vindo para os Estados Unidos, tendo que evitar sobrevoar estados europeus, aumentando a distância percorrida para chegar até aqui, para evitar o risco de uma prisão, há um mandato de prisão para ele emitido pelo Tribunal Penal Internacional, mas ao mesmo tempo ele chega super poderoso. Ele derrotou no ano passado o Hezbollah. A gente não pode esquecer, o ataque para matar o Nasrallah, líder do Hezbollah, foi minutos depois do discurso dele na ONU no ano passado. Então ele derrotou o Hezbollah no ano passado.
Narrator/Reporter
O conflito no Oriente Médio alcançou o nível máximo de tensão com a confirmação.
Guga Chakra
Da morte do chefe do grupo extremista Hezbollah no Líbano. Hassan Nasrallah morreu em um bombardeio israelense em Beirute. Ele derrotou o Irã na guerra nesse ano, enfraqueceu bastante o regime iraniano, especialmente o programa nuclear iraniano, com a ajuda dos Estados Unidos. Ele bombardeou recentemente o Catar, matando lideranças do Hamas no Catar. Tem bombardeado bastante a Síria, embora talvez, surpreendentemente, apesar das críticas feitas pelo líder sírio Ahmad al-Shara, feitas da Israel na ONU, talvez possa surgir um acordo A partir daí, tem mantido ainda um diálogo via Estados Unidos com o Líbano para questão de definir as fronteiras. Nesse sentido, ele está poderoso e, claro, tem a questão toda da faixa de Gaza. E ele chega também com uma pressão interna dos radicais da coalizão dele para anexar a maior parte da Cisjordânia. A questão é que ele precisa do aval do Trump. Se o Trump não permitir, ele não vai anexar. Então, ele vai ter que calibrar essas duas questões. Talvez o Trump autorize, mas o Trump, por sua vez, sofre uma pressão de aliados americanos, especialmente as nações do Golfo Pérsico, o Marabé Saudita, Emirados Árabes, que são nações que o Trump respeita muito. Então, a gente não sabe como o Trump vai colocar na balança tudo isso para ver se autoriza ou não o Netanyahu a anexar a Cisjordânia.
Natuza Nery
Bom, ele também chega nesta Assembleia depois que um comitê de investigação contratado pela própria ONU apontou que Israel comete genocídio na Faixa de Gaza, o que o governo israelense nega. Explica pra gente o que esse relatório indicou para chegar a essas conclusões, Guga.
Guga Chakra
Esse relatório indicou uma série de itens que eles levam em consideração para determinar se há genocídio ou não, como, por exemplo, a prática de limpeza étnica, que membros do governo de Israel abertamente defendem e que, na visão de muitos, já ocorre quando Israel expulsa populações palestinas das suas cidades, além do que o número de mortes. Então, é uma série de itens.
Narrator/Host
O relatório citou quatro dos cinco atos listados na Convenção de 1948. Matar, causar danos físicos ou mentais graves, impor deliberadamente condições calculadas para destruir total ou parcialmente a população e impedir nascimentos.
Guga Chakra
De um atentado terrorista, um atentado terrorista de 7 de outubro de 2023, mas cada vez mais a gente vê vozes na comunidade internacional acusando Israel de genocídio, quer dizer, a gente não pode esquecer que Israel foi criada pelas Nações Unidas, quando teve a partilha votada aqui em 1947, em sessão presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, então tem um peso muito forte esse cenário, um crescente número de vozes acusando Israel de genocídio, Israel negando que socorra e argumentando que se defende de um violento atentado terrorista no qual morreram 1.200 pessoas que, segundo Israel, qualquer país se defenderia da mesma forma.
Natuza Nery
E me lembrou o discurso, o trecho do discurso do Lula, quando ele diz que o organismo que criou o Estado de Israel não pode se fortar a fazer o mesmo pelo povo palestino.
Narrator/Reporter
Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de investir. Trabalhar para efetivar o Estado palestino é corrigir uma simetria que compromete o diálogo e obstrui a paz.
Natuza Nery
Agora, a gente sabe que os Estados Unidos são um baita empecilho para que isso ocorra, sempre foram de longe o aliado mais poderoso de Israel. Mas tem alguma coisa mudando no campo republicano, que é o partido de apoio a Trump? Porque entre 2022 e 2025, pesquisas do Instituto Peel Research Center mostram que o número de republicanos com opiniões desfavoráveis a Israel subiu de 27% para 37%, especialmente entre aqueles abaixo de 49 anos. Eu queria te ouvir sobre essa mudança, o que se deve?
Guga Chakra
Em geral, a imagem de Israel tem se desgastado com a população americana como um todo. Tem crescido um sentimento, especialmente entre os jovens, mas não apenas entre os jovens, um sentimento mais Palestina, o candidato vitorioso nas primárias do Partido Democrata em Nova Iorque, a maior cidade com população judaica fora de Israel em todo o mundo. O vencedor foi um crítico, o Mamdani, que é um crítico de Israel, abertamente crítico não do país, ele reconhece o direito de Israel existir, é um crítico do governo do Netanyahu, e nas primárias ele teve muitos votos, inclusive, da população judaica. Claro que ainda tem aquele establishment bem pró-Israel, que evita críticas, inclusive, ao Netanyahu, o caso da Hillary Clinton, por exemplo, do Joe Biden, dessas figuras tradicionais, mas eles estão enfraquecidos diante uma outra ala muito mais crítica à Israel. Então, você ir abertamente ao Netanyahu. Então, isso no Partido Democrata. No Partido Republicano, o movimento é um pouco distinto. Embora o Partido e o Trump sigam quase incondicionalmente apoiando Israel, você vê na ala mais à direita do trumpismo, na ala mais radical do trumpismo, o MAGA, um crescente sentimento anti-Israel, que eles avaliam que os Estados Unidos, o governo americano, seja democrata ou republicana, isso incluindo o Trump, colocam os interesses de Israel em primeiro lugar e não os interesses dos Estados Unidos no que diz respeito ao Oriente Médio. Então, vem mais por isso e não por alguma empatia com a população palestina. Então, nesse sentido que há um pouco de antissemitismo também. Isso nos dois lados, você vê figuras mais radicais dos dois lados que são anti-Israel por questões antissemitas.
Natuza Nery
E para a gente terminar, Guga, um pouco do que está acontecendo na Europa. Protestos cada vez mais intensos. Na última segunda-feira, por exemplo, teve uma greve geral na Itália e os atos foram registrados em mais de 60 cidades. Está crescendo. Qual é o peso disso para esse propósito de reconhecimento do Estado da Palestina por países europeus?
Guga Chakra
Olha, é o isolamento de Israel por causa do governo Netanyahu, crescente na comunidade internacional. Eu mencionei mais cedo, você vê a FIFA, a UEFA ainda não suspenderam, mas há movimentos para que Israel seja suspenso, como a Rússia foi suspensa das competições internacionais. Você vê ali o Eurovision, que é aquela competição de música europeia que Israel participa, embora não seja na Europa, mas os canais de TV que transmitem na Irlanda e na Holanda falaram que não transmitirão se Israel participar nos próximos anos, turistas israelenses sendo hostilizados na Grécia, sendo hostilizados na Itália também durante. as férias de verão, a volta da Espanha, uma competição de ciclismo da Espanha também interrompida pela presença de um time israelense, Pedro Sánchez, que é o primeiro-ministro da Espanha, o presidente de governo, como eles dizem lá, também defendendo que haja alguma forma de punição a Israel em competições esportivas internacionais e especialmente na população como um todo. O sentimento contra Israel cresce muito por causa de Gaza, é especificamente por causa do que acontece em Gaza, onde mais de 60 mil palestinos foram mortos, milhares de mulheres e crianças, assim como nos Estados Unidos tem crescido um sentimento pro-Palestino, um sentimento, mais um sentimento anti-Netanyahu, vamos colocar assim, porque é importante diferenciar o que é o Netanyahu o que é Israel e o que é a comunidade judaica. Então é um país plural, é um país diverso, é como o Brasil, que tem manifestação pro Bolsonaro, tem manifestação pro Lula, isso é Israel. E você tem o governo Italiano, que é quem está no poder atualmente, que é uma figura, o Netanyahu, que é um político extremamente hábil, ele foi primeiro-ministro já nos anos 90, está no poder desde 2009, a não ser por um pequeno hiato, em grande parte que ele consegue construir coalizões, e na última vez, na atual coalizão dele, é a coalizão mais radical da história de Israel, porque tem dentro da sua coalizão figuras super extremistas. E o Netanyahu precisa continuar no poder, porque se ele sair do poder, ele muito provavelmente pode acabar atrás das grades, porque ele é acusado em múltiplos casos de corrupção, fora o que aconteceu, o papel em relação à segurança de Israel, que sem dúvida alguma falhou quando ocorreu o atentado terrorista do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
Natuza Nery
Guga, muito obrigada por ter achado o tempo, que eu sei que é curto nessa cobertura intensa que você está fazendo, mas para falar com a gente. Um bom trabalho para você aí na cobertura da Assembleia Geral da ONU.
Guga Chakra
Obrigado, Natuza.
Natuza Nery
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o assunto podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou Natuzaner e fico por aqui. Até o próximo assunto.
Data: 26 de setembro de 2025
Host: Natuza Nery
Convidado: Guga Chacra (comentarista da TV Globo/GloboNews, colunista do jornal O Globo)
Este episódio analisa o crescente movimento internacional pelo reconhecimento do Estado Palestino, a escalada do conflito em Gaza, os recentes discursos na Assembleia Geral da ONU, e as profundas barreiras políticas e diplomáticas à solução de dois Estados. Ancorado por Natuza Nery e com participação do jornalista Guga Chacra, o debate explora a postura de Mahmoud Abbas, a reacção de Israel e EUA, as tensões com a comunidade internacional, além do aumento do isolamento israelense, especialmente na Europa.
Contexto: Abbas, presidente da Autoridade Palestina, discursou virtualmente na ONU após ter o visto de entrada nos EUA negado.
Reação Mundial:
Ouça o episódio para mais detalhes e análise direta de Natuza Nery e Guga Chacra.