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Natuzanera
Tim Black, um plano exclusivo pra você.
Natuzaneri
Descobrir a sua melhor versão. A cena é a seguinte. Um prédio suntuoso e imponente com colunas no segundo pavimento. Estamos no Palácio do Leão, a sede do poder no Nepal, país do sul da Ásia. Ele está em chamas e cercado por jovens que, com celular em punho, gravam vídeos, fazem transmissão ao vivo e tiram selfies É essa fotografia que marcou o dia 9 de setembro no país, quando os protestos ficaram incontroláveis O parlamento foi invadido, outros prédios públicos e casas de autoridades foram incendiados e a esposa do ex-primeiro-ministro morreu queimada Nas ruas, quem dava as cartas era uma multidão de jovens frustrados com a corrupção e a falta de oportunidades, e revoltados com a suspensão de redes sociais. Uma onda de indignação que começou justamente na internet.
Natuzanera
Viagens ao exterior, relógios caríssimos, sacolas da Gucci. A vida de luxo ostentada por filhos de autoridades do Nepal foi um dos estopins para a revolta que tomou as ruas do país. Dias antes dos primeiros protestos, vídeos expondo a intensa desigualdade que domina o Nepal vêm sendo postados nas redes sociais com a hashtag Nepokidis.
Natuzaneri
Nos últimos meses, a geração Z foi às ruas em peso pela primeira vez não só no Nepal, como em vários outros países. Marrocos, Madagascar, Indonésia, Filipinas e mais recentemente no Peru. As queixas são variadas e vão da corrupção à falta de água e eletricidade. Em comum um ponto, a capacidade de transformar a raiva em virais. Isso acontece porque essa geração de pessoas nascidas na segunda metade dos anos 90 até 2010 já cresceu conectada.
Oliver Stunkel
No TikTok, os vídeos curtos dão um elemento emocional para as insatisfações e plataformas de mensagens como o Discord e o.
Natuzanera
WhatsApp funcionam como uma espécie de quartel.
Oliver Stunkel
General para organizar os protestos e as pautas, por exemplo.
Natuzaneri
E um símbolo em particular tem aparecido nos protestos da Ásia América, a bandeira pirata da animação japonesa One Piece.
Oliver Stunkel
Porque no contexto da série, o protagonista é um candidato a rei dos piratas, num mundo que é basicamente aquático, e essa bandeira é vista como um símbolo de insurreição, de insurreição contra um poder central autoritário. Por isso, aquela bandeira do pirata tradicional é só a caveira com os ossos cruzados. Essa aí tem o chapéu de palha, porque ele é o líder dos piratas do chapéu de palha.
Natuzaneri
Em alguns países, como Nepal e Madagascar, a população jovem é volumosa. A média de idade no Nepal é de 25 anos. Em Madagascar, menos ainda, 19 anos. Uma geração que sabe que vai herdar um mundo em crise, que já vê a aceleração das mudanças climáticas e que tem incertezas econômicas no horizonte. No lugar do otimismo, um descontentamento profundo com um mundo que promete muito entrega pouco. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é A geração Z nas ruas. Eu falo com Oliver Stunkel, professor de relações internacionais da FGV, pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment. Quinta-feira, 23 de outubro. Oliver, o que são esses protestos da geração Z em diferentes partes do chamado Sul Global?
Oliver Stunkel
Em cada país sempre há temas locais que causam essas manifestações num primeiro momento. No Marrocos, por exemplo, foi um escândalo em um hospital onde faleceram oito mulheres grávidas devido à negligência médica, mas também por causa da precariedade do sistema público de saúde no país enquanto o governo gasta milhões para construir estádios para receber a Copa do Mundo em 2030. Na Indonésia, foi uma imagem de um filho de um parlamentar que mostrou-se como uma pessoa muito rica, com produtos caros, enquanto a população enfrenta dificuldades. Então, é difícil prever quando surge uma manifestação, mas todos eles têm semelhanças, têm pautas em comum, o que também explica porque existe uma comunicação entre eles, inclusive o uso de símbolos parecidos.
Natuzaneri
Eu quero entrar nisso com você, porque essa é uma geração que já nasce nas redes sociais, que se mobilizam, combinam essas mobilizações por meio do TikTok e de uma outra rede social chamada Discord. tem elementos unificadores, então em diferentes partes do mundo tem linguagens semelhantes e elas chegam pelo menos com um símbolo mais ou menos incomum que é presente nesses protestos. Queria que você falasse que símbolo é esse.
Oliver Stunkel
Claro, então, além dessas pautas locais, existem narrativas que essa jovem geração Z compartilha. Em primeiro lugar, uma percepção que as elites políticas estão desconectados dos problemas do dia a dia, da população em geral, que são corruptos ou incompetentes, não conseguem atender as demandas dessa nova geração, que os serviços públicos são ruins, uma insatisfação com isso, mas acima de tudo o mal-estar devido à desigualdade econômica e a falta de perspectivas e uma percepção que a experiência econômica das gerações mais antigas dificilmente se repetirá, ou seja, a expectativa de que quem trabalha muito consiga avançar na vida apenas tendo um trabalho e bastante segurança, aquilo é um cenário difícil de atingir para essa jovem geração que sofre com a incerteza econômica, com instabilidade geopolítica, com ascensão de novas tecnologias que podem causar bastante instabilidade econômica, então esse pessimismo é algo que é palpável em todas essas manifestações e essa interconectividade dietal também explica porque esse símbolo, essa bandeira de um manga japonês chamado One Piece, que é sobre piratas que lutam contra uma oligarquia corrupta, acaba surgindo em manifestações em países diferentes, não apenas no sul global, mas também recentemente nas manifestações nos Estados Unidos. Então isso realmente tornou-se algo global que, apesar das muitas diferenças em cada país, é um assunto que conecta os jovens manifestantes.
Natuzaneri
Qual é a história por trás desse mangá? Faz sentido esse anime ser uma espécie de símbolo dessas manifestações?
Oliver Stunkel
Bom, eu não sou especialista em mangá japonês, obviamente, mas eu tive que acompanhar o que significa, obviamente, estudar o que significa e eu acho que aquilo, se não me engano, foi utilizado inicialmente por manifestantes na Indonésia como um símbolo de rebeldia, Uma história em quadrinho de um.
Mangá japonês que está sendo publicado desde 1997, que se chama One Piece, e que virou um desenho animado, um anime, em 1999. Ele é muito longo, são centenas de volumes. quase dois mil episódios no ar.
E acabou sendo adotado por outros também, como um símbolo de resistência e de insatisfação, mas também talvez de um certo otimismo de que é possível, por meio das manifestações, por meio da pressão, fazer uma diferença positiva. Isso é também a grande pergunta, até que ponto essas manifestações de fato podem ter um impacto positivo. Em alguns países, lideranças já renunciaram, como foi o caso no Nepal, Madagascar também, o primeiro-ministro renunciou.
Natuzaneri
E a nova primeira-ministra interina do Nepal, Sushila Karki, se comprometeu em atender às demandas dos manifestantes. Mais de 70 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas nas manifestações contra a corrupção e bloqueio das redes sociais. que derrubaram o antigo primeiro-ministro. O presidente do Nepal dissolveu o parlamento e convocou eleições gerais para março do ano que vem.
Oliver Stunkel
O coronel do exército de Madagascar, o Mishael Andriyanirina, que foi empossado presidente do país. E esse movimento, ele aconteceu depois que o parlamento votou pelo impeachment, pela saída do presidente Andriy Rajoelina. Ele fugiu de Madagascar em meio a protestos violentos liderados por jovens apoiados pelo exército. Essas manifestações começaram pela falta de água e de luz e cresceram com críticas à corrupção e também à má governança em Madagascar. Na Indonésia também o governo teve que trocar vários ministros, então isso acho que de certa maneira conseguiu captar um pouco esse espírito daqueles que decidiram se protestar ao longo das últimas semanas.
Natuzaneri
Se eu não me engano foi no Nepal, a história é particularmente curiosa. Era o casamento da filha de uma importante autoridade do governo e aí numa cidade onde se realizava a cerimônia, a principal via dessa cidade foi fechada para a passagem dos Convidados, vips da festa. E aí foi um caos na cidade, a população não conseguia se movimentar e essa fagulha deflagrou uma manifestação com imagens muito impressionantes. Essa fagulha normalmente começa de uma indignação, claro, e depois ela se espalha incorporando anseios da sociedade no geral e de outros setores da sociedade, não somente jovens.
Oliver Stunkel
Exatamente, isso quase nunca é um raio do céu azul, ou seja, existe um descontentamento já presente e a partir de um determinado momento aquilo surge, é difícil prever quando isso exatamente surge, mas é claro que um cenário que você descreve, uma sociedade onde em geral há uma alta taxa de aprovação do governo, onde em geral o cenário econômico é positivo, aquilo dificilmente causa uma grande onda de manifestações. Por isso, como eu falei, na Indonésia, por exemplo, foi uma imagem compartilhada por um familiar de um parlamentar nas redes sociais que causou indignação e depois foi violência policial que acabou agravando a indignação, que isso também de certa forma ocorreu no Brasil em 2013, também no Chile, aliás, onde o aumento das tarifas do metrô causou manifestações, mas foi sobretudo a violência policial contra os manifestantes que acabou intensificando as manifestações que acabaram sendo as maiores na história do país. Então, O risco disso acontecer tende a ser maior em sociedades onde já existe um descontentamento existente, sobretudo entre os jovens, mas isso é algo que a gente vê em muitos países ao redor do mundo, muita incerteza, muita frustração com a incapacidade de governos em oferecer maior segurança econômica e também oferecer melhores serviços públicos. Então é bastante provável que a gente veja outras manifestações acontecendo em outros países inspirados justamente nos jovens que já tomaram as ruas em tantos países ao redor do mundo recentemente.
Natuzaneri
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Oliver. Oliver, na sua coluna no Estado de São Paulo, você escreveu que é importante olhar para essas manifestações porque elas ajudam a calibrar as expectativas sobre os efeitos desses protestos. Me explica essa ideia melhor, por favor.
Oliver Stunkel
É um grupo politicamente cada vez mais articulado, que terá cada vez mais voz. Mesmo em sociedades mais velhas, do ponto de vista demográfico, é um grupo que se comunica de outra forma, que engaja no debate público de outra forma, porque já cresceu com a internet sendo a principal plataforma de comunicação. e que, como você mesmo disse, enfrenta um cenário econômico muito mais incerto, não mais marcado pela relativa estabilidade do cenário pós-guerra fria, mas por um cenário marcado por maiores tensões entre grandes potências, guerras comerciais, tendências protecionistas, o surgimento de novas tecnologias como inteligência artificial que terão um impacto vasto sobre o mercado de trabalho e também levanta muitas dúvidas sobre que tipo de habilidade é necessária para prosperar. no futuro, que tipo de treinamento as universidades devem oferecer diante de tanta incerteza, aquilo certamente tem um grande impacto sobre como essa geração pensa sobre seu próprio futuro. Então aí é claramente necessário que os governos possam estabelecer um diálogo com esses grupos e também articular propostas mais concretas justamente para evitar instabilidade institucional, como já vem ocorrendo no caso do Madagascar, onde o primeiro-ministro teve que enunciar e onde a gente viu a ascensão de um governo militar com uma promessa vaga de futuras eleições, mas possivelmente o início de uma ditadura militar.
Natuzaneri
Me lembro que no passado, sinônimo de sucesso era fazer uma faculdade, né? Depois passou a ser, ah, se você fizer faculdade, se formar, conseguir o seu diploma, você vai ter um bom trabalho, um bom salário, vai conseguir sustentar sua família com tranquilidade. depois passou a ser falar inglês, depois falar mais do que duas línguas e o que precisa para chegar lá não está claro para essa população. Agora você cita, por exemplo, outros países falou do Chile já também, eu queria olhar para o Peru, porque aconteceu a mesma coisa no Peru e nesta semana o governo decretou estado de emergência para conter os atos violentos. Você vê a possibilidade desses protestos se espalharem por outros países da região?
Oliver Stunkel
O Peru vive muita instabilidade política e isso não é um fenômeno novo. A presidência peruana está muito enfraquecida com o Congresso assumindo um papel decisivo e foi o Congresso que, recentemente, decidiu iniciar um processo de impeachment contra a ex-presidente Dina Bolluarti e o novo presidente interino é visto como alguém com pouca legitimidade.
Natuzanera
Política O novo presidente do Peru decretou o estado de emergência por 30 dias em meio aos protestos contra a corrupção no governo e o aumento da criminalidade. O decreto autoriza a mobilização das forças armadas junto à polícia para manter a ordem pública e combater a violência. Nas manifestações que começaram em setembro, uma pessoa morreu e 100 ficaram feridas.
Oliver Stunkel
Os atos começaram em setembro, após uma reforma no sistema das aposentadorias do país, movida pela então presidente Dilma Rousseff, derrubada por um impeachment no início desse mês. no Peru, mas uma insatisfação enorme com a insegurança, o aumento da violência no país, dificuldades no combate contra o crime organizado, estagnação econômica e falta de perspectiva para jovens. Geralmente é um assunto local que causa essas grandes manifestações, é muito difícil prever isso, pouquíssimos ou praticamente nenhum cientista político previu e antecipou as grandes manifestações no Chile em 2009 ou no Brasil em 2013, então é difícil fazer previsões. Mas claramente o risco, a probabilidade dessas manifestações é maior quando temos um cenário de crescimento baixo e a América Latina cresce pouco, cresce menor do que outras economias emergentes como a Índia, por exemplo. Mas o crescimento elevado não é garantia que essas manifestações não ocorram. De fato, teve também uma série de manifestações na Índia em setembro, porque não é só o crescimento, é também a forma como aquilo impacta todas as camadas da população. O crescimento econômico também pode beneficiar, acima de tudo, uma parcela específica da população e não a outras. E também a questão sobre como a geração mais jovem que sempre, por definição, é a que mais pode se mobilizar, a que mais sente que não tem nada a perder, sobe nas barricadas e como enxerga esse cenário econômico. Temos um cenário muito instável no Equador, onde também houve grandes manifestações, mas essas não lideradas pelos mais jovens, mas por movimentos indígenas, contra o fim do subsídio ao diesel pelo governo Noboa. E ao mesmo tempo a insatisfação com a crescente violência no Equador, que antigamente foi um país muito seguro e hoje é um dos mais inseguros da América Latina Então o Equador certamente é um país que pode ver novas manifestações E além disso, a Venezuela, em função da sua crescente repressão política e crise econômica, sempre é um candidato. Mas isso não quer dizer que seja certamente nesses países, pode também surgir em outros países onde a princípio ninguém prevê esse tipo de cenário por enquanto.
Natuzaneri
Bom, você citou alguns exemplos de manifestações, por exemplo, Madagascar Houve ali uma brecha para a instalação de um regime militar. Eu te pergunto se esses protestos estão levando esses estados nacionais para lugares melhores e se essas mudanças que a geração Z prega durante os atos, elas são sustentáveis.
Oliver Stunkel
Eu diria que o Chile talvez representa o melhor cenário, porque as grandes manifestações levaram uma nova geração ao poder, representado pelo atual presidente Gabriel Boric. Também temos candidatos mais jovens agora à direita, promoveu debates muito organizados, um reflexo de muita maturidade política no Chile. sobre que tipo de país o Chile gostaria de ser. O governo também organizou duas assembleias constituintes tentando reescrever a Constituição, ambas as tentativas fracassaram porque a primeira tentativa foi excessivamente à esquerda, a segunda tentativa excessivamente conservadora, a população não gostou, ou seja, de certa forma um dos principais objetivos dessas manifestações não foi realizado Mesmo assim, eu acredito que o Chile conseguiu lidar muito bem com essa instabilidade, promoveu a participação cívica de uma forma que outros países não conseguiram. A gente tem o caso da primavera árabe, onde vários governos caíram, mas geralmente hoje a situação está semelhante ou até pior em termos de repressão do que foi antes das manifestações porque muitas vezes ao derrubar um governo cria-se um vácuo político e quem por definição consegue preencher esse vácuo são as Forças Armadas. Então tivemos depois da chamada Primavera Árabe apenas um país que iniciou um processo de democratização que foi a Tunísia mas hoje a Tunísia também está em fase de regressão democrática e está se tornando cada vez mais autoritário. Então é difícil traduzir essa energia nas ruas em avanços institucionais e também em formas de fortalecer a democracia e a participação, porque para muitos jovens uma coisa é participar de uma manifestação e derrubar um governo, mas outra coisa é iniciar o trabalho árduo de anos para construir um novo partido, para desenvolver uma... pautas para negociar consensos. Porque, obviamente, muitas dessas pessoas que estão nas ruas possuem visões muito distintas, né? Tem aí gente conservadora, progressista, enfim. Então, essa construção de novos partidos, de uma cultura cívica, ela é muito demorada. E, no caso chileno, já teve jovens lideranças dispostas a assumir esse trabalho, mas isso é um trabalho de muitos anos. E, no caso de Madagascar, obviamente o que pode acontecer é que, apesar dessa promessa vaga de novas eleições lá na frente, o governo militar simplesmente se consolida no poder e, pior, utiliza o risco de novas manifestações para aumentar a repressão, como a gente viu, por exemplo, no Egito, onde, depois de uma breve tentativa de consolidar sua democracia, o país hoje voltou a ser uma ditadura militar com bastante repressão e uma ausência de um debate livre sobre o cenário político.
Natuzaneri
Oliver Stunkel, muito obrigada por topar sempre debater aqui com a gente, conversar com a gente no assunto.
Oliver Stunkel
Muitíssimo obrigado pelo convite.
Natuzaneri
Este episódio usou áudio da TV Cultura e do SBT. Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kaczorowski e Carlos Catellan. Eu sou Natuzanera e fico por aqui. Até o próximo assunto.
Data: 23 de outubro de 2025
Host: Natuzaneri
Convidado: Oliver Stuenkel (professor de relações internacionais da FGV)
Tema: O papel e o impacto da geração Z nas ruas do Sul Global, analisando os recentes protestos em Nepal, Madagascar, Indonésia, Filipinas, Peru, entre outros, discutindo causas, símbolos, consequências e o que isso revela sobre o futuro.
Neste episódio especial, Natuzaneri investiga a onda global de protestos liderados pela geração Z, especialmente no chamado Sul Global. Junto com o especialista Oliver Stuenkel, são analisados os motivos, a dinâmica digital, os símbolos globais (como a bandeira do anime “One Piece”) e os efeitos desses movimentos, traçando paralelos entre países e refletindo sobre sustentabilidade e potencial de mudança dessas novas formas de mobilização.
“É difícil prever quando surge uma manifestação, mas todos têm semelhanças ... O risco disso acontecer tende a ser maior em sociedades onde já existe um descontentamento existente, sobretudo entre os jovens.” – Oliver Stuenkel [10:43]
| Segmento / Tema | Timestamps | |---------------------------------------------------------------------------|------------------------| | Introdução: O incêndio no Nepal e o papel das redes sociais | 00:02 – 01:25 | | Origem e mobilização dos protestos via internet | 01:57 – 04:41 | | O símbolo global: bandeira One Piece | 04:41 – 07:15 | | Descontentamento geracional e desafios futuros | 07:15 – 09:51 | | Exemplos recentes: Nepal, Madagascar, Indonésia, referência ao Chile | 09:51 – 12:37 | | Expectativas sobre efeitos e institucionalização dos protestos | 13:00 – 19:29 | | Sustentabilidade, riscos e dilemas pós-protestos | 19:29 – 23:30 |
Sobre a natureza dos protestos:
“É um grupo politicamente cada vez mais articulado, que terá cada vez mais voz.” – Oliver Stuenkel [13:00]
Desafio institucional pós-manifestação:
“É difícil traduzir essa energia nas ruas em avanços institucionais e também em formas de fortalecer a democracia e a participação, porque para muitos jovens uma coisa é participar de uma manifestação e derrubar um governo, mas outra coisa é iniciar o trabalho árduo de anos para construir um novo partido, para desenvolver uma... pautas para negociar consensos.” – Oliver Stuenkel [22:02]
Este episódio de “O Assunto” oferece um panorama dinâmico, plural e profundamente analítico sobre os novos protestos juvenis, destacando o papel da geração Z como agente de mobilização e mudança – e os limites e desafios dessa energia quando confrontada com as complexidades institucionais e políticas dos países do sul global. Com exemplos reais, referências culturais atuais e análise crítica, o programa mostra que, independentemente das incertezas, essa geração já transformou definitivamente a linguagem e o alcance da contestação política global.