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Ana Tuzaneri
Tim Black, um plano exclusivo pra você descobrir a sua melhor versão. Usando fantasias infláveis, manifestantes tomaram as ruas de mais de 2.600 cidades americanas no último sábado, 18 de outubro. Tinha gente vestida de sapo, unicórnio, galinha, dragão. O tema era No Kings, ou em português, Sem Reis. O maior protesto popular contra o governo desde o retorno de Donald Trump ao poder. Milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Nova York em oposição ao autoritarismo de Donald Trump e em defesa das instituições democráticas. Os protestos também aconteceram em estados onde Trump teve maioria nas eleições, como a Pensilvânia. Até em conhecidos redutos republicanos, como Texas, grupos menores também saíram às ruas. O Dia Sem Reis mobilizou também várias capitais da Europa.
Maurício Moura
O fato é que as manifestações parecem ter sido grandes mesmo, você reunir no mesmo dia 7 milhões de pessoas, isso serve de certa forma como um sinal de alerta também para o governo de Donald Trump.
Ana Tuzaneri
Os manifestantes usavam fantasias coloridas, levaram os seus filhos para os atos como forma de mostrar que eles eram pacíficos, ao contrário de como Trump tenta retratá-los. Os organizadores dizem que Trump está levando o país em direção à autocracia e chamam as pessoas para lutarem contra o autoritarismo.
Narrator/Reporter
Os manifestantes acusam Trump de governar como um monarca absoluto, autoritário. Numa referência ao rei George III, que governava a Grã-Bretanha quando os Estados Unidos se tornaram independentes, em 1776.
Ana Tuzaneri
A expressão no kings, ou sem reis, também carrega uma crítica a outros poderes e à inércia das instituições americanas diante das ações de Trump. Um exemplo disso foi quando o presidente dos Estados Unidos decidiu atacar o Irã mesmo sem aval do Congresso. Ele fez o que quis e nada aconteceu. Como resposta aos protestos de sábado, Trump apelou para as provocações feitas com inteligência artificial.
Narrator/Reporter
Ele postou um vídeo dele, Trump, com uma coroa de rei pilotando um jato e sobrevoando as manifestações, as manifestações de protesto, em vez de bombas, jogando excremento em cima dos manifestantes.
Ana Tuzaneri
Lideranças do Partido Republicano, o partido de Trump, classificaram os protestos como antipatrióticos. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é... 100 Reis, o movimento que desafia Donald Trump. Meu convidado é Maurício Moura, fundador do Instituto de Pesquisa e Ideia e professor da Universidade George Washington. Terça-feira, 21 de outubro, Maurício, explica pra gente a dimensão dos protestos contra Trump e a motivação pelo fato de as pessoas terem saído às ruas num volume aparentemente bastante grande.
Maurício Moura
Pra começar, o volume foi muito relevante, né? Os cálculos que eu tenho ouvido aqui de diferentes fontes apontam que de 7 a 10 milhões de pessoas estiveram na rua nesse final de semana com o mesmo propósito, protestar contra o governo do Donald Trump. E aí eu queria enfatizar as principais razões que a gente vê aqui da popularidade do Trump hoje ser uma popularidade negativa. A média das pesquisas coloca ele mais ou menos com 40 pontos percentuais, 40% de aprovação e 55% na média de reprovação, um governo bastante mal avaliado para o período desde o seu começo. É importante lembrar que quando a gente compara esses números do Trump com o primeiro mandato dele de 2017, eles são bastante semelhantes, ou seja, um governo até o momento impopular. E quando a gente busca aqui as razões dessa impopularidade nesse início de mandato, a gente encontra nas pesquisas duas fontes de descontentamento da população em geral. A primeira, o fato de ele ter mandado milhares de funcionários públicos federais em diversos estados embora, e lembrando que nesse momento o governo federal está paralisado pela negociação do orçamento entre o Congresso no Congresso americano. E também do lado hispânico-latino, que foi fundamental para a vitória dele. As pessoas também estão frustradas com a maneira com que o governo federal tem abordado os imigrantes. A expectativa foi dito na campanha que eles iam focar bastante nos imigrantes com passado ou histórico criminal, mas não é isso que está acontecendo. Os imigrantes, principalmente os latinos, estão sendo abordados de todas as formas, e isso está causando descontentamento nesse grupo latino. Os atos se concentram em agências uais, que é a polícia de imigração dos Estados Unidos. Manifestantes acusam essa polícia de prender imigrantes que não têm antecedentes criminais. Então a gente soma metade do país, desde a eleição, que rejeita fortemente a administração Trump, mais os descontentes agora por os motivos que eu mencionei. Isso tem sido um motivo bastante forte de ter muita gente na rua. Não é a primeira vez que acontece, tem acontecido de maneira recorrente, mas esses são os principais fatores pelo momento aqui, Natuza.
Ana Tuzaneri
No caso dos Estados Unidos, 40% é um patamar proibitivo em termos de popularidade?
Maurício Moura
Sim, bastante proibitivo, Natuza. Lembrando que o Trump teve esse patamar no primeiro mandato, isso se refletiu muito na perda do Congresso em 2018, nas eleições de meio de mandato. Comparando com o mesmo período, ele só estaria na frente do governo do Jim Carter, que foi um governo que teve inúmeras crises ainda nos anos 70. Então é uma popularidade bastante negativa. Claro que o Trump está no mesmo contexto de todos os chefes de Estado em sistemas polarizados, em ambientes polarizados. Ele começou o mandato já com metade do país com uma rejeição muito forte. A eleição foi muito dividida. Só para título comparativo, Natuza, o Trump perdeu mais ou menos quase 10 pontos percentuais de aprovação durante esse período. O Biden no mesmo período, nesse momento, tendo tido aquele problema da saída dos Estados Unidos e do Afeganistão, tinha perdido mais ou menos 5, só que não conseguiu perder o dobro da popularidade do Biden no mesmo período.
Ana Tuzaneri
Entendi, que é menos do que a conclusão do primeiro ano de governo, né? Até esse período em que a gente fala. Agora, Maurício, olhando para as manifestações, me chamou a atenção as pessoas fantasiadas. Tinha gente fantasiada de galinha, de unicórnio, de sapo. Existe alguma razão para isso? Eu te digo porque aqui no Brasil, normalmente as pessoas não vão para as ruas protestar fantasiadas.
Maurício Moura
Eu acho que do lado da oposição ao Trump tá se percebendo que utilizar as metáforas e a criatividade, que são o que essas fantasias de alguma maneira refletem, é uma boa maneira de articular a oposição a ele. Lembrando que o governador da Califórnia tem se manifestado nas redes sociais de uma maneira sarcástica. Então eu acho que é interessante ver essa introdução e essa absorção da oposição de uma maneira mais sarcástica e mais criativa para fazer oposição ao Trump, que é bem diferente do primeiro mandato, de como foi feita a oposição no primeiro mandato.
Ana Tuzaneri
O Trump também teve o seu momento, né? Ele ridicularizou os protestos, postou um vídeo feito com inteligência artificial em que ele sobrevoa uma manifestação e joga bomba de fezes nos manifestantes e já peço desculpa por ter que tornar gráfica essa cena.
Maurício Moura
É, Natus, o Trump tem usado essa questão de inteligência artificial nesse segundo ano, mas de uma maneira recorrente, né? Ele fez isso com Gaza, ele fez isso com Artes, quando ele mandou a Guarda Nacional pra Chicago, e ele fez isso agora. Isso faz parte bastante da dinâmica dele de comunicação, onde ele planta uma polêmica E a gente aqui tá falando da polêmica, não tá falando da manifestação, né? É muita dinâmica da comunicação do Trump. Mas é constante isso, não foi a primeira vez, provavelmente não vai ser a última, que meio que desvia o foco da discussão, né?
Ana Tuzaneri
E ele é bom nisso, de desviar o foco. Agora, tem um outro ponto. Essas manifestações acontecem num momento orçamentário muito difícil para os americanos, que é o shutdown. Os gastos do governo estão parados, afetando servidores, serviços públicos federais. Eu queria tentar entender como é que Trump está reagindo e está sobrevivendo a esse shutdown e na conta de quem essa paralisação da máquina pública está caindo, dos republicanos ou dos democratas?
Maurício Moura
Bom, no primeiro lugar, Natuza, esse Shutdown tá virando um evento recorrente em Washington, né? É o 15º desde 1981, mas muitos aconteceram desde o governo Obama, no próprio governo Trump, no primeiro mandato, que foi inclusive o Shutdown de maior período, né? Foram 35 dias de 2018 para 2019. Isso, obviamente, quanto mais polarizado, quanto mais dividido e quanto mais paralisado tiver o Congresso americano, mais isso tende a continuar acontecendo. O que as pesquisas têm revelado aqui na Tusa é que a maioria da população atribui a responsabilidade do Chatão aos republicanos, porque os republicanos têm a Casa Branca, têm a maioria no Senado e têm a maioria na Câmara. Inclusive, os democratas que eu converso aqui, eles estão se baseando muito nessas pesquisas para continuarem firmes na posição que se o governo americano, se a Casa Branca não mudar, não reestabelecer no orçamento os subsídios ao sistema de saúde americano, que é o principal ponto de fala e argumentação dos democratas, eles não vão entregar os votos suficientes no Senado, porque, lembrando que precisa de 60 votos no Senado para acabar com esse shutdown, E os republicanos têm 53 senadores apenas, precisariam de 7 votos dos democratas.
Narrator/Reporter
Aqui nos Estados Unidos, o ano fiscal começa em 1º de outubro. Até esse dia, o Congresso tem que aprovar o financiamento de cada setor. Os republicanos conseguiram passar na Câmara uma resolução para manter o governo funcionando até novembro. Ela ainda teria que ser aprovada no Senado, por 60 votos. Como os republicanos têm 53 senadores, a conta não fechou. O Partido Democrata exige mais verbas para a saúde. Daí o impasse. O shot-down só acaba quando um dos lados ceder. O que pode demorar. O último shot-down foi em 2018 e durou sete semanas.
Maurício Moura
Os democratas estão bem firmes na posição deles de que se não mudar nada em relação a volta de subsídio e apoio ao sistema de saúde público americano, eles não vão entregar esses sete votos. E o Trump também está sendo muito mais radical do que ele foi no primeiro mandato, está ameaçando demitir milhares de funcionários em cima das demissões que já aconteceram. Então a gente está vivendo um momento bastante único, de os dois lados estarem bastante firmes nas suas posições.
Ana Tuzaneri
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Maurício Moura. Agora, há algum sinal de abatimento na administração trumpista, seja pelo shutdown, seja pela impopularidade, seja até pelo impacto das manifestações, porque ao que consta são as maiores manifestações contra um presidente americano de que se tem notícia. Queria um pouco desse tempero do ambiente político por aí.
Maurício Moura
Bom, acho que dá para dividir o governo Trump em dois segmentos, o segmento dos que foram indicados politicamente pelo Donald Trump, lembrando que as indicações políticas nesse mandato foram indicações que exigiam dos indicados extrema lealdade ao trumpismo, extrema lealdade ao Donald Trump. Essas figuras estão vendo nesse shutdown uma oportunidade para, mais uma vez, criar uma disrupção no governo federal. Então, eu vejo eles bastante energizados e ativos com esse momento. É muito interessante ver isso.
Ana Tuzaneri
O que você está dizendo é que esses políticos que ocupam cargos no governo estão usando o shutdown para mudar a rota da administração, é isso?
Maurício Moura
Eu não digo mudar a rota porque está sendo disruptiva desde o dia 1, mas estão usando para, por exemplo, aumentar o número de demissões em diversas agências. Lembrando que é importante dizer que muita gente que foi mandada embora nesse governo está sendo recontratada por ações judiciais. Tem muitas ações judiciais rolando em função dessas demissões que muitas estão sendo consideradas ilegais. Mas eles estão usando esse chatão também para mandar a gente embora. Esse é o grupo político, o grupo de funcionários públicos concursados ou funcionários públicos federais profissionais está bastante desanimado. Obviamente, eles estão... Muita gente, nesse momento, está em casa, que foi mandada para casa até essa questão do shutdown se resolver. E, obviamente, muita gente não vai receber Natuza. Uma das maiores preocupações aqui é que as próprias forças armadas americanas não vão receber durante esse período. E várias agências federais, tanto agências que controlam o tráfico aéreo, que controlam os parques federais, que controlam as fronteiras, elas estão bastante debilitadas nesse processo, ou seja, o clima entre os funcionários públicos é bastante desanimador, mas o clima da política, principalmente a política ligada aos trumpistas, está bastante energizado. É bem interessante ver essa dicotomia nesse momento aqui.
Ana Tuzaneri
E como é que tudo isso junto, manifestação recorde, máquina pública paralisada, impopularidade, vão atuar nas eleições, nas chamadas midterms, nas eleições de meio de mandato, que são daqui a um ano?
Maurício Moura
Na verdade, é um quadro bastante preocupante, porque num cenário, entre aspas, tradicional, normal, esse nível de popularidade do Donald Trump, isso aconteceu em 2018, quando ele era presidente, proporcionaria uma reversão da maioria, tanto na Câmara quanto no Senado. Ou seja, os democratas seriam favoritos, diante dessa popularidade, a recuperar a Câmara e o Senado. Mas não é o que a gente pode antecipar por vários motivos. O primeiro é que está existindo, por parte do Donald Trump, por parte do Partido Republicano, Inclusive um movimento que a gente chama de gerrymandering. Por exemplo, o Texas está redistribuindo os distritos que elegem os deputados para favorecer distritos que são mais republicanos que democratas. Ou seja, no Texas é provável que os republicanos vão eleger mais deputados não em função da quantidade de votos, mas em função da redistribuição dos distritos. Os democratas estão tentando responder, a Califórnia vai passar um plebiscito para redistribuir os distritos aí de maneira favorável aos democratas, mas também está acontecendo redistribuição em Indiana, também está acontecendo redistribuição no Missouri, então é muito difícil a gente saber qual realmente vai ser o quadro eleitoral em 2026 diante dessas complementações políticas para mudar o sistema de votação.
Political Analyst
Imagine o seguinte cenário hipotético. O Distrito A tem poucos eleitores republicanos, portanto, o partido sempre perde a eleição. Já o Distrito B é o contrário, tem maioria republicana. Se uma parte do Distrito B for incorporada ao Distrito A, o Distrito A vai passar a ter mais eleitores republicanos. E assim, é possível que tenha votos o suficiente para vencer as eleições. Ou seja, o jogo vira. A Califórnia não tinha pensado em usar esse recurso. Mas o Texas chamou para a briga. Hoje, das 435 cadeiras, 220 são ocupadas por republicanos, o partido de Donald Trump, e 215 pela oposição democrata.
Maurício Moura
Além disso, Natuza, uma coisa que fica claro, inclusive é falada publicamente pela Casa Branca, dificilmente essa Casa Branca vai aceitar um resultado em que os republicanos percam a maioria da Câmara, e aí a gente não consegue dimensionar o embrolho político que isso pode causar.
Ana Tuzaneri
Nossa, não consigo nem imaginar o que é não aceitar o resultado de uma eleição, quer dizer, até consigo, consigo imaginar uma tentativa como foi a invasão do Capitólio para impedir a certificação de Joe Biden e com orientação do próprio Trump para que a multidão avançasse sobre o Congresso americano. Por último, eu queria te perguntar sobre uma imagem muito frequente nas manifestações de repúdio a Trump, que foi uma imagem dizendo que Trump não é rei. Por que essa imagem e o que ela mostra?
Maurício Moura
Bonatus, eu queria dar um passo atrás e dizer para você que quando eu vim para os Estados Unidos estudar há muito tempo, uma das coisas que eu sempre admirei nos Estados Unidos foi que a Constituição Americana é uma Constituição muito simples, muito diferente da nossa Constituição Brasileira, onde a Constituição Brasileira tem muito detalhe, como você sabe. Essa simplicidade da Constituição Americana era um dos fatores que fazia com que os Estados Unidos fosse um lugar que pudesse avançar economicamente, socialmente, muito rápido, comparado com outros países com Constituições mais detalhadas e mais engessadas. Só que o problema é que essa Constituição, sem muito detalhe, hoje tá sendo o espaço que o Donald Trump tá usando pra testar diversas instituições americanas. E, obviamente, que esse teste tá acontecendo no sistema judiciário americano. O Donald Trump, nesse segundo mandato, tem uma característica muito forte, que ele tá governando, basicamente, com ordem presidencial, que seria uma espécie de medida provisória no Brasil, mal comparando. E então essas medidas presidenciais estão sendo, a maioria esmagadora delas, sendo contestadas na justiça, porque justamente há, segundo os juristas locais aqui, há muita coisa que era um protocolo institucional, mas que não está escrito na lei, não está escrito na Constituição. Então essa dinâmica de governar massivamente com ordem presidencial não é uma dinâmica casual, usual, nos Estados Unidos e isso, obviamente, do ponto de vista da oposição, é visto como alguém tentando exercer um poder que é maior que o poder constituído pela Constituição e pela dinâmica institucional americana. Eu acho que essa é a essência da coisa e a gente vai ter muitas batalhas nos tribunais americanos e muitos temas vão chegar à Suprema Corte também justamente porque ele está conseguindo operar aí nessa zona cinzenta da Constituição americana.
Ana Tuzaneri
E sobre a imagem real, a imagem de rei?
Maurício Moura
É, não, justamente porque só um rei governa conforme a sua vontade, né, que é basicamente o que o trope tá fazendo com as ordens presidenciais. O que que ele faz, Nantuza? Primeiro ele solta a ordem, depois eles vão ver se é constitucional ou não, aí vão brigar na justiça, entendeu? Não é um processo assim, podemos fazer isso, ou isso aqui é uma atribuição do Congresso, não uma atribuição presidencial. O processo tem sido, vamos soltar o que eu quero, a ordem presidencial que me cabe nesse momento, na minha opinião dele, né? E aí vê o que acontece depois, assim tem sido a dinâmica desse governo.
Ana Tuzaneri
Eu pergunto isso porque a imagem comunica muito, né? É uma imagem fácil de ler, você não precisa ter detalhes das decisões executivas de Trump pra entender que se tem algo autoritário ali, né?
Maurício Moura
É, e principalmente os Estados Unidos, a opinião pública americana, ela não tem experiência com dinâmicas autoritárias. Os Estados Unidos não viveu uma ditadura como a gente viveu. Então, a opinião pública americana, essa questão autoritária, remete à dinâmica da colonização inglesa, muito lá atrás.
Narrator/Reporter
É uma referência ao rei inglês George III, que governava a Grã-Bretanha quando os Estados Unidos se tornaram independentes, em 1776. Ano que vem será a comemoração dos 250 anos de independência.
Maurício Moura
Então, é interessante que isso está acontecendo agora, está surgindo agora. Em países com experiência ditatorial, obviamente que isso aí seria muito mais fácil de ter resonância na opinião pública, mas o caso está aparecendo agora e está aparecendo, obviamente, por essa avalanche de ordens presidenciais aonde ele faz. Primeiro ele faz, depois ele vê se é constitucional, depois ele vê se o Congresso teria, seria o papel do Congresso fazer aquela lei ou aquela ordem, enfim. Essa é a dinâmica nova.
Ana Tuzaneri
Maurício Moura, muito obrigada por ter topado conversar com a gente aqui no Assunto, bom trabalho para você.
Maurício Moura
Obrigado pelo convite, um abraço.
Ana Tuzaneri
Este episódio usou áudio da TV Cultura. Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polatto, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kazurowski e Carlos Catellan. Eu sou Ana Tuzaneri, fico por aqui. Até o próximo Assunto.
Data: 21 de outubro de 2025
Host: Natuza Nery
Convidado: Maurício Moura (fundador do Instituto de Pesquisa Ideia, professor na George Washington University)
Este episódio de “O Assunto” mergulha nos protestos massivos contra o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, analisando motivações, impactos políticos e as leituras simbólicas do movimento “No Kings” (“Sem Reis”). Com milhões marchando em mais de 2.600 cidades americanas e protestos também em capitais europeias, a discussão explora a rejeição à condução autoritária do governo Trump, o contexto do shutdown nos Estados Unidos e o simbolismo das manifestações. O professor Maurício Moura traz uma análise detalhada dos bastidores políticos, das rupturas institucionais e do ambiente polarizado que marca o atual momento americano.
Protestos históricos:
Motivações principais:
Símbolo “No Kings”:
“Os organizadores dizem que Trump está levando o país em direção à autocracia e chamam as pessoas para lutarem contra o autoritarismo.”
— Ana Tuzaneri (01:18)
“O Trump tem usado essa questão de inteligência artificial nesse segundo ano, mas de uma maneira recorrente… Isso faz parte da dinâmica dele de comunicação, onde ele planta uma polêmica e a gente aqui tá falando da polêmica, não da manifestação.”
— Maurício Moura (08:16)
“Eu acho que do lado da oposição ao Trump tá se percebendo que utilizar as metáforas e a criatividade […] é uma boa maneira de articular a oposição a ele.”
— Maurício Moura (07:17)
“Se não mudar nada em relação ao subsídio e apoio ao sistema de saúde, os democratas não vão entregar esses sete votos.”
— Maurício Moura (11:18)
“O Texas está redistribuindo os distritos […] para favorecer distritos que são mais republicanos.”
— Maurício Moura (14:35)
“Dificilmente essa Casa Branca vai aceitar um resultado em que os republicanos percam a maioria da Câmara[…]”
— Maurício Moura (16:41)
“A Constituição americana […] tem muita coisa que era um protocolo institucional, mas que não está escrito na lei, não está escrito na Constituição. Então essa dinâmica de governar massivamente com ordem presidencial não é uma dinâmica casual, usual, nos Estados Unidos […] ele tá conseguindo operar aí nessa zona cinzenta da Constituição americana.”
— Maurício Moura (17:36)
“O Trump está levando o país em direção à autocracia e chamam as pessoas para lutarem contra o autoritarismo.”
— Ana Tuzaneri (01:18)
“A criatividade… é uma boa maneira de articular a oposição.”
— Maurício Moura (07:17)
“Ele planta uma polêmica e a gente está falando da polêmica, não da manifestação.”
— Maurício Moura (08:16)
“Dificilmente essa Casa Branca vai aceitar um resultado em que os republicanos percam a maioria da Câmara.”
— Maurício Moura (16:41)
“A Constituição americana, sem muito detalhe, hoje tá sendo o espaço que o Donald Trump tá usando pra testar diversas instituições americanas.”
— Maurício Moura (17:36)
O episódio expõe a gravidade e ineditismo dos atuais protestos contra a administração Trump, contextualizando o uso simbólico, midiático e institucional das manifestações. Destaca ainda como a inflexibilidade dos dois grandes partidos em torno do orçamento contribui para radicalizar o ambiente político, enquanto estratégias legislativas e narrativas superficiais — de ambos os lados — põem à prova a resiliência da democracia americana. O movimento “No Kings” traz à tona fragilidades constitucionais e institucionais diante da atuação presidencial agressiva, emoldurando o debate sobre o futuro da democracia dos Estados Unidos em um ano pré-eleitoral decisivo.