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Vítor Boiadjan
Nos últimos três dias, a disputa pela cadeira de presidente do Brasil ganhou contornos mais definidos. Começando pelo mais recente, nesta segunda-feira, Romeu Zema, do Partido Novo, buscou se apresentar ao eleitorado que rejeita Lula, adotando um tom menos crítico em relação a Flávio Bolsonaro. Uma mudança de tom depois da repercussão negativa entre bolsonaristas de falas que Zema vinha fazendo há algumas semanas.
Romeu Zema
Tudo que dá certo nesse país parece que o PT não gosta. E a minha bandeira é estar contra o PT.
Vítor Boiadjan
No domingo, dia 26, foi a vez de Ronaldo Caiado, do PSD.
Ronaldo Caiado
O Caiado, no segundo turno, é a única alternativa de nós tirarmos 60 milhões de brasileiros sequestrados pelo PT.
Vítor Boiadjan
O governador de Goiás escolheu um caminho diferente do homólogo mineiro, apresentando Lula e Flávio como se fossem duas faces de uma mesma moeda. E, embora tenha citado nominalmente o atual presidente, foi o filho de Jair Bolsonaro, sem mencioná-lo diretamente, o principal alvo do discurso.
Ronaldo Caiado
Mas não adianta você encaminhar um candidato, que eles falaram agora, o pessoal mais jovem disse, é o candidato Kinder Ovo, uma surpresinha todo dia, não adianta.
Vítor Boiadjan
Escolhas que ajudam a desenhar como está a disputa no campo da direita. Zema e Caiado, que aparecem logo atrás de Flávio e Lula nas pesquisas de intenção de voto, se movimentam em busca de votos dos indecisos, mas também que podem vir do eleitor que votaria em Jair Bolsonaro, mas que hoje está com o filho dele, o 01, Flávio Bolsonaro, que lançou a candidatura no último sábado, 25 de julho. Porque eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui, aqui tem sangue de Bolsonaro. Na convenção, Flávio se apresentou como uma versão light do pai, mas demonstrou que Jair Bolsonaro continuará no centro de um eventual governo. Um discurso calculado para superar os desgastes dos últimos meses, quando Flávio teve que dar satisfações para a direita não-bolsonarista, para a elite econômica do país, para mulheres de direita e para os indecisos. O Brasil foi sequestrado e a gente vai libertar o nosso país desse cativeiro. A ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro, apareceu em vídeo para apoiar o enteado.
Vitória Cóculo
E
Vítor Boiadjan
para os apoiadores mais fiéis, uma simulação feita por inteligência artificial de Jair Bolsonaro se encarregou da mobilização.
Romeu Zema
Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Por isso, peço que vocês recebam de
Caetano Toné
braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir.
Romeu Zema
Sangue do meu sangue, meu filho Flávio.
Vítor Boiadjan
Se havia esforço para passar uma imagem de moderação, o lançamento da candidatura ficou marcado por um incidente diplomático. O presidente da Argentina, Javier Milley, roubou a cena com um discurso agressivo. Milet chamou Jair Bolsonaro de melhor amigo preso injustamente, atacou o judiciário brasileiro e xingou o ministro Alexandre de Moraes de lixo careca. Nos últimos dias, a pré-campanha deu uma amostra de como deve ser a corrida pelo primeiro turno. Uma disputa sobre quem irá liderar o campo da direita e ser o candidato mais viável da oposição.
Bernardo Mello Franco
Da redação do G1, eu sou Natu
Vitória Cóculo
Zaneri e o assunto hoje com Vítor
Vítor Boiadjan
Boedjan é... Três candidatos de oposição, por dentro das convenções partidárias de Flávio, Caiado e Zema. Neste episódio, eu converso com os repórteres de política do G1, Vitória Cóculo, Marília Barbosa e Caetano Toné. Depois, eu falo com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Terça-feira, 28 de julho. Vitória Coccolo, você esteve na convenção do PL no último sábado, que lançou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. O que você viu de mais importante por lá? Que presenças, discursos, clima? O que você nos reporta?
Vitória Cóculo
Vitória, eu acho que o que teve de mais importante foi mais uma demonstração de que o Flávio está surfando bem na onda do pai. Então todos os discursos, todo o clima da convenção foi voltado para mostrar como o Flávio é a continuação do legado do Jair Bolsonaro. Eu acho importante ressaltar que também teve um clima mais institucional do que a gente estava esperando. Então, todo repórter que está acostumado a cobrir a direita, e principalmente essa direita mais bolsonarista, chega em eventos como manifestações e se depara com um público que tem muita animosidade. Muitas vezes, eles estão acostumados a fazer ataques à imprensa mais tradicional. E conversando com outros repórteres, a gente se sentiu até mais seguro nesse evento. Uma coisa que eu notei quando eu cheguei lá às oito e meia da manhã que foi quando abriu os portões do evento foi que já tinham muitos ônibus de turismo. E aí, você via grupos inteiros com camisetas com nome de equipe de vereador ou pré-candidato. Então, a impressão com quem eu fiquei é que tinham mais grupos de apoio desses candidatos do PL.
Vítor Boiadjan
de vereador que não estão concorrendo.
Vitória Cóculo
É, que não estavam concorrendo. Então era a base de apoio ali do Flávio. Alguns políticos que levaram a sua turma ali, né. Eu não cheguei a conversar com eles. Então não sei se era uma equipe institucional de profissionais ou amigos desses políticos. Mas a gente viu esse tom mais institucional mesmo. Tanto que o Flávio foi um dos últimos a discursar no evento. Ele chegou ali por 11 da manhã. No evento, ele só foi falar perto das duas da tarde. Então, demorou. Enquanto o evento ia passando, as pessoas iam indo embora. Porque não eram esses fãs assíduos do Flávio, propriamente. Todas as horas que entraram vídeos de uma liderança do PL ou do movimento da direita, seja o vídeo do Jair Bolsonaro, que acabou entrando depois, até os aplausos eram meio tímidos, assim. Então, foi uma convenção com esse clima meio morno, eu diria.
Vítor Boiadjan
Agora, focando na família, né? Sobretudo no casal Jair e Michele, que apareceram por vídeo, como você falou. No caso do Jair, um vídeo de inteligência artificial. E no caso de Michele, que às vésperas apenas, que retomou a relação com o seu enteado, né? Por que que esses dois vídeos foram importantes e como que eles foram recebidos por lá?
Vitória Cóculo
Bom, vou começar a falar sobre o vídeo da Michelle. Ele foi importante pra sacramentar essa volta da Michelle à campanha, né? Como você disse, até então eles estavam brigados. Primeiro que isso era algo que corria no bastidor, depois a Michelle resolveu publicar aquele vídeo, enfim. Ela tava afastada da campanha. Então, foi uma demonstração de que oficialmente ela tá de volta. Mas assim, durante o vídeo dela, que durou mais ou menos quatro minutos, ela só citou o Flávio uma vez. Ela falou muito sobre o Jair, sobre como aquele dia de convenção a lembrava da convenção do marido dela, em 2022. De como aquilo tinha sido marcante pra ela. E também justificou a ausência dela, falando que ela foi a pessoa que precisou ficar pra cuidar do Bolsonaro, que tá preso. O único momento que ela fala do Flávio, ela pede que Deus abençoe a candidatura dele. Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece. Então foi uma coisa bem institucional, né? Apesar de oficializar ali o apoio, a gente sente que tem um clima tenso na família ainda.
Vítor Boiadjan
Já o do pai, do Jair Bolsonaro, que foi de Iá, ainda assim já está gerando movimentação no campo da esquerda, que está acionando a justiça sobre esse vídeo.
Vitória Cóculo
Já o TSE nesse ano proibiu as chamadas de deepfakes, que eles definem como esses vídeos simulações de pessoas que são totalmente criados por inteligência artificial, então voz, imagem, seja de pessoa viva, morta ou personagem inexistente. E aí o PL escolhe colocar essa simulação do Bolsonaro pra falar com o público. Então, com certeza, vão ter mil desdobramentos por conta da justiça. É algo totalmente novo, assim. Então, dá pra gente saber o que vai acontecer.
Vítor Boiadjan
O que você destaca do discurso, desse perfil sintético de Bolsonaro?
Vitória Cóculo
Mais uma vez, ele falando como o Flávio é o escolhido dele, é a continuação do legado dele. Então, ele apareceu com essa imagem pra colocar o Flávio nesse lugar de continuação do bolsonarismo mesmo. E aí, eu queria fazer uma comparação entre a reação do público ao vídeo da Michelle e do Bolsonaro. Parte dos bolsonaristas não gostam da Michelle, né? Eles têm... Um certo preconceito que até é machismo em relação a ela. Porque acham que ela toma muito a frente, que ela devia tomar esse lugar mais de primeira dama, ficar mais na dela. Quando ela aparece, parte da plateia ficou questionando o que ela tava fazendo lá. Então, você escutou uma vai aqui, outra ali, uma coisa pontual. Mas aconteceu. Em relação ao Bolsonaro, o que eu achei engraçado, assim, comum, foi que mesmo no começo do vídeo, eles alertando que era inteligência artificial, muitas pessoas ficaram se questionando se era o presidente ali, em pessoa, falando. E a reação do público ao vídeo do Bolsonaro também teve essa questão de levantar um pouco a galera que tava ali, que eu falei, né, que essa plateia tava mais tímida. E nesse momento, você escutou mais aplausos, as pessoas mais animadas.
Vítor Boiadjan
E Quer dizer, se o aí teste é autorizar esse uso de uma simulação de Jair Bolsonaro para ajudar na campanha de Flávio, pelo que você viu foi um teste importante para ver que funciona no sentido de mobilizar os correligionários, os apoiadores de Flávio.
Vitória Cóculo
Com essa impressão que eu tive ali no evento, sim. E esse é um recurso que o Flávio tem usado bastante na campanha. Ele já fez alguns vídeos que aparece ele no avião do exército junto com o pai salvando o Brasil. Então tudo indica que eles vão explorar cada vez mais.
Vítor Boiadjan
Bom, agora a convenção também trouxe atrações internacionais, também um vídeo do premier de Israel Benjamin Netanyahu e uma presença física aí de Javier Millet fazendo um discurso inflamado, né? Todo mundo viu já porque houve repercussões diplomáticas, né? O que você destaca?
Vitória Cóculo
Olha, a minha impressão foi que o Flávio investiu nessas lideranças da direita internacional pra preencher esse espaço que ficou com os partidos de centrão tendo uma resistência com ele, né? Porque a ideia inicial é que o PP, que é o progressistas, os republicanos e a União Brasil embarcassem na candidatura dele e ele não conseguiu fechar esse apoio até agora. Então me pareceu uma demonstração de força em relação ao cenário internacional. O vídeo do Netanyahu foi uma coisa mais protocolar. Um vídeo de 17 segundos, que ele só deseja boa sorte ao Flávio. Senti que o público não entendeu muito quem ele era. E o Milley me chamou a atenção que parece que ele roubou um pouco o protagonismo do Flávio num evento. Com certeza, foi a hora que o público mais se animou. Principalmente quando ele entrou com a música que ele usou na campanha dele. Fazendo as dancinhas, convidou o Flávio.
Vítor Boiadjan
E
Vitória Cóculo
ele também teve um discurso muito duro contra o governo Lula. E também contra o STF, teve uma fala dele que repercutiu bastante, ele chamou o Alexandre de Moraes de lixo careca, dizendo que o ministro não teria deixado ele visitar o Bolsonaro, né? E aí o público ficou inflamado nessa hora. Ao mesmo tempo, quando o público puxou um grito ali de lula ladrão, o Millet já ficou mais quieto, se afastou, ficou na dele. Mas é isso, eu acho que foi esse investimento de tentar mostrar força em relação às lideranças internacionais, só que aí ele teve esse impasse que foi o Millet e foi um pouco o centro das atenções da convenção, com certeza. Tanto que o Flávio começou a falar logo depois do presidente argentino e as pessoas já pareciam cansadas e até deu uma esvaziada no evento antes dele terminar o discurso.
Vítor Boiadjan
Muito bem, Vitória, muito obrigado pelas suas reportagens sobre essa cobertura importante que dá o pontapé inicial em uma das candidaturas à presidência da República.
Vitória Cóculo
Obrigada a você, Vitor, foi um super prazer, sou super fã do programa.
Vítor Boiadjan
Marília Barbosa, você acompanhou a candidatura de Ronaldo Caiado no último domingo, que agora é oficialmente candidato à presidência pelo PSD. Sempre foi um enigma que Caiado é adversário de Lula. Isso não é novidade. Agora, como que ele iria trazer os votos dos seus adversários, dos seus outros adversários? O que você destaca desse discurso inicial de Ronaldo Caiado à presidência da República?
Marília Barbosa
Bom, Vitor, no domingo, quando a gente chegou na convenção, o clima que a gente sentiu ali foi uma demonstração de força política, né? Então, o PS dele não só confirmou a candidatura do Caiado, como ele também confirmou a vice do Kassab, né, na Chapa. Então, isso trouxe uma força maior e uma demonstração de força, né? Então, quando a gente chegou lá por volta das nove da manhã, já tinha uma comoção imensa na rua, na rua fechada, multidão acompanhando tudo. porque também tinha a pré-candidatura da deputada federal, que é a Sílvia Bravanel. Como ela tem um papel de apresentadora na TV, ela tem um apelo com o público, né? Então, levou animador de palco, levou bateria de escola de samba e fez uma festa lá na frente, né? Antes da entrevista e antes dos discursos do Caiado. Chegando lá, tivemos a entrevista e o Caiado reforçou muito a questão de que ele não está a favor nem do lulismo, nem do bolsonarismo.
Ronaldo Caiado
Quem rouba com a mão esquerda, quem rouba com a mão direita é ladrão. com todas as exigências necessárias para poder ter essa autoridade para, no segundo turno, debater e mostrar a diferença.
Marília Barbosa
Então, isso que era uma dúvida para a gente, ele deixou bem claro que ele vai apostar numa postura mais centro-direita. Ele também fez duras críticas ao governo do Lula, o atual, dizendo que o eleitorado do Lula lá do Nordeste ficou muito, se sentiu traído. e por promessas que ele não cumpriu e que ele tá tentando puxar esse pessoal agora. E ele tem certeza absoluta, inclusive, de que ele vai pro segundo turno também. E se rolar um segundo turno com o Lula, ele disse que tem muita chance de vencer.
Vítor Boiadjan
Você bem destacou no começo da sua resposta que, diferentemente de Flávio, né, Isa Caiado já chega, pelo menos, apresentando seu vice. Só que é um vice do mesmo partido. E não só isso. É o presidente desse partido. PSD. Eu queria te ouvir o que você destaca da participação de Gilberto Kassab nesse lançamento de pré-candidatura. O que a gente consegue ver daí que pode se reproduzir ao longo da campanha eleitoral?
Marília Barbosa
Com essa certeza de já ter um vice confirmado, é a estrutura da organização, que ele mostrou ser um candidato mais organizado do que os demais, mas ao mesmo tempo ele se fechou um pouco com os outros partidos. Então quando o O Kassab foi questionado, inclusive, durante a coletiva sobre não receber apoio dos outros partidos e tudo mais. O Kassab foi super incisivo, dizendo que os outros partidos estavam fechados com Lula e com Flávio Bolsonaro. E ele não quer saber disso, ele não quer saber de polarização nem de direita ou esquerda. Eles querem uma nova via e vão trabalhar para que seja diferente dos outros, assim.
Vítor Boiadjan
O fato é que assim dentro do que tem no espectro das pesquisas eleitorais disponível aí se você só consegue os indecisos você não consegue ganhar a eleição. Você precisa puxar voto de um lado e de outro. Então como você está enxergando um pouco da estratégia deles para conseguir se viabilizar essa candidatura se viabilizar como de fato uma candidatura que atraia esses polos.
Marília Barbosa
Eu acredito muito que ele não está pensando muito no primeiro turno. O tempo todo do discurso é sempre falando no segundo turno, tem uma chance de ganhar do Lula e tudo mais. Ele nem cita o Flávio, nem cogita a possibilidade do Flávio estar no segundo turno com ele.
Vítor Boiadjan
Muito bem, Marília Barbosa, muito obrigado pela sua reportagem, sua cobertura. Venha sempre aqui ao assunto.
Marília Barbosa
Muito obrigada, o prazer foi meu.
Vítor Boiadjan
Caetano Toné, você acompanhou agora há pouco a convenção do Partido Novo em Brasília, que oficializou a candidatura de Romeu Zema à presidência da República. O que você destaca? Quem estava por aí?
Caetano Toné
A convenção que oficializou a candidatura do Zema Foi um evento pequeno se comparado a alguns adversários dele, como o Ronaldo Caiado e o Flávio Bolsonaro. Ela teve a presença quase que exclusiva de quadros do Novo, a convenção foi fechada e o Zema depois deu uma coletiva ao lado do presidente do partido, o Eduardo Ribeiro, onde ele prometeu austeridade fiscal, combate à corrupção, combate ao crime organizado. e fez críticas ao governo Lula e principalmente ao Supremo Tribunal Federal, a que ele classifica como os intocáveis.
Vítor Boiadjan
O Zema já vinha fazendo essas críticas ao Supremo Tribunal Federal já há mais de mês. Então ele tá mantendo essa estratégia de bater no governo, bater no pré-candidato à Presidência da República, a reeleição à Presidência da República e ir no Supremo Tribunal Federal. Essa é a tônica dos discursos de Zema?
Caetano Toné
Isso, a tônica é essa, ele inclusive fez críticas, muitas críticas ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, subiu o tom com o Supremo, chegou a dizer que fica muito orgulhoso em ser processado pelo ministro Gilmar Mendes por uma série de vídeos que ele fez criticando membros da corte, inclusive o ministro, o que levou o ministro a processá-lo por calúnia.
Romeu Zema
O Brasil acabe com essa farra dos intocáveis. Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Inclusive estou respondendo com muito orgulho um processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes. Mas eu quero frisar aqui, quem andou O jatinho do banqueiro bandido foi ele e dos colegas dele, não fui eu.
Caetano Toné
Quem ficou poupado nesses discursos do Zema foi a família Bolsonaro. Ele não direcionou os ataques ao Flávio, que é um outro adversário, e também sinalizou um indulto ao ex-presidente Bolsonaro, embora ele também não tenha o citado nominalmente.
Vítor Boiadjan
Quer dizer, então, ao que parece, ele tenta buscar atrair votos que hoje está no campo bolsonarista, oferecendo um benefício para o ex-presidente Jair Bolsonaro, mais do que atacar o seu adversário, que será Flávio Bolsonaro, nas urnas.
Caetano Toné
Quando surgiu aqueles áudios do Flávio cobrando dinheiro do Vorcaro, do suposto investimento no filme Dark Horse, quanto à biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Zema foi um dos primeiros a criticar o Flávio. Ele usou a palavra imperdoável para definir os áudios vazados e ele depois foi cobrado dentro do próprio partido, porque o Novo tem muitas coligações estaduais com o PL. O próprio partido cobrou o Zema para moderar o Tom e ele o fez. Na coletiva, durante o lançamento oficial da candidatura, ele não citou o Flávio em nenhum momento e, quando perguntado, disse que as críticas que tinha para fazer ele já fez.
Vítor Boiadjan
Bom, você falou que o Novo tem muitas coligações com o PL em estados, e eu quero te perguntar de uma característica de mais esse lançamento de campanha, de candidatura, que é a ausência de um vice. E eu lembro que Zema chegou até a sugerir há pouco tempo o nome da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro como vice, mas recentemente mencionou o nome de Joaquim Barbosa, que quase saiu candidato pelo Democracia Cristã à presidência da República. De onde deve sair esse vice e como que o Novo estava com essa ausência de uma definição nesse momento.
Caetano Toné
O Novo tem uma dificuldade para formar esse palanque e entregar para o Zema um vice que o dê tempo de TV e de rádio justamente também pelo perfil do Zema de ser bem crítico de partidos digamos assim do centrão como União Brasil PP. O Zema fez críticas a Caciques desses partidos na esteira do Banco Master também e Essas sugestões mais recentes do próprio Zema, no nome da Michelle, que ela depois veio a negar publicamente, e também do Joaquim Barbosa, vai na esteira também de conseguir manter essa candidatura, digamos assim, antissistema. Ele hoje voltou a elogiar o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, mas hoje o cenário, segundo a gente apurou conversando ali com o Quadros do Novo, é que a candidatura do Zema tenha uma chapa que a gente chama de puro sangue, que ela seja o Zema encabeçando a chapa com um vice também do Partido Novo, justamente por ele não conseguir essa composição. E paira uma dúvida também se o Joaquim Barbosa toparia e também sobre o que ele pensa, porque apesar dele ter passado alguns meses como pré-candidato, ele não deu entrevistas, ele não se posicionou, então há uma desconfiança do que ele entregaria para a chapa do Zema como um eventual vice.
Romeu Zema
O ministro Joaquim Barbosa foi, com toda certeza, um ministro que todos nós sabemos que nunca fez nada que desabone a conduta dele. Ele nunca teve nenhum contrato milionário, porque todos nós aqui já sabemos. Uma carreira irrepocável. Não temos nada definido, como eu falei, e devemos marcar uma outra conversa, mas depende ainda do partido. ter essa, concordar com o nome do mesmo. Então tá tudo por acontecer.
Vítor Boiadjan
O que representa o lançamento de uma candidatura, eventualmente até de puro sangue, do Novo na estratégia do partido de ganhar projeção na campanha eleitoral, visto que no último ciclo o Novo foi um partido pequeno, que não elegeu tantos nomes, apesar de terem nomes bastante vocais.
Caetano Toné
A gente já falou aqui sobre o Zema ter moderado o Tom com o Flávio Bolsonaro. Isso passa muito pelas outras eleições que o partido disputa de olho, principalmente no Congresso, onde ele precisa romper a chamada cláusula de barreira. E essa vai ser a primeira eleição nacional que o novo vai utilizar o fundo partidário e o fundo eleitoral. Eles acumularam um montante muito grande desses recursos e hoje o presidente do partido, Eduardo Ribeiro, falou em usar cerca de 80 milhões para a campanha do Novo no âmbito nacional, e boa parte disso vai para a campanha do Zema. Então, o Novo está muito focado em aumentar suas bancadas aqui no Congresso, e justamente por isso o Zema é importante como uma candidatura presidencial, mas ele tem que ali saber onde é que ele está pisando, justamente por a gente ter hoje uma direita com muitas candidaturas. Ele tem que moderar o tom, principalmente no ataque aos candidatos do mesmo espectro político dele, como o próprio Flávio.
Vítor Boiadjan
Caetano Toné, muito obrigado pelos seus relatos, pela sua ótima cobertura. A gente se vê em breve.
Caetano Toné
Obrigado, Victor. Um prazer participar aqui do assunto. Um abraço para todos os ouvintes.
Vítor Boiadjan
Espera um pouquinho que eu já volto para falar com Bernardo Mello Franco. Bernardo Mello Franco, vou começar pela convenção do PL, que é hoje o Flávio Bolsonaro o candidato da oposição mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto, uma apresentação para todos os gostos. Teve os seus familiares, ainda que em vídeo, muitos deles, a maioria deles, teve discursos do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é um cabo eleitoral importante aqui na região sudeste, e teve participações internacionais, o premier de Israel e o presidente da Argentina. Esse arsenal todo demonstra, de fato, uma força, ou seja, Flávio Bolsonaro apresentando todas as suas armas, ou um sinal de desespero de tentar mostrar que não está só porque ele lançou uma candidatura ainda sem vice?
Bernardo Mello Franco
Pois é, Vitor, talvez valha a pena a gente voltar um pouco esse filme para pensar no que aconteceu com a candidatura do Flávio Bolsonaro nos últimos meses, até chegar à convenção. O Flávio sofreu um grande abalo no mês de maio, quando vieram à toa naquelas gravações, aqueles diálogos dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, que hoje está preso, o ex-dono do Banco Master, Irmão, preferi
Vítor Boiadjan
te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Podemos dar um toque aí, irmão? Desculpa o áudio longo aí, tá? Um abração.
Marília Barbosa
Fica com Deus, cara.
Bernardo Mello Franco
E esses diálogos mostravam que o Flávio pediu 134 milhões de reais a pretexto de fazer um filme sobre o pai, mantinha uma relação de proximidade, de intimidade com o Vorcaro, irmão pra lá, irmãozão pra cá, e ainda foi visitar o banqueiro de tornozeleira eletrônica dentro de casa depois da prisão. Então tudo isso produziu um abalo na candidatura dele. E no mês seguinte, no mês de junho, veio um outro abalo com um vídeo da Michele Bolsonaro acusando o enteado de ter desrespeitado, humilhado, maltratado ela.
Vitória Cóculo
Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele.
Bernardo Mello Franco
Então, esses dois fatores fizeram a candidatura do Flávio balançar. E o desafio dele na convenção foi justamente dizer que ele pode ter balançado, mas não caiu. Ou seja, continua sendo um candidato competitivo como adversário do presidente Lula. O Flávio tentou mostrar força, de fato, levou os aliados que conseguiu, mas teve uma ausência muito importante no palanque, que foi justamente da Michele Bolsonaro. Ela mandou um vídeo? Mandou. Mas um vídeo não é a mesma coisa de um discurso empolgado, uma presença no palanque ao lado do candidato. Além disso, como você frisou, ele não conseguiu apresentar uma candidata a vice-presidente, porque ainda está preso ali na falta de alianças partidárias, e também não conseguiu mostrar uma coligação. A novidade dessa convenção, Vitor, talvez tenha sido a presença do Javier Millet. O Flávio Bolsonaro botou no palanque o presidente da Argentina, que é a segunda economia da América do Sul, e fazendo ataques duros ao presidente Lula. Um episódio que até abriu uma crise diplomática entre Brasil e Argentina.
Narrador/Repórter
A crise diplomática começou quando o presidente da Argentina participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro do PL à presidência da República. No discurso, Millet chamou o presidente Lula de, abre aspas, presidiário, fecha aspas, e o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal de, abre aspas, lixo, fecha aspas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente argentino de palhaço e disse que a economia brasileira está melhor do que a Argentina. Mauro Vieira classificou o episódio como inaceitável, mas defendeu o diálogo com o país vizinho.
Romeu Zema
Nós precisamos de explicações do governo argentino porque que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras, inaceitáveis. Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações. A diplomacia é feita disso, de conversas.
Bernardo Mello Franco
Pelo sim, pelo não, com isso o Flávio conseguiu pelo menos desviar o assunto. Em vez de falar da ausência da Michele, a maior parte da imprensa está falando do discurso do Millet.
Vítor Boiadjan
Bernardo, essa experiência de usar um vídeo feito por inteligência artificial de Jair Bolsonaro, se o Tribunal Superior Eleitoral não se opuser, pode, na sua opinião, ser uma estratégia de longo prazo na campanha de Flávio?
Bernardo Mello Franco
Quer dizer, é uma situação pitoresca. A gente já sabia que a inteligência artificial ia ser uma personagem dessa eleição. Talvez não imaginasse que fosse vir tão cedo à tona com um uso que suscita muitos questionamentos no campo jurídico e no campo político. Porque veja, o Flávio Bolsonaro, a campanha dele, na prática, está driblando a justiça eleitoral, o Supremo Tribunal Federal, que proibiu o Bolsonaro de se pronunciar e fazer campanha. No momento que eles botam a imagem do Bolsonaro dizendo coisas escritas pela inteligência artificial, estão fazendo uma provocação ao Poder Judiciário. E na minha avaliação, a campanha do Flávio está apostando na presença de dois ministros indicados pelo ex-presidente Bolsonaro no TSE, na cúpula do tribunal, para que isso passe em brancas nuvens. Agora, é importante lembrar que lá atrás, em 2024, o TSE aprovou uma resolução proibindo o uso de deepfake. O deepfake é você usar a imagem de uma pessoa que realmente existe, dizendo coisas que ela não disse. E é exatamente esse o teor do vídeo do Jair Bolsonaro, usado na convenção do Flávio Bolsonaro.
Vítor Boiadjan
Agora falando dessas outras duas campanhas de oposição, essas duas candidaturas de oposição, se a gente for excluir os termos idênticos da equação, que são os discursos de melhoria de gestão comparado à atual gestão federal, os dois ex-governadores tentando demonstrar aquilo que já fizeram no passado em seus estados e levar para o campo nacional, falando do posicionamento político dos dois para tentar buscar votos. Ronaldo Caiado se apresentando literalmente como galo de terreiro e falando que é anti-Lula e anti-Flávio. E Romeu Zema focando num discurso anti-esquerda, anti-Supremo, alguns ministros do Supremo, e numa agenda liberal também. O que você destaca dessas estratégias? De onde eles vão conseguir tirar votos?
Bernardo Mello Franco
Olha, sem dúvida nenhuma, o Romeu Zema e o Ronaldo Caiado estão trafegando na mesma faixa do eleitorado. Eles se apresentam como candidatos de direita e, portanto, estão brigando para tirar voto do Flávio Bolsonaro. Eles estão se colocando como antípodas, como adversários do PT e do presidente Lula. O que, de certa forma, deixa o espaço para eles um pouco mais estreito, porque eles não estão disputando um eleitor de centro, não estão se vendendo como terceira via. Eles apenas são uma direita que não tem o sobrenome Bolsonaro. Tem uma coisa importante em comum e uma coisa importante de diferença nesses dois discursos de convenções. O que mais os aproxima é a promessa de promover humanistia aos golpistas, aos responsáveis pelos ataques do 8 de janeiro. Tanto Zema quanto Caiado dizem que vão tirar todo mundo da cadeia, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, o que tem de diferente é que o Ronaldo Caiado assumiu mais risco. Ou seja, ele resolveu, além de atacar o Lula, também atacar o Flávio Bolsonaro. E aí chamou o candidato do PL de frango de granja, que qualquer coisa chama o papai.
Ronaldo Caiado
Vocês já viram frango de granja, meu jovem? Aquele candidato assim, que na vida não tem como explicar qualquer coisa, fala assim, eu chamo papai, vou ler uma carta dele.
Bernardo Mello Franco
Também disse que o Flávio seria o candidato Kinder Ovo, e todo dia sairia uma surpresinha de dentro dele. Já o Romeu Zema preferiu só bater no PT, ele simplesmente ignorou a figura do Flávio Bolsonaro e não fez nenhum tipo de provocação, nenhum tipo de comparação entre as candidaturas. A pergunta que fica é o seguinte, se o Zema quer o voto dos bolsonaristas, mas não ataca o Flávio Bolsonaro, não tenta se diferenciar do Flávio Bolsonaro, qual seria o incentivo para esse eleitor votar nele, Zema, e não no filho do capitão? Então, é uma estratégia de menos risco, mas também uma estratégia que, me parece, tem menos chance de prosperar, tem menos chance de convencer o eleitor no momento em que tanto o Zema quanto Caiado estão comendo poeira nas pesquisas. O Datafolha, divulgado nesse fim de semana, mostrou que o Lula tem 40% de tensões de voto, o Flávio tem 32% e o Caiado e o Zema tem 4,3%. Ou seja, para cada eleitor do Zema tem 10 eleitores do Flávio, para cada eleitor do Caiado tem 8 eleitores do Flávio. Faltam pouco mais de dois meses para o primeiro turno. Então, se esses candidatos não conseguirem um impulso para suas candidaturas, eles simplesmente vão morrer na praia.
Vítor Boiadjan
Agora, Bernardo, a essa altura eu te pergunto, cadê o Centrão nessa história toda, nessa campanha eleitoral? Porque o PSD lançando uma chapa pura, Flávio e Zema ainda sem vice e a Federação União Brasil Progressistas já decidindo pela neutralidade. Nem mesmo a campanha para a reeleição de Lula tem nomes do Centrão, né? Republicanos e Podemos também assinando pela neutralidade. Vai ser uma eleição em que o peso do Centrão aparentemente não está até aqui aparecendo, né?
Bernardo Mello Franco
Pois é, essa é uma situação curiosa, né, Victor? Porque se a gente olhar o PSD, que é um partido do Centrão e que tem candidato, o Ronaldo Caiado, nos Estados, na prática, o PSD está dividido entre Flávio e Lula. Muito pouca gente está indo para o palanque do próprio partido. E os outros partidos, as outras siglas do Centrão, elas de fato estão optando por ficar em cima do muro. Um cenário que provavelmente não aconteceria caso o Flávio Bolsonaro tivesse com mais força nas pesquisas, demonstrando mais competitividade para o meio político, para o mercado financeiro, enfim, para as forças que a gente sabe que operam numa disputa presidencial. O Flávio Bolsonaro pretendia repetir o palanque do pai em 2022, ou seja, se lançar pelo PL e ter junto dele o PP, que agora está federado à União Brasil, e também os republicanos. E esses dois partidos, esses dois blocos partidários estão, por enquanto, optando pela neutralidade, que é também uma opção cômoda se a gente pensar que esses partidos, embora não sejam apoiadores de primeira hora do presidente Lula, eles todos têm cargos no governo atual. Então, entre abrir mão desses cargos, da possibilidade de ocupar ministérios no eventual quarto mandato do Lula e apoiar o Flávio Bolsonaro numa situação de tanta incerteza, eles estão optando por não se mexer, por ficar em cima do muro. E se tem uma coisa que político do central sabe fazer no Brasil, Vitor, é não embarcar em canoa furada. Aparentemente o Centrão vai lavar as mãos e aí cada um vai cuidar de si nos estados e naquilo que importa mais para esses partidos hoje, que é a disputa por cadeiras no Congresso. Importante lembrar que quanto mais deputados eleitos, mais tempo de TV e mais dinheiro do fundo partidário. E é com essas moedas que os partidos do Centrão sempre gostaram de negociar.
Vítor Boiadjan
Era isso que eu ia te perguntar. Tá com cara de que essa eleição, diferentemente de todas as outras desde o período de redemocratização, tá muito focada nas pretensões eleitorais pro Congresso Nacional. Isso mostra que o Congresso, dentro da governabilidade, o Congresso passou a ser um negócio muito mais interessante do que o poder executivo?
Bernardo Mello Franco
Se é mais interessante eu não sei, mas ele certamente nunca teve tanto poder quanto agora e isso se deve, evidentemente, a essa farra das emendas. Tem deputado e senador operando sozinho orçamentos maiores do que de cidades médias do Brasil. O poder dessas emendas impositivas é muito grande e com isso, como diz o cientista político Antônio Lavareda, Cada um dos 513 deputados federais virou uma espécie de empreendedor individual. Então, esses políticos querem usar as emendas para alimentar a sua base partidária e tal, e também, evidentemente, para garantir a própria reeleição. Essa eleição das bancadas talvez seja a menina dos olhos dos presidentes desses partidos. Não é que o eleitor está dando mais atenção para a disputa do Congresso. Não está. O eleitor continua conversando sobre a eleição presidencial, mas é na eleição do Legislativo que a maior parte dos caciques partidários está de olho hoje.
Vítor Boiadjan
Bernardo Mello Franco, sempre bom te ouvir aqui no assunto. Muito obrigado mais uma vez.
Bernardo Mello Franco
Obrigado, amigo. Até a próxima.
Vítor Boiadjan
Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou o Vítor Boiadjan e fico por aqui até o próximo Assunto.
Data: 28 de julho de 2026
Host: Vítor Boiadjan (G1)
Convidados: Vitória Cóculo, Marília Barbosa, Caetano Toné (Repórteres G1), Bernardo Mello Franco (O Globo/CBN)
Neste episódio, O Assunto mergulha nas convenções partidárias que oficializaram as candidaturas presidenciais de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), e debate o novo desenho da direita na corrida presidencial brasileira. Repórteres que acompanharam de perto os eventos trazem relatos dos bastidores, e Bernardo Mello Franco analisa os movimentos estratégicos, as ausências e as apostas dos principais nomes da oposição.
Relato de Vitória Cóculo – Repórter G1
Ambiente e perfil da convenção
Presenças e vídeos institucionais
Michele Bolsonaro: Retorna à campanha após período de afastamento devido a atritos pessoais com Flávio.
Jair Bolsonaro por IA/Deepfake:
Participações internacionais
Reforço do legado e uso da imagem do pai
Relato de Marília Barbosa – Repórter G1
Clima e demonstração de força
Discurso e estratégia
Postura de isolamento
Relato de Caetano Toné – Repórter G1
Formato e bastidores
Principais Pautas
Objetivo eleitoral
1. Situação de Flávio Bolsonaro
Citação:
“O desafio dele [Flávio] na convenção foi justamente dizer que ele pode ter balançado, mas não caiu. […]” (26:55)
2. Deepfake e estratégia de IA
3. Estratégias de Caiado e Zema
Citação memorável:
“Frango de granja, meu jovem? Aquele candidato assim, que na vida não tem como explicar qualquer coisa, fala assim, eu chamo papai, vou ler uma carta dele.” (32:33, Ronaldo Caiado)
4. O papel do Centrão
5. Concentração na eleição para Congresso
Romeu Zema:
“Tudo que dá certo nesse país parece que o PT não gosta. E a minha bandeira é estar contra o PT.” (00:28)
Ronaldo Caiado:
“No segundo turno, é a única alternativa de nós tirarmos 60 milhões de brasileiros sequestrados pelo PT.” (00:41)
“Quem rouba com a mão esquerda, quem rouba com a mão direita é ladrão.” (14:52)
Sobre Flávio Bolsonaro:
“Porque eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui, aqui tem sangue de Bolsonaro.” (01:23, discurso na convenção)
Bernardo Mello Franco sobre a força de Flávio:
“Pode ter balançado, mas não caiu.” (26:49)
Ronaldo Caiado (provocação a Flávio):
“Frango de granja, meu jovem? [...] qualquer coisa, fala assim, eu chamo papai, vou ler uma carta dele.” (32:33)
Vitória Cóculo sobre o uso de deepfake:
“Com certeza, vão ter mil desdobramentos por conta da justiça. É algo totalmente novo, assim. Então, não dá pra gente saber o que vai acontecer.” (08:37)
Bernardo Mello Franco sobre a postura do Centrão:
“Se tem uma coisa que político do central sabe fazer no Brasil, Vitor, é não embarcar em canoa furada.” (35:05)
O episódio apresenta nuances pouco vistas das convenções partidárias de 2026, realçando como a direita se fragmenta e busca novos caminhos diante do desgaste do bolsonarismo, do isolamento do PSD e das manobras tecnológicas e diplomáticas do PL. A análise evidencia o desgaste dos protagonistas, as limitações das candidaturas alternativas e o pragmatismo do Centrão, mais atento ao Congresso do que ao Planalto. Uma disputa dominada por estratégias de sobrevivência e por inovações contestadas, com um clima de incerteza tanto no campo eleitoral quanto institucional.
Playlist comemorativa "This Is O Assunto" traz os episódios essenciais do podcast – disponível no Spotify.