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Ana Tuzaneri
Antes de começar, um aviso. Se você precisa de ajuda em relação ao uso de álcool, é possível procurar o Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS, que faz parte do Sistema Único de Saúde ou os Alcoólicos Anônimos.
Mariana Tibbs
Por que que eu decidi não beber em janeiro? Eu sempre sinto que o álcool, ele atrapalha os meus ganhos na academia. Eu percebi que o álcool faz parte de grande parte da minha vida, então eu resolvi mudar isso. Aí dá pra usar isso como detox ou pra perder um quilinho aí que a gente tava precisando depois dos perucos que a gente comeu. O lance todo é escolha sua desculpa e vem participar.
Ana Tuzaneri
Nas redes sociais circulam muitos vídeos falando sobre o janeiro seco. A proposta é a seguinte, ficar um mês inteiro sem álcool e ver como o organismo e o humor reagem. A ideia surgiu no Reino Unido como uma campanha de conscientização, isso foi lá em 2012, e pegou carona numa tendência global, a redução do consumo de bebidas. Um fenômeno que é observado também aqui no Brasil. Assim como já ocorreu com o hábito de fumar, os dados mostram que o brasileiro também está bebendo menos. Uma pesquisa realizada pelo Ipsos e PEC mostra que dois em cada três brasileiros declaram não ter consumido álcool durante todo o ano passado. E são os jovens que lideram essa mudança. Entre aqueles que têm 18 e 24 anos, a proporção dos que não bebem álcool subiu de 46% para 64% em apenas dois anos. Uma mudança de comportamento que já começou a mexer com o mercado. A maior cervejaria do país tem investido em lançamentos sem álcool e as vendas estão crescendo. Ainda assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo de álcool por pessoa no Brasil segue acima da média de outros países. E continua sendo um problema de saúde pública. Cada cinco minutos, uma pessoa morre no Brasil por causas ligadas ao consumo de álcool. De acordo com o instrutor da Fiocruz, o hábito de beber causa um prejuízo de cerca de 19 bilhões de reais por ano ao país. Um bilhão provém de hospitalizações e procedimentos ambulatoriais pelo SUS. O restante faz referência a custos indiretos, que compreendem perda de produtividade por morte prematura, licença e aposentadoria precoce, perda de dias de trabalho por internação hospitalar e licença médica previdenciária. Por outro lado, o uso abusivo de álcool tem registrado aumento. e preocupa também que jovens passem a usar outras substâncias, como o vape e drogas sintéticas. Diante de tantas mudanças, fica uma questão. Qual o lugar das bebidas alcoólicas na nossa sociedade? Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é... O Brasil bebendo menos. Minha convidada é Mariana Tibbs, doutora em Sociologia e coordenadora do CISA, Centro de Informações sobre Saúde e Álcool. Segunda-feira, 19 de janeiro. Mariana, os brasileiros e brasileiras estão bebendo menos. Vou relatar aqui o que as pesquisas dizem. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a abstinência subiu de 46% para 64%. E entre os de 25 a 34 anos, de 47% para 61%. Destrinchando aqui esses dados, dá pra dizer, em comparação com outras gerações, que o jovem de hoje vê a bebida de uma forma diferente e por quê?
Mariana Tibbs
Sim, os dados indicam que o jovem tem uma relação diferente com o álcool do que havia em outras gerações. Isso já acontecia, essa queda no consumo de álcool, ela já era observada em outros países, conforme as pesquisas mostravam. Então, na Inglaterra, na Irlanda, na Austrália, a gente já tinha dados bastante consolidados de que os jovens estavam, sim, bebendo menos, e que a geração atual, a geração de jovens atual, era a geração mais abstemia da história. Mas aqui no Brasil a gente ainda não tinha nada que pudesse confirmar essa tendência, até que no ano passado essa pesquisa da Ipsos veio a confirmar, sim, que no Brasil também a juventude está se tornando mais abstemia. A gente teve uma queda muito expressiva do consumo de álcool nesse último ano de 2025. E eu acho que isso pode ser explicado por uma série de fatores, Natuza. Primeiro, mais informação. Eu acho que essa é uma geração muito mais informada a respeito dos riscos que o álcool pode causar para o corpo humano, principalmente os riscos do uso excessivo de álcool. E isso acho que está ligado também com uma mudança na percepção e no sentido que a embriaguez tem para essa geração. Então, se para as gerações anteriores ficar embriagado ainda era visto como alguma coisa bacana, uma coisa positiva, uma coisa muito presente na sociabilidade, para essa geração ficar bêbado já não é mais visto dessa forma. Pelo contrário, é visto como símbolo de vulnerabilidade, de você estar se expondo a situações de violência, inclusive até para as mulheres, de você poder perder o controle sobre as suas ações. Então, isso não é visto como uma coisa positiva para esses jovens, a embriaguez. Para mim não era algo que, como as outras pessoas dizem, me ajudava socialmente.
Ana Tuzaneri
Ou me fazia me divertir mais.
Mariana Tibbs
Eu acho que também tem um outro fator, que são jovens que utilizam muito a rede social, as mídias sociais de forma geral, então tem também uma grande preocupação com a reputação de você poder fazer algo e se arrepender depois, e isso ficar registrado lá para sempre na internet. E, por fim, eu também destacaria a questão da preocupação com a saúde. Essa também é uma geração que frequenta muito mais academia do que as gerações anteriores, é uma geração que corre, é uma geração que está preocupada com o corpo, com a saúde, com a estética. Não é mais interessante você postar uma taça de vinho, é mais interessante você acordar no domingo e postar foto de uma medalha de corrida. E é o que todo mundo está fazendo. Isso acaba interferindo também nessa questão de parar de beber. Então, eles param de beber também porque estão preocupados com a saúde física e mental.
Ana Tuzaneri
E há indicativos de que eles estejam trocando o álcool por outras substâncias? Vape, há diversos relatos de crescimento de uso entre jovens, cigarro, maconha, outras drogas. O que tem aí de sinal sobre o que esses jovens estão fazendo?
Mariana Tibbs
Olha, de fato a gente tem algumas pesquisas, como a Covitel, por exemplo, o último Lenad, que mostraram um crescimento grande no uso de vape, por exemplo. Os dados em relação a outras drogas ainda são muito inconsistentes. E eles mostram uma certa estabilidade. O vape, de fato, a gente observou sim um crescimento. Mas eu não diria que essa é uma relação automática, Natuza.
Ana Tuzaneri
Ou seja, você não chamaria de troca, né?
Mariana Tibbs
Eu não chamaria de troca. Eu acho que podem ser fenômenos separados, paralelos, mas não dá pra gente dizer que os jovens estão trocando álcool pelo vape. Isso eu acredito que não esteja acontecendo e que não seja esse o motivo pra essa mudança que a gente tá observando.
Ana Tuzaneri
Agora, que tipo de relação a sociedade brasileira tem hoje com o álcool? O álcool ainda é visto como o central na socialização, por exemplo?
Mariana Tibbs
Eu acredito que sim. O álcool é uma substância que está presente na sociedade humana há 13 mil anos. e tem grandes registros na nossa história, nas nossas culturas, de que o álcool, ele é, sim, central na nossa civilização e ele é muito importante para a sociabilidade. E eu não vejo que esses dados que a gente trouxe agora, eles vão indicar que as pessoas vão abandonar o álcool, que o álcool vai desaparecer da nossa cultura simplesmente. Eu não acho que seja por aí. Primeiro que eles estão muito segmentados ainda por faixa etária, A gente não nota essa mudança de hábitos em outras gerações. Pessoas mais velhas continuam bebendo como sempre beberam, por exemplo. O que a gente nota é uma mudança um pouco mais segmentada, tanto em relação à geração quanto em relação ao tempo, também muito recente. E o álcool sempre teve esse papel cultural de lubrificante social. As pessoas usam o álcool para poder relaxar, para poder baixar a guarda em ocasiões sociais, em festas e outros tipos de eventos. Então, eu acredito que esse papel cultural do álcool não está sendo abalado. Eu não acho que é isso que a pesquisa está dizendo.
Ana Tuzaneri
Em termos gerais, qual é o principal recado da pesquisa?
Mariana Tibbs
Olha, a pesquisa mostra que a gente tem uma queda expressiva, de fato, do consumo entre os jovens, principalmente dessa faixa etária entre 18, 24 anos e de 25 a 34 anos, que mostra uma mudança de hábito muito importante desses jovens, que estão provavelmente muito mais preocupados com os riscos que o álcool pode ter para a saúde do que as gerações anteriores. Então, se os mais velhos ainda viam o álcool como uma substância que ajudava muito a marcar a transição do momento do trabalho para o momento do lazer, então agora acaba o meu trabalho, agora eu posso começar a relaxar. e agora é o momento de eu usar álcool. Então, o álcool era um marcador dessa transição, ele marcava esses momentos de prazer, de sociabilidade. Agora, para essa geração atual, isso já não está tão presente. Eles são mais adeptos de programas diurnos, fazer esportes, frequentar cafeterias. Então, todos esses tipos de atividades são atividades que não necessariamente combinam com o uso de álcool. Então, a gente começa a observar mudanças bastante importantes nesses hábitos e que estão refletidas aí nessa queda do consumo de álcool entre jovens.
Ana Tuzaneri
Bom, a gente sabe que há diferentes formas de se consumir álcool. A forma moderada, a forma ocasional, a forma abusiva. Como é que essas relações com o álcool variam no Brasil em comparação com outros países? Dá pra gente colocar em paralelo o Brasil com países semelhantes ou até mesmo diferentes?
Mariana Tibbs
Sim, isso é uma questão muito importante, porque existe o mito de que o brasileiro bebe muito. Isso é muito disseminado. E os dados não mostram isso. Na verdade, muito pelo contrário. A gente vê que agora, atualmente, no último ano da pesquisa, em 2025, mais de 60% dos brasileiros se declararam abstêmeos, ou seja, eles não bebem nada. Mais da metade da população, de fato, não bebe no Brasil. E as que bebem, a maior parcela, mais ou menos 21, 22%, fazem uso moderado de álcool. E a gente tem aí 15% que faz o uso abusivo, que é aquele uso, que é quando eu bebo uma grande quantidade no curto período de tempo.
Narrador/Reportagem
Apesar da queda no consumo de álcool, a pesquisa revela um dado alarmante. Oito em cada dez consumidores abusivos consideram a forma como bebem moderada. 21% dos entrevistados disseram beber moderadamente e 15% admitiram beber de forma abusiva, isto é, cinco doses ou mais por ocasião. Desses, a maioria é homem e tem entre 35 e 44 anos. O brasileiro bebe quase 8 litros de álcool por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Mariana Tibbs
Em outros países, a gente tem outros padrões para a gente tentar comparar. Por exemplo, Itália, Portugal, França, os países mediterrâneos, eles consomem muito álcool. Então, o consumo médio de álcool é muito grande lá. Mas é diferente o padrão de consumo. Eles tendem a consumir pouco álcool em cada ocasião. O consumo está mais centrado nos momentos de refeições, então é durante o almoço, durante o jantar que eles vão consumir álcool. Em geral, é uma taça de vinho, ou uma lata de cerveja, ou um drink. Eles consomem pouco por ocasião. E esse é um padrão de consumo que está muito menos associado a problemas do que aquele padrão de consumo intenso, que é quando a pessoa realmente bebe para se intoxicar. Ela bebe muito numa única ocasião. E isso acontece ainda muito no Brasil. No Brasil a gente tem as duas formas, eu acredito. tanto a forma mais moderada, que é mais típica dos países mediterrâneos, quanto essa forma mais abusiva, elas convivem. E aqui ainda prevalece muito o mito também de que se eu beber muito só nos finais de semana, isso não vai me trazer nenhum tipo de malefício. Então isso é muito comum as pessoas acharem que é possível, por exemplo, fazer uma poupança de álcool. Eu não vou beber durante a semana, mas vou compensar isso no sábado quando eu for no meu churrasco. Isso é um outro mito, porque para o nosso fígado ele não sabe se é final de semana, se é dia de semana, e o que importa é que quando você bebe uma grande quantidade de álcool de uma única vez, você está aumentando muito o risco de você ter problemas.
Especialista em Saúde
O álcool tem uma série de efeitos no nosso organismo, então aqueles sintomas no efeito depressor, no sistema nervoso central, a pessoa tem euforia, tem perda de equilíbrio. Mas em pacientes com diabetes, por exemplo, esse efeito agudo pode levar à hipoglicemia, que muitas vezes ela é tardia, quatro a seis horas depois da ingestão alcoólica, e esses pacientes podem ter uma hipoglicemia severa. e um alerta para os riscos dos efeitos crônicos do álcool. Há mais de 100 condições médicas relacionadas ao consumo de álcool, então ele altera desde a parte metabólica, levando à hiperglicemia, risco de diabetes, um risco maior de síndrome metabólica e de obesidade. E na parte de fígado, o metabólito principal do álcool que é liberado no fígado, ele é extremamente tóxico para as nossas células hepáticas. Então pode levar a esteatose e outras doenças relacionadas, além de risco de câncer.
Mariana Tibbs
Então, a nossa cultura ainda vê, de certa forma, esse uso excessivo como natural. E eu acho que essa pesquisa mostra que pelo menos uma parcela da nossa sociedade, os mais jovens, estão começando a desnaturalizar um pouco essa visão. Ou seja, a embriaguez, esse consumo excessivo, abusivo, ele passa a ser visto de forma negativa para essas pessoas.
Ana Tuzaneri
Espera um pouquinho que eu já volto para falar com a Mariana Tibbs. Já que você usou a expressão mito, queria checar contigo se há mito nessa ideia, eu já vi muita gente dizendo assim, não, não, eu sou muito resistente ao álcool, a minha tolerância é alta. Isso é mito ou é verdade? Há pessoas mais tolerantes e que essa tolerância é um sinal de resistência aos efeitos do álcool?
Mariana Tibbs
A tolerância não é um sinal de resistência, na verdade, ela é um sinal de alerta, porque quando a pessoa passa a fazer o uso excessivo e ele se torna frequente, a tolerância acontece, a pessoa vai ficando cada vez mais tolerante aos efeitos do álcool, ou seja, ela demora mais para perceber que ela está sendo afetada pela substância. Mas isso não significa que a substância não está agindo de forma negativa no corpo da pessoa, ou seja, não significa que ela está ficando resistente aos danos. Os danos são iguais, tanto faz se a pessoa está sentindo o efeito do álcool ou não. A questão é o padrão do consumo. Quando você bebe de forma excessiva e frequente, certamente você vai ter algum tipo de problema no futuro.
Ana Tuzaneri
Embora tenha crescido de maneira expressiva o número de pessoas, em particular jovens, dizendo que estão consumindo menos álcool, os índices ainda são bastante altos no Brasil.
Mariana Tibbs
Sim, os índices ainda são bastante altos, a gente já vem monitorando os dados de consumo abusivo há bastante tempo aqui no Brasil, e a gente observa que a gente teve um aumento da prevalência de uso abusivo entre as mulheres, nos últimos anos. E isso é muito importante, porque as mulheres são biologicamente mais sensíveis aos danos do álcool.
Especialista em Biologia
Como as mulheres costumam ter mais gordura corporal e menos água do que os homens, o álcool acaba ficando mais concentrado no sangue. Além disso, os homens têm uma quantidade maior de uma enzima chamada álcool desidrogenase, que ajuda o estômago a metabolizar o álcool. Ou seja, no corpo das mulheres, o álcool sai do sistema digestório mais alcoólico, o que faz com que ele seja mais absorvido pelos próximos órgãos.
Mariana Tibbs
Já entre os homens, o uso abusivo vem se mostrando estável. Não cresceu, não diminuiu, tá estável. Mas isso mostra que ainda existe uma grande parcela da nossa população que tem esse padrão de consumo que é bastante nocivo. E hoje a gente tem, quase não tem, nenhuma política pública que possa, que trate desse assunto aqui no Brasil, né Então essa lacuna, essa ausência, ela acaba impactando muito nesses dados que a gente traz Mas isso não é um fenômeno restrito só ao Brasil, né Esse aumento do uso entre mulheres, ele tá muito presente no mundo todo e reflete mudanças mais amplas de comportamento, mudanças culturais, maior igualdade também entre homens e mulheres. Então, é um panorama complexo na Tusa. De um lado, a gente tem jovens da geração Z que estão parando de beber. De outro, a gente tem mulheres que estão aumentando o consumo, para tentar enfrentar estresse, para enfrentar a sobrecarga de trabalho. Então, não é um cenário muito simples, muito fácil. Eu acho que ainda a gente tem poucos dados a respeito. Eu acho que faltam pesquisas mais sólidas para a gente entender mais a fundo esses fenômenos, principalmente a respeito das motivações dos jovens, porque a gente está falando aqui de hipóteses. Então, tem a preocupação com a saúde, tem a preocupação com a reputação, Acho que tem essa questão da mudança da percepção do álcool mesmo, que passa a ser visto como mais arriscado, mas lembrando que são hipóteses, a gente precisa ter pesquisas mais sólidas, mais consistentes, pra gente entender mais a fundo todo esse cenário, todo esse panorama.
Ana Tuzaneri
Mariane, como é que esse consumo se apresenta em diferentes estratos da população, diferença de renda, por exemplo?
Mariana Tibbs
A queda do consumo entre jovens, ela foi mais observada entre jovens das classes A e B, com mais escolaridade. ao passo que a maior predominância ainda de uso excessivo de álcool acontece entre homens de baixa escolaridade, das regiões do Centro-Oeste e do Norte do Brasil. Então é importante a gente lembrar que também é um fenômeno que está segmentado e que tem ainda uma desigualdade até nessa queda do consumo de álcool. e que o consumo excessivo ainda é muito ligado à vulnerabilidade social, ele é muito ligado ao enfrentamento de dificuldades, eu acho que tudo isso ainda precisa ser muito discutido no Brasil.
Ana Tuzaneri
E pra gente terminar, Mariana, eu quero fazer uma pergunta de incentivo a quem está pensando parar de beber. O que muda no corpo, na mente, na qualidade de vida quando a gente deixa o álcool?
Mariana Tibbs
Muitas pessoas que embarcam nessa jornada, seja por conta de movimentos como Janeiro Seco, Sobre os Curiosos ou porque decidiram se conhecer melhor quando deixam de beber, elas relatam que elas passaram a dormir melhor, porque o álcool afeta muito o sono de forma negativa, a pele melhora muito quando a pessoa deixa de beber, As pessoas notam melhora na produtividade, então você tem mais disposição, você tem mais energia ao longo do seu dia. As mulheres, que existe uma interação entre os hormônios femininos com o álcool, então muitas mulheres notam melhorias no seu ciclo menstrual, ficam mais reguladas. Então são benefícios que as pessoas que deixam de beber ou fazem pausas ou até só reduzem o consumo já costumam notar, que são bem interessantes.
Ana Tuzaneri
Mariana, muito obrigada por você ter topado conversar com a gente e um bom trabalho pra você.
Mariana Tibbs
Obrigada, Natuza. Eu que agradeço a oportunidade.
Ana Tuzaneri
Antes de terminar, um recado. Se você ouve o assunto no Spotify e gostou do episódio, é assunter mesmo, dá cinco estrelas e compartilha esse episódio com quem você quiser. Você pode nos ouvir no G1, no YouTube e em todas as plataformas de áudio. Este episódio usou áudio da TV Cultura. Comigo na equipe do assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva e Carlos Catelan. Neste episódio colaborou também Paula Paiva Paulo. Eu sou Ana Tuzaneri, fico por aqui. Até o próximo assunto.
Data: 19 de janeiro de 2026
Host: Ana Tuzaneri
Entrevistada: Mariana Tibbs (Doutora em Sociologia, coordenadora do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool)
Tema principal: A queda no consumo de álcool no Brasil, especialmente entre os jovens, suas causas, consequências e padrões de consumo em diferentes segmentos da sociedade.
O episódio foca na tendência recente de diminuição do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, sobretudo entre os jovens, e busca entender os fatores por trás desse novo comportamento. Mariana Tibbs, especialista em saúde e álcool, oferece análises sobre dados, comportamento social, reflexos no mercado e desafios persistentes relacionados ao abuso alcoólico, além de discutir mitos, impactos de saúde, novas formas de socialização e o papel das políticas públicas.
O episódio evidencia uma relevante transformação geracional na relação com o álcool no Brasil: jovens bebem menos, motivados por saúde, autocuidado e mudança cultural na percepção da embriaguez. No entanto, o consumo abusivo persiste em segmentos mais vulneráveis, e cresce entre mulheres – mostrando a complexidade do tema, agravada pela falta de políticas públicas e necessidade de pesquisas aprofundadas.
Com esse panorama detalhado, o ouvinte compreende não só as estatísticas, mas também as nuances sociais, culturais e comportamentais envolvidas na mudança de hábito do consumo de álcool, podendo refletir sobre práticas cotidianas, saúde e o contexto cultural brasileiro – tanto nos avanços quanto nas persistentes desigualdades e desafios.