Transcript
Natuza Neri (0:02)
2012 é um ano muito importante para a história do Supremo Tribunal Federal. Foi quando os ministros julgaram o escândalo do Mensalão, um dos casos de maior interesse público das últimas décadas. Ali, todos os holofotes se viraram para a corte e nunca mais saíram. Cito aqui alguns casos que mobilizaram o país inteiro e que foram decididos por lá. A confirmação do impeachment de Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato e a tentativa de golpe de Estado, que levou Jair Bolsonaro à prisão.
Felipe Recondo (0:28)
Esta é a proclamação do resultado.
Natuza Neri (0:31)
Nas últimas semanas, o Supremo está nas manchetes não por suas decisões, mas na esteira de um outro escândalo de grande repercussão. O caso do Banco Master arrastou dois ministros, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, para uma crise. E como quem vê a tempestade chegando, o presidente da corte, Edson Fachin, tenta encontrar abrigo.
Felipe Recondo (0:50)
Em meio ao escândalo do Banco Master, o presidente do STF disse que os tribunais precisam de autocontenção e que isso não significa fraqueza. Afirmou ainda que juízes devem ter um comportamento irrepreensível, ou seja, impecável, e defendeu que a integridade é uma exigência constitucional. Em minha experiência de mais de 10 anos como juiz constitucional, Percebo que esse dilema não se resolve apenas no plano teórico. Ele exige uma postura permanente de humildade institucional, de reconhecer que os tribunais têm autoridade para dizer o direito, mas não têm, nem podem ter o monopólio da sabedoria política. A autocontenção não é fraqueza.
Narrator/Reporter (1:43)
O ministro vem defendendo a criação de um código de conduta para os ministros do STF, escolheu a ministra Carmen Lúcia como relatora, mas até agora não há um texto fechado.
Natuza Neri (1:53)
Nesta semana, o ministro Flávio Dino entrou em cena com uma decisão que cai muito bem na opinião pública.
Felipe Recondo (1:59)
O ministro determinou o fim da aposentadoria compulsória remunerada como penalidade máxima imposta a juízes. A decisão do ministro Flávio Dino põe fim a uma regra considerada privilégio e que sempre foi alvo de críticas.
Natuza Neri (2:14)
e a Suprema Corte se movimenta em dois atos. Da porta pra dentro, Fachin busca consensos e sinaliza estar atento às demandas da sociedade. Já Flávio Dino, com as prerrogativas constitucionais para tal, chama para si a responsabilidade de pautas, que não só têm apelo popular, como representam uma demanda antiga da sociedade brasileira. casos das emendas parlamentares, por exemplo.
