Transcript
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Tim Black, um plano exclusivo pra você descobrir a sua melhor versão. Era início da semana quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transmitiu ao mundo um anúncio que ele mesmo disse ter esperado 20 anos para fazer. Ele estava ao lado de Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde do país, uma conhecida voz anti-vacinas e de teorias conspiratórias relacionadas à saúde. Trump disse que ia revelar, naquele momento, um progresso científico, ainda que, nas palavras dele, abre aspas, tudo não seja 100% compreendido ou conhecido, fecha aspas. O presidente americano falou, então, sobre o que ele considera ser uma crise. Palavras dele também. A curva exponencial dos casos de autismo no país. Há 20 anos, uma em cada 150 crianças nos Estados Unidos era diagnosticada com autismo. Em 2020, o número passou para um em cada 36. Os dados são dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Trump afirmou, nunca houve nada parecido com isso. Só que, assim como fez na pandemia da Covid-19, no caso do autismo, Trump escolheu um alvo simples para explicar um problema complexo. E disse que as causas do transtorno estão ligadas a algo que as pessoas estão tomando. Ele mirou em um medicamento específico, mas essencial para grávidas em todo o mundo, o paracetamol. Por lá, popularmente conhecido por uma marca. Contrariando evidências científicas, Trump disse que o tilenol está associado a um risco muito maior de autismo. O remédio é um dos analgésicos e antitérmicos mais consumidos no mundo, usado para tratar dores e febre. E também reconhecido por ser seguro para gestantes, quando, claro, usado com indicação médica.
B (2:19)
Isso porque grávidas não devem usar antiinflamatórios como o ibuprofeno. Mas pesquisadores são claros, até hoje não existe evidência científica conclusiva de que o paracetamol cause autismo.
C (2:32)
A Organização Mundial da Saúde informou hoje que não há evidências consistentes sobre a ligação entre o uso de paracetamol na gravidez e casos de autismo em crianças.
A (2:44)
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é Trump, paracetamol e autismo. Neste episódio, eu converso com a farmacêutica Laura Marisi, doutora em biociências e biotecnologia pela Unesp. Ela também fez pós-doutorado em bioquímica pela USP. E é uma das criadoras do projeto de divulgação científica chamado Nunca Vi um Cientista. Também falo com o médico Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão de Parto da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Romulo também é coordenador médico de obstetrícia do Hospital Albert Einstein. Quinta-feira, 25 de setembro. Laura, eu vou te pedir para começar nos explicando o que é o autismo e o que a comunidade científica sabe sobre as causas desse transtorno.
