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Dedo na ferida é o novo podcast do PÁGINA UM, apresentado pela jornalista Elisabete Tavares, com as análises do advogado Miguel dos Santos Pereira sobre temas da Justiça e Transparência. No episódio de estreia, o tema em análise é o atraso da transposição da directiva anti-SLAPP que valeu a Portugal um processo da Comissão Europeia.

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A jornalista Elisabete Tavares conversa com o director do PÁGINA UM, Pedro Almeida Vieira, sobre o lançamento histórico do CORPUS, Observatório de dados sobre Saúde, que acaba de ser lançado pelo jornal. Materializado numa Plataforma online inteligente, o CORPUS, permite aos seus utilizadores aceder a mais de 38 milhões de registos hospitalares anonimizados, o que possibilita traçar o retrato dos internamentos em Portugal nos últimos 25 anos.

Autor de 'Primado do Direito' — obra que inaugura a colecção PÁGINA UM Ensaios —, Miguel dos Santos Pereira propõe uma reflexão incómoda sobre a Justiça portuguesa: e se muitos dos seus problemas resultarem não apenas das leis, mas da forma como o cérebro humano decide? Nesta entrevista ao PÁGINA UM, o advogado e investigador cruza Direito, neurociência e psicologia cognitiva para analisar os limites da objectividade, o peso dos vieses cognitivos, a influência da opinião pública e os desafios que a inteligência artificial colocará aos tribunais do século XXI.

As eleições presidenciais deste domingo foram o mote para o regresso d'O ESTRAGO DA NAÇÃO, com a moderação de Pedro Almeida Vieira, e participação de Tiago Franco, Luís Gomes e Frederico Duarte Carvalho.A conversa centra-se no balanço do processo eleitoral, identificando virtudes e fragilidades da campanha, da cobertura mediática e do comportamento do eleitorado.Partindo do resultado da primeira volta, que apurou António José Seguro e André Ventura para a segunda volta, analisam-se as leituras políticas do voto, a fragmentação do campo democrático, o desgaste do centro e a consolidação de discursos de ruptura. Discutem-se também as implicações institucionais deste cenário e os efeitos que poderá ter na governação e no equilíbrio do sistema político.

lourenloureNascido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1954, Lourenço Cazarré é descendente de portugueses de Cinfães que emigraram para o Brasil no final do século XIX. Formado em Jornalismo — disciplina que lhe ensinou o rigor e a busca da verdade factual —, encontrou na literatura o território da invenção, da experimentação e da reflexão sobre a própria linguagem, dirigindo-se a públicos diversos sem nunca abdicar da exigência literária.A sua bibliografia é vasta e atravessa vários géneros, desde o romance e a novela, passando pelo conto, até à literatura infanto-juvenil, com mais de duas dezenas de títulos destinados aos leitores mais jovens. No Brasil, a sua obra tem sido amplamente reconhecida com prémios de grande prestígio, entre os quais o Prémio Jabuti de Literatura Infanto-Juvenil, atribuído em 1998 a Nadando Contra a Morte, o Prémio Biblioteca Nacional, em 2018, com Os Filhos do Deserto Combatem na Solidão, e o Prémio Paraná de Literatura, no mesmo ano, com Kzar Alexandre, o Louco de Pelotas. Ainda nos anos 1980, venceu por duas vezes a Bienal Nestlé, então o mais importante concurso literário brasileiro, tanto na categoria de conto como na de romance.Em 2024, Lourenço Cazarré foi distinguido em Portugal com o Prémio Imprensa Nacional Ferreira de Castro, na sua 5.ª edição, com a obra Breve Memória de Simeão Boa Morte e Outros Contos Poéticos.Neste livro, o humor culto, a reflexão literária e o jogo intertextual ocupam um lugar central: um dos contos imagina um alienista gaúcho que acusa Machado de Assis de plágio, numa brincadeira erudita com O Alienista; outros textos nascem de poemas em redondilha maior, confirmando a permeabilidade entre poesia e narrativa que marca a escrita de Cazarré. A preocupação com a “ferramentaria” da língua — expressão usada pelo próprio autor — atravessa toda a obra e sintetiza bem a sua concepção da literatura como trabalho paciente e rigoroso sobre a palavra.Colaborador do PÁGINA UM há quase três anos, esta conversa com Pedro Almeida Vieira, na Biblioteca do PÁGINA UM, é sobretudo um encontro entre amigos: duas vozes que partilham a defesa da liberdade intelectual, o gosto pela análise crítica e a convicção de que a escrita — literária ou jornalística — deve ser instrumento de lucidez e não de conforto.

Sara Duarte Brandão tem a vocação de entrelaçar mundos — da palavra à imagem, do design à poesia, do palco à página. Nasceu no Porto em 1997, mas o seu corpo e alma dividem-se entre a Beira Baixa e Arouca — lugares que alimentaram memórias e raízes.Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, é também Facilitadora em Criação Artística Comunitária e doutoranda em Ciências da Educação, com uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.Designer, tecedeira de imaginários e escritora, representa hoje uma geração que recusa fronteiras entre arte, pensamento e comunidade. Em 2023, publicou Descolonizar o Sujeito Poético (Urutau), livro que viria a conquistar uma Menção Honrosa no Prémio Glória de Sant’Anna e alcançar a final da Mostra Nacional Jovens Criadores. Já o romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa?, publicado este ano pela Dom Quixote, recebeu o Prémio Literário Cidade de Almada.Recebeu ainda o Prémio Nortear com o conto (Ver) e participa em projectos que cruzam literatura, teatro e artes plásticas.Nesta conversa com Pedro Almeida Vieira para a Biblioteca do PÁGINA UM, gravada no Porto, a Literatura é o ponto de partida — mas os temas alargam-se a outros horizontes e mundos.

Alterações Mediáticas, podcast da jornalista Elisabete Tavares sobre os estranhos comportamentos e fenómenos que afectam o ‘mundo’ anteriormente conhecido como Jornalismo.No 23º episódio, analisa-se a cobertura que a imprensa fez (ou não fez) de dois crimes que resultaram em duas mortes nos Estados Unidos: um jovem conservador e cristão devoto; uma jovem refugiada ucraniana. No caso da jovem, que era branca, a imprensa fez um blackout enquanto pôde. Sobre o assassinato do jovem conservador, a imprensa colou-o erradamente à extrema-direita ou tratou de quase justificar a sua morte, optando por destacar apenas algumas das suas posições mais controversas.

Neste episódio do podcast Acta Diurna abordam-se três temas:1) Os incêndios rurais ocorrem todos os anos em Portugal. Mas as autoridades são, aparentemente, sempre 'apanhadas' de surpresa. A dispersão de meios abunda e a forma como é feita a prevenção e o combate às chamas precisa de ser repensada.2) A ministra do Trabalho causou polémica com declarações sobre as mulheres trabalhadoras que amamentam os filhos, algumas até os filhos entrarem na escola. Além de as declarações de Maria do Rosário Palma Ramalho serem absolutamente condenáveis, também são demonstrativas de que em 2025 ainda se assistem a políticas retrógradas em matéria de maternidade e protecção da família.3) Vem aí o primeiro livro do PÁGINA UM e a estreia não podia ser melhor, já que a obra contém crónicas do nosso Brás Cubas. Pedro Almeida Vieira levanta o véu a esta obra que estará disponível dentro de poucos meses.

Um verdadeiro homem do Porto, Mário Cláudio — pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa — é uma das vozes mais singulares da literatura portuguesa contemporânea, com uma carreira que já atravessa mais de meio século. A sua obra revela uma versatilidade rara, não apenas pela extensão dos géneros que explora — do romance à poesia, do conto ao ensaio, e até ao teatro —, mas sobretudo pela sofisticação com que entrelaça arte, biografia e ficção, numa escrita de apuro estético e profunda inquietação intelectual.Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, começou a exercer advocacia ainda anos 60, mas a sua ligação à literatura foi ganhando espaço, com formação em arquivos e bibliotecas, e ainda um mestrado em Londres sobre literacia e hábitos de leitura, no final da década de 70. Foi ainda professor de Cultura Geral na Escola Superior de Jornalismo do Porto. O seu mundo literário começou a abrir-se logo em 1969, com ‘Ciclo de Cypris’, obra poética que já anunciava a sua inclinação para o rigor formal e a reinvenção dos cânones. Contudo, foi no romance que consolidou o seu nome, sobretudo a partir da década de 1980, com títulos como Amadeo (1984), Guilhermina (1986) e Rosa (1988) – a chamada Triologia da Mão –, três retratos literários de figuras centrais da cultura portuguesa — Amadeo de Souza-Cardoso, Guilhermina Suggia e Rosa Ramalho.Escritor de vastíssima erudição, num estilo que remonta a Camilo Castelo Branco, a sua escrita é marcada por um labor meticuloso da linguagem, por um gosto barroco pelas estruturas complexas e por uma constante interpelação dos mecanismos da memória e da representação. Com um vasto conjunto de romances do género histórico, onde mais do que relatar eventos, procura enquadrar a natureza humanas nesses contextos, Mário Cláudio também conseguiu construiu uma obra onde os limites entre o biográfico e o ficcional são sistematicamente interrogados. Em ‘Tiago Veiga. Uma biografia’ (2011), por exemplo, oferece-nos a vida inventada de um poeta inexistente com tal densidade que a linha entre a realidade e o artifício parece dissolver-se. Ao longo da sua carreira, recebeu os mais prestigiados galardões literários em Portugal, entre os quais o Prémio Pessoa (2004), o Grande Prémio de Romance e Novela da APE (por três vezes), o Prémio Pen Club (por duas vezes), entre muitos outros.Figura reservada, mas profundamente comprometida com a literatura como forma de conhecimento e de resistência ao esquecimento, Mário Cláudio é um autor que desafia o leitor a habitar outras vidas, outras épocas, outras formas de ver. E foi, por isso, numa conversa desafiante que recebeu, em sua casa no Porto, Pedro Almeida Vieira para falar sobre o seu percurso literário, memória, liberdade e o futuro (in)certo da cultura portuguesa.