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Para mudar o mundo, eles mantêm-se na sombra. Um programa da SIC Notícias com João Miguel Tavares, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira e coordenação de Carlos Vaz Marques

A pátria, em chuteiras, parou para assistir ao sonolento jogo de estreia da selecção da Federação Portuguesa de Futebol. Desconhece-se se os políticos que vestiram patrioteiramente a camisola já a despiram, depois da triste exibição de Ronaldo e Companhia. Enquanto isso, PSD e Chega negociaram, negociaram, negociaram e Ventura, depois das expectativas que criou ao Governo para a aprovação do pacote laboral, tirou o tapete (“Surprise! Surprise!”) a Montenegro. (O programa foi gravado na manhã de sexta-feira, ainda antes do desfecho de mais uma bela cambalhota do Chega.) Tudo isto na semana em que Estados Unidos e Irão assinaram - higienicamente, à distância - um memorando de entendimento para acabar com a guerra e para repor as coisas como elas estavam a 28 de Fevereiro. A pergunta que se impõe: para que serviu a guerra, afinal? Ainda mais uma dúvida: a “grande solidariedade” do diretor geral da PSP com um polícia condenado será descuido ou corporativismo, puro e simples? A fechar, tal como abrimos, com bola, o sócio 12 049 do Benfica (sim, Ricardo Araújo Pereira) faz o balanço de uma época sem títulosSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Esta semana, na estante, temos “Viagens com uma Burra pelas Cevenas”, de Robert Louis Stevenson; “O Vício dos Fundos Europeus”, de Nuno Paalma; “Escritos Políticos”, de Nicolau Maquiavel; e dois volumes de Luiz Pacheco: “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos” e “Ser Livre em Português”See omnystudio.com/listener for privacy information.

No alto da Penaventosa, com vista desafogada sobre o Douro, ergue-se a primeira sede de poder do Porto. A Sé Catedral, iniciada por um bispo de origem francesa de nome D. Hugo, foi, durante 286 anos, o símbolo maior do governo da cidade. Portugal ainda não era nação quando D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, doou o burgo e o couto portucalense à Igreja. As relações dos bispos com a coroa e com a burguesia emergente da cidade sempre foram conturbadas. Coube a D. João I, o "de boa Memória", romper com o poder da Igreja e iniciar um novo período de expansão do Porto para fora das muralhas. Neste episódio das "Histórias do Porto", o jornalista Carlos Rico conversa com Luís Amaral, especialista em povoamento e organização do território do noroeste da Península Ibérica da Universidade do Porto.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O carrossel da guerra não pára. Estamos semana, houve troca de bombardeamentos e a habitual promessa de acordo de paz das sextas-feiras, com Trump a dá-lo por garantido e os iranianos a não confirmarem nem desmentirem. Até no caos há padrões. O que fugiu ao padrão foi a explicação da ex-ministra da administração interna sobre o que a levou a demitir-se; em resumo: diz ter percebido que não tinha qualificações para A função. Demorou a perceber, mas talvez leve outros titulares de cargos públicos se sintam inspirados por este exemplo e venham a tirar ilações, oportunamente. Entretanto, começou - sem trégua olímpica - o mundial de futebol com a perspectiva de um duelo Ronaldo - Messi se tudo correr sem surpresas nem sobressaltos. Pode ser que carrossel da bola tire protagonismo por algum tempo ao carrossel da guerra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Há uma magna questão a inquietar a época estival que se aproxima: onde vamos poder plantar o chapéu de sol na praia? Outra pergunta que surgiu, de repente, sem que déssemos por ela: como havemos de chamar ao português se deixarmos de lhe poder chamar língua portuguesa? E ainda mais um sobressalto: como manter a compostura nas redes sociais quando se têm responsabilidades públicas? Questões candentes mas que empalidecem, naturalmente, quando se torna necessário redefinir o conceito de cessar-fogo. Trump, no papel de lexicógrafo-chefe, contribuiu esta semana para tornar a definição compatível com aquilo que se está a passar no Médio Oriente. O raio do estreito é que não há maneira de voltar a abrir-se para aliviar o sufoco económico do mundo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Esta semana, na estante, temos “Salamaleques”, de Manuel de Novaes Cabral; “Abundância”, de Ezra Klein e Derek Hompson; “Do Sentimento Trágico da Vida nos Homens e nos Povos”, de Miguel de Unamuno; e “Contar uma História”, de John Berger e Susan Sontag.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Completaram-se três meses da guerra que não ata nem desata; mas o estreito continua entupido e a aflição da economia mundial cresce a cada semana que passa. Nós, por cá, enquanto isso, vamo-nos entretendo com mega-operações do Ministério Público; polémicas em torno do SIRESP à espera que ele volte a ser necessário e a falhar; e com o modo como o Presidente da República tirou o retrato à acção do Governo no rescaldo do comboio de tempestades, deixando-o mal na fotografia. Mas nada bateu em eloquência e azedume a rubrica mensal de Passos Coelho na apresentação de mais um livro. Só lhe faltou dizer quem são os “prostitutos sem carácter” que alvejou, depois de um encontro cheio de sorrisos e cumplicidade com André VenturaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Esta semana, temos na estante “Israel: o que correu mal com o meu país?”, de Omer Bartov; “Miñán - Irmãozinho”, de Ibrahima Balde e Amets Aerzallus Antia; “Por Vezes é Preciso Trair”, de Kamel Daoud; e “Nevoeiro - Uma investigação”, de Pedro EirasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

O ministro da segurança interna de Israel decidiu partilhar com o mundo os actos de humilhação que cometeu contra estrangeiros sequestrados em alto mar, em águas internacionais. O presidente dos Estados Unidos obteve, para si e para a sua família, imunidade “para sempre” face a investigações do fisco. Embaraçado com um elogio do chefe da diplomacia norte-americana, o ministro dos negócios estrangeiros português argumenta que a frase não era literal. Nada disto são meros pormenores; alguns exemplos, apenas, de episódios de um mundo em que já nada parece inverosímil. Nem mesmo um Portugal maior, como promete Luís Montenegro. “Um Portugal” não quer dizer que seja este, claro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Esta semana, na estante, temos as crónicas de Mário Cláudio para a Antena 2 em “Fósforos Riscados no Vento”; dois livros de BD do francês Bastien Vivès: “O Gosto do Cloro” e “Corto Maltese, O Dia Anterior”; uma “colecção de violências e heresias contra português”, de Manuel Monteiro, sob o título “Em Nome da Língua, Ámen”; e o álbum “Vizinhos”, com argumento de Ana Bárbara Pedrosa e desenhos de Nuno Saraiva.See omnystudio.com/listener for privacy information.