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As notícias dos últimos trinta dias têm deixado as pessoas que prezam a vida muito preocupadas: por que estão se repetindo tão seguidamente as ondas e picos de calor de mais de 40 graus em praticamente todo o hemisfério norte, provocando a morte de milhares de pessoas? E o fogo em florestas não vai parar mais? E no Brasil, o que é isso de enchentes, ventanias, granizo, ciclone extratropical bomba, atingindo o Sul e o Sudeste? E a baixa das águas dos rios da Amazônia e do Pantanal e a seca que já se faz presente na Caatinga?O que tudo isso está nos avisando? Será o tal novo normal?

Vamos falar hoje dos sentimentos da Mãe Terra, e dos nossos sentimentos em relação a ela. Com certeza ela está feliz pela realização do 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza em Minas Gerais, nas cidades de Ouro Preto e Mariana. Feliz porque as pessoas que participaram dele no fim de semana também estavam felizes por serem filhas e filhos dela. Mais ainda, porque elas estavam preocupadas com os sofrimentos dela, causados por descuidos e agressões de outras pessoas que ainda acham que ela não é um ser vivo, e que, por isso, se iludem que podem ser donas, e acham que têm direito de usar e abusar de bens que ela criou em favor da sua vida e dos seres vivos criados por ela.

É claro que vocês logo respondem, e corretamente: não, isso é injusto e violento. Mas é o que acontece sempre que grandes projetos de crescimento econômico são implementados sem respeitar o direito à informação, consulta e livre decisão dos povos e comunidades que vivem e cuidam do território afetado.

Ficamos sabendo que pelo menos 10 mil pessoas morreram antes da hora por causa das ondas de calor, com temperaturas de até 44ºC, que atingem os países da Europa; e que a poluição do ar por fumaça vinda de incêndios no Canadá, provocados pela onda de calor, criou problemas à vida e à final da Copa Mundial de Futebol no Estados Unidos.Terrível, assustador, não é mesmo? É verdade, mas ainda temos tempo para nos perguntar: tudo isso é natural, e por isso, responsabilidade da Terra? E mais, serão estas ondas de calor algo passageiro?

Será que falta água em nosso Planeta? Essa é uma dúvida vital, porque não ter comida é uma experiência terrível, mas não ter água é uma tragédia ainda maior: morre-se em pouco tempo!Por isso, é importante a gente se perguntar se é verdade que há “escassez hídrica” ou se há “falência hídrica global”, por que se há falência, alguém deve ter culpa por isso. É possível que tenhamos chegado à escassez de água por causa da falência hídrica fabricada. Como sabemos, a falência de qualquer tipo de empresa tem causas na má administração.

Vejam, amigas e amigos, o começo do artigo escrito por Joseph Stiglitz e outros especialistas sobre a relação entre riqueza e pobreza, provocados por Oliver Shutter, ex-relator especial da ONU para direitos humanos e extrema pobreza:Vivemos em uma era de escassez fabricada. Num mundo mais rico do que nunca, cerca de um décimo da população mundial ainda vive em extrema pobreza . Milhões de pessoas não têm condições de comprar comida suficiente, ter moradia adequada ou acesso a cuidados básicos de saúde, enquanto uma pequena minoria acumula riqueza e poder sem precedentes. Ao mesmo tempo, secas, incêndios de grandes proporções, inundações e ondas de calor nos lembram que nossas economias estão levando o planeta além de seus limites.

As notícias lá dos países da Europa, se levadas a sério, são de assustar. Afinal, só nas ondas de calor dessa semana morreram antes da hora, por causa do calor, mais de mil e trezentas pessoas. E o que mais se escuta é que os governos não promoveram iniciativas para que as pessoas se previnam. Mas houve quem perguntasse: basta fazer algo para se adaptar? Na verdade, é possível se adaptar?

Mais do que nunca, os povos colonizados pela Europa a partir de 1.500, na América Latina, primeiro, e depois, na África e Ásia, e explorados pelos Estados Unidos, precisam juntar suas forças para enfrentar as políticas de ódio e marginalização dos seus irmãos e irmãs que migraram em busca de melhores condições de vida nos países que se enriqueceram com os roubos e violências da colonização.

Estamos no mês de santos muito festejados por nosso povo: Santo Antônio, São João e Santos Pedro e Paulo, e de fato precisamos de sua ajuda para enfrentar os grandes desafios que as pesquisas científicas apresentam ao nosso país e a todos os povos do mundo. Vamos destacar uma delas, realizada pela Oxfam, com informações que, por serem verdadeiras, nem os afetados, que são os super-ricos, as negam.O relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade contra o Poder dos Bilionários” analisa como os super-ricos estão garantindo poder político para moldar as regras de nossas economias e sociedades em benefício próprio e em detrimento dos direitos e liberdades das pessoas em todo o mundo.

Melhor do que isso, só dois disso, festeja a cultura popular. É o que devemos desejar em relação às decisões que estão sendo tomadas pelo Congresso Nacional, pelo Governo Federal e pelo Consórcio Nordeste, que reúne os governos da região. Todos estão anunciando ações em favor do recaatingamento. E o anúncio O recaatingamento agora vira política pública é verdadeiro, por reconhecer que ele já começou há anos e foi prática de movimentos e entidades da sociedade civil. No site Recaatingamento, ele é apresentado assim:O Recaatingamento é uma metodologia de Convivência com o Semiárido que promove os meios necessários para a recuperação de áreas degradadas e conservação da biodiversidade da Caatinga, com a participação ativa das comunidades por meio de ações de educação ambiental contextualizada para o fortalecimento do valor da Caatinga em Pé. Como componente da metodologia tem-se a integração de ações ambientais, sociais e produtivas para mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e ampliação da resiliência dos povos da Caatinga.